{"id":378370,"date":"2025-06-01T09:31:24","date_gmt":"2025-06-01T08:31:24","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=378370"},"modified":"2025-05-31T18:48:28","modified_gmt":"2025-05-31T17:48:28","slug":"media-o-metaproblema-deste-seculo-xxi-sera-para-onde-e-que-as-tecnologias-nos-levam-antonio-valente-andrade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/media-o-metaproblema-deste-seculo-xxi-sera-para-onde-e-que-as-tecnologias-nos-levam-antonio-valente-andrade\/","title":{"rendered":"Media: \u00abO metaproblema deste s\u00e9culo XXI ser\u00e1 para onde \u00e9 que as tecnologias nos levam\u00bb &#8211; Ant\u00f3nio Valente Andrade"},"content":{"rendered":"<p><em>Neste Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais \u00e9 convidado da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia ECCLESIA Ant\u00f3nio Valente Andrade, professor da Cat\u00f3lica Porto, doutorado em Tecnologias e Sistemas de Informa\u00e7\u00e3o, que tem investigado os impactos da intelig\u00eancia artificial em v\u00e1rias \u00e1reas<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_378374\" aria-describedby=\"caption-attachment-378374\" style=\"width: 2048px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Antonio-Valente-Andrade_RR-1.jpeg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-378374 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Antonio-Valente-Andrade_RR-1.jpeg\" alt=\"\" width=\"2048\" height=\"1536\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Antonio-Valente-Andrade_RR-1.jpeg 2048w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Antonio-Valente-Andrade_RR-1-347x260.jpeg 347w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Antonio-Valente-Andrade_RR-1-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Antonio-Valente-Andrade_RR-1-768x576.jpeg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Antonio-Valente-Andrade_RR-1-1536x1152.jpeg 1536w\" sizes=\"(max-width: 2048px) 100vw, 2048px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-378374\" class=\"wp-caption-text\">Foto: RR<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia) <\/em><\/p>\n<p><em>O Papa Le\u00e3o XIV, nas suas primeiras interven\u00e7\u00f5es, referiu-se v\u00e1rias vezes aos desafios da intelig\u00eancia artificial, inclusive para justificar a escolha do seu nome, face aos novos desafios que se colocam no mundo do trabalho.\u00a0\u00a0Faz sentido esta sua preocupa\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Sim, creio que faz todo sentido, porque estamos perante uma nova revolu\u00e7\u00e3o que ter\u00e1 muito impacto na organiza\u00e7\u00e3o do trabalho e no futuro do trabalho. N\u00f3s j\u00e1 estamos a assistir a muita automa\u00e7\u00e3o que vem do uso da inform\u00e1tica e agora desta nova onda que \u00e9 a intelig\u00eancia artificial e que pode ter, de facto, bastante impacto no emprego e na organiza\u00e7\u00e3o do trabalho. Por isso faz todo sentido a preocupa\u00e7\u00e3o que ele tem, a n\u00edvel social.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Recorrendo \u00e0 sua experi\u00eancia, tamb\u00e9m para situarmos quem nos est\u00e1 a ouvir, que principais riscos e desafios \u00e9 que devemos valorizar? Por exemplo, \u00e9 uma coisa que muita gente se questionar\u00e1, \u00e9 previs\u00edvel um aumento do desemprego?<\/em><\/p>\n<p>Pois n\u00e3o sabemos, h\u00e1 sinais contradit\u00f3rios, mas eu estou em crer que haver\u00e1 uma redu\u00e7\u00e3o do tempo de trabalho. Fala-se muito na sociedade de p\u00f3s-trabalho\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Isso at\u00e9 poder\u00e1 n\u00e3o ser mau\u2026.<\/em><\/p>\n<p>Exatamente. At\u00e9 se fala na semana de quatro dias<em>.