{"id":37800,"date":"2009-03-24T12:07:10","date_gmt":"2009-03-24T12:07:10","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/03\/24\/seminario-sobre-a-criacao-une-ciencia-filosofia-e-teologia\/"},"modified":"2009-03-24T12:07:10","modified_gmt":"2009-03-24T12:07:10","slug":"seminario-sobre-a-criacao-une-ciencia-filosofia-e-teologia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/seminario-sobre-a-criacao-une-ciencia-filosofia-e-teologia\/","title":{"rendered":"Semin\u00e1rio sobre a Cria\u00e7\u00e3o une ci\u00eancia, filosofia e teologia"},"content":{"rendered":"<p>O semin\u00e1rio de Vilar, no Porto, acolhe a 1 de Maio um dia de estudo intitulado \u201cDe creatione\u201d (sobre a Cria\u00e7\u00e3o), que une ci\u00eancia, filosofia e teologia.   A quest\u00e3o de Deus e a possibilidade da teologia encontram na concep\u00e7\u00e3o do mundo e do lugar que a\u00ed ocupam os seres humanos \u2013 em rela\u00e7\u00e3o a esse mundo e a todos os seus componentes \u2013 o seu principal ingrediente, sintetizado na cren\u00e7a da cria\u00e7\u00e3o. Desta forma, o mundo \u2013 a totalidade que envolve cada fen\u00f3meno humano \u2013 \u00e9 posto em rela\u00e7\u00e3o de absoluta depend\u00eancia para com o criador, o qual \u00e9 assim reconhecido ao mesmo tempo como omnipotente e omnipresente: o seu poder impondo a diferen\u00e7a estrutural entre o que \u00e9 eterno e o que se degrada ao longo do tempo, at\u00e9 \u00e0 morte; a sua iman\u00eancia invis\u00edvel e silenciosa disponibilizando o suporte ontol\u00f3gico que o ef\u00e9mero requer pelo simples facto de existir (apesar de) exposto \u00e0 caducidade. A cria\u00e7\u00e3o \u00e9 assim o pressuposto de qualquer interroga\u00e7\u00e3o sobre Deus e sobre a f\u00e9 no mesmo. N\u00e3o espanta, portanto, que a simples interroga\u00e7\u00e3o desse pressuposto tenha causado \u2013 e cause \u2013 tanta como\u00e7\u00e3o no interior da teologia e da filosofia que at\u00e9 \u00e0 alvorada da modernidade com aquela partilhava o mesmo pressuposto cosmol\u00f3gico. Mais perplexidade pode causar o facto de terem sido a teologia e a filosofia a abrir caminho a essa interroga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Um mundo criado (radicalmente distinto do seu criador) \u00e9 tamb\u00e9m um mundo livre, exposto, por outro lado, como um problema, \u00e0 curiosidade do pensamento humano. \u00c9 como problema \u2013 e n\u00e3o como um enigma \u2013 que a teologia entrega a cria\u00e7\u00e3o \u00e0 especula\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica. Na obra devem encontrar-se, de alguma maneira, as marcas do criador, os vest\u00edgios da sua ac\u00e7\u00e3o e da sua intelig\u00eancia. Por outro lado, s\u00f3 atrav\u00e9s da observa\u00e7\u00e3o da obra divina \u00e9 que se pode vislumbrar algo da natureza invis\u00edvel e inef\u00e1vel de Deus. A busca e determina\u00e7\u00e3o das leis que regem o cosmos n\u00e3o s\u00e3o sen\u00e3o a concretiza\u00e7\u00e3o desta \u00edntima rela\u00e7\u00e3o entre o criador e a cria\u00e7\u00e3o, a tentativa de resposta ao problema que est\u00e1 na origem da pr\u00f3pria ci\u00eancia.   