{"id":37933,"date":"2009-03-31T10:20:55","date_gmt":"2009-03-31T10:20:55","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/03\/31\/fome-em-tempo-de-abundancia\/"},"modified":"2009-03-31T10:20:55","modified_gmt":"2009-03-31T10:20:55","slug":"fome-em-tempo-de-abundancia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/fome-em-tempo-de-abundancia\/","title":{"rendered":"Fome em tempo de abund\u00e2ncia"},"content":{"rendered":"<p>Inten\u00e7\u00e3o Geral do Papa para o m\u00eas de Abril <!--more--> <i>Que o Criador aben\u00e7oe o trabalho dos agricultores com colheitas abundantes e torne sens\u00edveis os povos mais ricos ao drama da fome no mundo<\/i>  1. \tRespeitar os agricultores \tAo longo dos s\u00e9culos, um dos trabalhos mais menosprezados tem sido aquele do qual depende tudo o resto: a agricultura. Aos agricultores coube quase sempre a pior das sortes entre as diversas classes sociais: explorados pelos grandes senhores das terras ou pelos grandes grupos econ\u00f3micos que comercializam os alimentos; trabalhando todo o ano, de sol a sol, sem hor\u00e1rios, f\u00e9rias ou sal\u00e1rio fixo; dependentes do clima favor\u00e1vel ou inclemente; considerados incultos, ignorantes e olhados com ares de superioridade, sobretudo pelos citadinos; abandonados \u00e0 sua sorte nas aldeias, sempre os \u00faltimos a dispor dos bens da civiliza\u00e7\u00e3o e do progresso&#8230; O seu trabalho \u00e9 ignorado pela maior parte e desprezado por muitos; no entanto, s\u00e3o eles quem coloca na mesa de todos os alimentos indispens\u00e1veis \u00e0 vida. Nos pa\u00edses economicamente mais desenvolvidos, esta atitude foi-se alterando, sobretudo porque o n\u00famero de agricultores foi diminuindo. Continua, por\u00e9m, a ser comum a sua discrimina\u00e7\u00e3o: porque os outros trabalhadores t\u00eam direitos de que eles nunca gozam; porque os bens por eles produzidos s\u00e3o constantemente desvalorizados e pagos a pre\u00e7os irris\u00f3rios; porque muitos os v\u00eam como \u201cparasitas\u201d, sempre \u00e0 busca de subs\u00eddios governamentais. E, no entanto, repito, todos nos alimentamos com o fruto do seu trabalho!  2. \tO cuidado da terra \tMuito antes de a ecologia se tornar moda, j\u00e1 os agricultores cuidavam da terra com carinho e velavam para que ela produzisse os seus frutos. A industrializa\u00e7\u00e3o da agricultura foi meio caminho andado para se perder esta sabedoria ancestral de quem vivia ao ritmo das esta\u00e7\u00f5es e tratava a terra, as plantas e os animais com respeito amigo e reconhecido. A crise alimentar vivida no ano passado, embora mais especulativa do que real, foi um alerta para a urg\u00eancia de voltar a uma rela\u00e7\u00e3o de proximidade com a terra, n\u00e3o deixando campos produtivos ao abandono e promovendo a ocupa\u00e7\u00e3o humana dos espa\u00e7os rurais. Esta ocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma \u201creserva estrat\u00e9gica\u201d que nenhum pa\u00eds deveria descuidar e s\u00f3 ela permite uma verdadeira ecologia, protagonizada por quem cuida daquilo que conhece \u2013 sem idolatrias nem agress\u00f5es pr\u00f3prias de gente que da terra e dos seus ritmos conhece, quando muito, o que l\u00ea nos livros.  3.\tAlimentos para todos \tNoutros s\u00e9culos, as grandes fomes eram motivadas, ou pelas guerras ou por colheitas escassas. Na segunda metade do s\u00e9culo XX, depois das grandes fomes causadas pelas duas guerras mundiais, surgiu um fen\u00f3meno novo: popula\u00e7\u00f5es inteiras, sobretudo em \u00c1frica e tamb\u00e9m em certas regi\u00f5es da \u00c1sia, foram deixadas \u00e0 fome, por inc\u00faria dos respectivos governos e desinteresse dos pa\u00edses economicamente mais desenvolvidos. E, ao contr\u00e1rio do que muitos proclamavam e continuam a proclamar, estas situa\u00e7\u00f5es n\u00e3o resultam da falta de alimentos \u2013 antes coincidem com produ\u00e7\u00f5es excedent\u00e1rias e enormes desperd\u00edcios. Basta atender aos n\u00fameros: mais de mil e 400 milh\u00f5es de pessoas vivem com menos de um d\u00f3lar por dia; metade dos alimentos produzidos actualmente \u00e9 desperdi\u00e7ada \u2013 se assim n\u00e3o fosse, chegariam para alimentar toda a popula\u00e7\u00e3o actual e aquela que se prev\u00ea venha a existir em 2050; um ter\u00e7o do leite produzido nunca \u00e9 utilizado; um quarto da produ\u00e7\u00e3o americana de frutos e vegetais apodrece na distribui\u00e7\u00e3o; metade do lixo dos aterros australianos \u00e9 constitu\u00edda por restos alimentares; um ter\u00e7o dos alimentos comprados na Gr\u00e3-Bretanha nunca \u00e9 consumido&#8230;  4.\tUrg\u00eancia planet\u00e1ria \tS\u00e3o n\u00fameros arrasadores, os n\u00fameros da nossa vergonha. E a aumentar esta vergonha, pulula entre n\u00f3s, os da sociedade da abund\u00e2ncia e do desperd\u00edcio, gente sem-vergonha, empenhada em alarmismos ecol\u00f3gicos, falando do esgotamento dos recursos naturais, da sobrepopula\u00e7\u00e3o do planeta, da incapacidade da Terra para alimentar a todos, da necessidade de reduzir a natalidade, da urg\u00eancia em promover o aborto nos pa\u00edses mais pobres&#8230; A urg\u00eancia \u00e9 outra: um com\u00e9rcio mundial mais justo; maior respeito pelas na\u00e7\u00f5es menos desenvolvidas economicamente; verdadeira solidariedade entre as na\u00e7\u00f5es; e, sobretudo, um empenho claro em promover formas de governa\u00e7\u00e3o rigorosas, respeitadoras dos povos e promotoras de verdadeiro desenvolvimento ao servi\u00e7o de todos e n\u00e3o apenas dos poderosos. \tO Criador aben\u00e7oou-nos com colheitas abundantes, merc\u00ea da intelig\u00eancia que nos concedeu e tantos colocam o servi\u00e7o do bem comum. Falta-nos usar esta b\u00ean\u00e7\u00e3o com sabedoria e gratid\u00e3o, n\u00e3o permitindo a uns poucos apropriarem-se dos bens da terra, enquanto multid\u00f5es nem sequer podem mitigar a fome com as migalhas desta abund\u00e2ncia. Enquanto assim for, bem podemos esperar ouvir: \u201cJ\u00e1 colhestes a vossa recompensa\u201d.  <i>Elias Couto<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Inten\u00e7\u00e3o Geral do Papa para o m\u00eas de Abril<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[93,101,211,267,314,316],"class_list":["post-37933","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-vaticano","tag-aborto","tag-africa","tag-ferias","tag-natal","tag-solidariedade","tag-terco"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37933","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37933"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37933\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37933"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37933"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37933"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}