<\/em> Porque isso j\u00e1 aconteceu no passado, tivemos uma redu\u00e7\u00e3o, trabalhava s\u00f3 s\u00e1bado, depois s\u00f3 de manh\u00e3 e depois j\u00e1 n\u00e3o se trabalhava ao s\u00e1bado. Enfim, genericamente falando, e agora fala-se na semana de quatro dias, portanto mais tempo para a fam\u00edlia, para o lazer, para a cultura, isso ser\u00e1 positivo. Mas tudo que sejam profiss\u00f5es mais rotineiras podem ser dispensadas para a automa\u00e7\u00e3o. E efetivamente temos o exemplo da IBM, que \u00e9 um grande construtor de tecnologias de informa\u00e7\u00e3o, tanto de hardware como de software, s\u00f3 trabalha com grandes companhias, que previu reduzir 8 mil postos de trabalho e, de facto, fez essas dispensas e automatizou o Departamento de Recursos Humanos, poupando 3 mil e 600 milh\u00f5es de d\u00f3lares, mas depois acabou por empregar mais pessoas, mais engenheiros que precisava para o desenvolvimento da utiliza\u00e7\u00e3o da intelig\u00eancia artificial na companhia. E tamb\u00e9m pessoas para o marketing, para as vendas, que n\u00e3o t\u00eam compet\u00eancias necessariamente em intelig\u00eancia artificial. H\u00e1 esses sinais contradit\u00f3rios, mas estou em crer que, de facto, a redu\u00e7\u00e3o dos postos de trabalho se far\u00e1 sentir, sobretudo em profiss\u00f5es que tenham menos empatia humana, digamos assim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E a intelig\u00eancia artificial pode acentuar desigualdades e injusti\u00e7as?<\/em><\/p>\n<p>Sim, isso \u00e9 um problema entre pa\u00edses mais desenvolvidos e menos desenvolvidos no acesso \u00e0 tecnologia que permite esse tipo de avan\u00e7os. Digamos que o metaproblema deste s\u00e9culo XXI ser\u00e1 para onde \u00e9 que as tecnologias nos levam, porque as empresas de tecnologia tentaram no in\u00edcio fazer um certo pacto sobre o desenvolvimento da intelig\u00eancia artificial, depois isso n\u00e3o foi feito e, portanto, \u00e9 cada um por si a desenvolver e depois ver se o que \u00e9 que d\u00e1, n\u00e3o \u00e9? Portanto, estamos a correr este risco que ter\u00e1 fortes impactos nos pr\u00f3ximos anos, depois de 2030, segundo alguns, onde possamos ter uma intelig\u00eancia artificial mais equiparada ao ser humano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>N\u00f3s estamos a celebrar o Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, a forma como os mais novos procuram informa\u00e7\u00f5es e s\u00e3o bombardeados nas redes sociais com dados que s\u00e3o, muitas vezes deturpados e manipulados, s\u00e3o um desafio para todos?<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida, \u00e9 um desafio e uma amea\u00e7a, porque, se me permitem, eu acho que no plano da educa\u00e7\u00e3o o uso da intelig\u00eancia artificial deve ser equacionado em torno de cinco eixos: ensinar com intelig\u00eancia artificial, investigar com intelig\u00eancia artificial, preparar os jovens para o mundo com intelig\u00eancia artificial, melhorar a efici\u00eancia administrativa e operacional das escolas com intelig\u00eancia artificial e preparar os jovens para o mundo com intelig\u00eancia artificial. \u00c9 muito importante, porque a fraude personalizada \u00e9 uma amea\u00e7a muito presente com o desenvolvimento de intelig\u00eancia artificial.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Sim, a pergunta ia muito nesse sentido, porque h\u00e1 uma tend\u00eancia do agravamento de manipula\u00e7\u00e3o, que passa at\u00e9 o avan\u00e7o da intelig\u00eancia artificial\u2026.<\/em><\/p>\n<p>Pois, a manipula\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o, a discrimina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E at\u00e9 dos v\u00eddeos que parecem verdadeiros, mas que s\u00e3o completamente falsos, com coisas que as pessoas nunca disseram. Este desenvolvimento desta capacidade de perceber quais s\u00e3o as fontes de informa\u00e7\u00e3o fi\u00e1veis e n\u00e3o, tamb\u00e9m \u00e9 um desafio espec\u00edfico?<\/em><\/p>\n<p>Sim, sem d\u00favida, sem d\u00favida, cada vez mais. Vai ser muito dif\u00edcil distinguir o que \u00e9 verdadeiro e falso, embora existem algoritmos em sentido contr\u00e1rio, para detetar essas situa\u00e7\u00f5es.\u00a0Andamos sempre a correr atr\u00e1s de quem utiliza a tecnologia de forma errada, n\u00e3o \u00e9? Mas sim, esse \u00e9 um perigo muito grande e as crian\u00e7as e os jovens deviam ser formados nessa precau\u00e7\u00e3o que t\u00eam de ter.