{"id":37798,"date":"2009-03-24T11:59:28","date_gmt":"2009-03-24T11:59:28","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/03\/24\/25-anos-da-morte-de-karl-rahner\/"},"modified":"2009-03-24T11:59:28","modified_gmt":"2009-03-24T11:59:28","slug":"25-anos-da-morte-de-karl-rahner","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/25-anos-da-morte-de-karl-rahner\/","title":{"rendered":"25 anos da morte de Karl Rahner"},"content":{"rendered":"<p>Mem\u00f3ria de um dos maiores te\u00f3logos do s\u00e9culo XX, que viveu \u00abcom a preocupa\u00e7\u00e3o de ajudar as pessoas a serem crentes\u00bb <!--more--> Karl Rahner, grande te\u00f3logo do s\u00e9culo XX, nasceu a 5 de Mar\u00e7o de 1904 em Freiburg im Breisgau (Alemanha) e morreu a 30 de Mar\u00e7o de 1984 perto de Innsbruck (\u00c1ustria). Este sacerdote jesu\u00edta passou grande parte da sua vida a ensinar nas cidades de Innsbruck, Munique e M\u00fcnster. Foi o te\u00f3logo do Cardeal K\u00f6nig, arcebispo de Viena, no Conc\u00edlio Vaticano II. \tPara Rahner, a teologia n\u00e3o era um fim em si mesmo. Na sua obra A coragem do te\u00f3logo afirma: \u00absempre fiz teologia com vista \u00e0 prega\u00e7\u00e3o, com vista \u00e0 pastoral\u00bb. Aponta-se aqui um paradoxo em Rahner. Ele era, ao mesmo tempo, um grande especulativo e algu\u00e9m desejoso de transmitir a f\u00e9. De facto, o jesu\u00edta franc\u00eas Bernard Sesbo\u00fc\u00e9 considera que a linguagem teol\u00f3gica de Rahner \u00e9 incontestavelmente dif\u00edcil. Num livro que escreveu a respeito deste, considera que \u00aba sua frase teol\u00f3gica \u00e9 t\u00e9cnica, longa e pesada, como um comboio blindado que avan\u00e7a prudentemente sobre o trilho e se mant\u00e9m \u00e0 espreita de qualquer objec\u00e7\u00e3o que se possa fazer \u00e0quilo que ele ainda n\u00e3o exprimiu\u00bb. Mas tamb\u00e9m acha que \u00abesta barreira liter\u00e1ria n\u00e3o impediu a sua voz de ter eco e ser ouvida junto dum grande p\u00fablico\u00bb. \tRahner vivia com a preocupa\u00e7\u00e3o de ajudar as pessoas do seu tempo a serem crentes. Insurgia-se contra o que considerava a vulgaridade dum mundo do qual Deus se encontrava exilado. Empenhou-se num di\u00e1logo com os n\u00e3o crentes, assente em dois princ\u00edpios. Primeiro, fazer sobressair aquela experi\u00eancia humana fundamental que se afigura comum \u00e0s duas partes do di\u00e1logo. Deve funcionar como plataforma de entendimento a partir da qual se possa prosseguir a troca dos argumentos. Segundo, reconhecer o que cada interlocutor \u00e9. O crente sente e pensa como crente; o n\u00e3o crente sente e pensa como n\u00e3o crente. \tPara Rahner, a teologia compromete quem a elabora at\u00e9 ao fundo da sua experi\u00eancia de Deus. Parte da f\u00e9 do autor e visa a f\u00e9 do leitor. \u00c9 como homem de f\u00e9 que Rahner se dirige ao ser humano actual com o intuito de o ajudar a crer. A dificuldade do discurso de Rahner parece ter mesmo a ver com a sua liga\u00e7\u00e3o \u00edntima ao que ele vive interiormente. Surge com uma carga experiencial profunda que dificilmente ser\u00e1 compreendida numa s\u00f3 leitura. Pode ser necess\u00e1rio reler uma ou mais vezes. \u00c0s tantas, \u00e9 a experi\u00eancia do pr\u00f3prio leitor que se v\u00ea convidada a acompanhar a do autor, atrav\u00e9s do que este lhe diz por interm\u00e9dio da sua produ\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica.  Rahner fez a sua experi\u00eancia pessoal de Deus na escola dos Exerc\u00edcios Espirituais de Santo In\u00e1cio de Loyola. \u00c9 aqui que se descobre a matriz do seu pensamento. Central neste \u00e9 o conceito de \u2018experi\u00eancia transcendental\u2019. Trata-se da abertura do ser humano ao mist\u00e9rio absoluto, que para os crentes tem um nome; chama-se Deus. \u00c9 uma abertura de horizonte infinito que marca o ser humano de forma estrutural. Ora, a descri\u00e7\u00e3o de tal experi\u00eancia vem na linha do que \u00e9 dito na primeira medita\u00e7\u00e3o dos Exerc\u00edcios Espirituais (n\u00ba 23): o ser humano \u00e9 criado para louvar, reverenciar e servir a Deus. Tem de se fazer indiferente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s coisas criadas, de modo a desejar e escolher o que mais o conduz para o fim que \u00e9 o seu. A liberdade \u00e9, ent\u00e3o, uma ideia importante em Rahner, tal como acontece nos ditos Exerc\u00edcios. \u00c9 preciso passar duma liberdade limitada a outra mais livre, duma liberdade amarrada a coisas finitas a outra que tem o pr\u00f3prio Deus como horizonte.  \tRahner opera na teologia o que se chama \u00abviragem antropol\u00f3gica\u00bb. Ele n\u00e3o acha que se deva levantar a quest\u00e3o de Deus no abstracto; quer formul\u00e1-la a partir do ser humano enquanto tal. Tem todo o sentido que assim seja. A revela\u00e7\u00e3o de Deus dirige-se ao ser humano e tem de o atingir no mais profundo do seu ser. \u00c9, ent\u00e3o, a partir deste que se h\u00e1-de verificar a credibilidade da proposta crist\u00e3. N\u00e3o conv\u00e9m fazer teologia \u00e0 margem da experi\u00eancia fundamental do ser humano. \u00c9 arrancando desta que se deve construir um discurso sobre Deus. Rahner procura manter em liga\u00e7\u00e3o estreita o essencial do ser humano e o essencial do cristianismo. Aquele interpela este; este deve estar preparado para lhe responder. Por um lado, o ser humano carrega consigo uma pergunta com a qual n\u00e3o cessa de se confrontar: a pergunta do que ele pr\u00f3prio \u00e9 no fundo. Ele tem essa quest\u00e3o; melhor ainda, ele \u00e9 essa quest\u00e3o. Por outro lado, deve-se pensar aquilo que o cristianismo tem fundamentalmente a dizer como resposta \u00e0 tal quest\u00e3o que o ser humano \u00e9 em si mesmo.   <i>Domingos Terra, sj<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mem\u00f3ria de um dos maiores te\u00f3logos do s\u00e9culo XX, que viveu \u00abcom a preocupa\u00e7\u00e3o de ajudar as pessoas a serem crentes\u00bb<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[144],"class_list":["post-37798","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-vaticano","tag-concilio-vaticano-ii"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37798","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37798"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37798\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37798"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37798"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37798"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}