Contudo, o caminho que a ci\u00eancia tomou, desde a modernidade, obscureceu progressivamente os v\u00ednculos que a ligavam \u00e0 teologia e \u00e0 filosofia. O mundo passou a ser visto como um enigma, algo de opaco na sua autonomia, que a ci\u00eancia devia interrogar no total alheamento de um eventual horizonte significativo (fosse teol\u00f3gico ou filos\u00f3fico). \u00c9 assim que surge a inconcili\u00e1vel dicotomia entre \u201ccriacionismo\u201d e \u201cevolucionismo\u201d, o primeiro desprezado como mito infantil, o segundo abra\u00e7ado como pensamento adulto sobre a realidade do mundo e o seu destino.   A compreens\u00e3o actual da \u201cteologia\u201d, da \u201cfilosofia\u201d e da \u201cci\u00eancia\u201d \u2013 em si mesmas e na sua rela\u00e7\u00e3o \u2013 est\u00e1 profundamente marcada por este fen\u00f3meno. Por isso, n\u00e3o se pode tentar recolocar o problema da cria\u00e7\u00e3o sem apelar a essa interrela\u00e7\u00e3o. Por outro lado, ainda, esta forma de encarar o tema da cria\u00e7\u00e3o d\u00e1-nos a oportunidade de abrir um cap\u00edtulo novo ao n\u00edvel da epistemologia desde o ponto de vista da hist\u00f3ria da ci\u00eancia. Mais concretamente, esta perspectiva permite refazer a hist\u00f3ria da ci\u00eancia em Portugal, ao longo do s\u00e9c. XX, tendo em aten\u00e7\u00e3o os influxos da ci\u00eancia na filosofia e na teologia, mas tamb\u00e9m o tipo de configura\u00e7\u00e3o que estas assumiram na sua reac\u00e7\u00e3o. Obviamente, assim colocada, a quest\u00e3o implica ainda um atravessamento de tipo sociol\u00f3gico, pois n\u00e3o foi s\u00f3 uma concep\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica cient\u00edfica a provocar a filosofia e a teologia, como ainda profundas transforma\u00e7\u00f5es sociais e pol\u00edticas.  O presente Semin\u00e1rio assume este tema para dar um primeiro contributo para uma epistemologia resultante do discernimento dos pontos de encontro da ci\u00eancia, da filosofia e da teologia. O objectivo \u00e9 o de ilustrar, desde v\u00e1rios pontos de vista de investiga\u00e7\u00e3o, como desses pontos de encontro surgem novas interroga\u00e7\u00f5es de que, isoladamente, a ci\u00eancia, a filosofia e a teologia n\u00e3o se aperceberiam. O Semin\u00e1rio ter\u00e1 uma forte componente hist\u00f3rica, na medida em que se trata, antes de mais, de vislumbrar diacronicamente, ao longo do s\u00e9c. XX, os momentos, autores e modelos que surgiram em torno desta problem\u00e1tica. Mas a metodologia hist\u00f3ria surgir\u00e1 em interac\u00e7\u00e3o com uma perspectiva cr\u00edtica, a v\u00e1rios n\u00edveis: filos\u00f3fico, teol\u00f3gico, cient\u00edfico e sociol\u00f3gico. Com isto, pretende-se inaugurar uma pr\u00e1tica interdisciplinar onde cada disciplina, abrindo-se ao di\u00e1logo, descubra noutros \u00e2mbitos cient\u00edficos elementos constitutivos da sua pr\u00f3pria problem\u00e1tica. Assim,   &#8211; a n\u00edvel filos\u00f3fico, espera-se n\u00e3o s\u00f3 uma vis\u00e3o sistem\u00e1tica do pensamento religioso cr\u00edtico em Portugal no s\u00e9culo passado, mas tamb\u00e9m uma ilustra\u00e7\u00e3o daqueles pontos de conflu\u00eancia com a cren\u00e7a, de que a teologia pretende oferecer inteligibilidade desde o interior, e com a ci\u00eancia, enquanto elemento configurador da \u201cmundivid\u00eancia\u201d moderna (e p\u00f3s-moderna).   &#8211; A n\u00edvel teol\u00f3gico, deseja-se uma pondera\u00e7\u00e3o do tipo de reac\u00e7\u00f5es que as cren\u00e7as religiosas promovem em rela\u00e7\u00e3o ao pensamento e \u00e0 produ\u00e7\u00e3o do saber sobre o mundo, os quais, no contexto da modernidade prescindem de qualquer transcend\u00eancia divina em nome de uma facticidade absoluta ou, pelo menos, inquestion\u00e1vel. A teologia \u00e9 hoje constrangida a justificar a f\u00e9 num Deus criador ante uma cosmologia cient\u00edfica que tende ela mesma a constituir o seu centro: como sopesar religiosamente este abandono do teocentrismo na vis\u00e3o do mundo? Sob estas interroga\u00e7\u00f5es, importar\u00e1 reconstruir a dif\u00edcil hist\u00f3ria da teologia em Portugal ao longo do s\u00e9culo XX, no seu enfraquecimento institucional (acad\u00e9mico). O confronto do saber religioso com o pensamento filos\u00f3fico e a investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica \u00e9, para a teologia, incontorn\u00e1vel, particularmente no que toca ao tema da cria\u00e7\u00e3o: at\u00e9 que ponto est\u00e3o as justifica\u00e7\u00f5es teol\u00f3gicas \u00e0 altura dos desafios cr\u00edticos que a filosofia e a ci\u00eancia lhe lan\u00e7am?   &#8211; A n\u00edvel cient\u00edfico, quer-se um diagn\u00f3stico do incremento da ci\u00eancia, entre n\u00f3s, naquilo que concerne ao estatuto (\u201cmec\u00e2nico\u201d, \u201crelativo\u201d, \u201cqu\u00e2ntico\u201d) do mundo: como chegaram at\u00e9 n\u00f3s as teorias \u201cevolucionistas\u201d e que elementos filos\u00f3ficos, religiosos, pol\u00edticos, etc. puseram em jogo?   &#8211; A n\u00edvel sociol\u00f3gico, pede-se um esclarecimento contextual da problem\u00e1tica, uma vez que n\u00e3o se pode desligar a hist\u00f3ria da ci\u00eancia, da filosofia e da teologia, das suas causas e efeitos concretos, quer dizer, sociais. At\u00e9 que ponto a ci\u00eancia alimenta ideologias, suporta movimentos sociais, questiona ordens pol\u00edticas? H\u00e1 elementos na hist\u00f3ria contempor\u00e2nea do nosso pa\u00eds que ilustrem a intercep\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia, da filosofia e da teologia? E como entend\u00ea-los em rela\u00e7\u00e3o com os fen\u00f3menos de regula\u00e7\u00e3o da sociedade?     <b>Programa<\/b>  9.00-10.00: Chegada   <i>I Sess\u00e3o<\/i> Moderador: Ant\u00f3nio J\u00e1como    10.00-10.30: A emerg\u00eancia do \u201cparadigma cient\u00edfico\u201d, SEBASTI\u00c3O FORMOSINHO  10.30-11.00: Debate    11.00-11.30: Intervalo   11.30-12.00: Perspectivas hist\u00f3rico-sociol\u00f3gicas, A. TEIXEIRA FERNANDES  12.00-12.30: Debate  12.30-12.45: Apresenta\u00e7\u00e3o do Pr\u00e9mio \u201cEnsaio Teol\u00f3gico\u201d \u2013 Edi\u00e7\u00e3o 2008-2009, promovido pela Sec\u00e7\u00e3o Portuguesa da ET com a Editora \u201cEstrat\u00e9gias Criativas\u201d.  12.45-13.00: Intervalo   <i>II Sess\u00e3o<\/i> Moderador: Jos\u00e9 Pedro Ang\u00e9lico  15.00-15.30: Quest\u00f5es religiosas na Filosofia em Portugal, ANT\u00d3NIO J\u00c1COMO   15.30-16.00: Debate   16.00-16.30: Neo-platonismo e criacionismo, \u00c2NGELO ALVES  16.30-17.00: Debate  17.00-17.30: Intervalo   17.30-18.00: Saudade imanente e saudade transcendente, JO\u00c3O DUQUE   18.00-18.30: Debate  18.30: Encerramento <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O semin\u00e1rio de Vilar, no Porto, acolhe a 1 de Maio um dia de estudo intitulado \u201cDe creatione\u201d (sobre a Cria\u00e7\u00e3o), que une ci\u00eancia, filosofia e teologia. 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