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>J\u00e1 que estamos neste ponto, o que detetou ind\u00edcios dessa desinforma\u00e7\u00e3o, dessa manipula\u00e7\u00e3o, por exemplo, nos \u00faltimos atos eleitorais em Portugal?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o estive muito atento a isso, confesso, mas n\u00e3o foi conhecido como nos Estados Unidos.\u00a0 Mas \u00e9 poss\u00edvel que sim, sobretudo nas plataformas sociais, creio que h\u00e1 partidos que criam perfis falsos, etc., para criar volumes de not\u00edcias e de intera\u00e7\u00f5es que s\u00e3o completamente falsas.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Do ponto de vista da educa\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso passar de uma l\u00f3gica, at\u00e9 olhando para o que nos estava a dizer antes, da transmiss\u00e3o de conhecimentos, mas tamb\u00e9m \u00e9 preciso passar para uma l\u00f3gica de um trabalho de desenvolvimento de esp\u00edrito cr\u00edtico?<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida. N\u00f3s ainda usamos muito a pedagogia da explica\u00e7\u00e3o e temos de ir para a pedagogia da emancipa\u00e7\u00e3o. Porque antigamente o professor era mais a fonte do conhecimento, hoje estamos perante a globaliza\u00e7\u00e3o das fontes de conhecimento e, efetivamente, os alunos quando pesquisam j\u00e1 n\u00e3o encontram informa\u00e7\u00e3o, encontram conhecimento. J\u00e1 antes, em 2006, havia um site, um servi\u00e7o que era o Wolfram Alpha, que permitia chegar ao conhecimento e tinha bases de dados fi\u00e1veis. Hoje em dia, a intelig\u00eancia artificial l\u00ea coisas fi\u00e1veis e n\u00e3o fi\u00e1veis e, por isso, temos de ter certa cautela em verificar os factos, os dados, as respostas, porque existe sempre uma tentativa de dar respostas a qualquer pergunta que se lhe fa\u00e7a. E d\u00e1 respostas positivas que podem ser falsas ou enviesadas, nalgumas circunst\u00e2ncias, embora esses algoritmos v\u00e3o melhorando. Mas, sem d\u00favida, a pedagogia tem de mudar. O ensinar com a intelig\u00eancia artificial passa um bocadinho por isso e a intelig\u00eancia artificial pode ser tutor de um aluno. H\u00e1 um estudo de 84 de [Benjamin S.] Bloom que diz que um aluno que tem um explicador pode melhorar duas vezes o desvio padr\u00e3o face \u00e0 sua m\u00e9dia de avalia\u00e7\u00e3o. E, portanto, se a intelig\u00eancia artificial for um tutor, pode estar aqui um melhor estudante, se n\u00e3o delegar na intelig\u00eancia artificial as suas compet\u00eancias e a sua capacidade de autocr\u00edtica e as suas compet\u00eancias de trabalho. Se fizer uma transfer\u00eancia cognitiva fica a perder para sempre, mas \u00e9 um risco que se corre, \u00e9 uma certa pregui\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Entende ent\u00e3o que quem fala numa cultura do facilitismo e alerta para a depend\u00eancia da tecnologia nas novas gera\u00e7\u00f5es<\/em><\/p>\n<p>Sim, sim, sim, \u00e9 uma amea\u00e7a muito presente. Por um lado, os alunos podem desmotivar-se por verem que h\u00e1 resposta para tudo, e, portanto, eles n\u00e3o t\u00eam de saber, n\u00e3o t\u00eam de trabalhar, mas assim o mundo n\u00e3o evolui. E, portanto, eles poder\u00e3o ficar ref\u00e9ns daqueles que estudarem, trabalharem e forem mais competentes no futuro. Sem d\u00favida que h\u00e1 uma amea\u00e7a e depois tamb\u00e9m, antigamente tinha-se receio que os alunos plagiassem trabalhos, hoje em dia n\u00e3o se trata propriamente de pl\u00e1gio porque a intelig\u00eancia artificial gera textos novos, e \u00e9 mais dif\u00edcil de perceber.<\/p>\n<p>H\u00e1 sistemas que detetam padr\u00f5es que a intelig\u00eancia artificial tem na escrita, mas ainda cometem muitos erros acusando, vamos dizer, de pl\u00e1gio em situa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o \u00e9, e tamb\u00e9m deixam passar outras que de facto \u00e9. Depois h\u00e1 estes sistemas que escrevem metadados que n\u00e3o s\u00e3o vis\u00edveis nos textos que produzem, mas depois tamb\u00e9m h\u00e1 sistemas que limpam esses metadados. Estamos aqui sempre num problema, e, portanto, temos de mudar a forma como desenvolvemos as aprendizagens e como fazemos as avalia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Este \u00e9 um momento de grande transforma\u00e7\u00e3o, temos falado da \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o, j\u00e1 falamos tamb\u00e9m da \u00e1rea da comunica\u00e7\u00e3o, come\u00e7\u00e1mos evocando as transforma\u00e7\u00f5es expect\u00e1veis na \u00e1rea do trabalho. Qual o papel que a Igreja Cat\u00f3lica pode desempenhar neste momento em que a pr\u00f3pria defini\u00e7\u00e3o do que \u00e9 ser humano pode ser posta em causa?<\/em><\/p>\n<p>Pois pode trabalhar muito esta quest\u00e3o dos valores, da integridade do ser humano e tamb\u00e9m no plano da escola, da integridade acad\u00e9mica e cient\u00edfica e, portanto, estas dimens\u00f5es \u00e9ticas e sociais, acho que a Igreja Cat\u00f3lica tem um papel e uma autoridade que \u00e9 reconhecida pela sociedade em geral e que deve continuar a desenvolver, atenta estes novos fen\u00f3menos e desenvolvimentos, porque estamos no in\u00edcio desta revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>N\u00e3o o surpreende, portanto, que haja preocupa\u00e7\u00e3o assumida com grupos de trabalho, com encontros no Vaticano, com propostas de reflex\u00e3o, com a ideia de uma \u00e9tica do algoritmo? Faz sentido da parte da Santa S\u00e9 este esfor\u00e7o?<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida que sim, sem d\u00favida que sim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 uma tend\u00eancia para cen\u00e1rios catastrofistas neste debate, mas que caminhos \u00e9 que a investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica tem vindo a abrir para que a intelig\u00eancia artificial seja um recurso ao servi\u00e7o do desenvolvimento humano? <\/em><\/p>\n<p>H\u00e1 sempre esse lado positivo de ver a intelig\u00eancia artificial como um recurso, uma mais-valia que nos pode ajudar a acelerar a investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e chegar a bons resultados. H\u00e1 exemplos fant\u00e1sticos no plano da sa\u00fade, por exemplo. Mas ao mesmo tempo tamb\u00e9m pode ser uma amea\u00e7a, por chegarmos a um determinado tipo de fraude no desenvolvimento cient\u00edfico.\u00a0 \u00c9 um risco, \u00e9 uma amea\u00e7a tamb\u00e9m. H\u00e1 aqui esta presen\u00e7a cada vez mais vis\u00edvel dos dois lados.\u00a0E uma das amea\u00e7as pode ser no desenvolvimento da bioengenharia, e que pode, digamos, acelerar, sobretudo em mundos onde h\u00e1 menos regula\u00e7\u00e3o. Por exemplo, a Europa est\u00e1 muito regulada e n\u00f3s sentimo-noss mais seguros, os Estados Unidos um pouco menos, mas tamb\u00e9m est\u00e3o mais avan\u00e7ados, e o mundo chin\u00eas, que \u00e9 muito competente. A\u00ed n\u00e3o sabemos o que se passa, mas sabemos que eles s\u00e3o muito bons, mas t\u00eam menos regula\u00e7\u00e3o e, portanto, podem avan\u00e7ar com desenvolvimentos que poder\u00e3o ser mais uma amea\u00e7a para a humanidade. Porque, por exemplo, eles nas escolas t\u00eam sistemas de seguir o olhar do estudante para perceber como \u00e9 que ele reage a determinado tipo de est\u00edmulos, se est\u00e1 atento, se n\u00e3o est\u00e1 atento, para com isto desenvolver pedagogias diferentes.<\/p>\n<p>Na Europa nunca consentir\u00edamos estar a filmar o olhar de um estudante. Claro que h\u00e1 desenvolvimentos paralelos interessantes, para perceber se a pessoa vai adormecer ao volante ou outro tipo de situa\u00e7\u00f5es de perigo. Mas isto utilizado de forma massiva na educa\u00e7\u00e3o ou noutra \u00e1rea tem as suas amea\u00e7as, como tem, digamos, um lado que pode ser positivo em algumas circunst\u00e2ncias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>E vamos esperar que esse lado positivo prevale\u00e7a.\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Exato.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>N\u00f3s estamos, como dizia no come\u00e7o desta conversa, no Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais.\u00a0Ainda, a mensagem que a Igreja Cat\u00f3lica prop\u00f5e hoje ainda foi assinada pelo Papa Francisco, foi a \u00faltima mensagem que ele assinou para o Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, em janeiro. E nesse documento o Papa alertava para um tempo marcado pela desinforma\u00e7\u00e3o, pela polariza\u00e7\u00e3o e esta parte eu acho que \u00e9 importante falarmos, no qual alguns centros de poder controlam uma grande massa de dados e de informa\u00e7\u00f5es sem precedentes. Sobretudo a quest\u00e3o de serem alguns centros de poder que a caminho \u00e9 necess\u00e1rio seguir para combater estes riscos de centraliza\u00e7\u00e3o dos dados, que s\u00e3o absolutamente fundamentais, nas m\u00e3os de centros de poder que n\u00e3o s\u00e3o democr\u00e1ticos ou que n\u00e3o s\u00e3o regulamentados por outros poderes?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 um dos grandes perigos, n\u00f3s \u00e0s vezes para termos determinado tipo de servi\u00e7o n\u00e3o nos importamos ou n\u00e3o nos apercebemos de ceder dados, n\u00e3o \u00e9? E, portanto, estes dados est\u00e3o muito centralizados at\u00e9, nem sempre nos Estados, mas em grandes companhias que cada vez acumulam maiores fortunas e mais poder, grandes companhias tecnol\u00f3gicas e das quais depois o mundo parece depender e os Estados tamb\u00e9m. E isso, de facto, \u00e9 uma amea\u00e7a muito grande.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E \u00e0s vezes at\u00e9 ficamos surpreendidos quando somos contactados sem saber quem deu o nosso n\u00famero de telefone, n\u00e3o \u00e9?<\/em><\/p>\n<p>Exatamente, sim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas agora, ultimamente, vendo as not\u00edcias a aparecer, realmente estamos tamb\u00e9m, por exemplo, a falar de ceder os nossos dados, reflex\u00f5es, imagens, coment\u00e1rios para o desenvolvimento da intelig\u00eancia artificial dessas companhias?<\/em><\/p>\n<p>Sim, sim. Tudo isso alimenta, n\u00e3o \u00e9? Por isso \u00e9 que se diz que os dados s\u00e3o o petr\u00f3leo do s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Sente que falta a consciencializa\u00e7\u00e3o das pessoas para as consequ\u00eancias daquilo que fazem, de poderem estar inadvertidamente a alimentar o neg\u00f3cio para o qual depois v\u00e3o ter de pagar para voltar a receber esses resultados?<\/em><\/p>\n<p>Sim. As pessoas n\u00e3o t\u00eam essa perce\u00e7\u00e3o, tal como n\u00e3o t\u00eam no uso das plataformas sociais, n\u00e3o \u00e9? Portanto, \u00e9 um fen\u00f3meno muito interessante, mas \u00e9 a cultura da incultura, de certa forma, que se est\u00e1 a viver.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 necess\u00e1rio fazer um alerta para que se utilize com parcim\u00f3nia nos nossos dados, n\u00e3o \u00e9?\u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Claro que sim.\u00a0Mas \u00e9 dif\u00edcil porque as pessoas s\u00e3o muito imediatistas no consumo da informa\u00e7\u00e3o e est\u00e3o muito focadas naquilo que aparece e que parece ser t\u00e3o interessante e, portanto, ficam muito dependentes e, esses alertas nem sempre chegam para no momento exato as pessoas terem a cautela devida. Mas tem de se continuar a fazer esse esfor\u00e7o e essa educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais \u00e9 convidado da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia ECCLESIA Ant\u00f3nio Valente Andrade, professor da Cat\u00f3lica Porto, doutorado em Tecnologias e Sistemas de Informa\u00e7\u00e3o, que tem investigado os impactos da intelig\u00eancia artificial em v\u00e1rias \u00e1reas<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":378374,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[140,916],"class_list":["post-378370","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-comunicacoes-sociais","tag-inteligencia-artificial"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/378370","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=378370"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/378370\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/378374"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=378370"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=378370"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=378370"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}