{"id":37790,"date":"2009-03-24T09:42:38","date_gmt":"2009-03-24T09:42:38","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/03\/24\/bento-xvi-em-africa-rumo-ao-sinodo\/"},"modified":"2009-03-24T09:42:38","modified_gmt":"2009-03-24T09:42:38","slug":"bento-xvi-em-africa-rumo-ao-sinodo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/bento-xvi-em-africa-rumo-ao-sinodo\/","title":{"rendered":"Bento XVI em \u00c1frica, rumo ao S\u00ednodo"},"content":{"rendered":"<p>De 17 a 23 deste m\u00eas o Papa Bento XVI esteve em \u00c1frica, concretamente na Rep\u00fablica dos Camar\u00f5es e em Angola, na que foi a sua primeira visita a Igrejas particulares deste continente. Este Papa que compreensivelmente, pelo peso dos seus anos e pelo seu car\u00e1cter, n\u00e3o gosta de viagens acabou por se decidir a pisar solo africano.  A raz\u00e3o imediata foi apresentar aos bispos africanos o documento de trabalho do pr\u00f3ximo s\u00ednodo africano, que decorrer\u00e1 em Roma de 4 a 25 de Outubro pr\u00f3ximo, com o tema &#8220;A Igreja em \u00c1frica ao servi\u00e7o da reconcilia\u00e7\u00e3o, da justi\u00e7a e da paz &#8211; V\u00f3s sois o sal da terra, v\u00f3s sois a luz do mundo (Mateus 5, 13-14)&#8221;.  Com a sua presen\u00e7a em \u00c1frica no come\u00e7o da fase de imediata prepara\u00e7\u00e3o para o s\u00ednodo e de debate sobre o documento de trabalho (Instrumentum laboris, na g\u00edria eclesi\u00e1stica), Bento XVI pretendeu chamar a aten\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica para o s\u00ednodo, para o processo da sua prepara\u00e7\u00e3o e para tudo quanto os bispos africanos disserem na altura. Neste sentido, a presen\u00e7a do Papa em \u00c1frica neste momento \u00e9 certamente bem-vinda e de grande import\u00e2ncia para trazer as Igrejas e os povos africanos para as primeiras p\u00e1ginas da actualidade eclesial.  Por si s\u00f3, a presen\u00e7a do Papa em \u00c1frica n\u00e3o garante o \u00eaxito da prepara\u00e7\u00e3o e da realiza\u00e7\u00e3o do s\u00ednodo, mas ser\u00e1 certamente um grande contributo para atingir esses objectivos. Para al\u00e9m deste resultado, h\u00e1 um outro com que Bento XVI p\u00f4de contar. A sua ida a \u00c1frica neste momento ofereceu-lhe a oportunidade de deixar um pouco para tr\u00e1s os problemas que o t\u00eam afligido recentemente (recordamos a carta que h\u00e1 dias escreveu aos bispos cat\u00f3licos sobre as pol\u00e9micas que se geraram em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua decis\u00e3o de levantar a excomunh\u00e3o aos quatro bispos lefebvrianos). A \u00c1frica acabou por mostrar-se no seu melhor e oferecer a Bento XVI um banho de multid\u00f5es, recebendo-o de bra\u00e7os abertos, ao som da m\u00fasica e das dan\u00e7as, com o forte sentido da alegria e da esperan\u00e7a que caracterizam as suas gentes e o seu viver. Esperan\u00e7a e optimismo definem o contexto em que se preparou e veio realizar esta viagem. A Igreja Cat\u00f3lica olha com muita esperan\u00e7a para a \u00c1frica, para a vitalidade de que est\u00e3o a dar mostras muitas das suas igrejas locais. As estat\u00edsticas da Igreja Cat\u00f3lica no mundo, actualizadas recentemente, confirmam este crescimento, tanto em n\u00famero de fi\u00e9is como de bispos e clero.  A Igreja em \u00c1frica tamb\u00e9m mostra, naturalmente, algumas debilidades e sinais de implos\u00e3o no seu interior. Mas neste momento, o que interessa sublinhar \u00e9 este grande potencial de crescimento de que a igreja no continente africano d\u00e1 provas, sobretudo em pa\u00edses como os Camar\u00f5es e a Nig\u00e9ria, Angola e o Congo, Uganda e o Qu\u00e9nia, s\u00f3 para nomear os mais evidentes. Que leitura vamos fazer do s\u00ednodo que esta visita pretende evidenciar? Em que direc\u00e7\u00e3o devemos explorar o seu tema central: a miss\u00e3o da igreja africana ao servi\u00e7o da reconcilia\u00e7\u00e3o, da justi\u00e7a e da paz?!  H\u00e1 tr\u00eas direc\u00e7\u00f5es que n\u00e3o poder\u00e3o ser evitadas. A primeira, para dentro da pr\u00f3pria Igreja: o s\u00ednodo ter\u00e1 que dar resposta \u00e0s amea\u00e7as de clivagens dentro da pr\u00f3pria Igreja, de divis\u00f5es que seguem clivagens \u00e9tnicas e que p\u00f5em em causa a sua unidade e o seu testemunho. Em recentes situa\u00e7\u00f5es de conflito, como no Ruanda e no Qu\u00e9nia, os cat\u00f3licos n\u00e3o conseguiram impedir que as clivagens \u00e9tnicas invadissem a igreja. A segunda, em direc\u00e7\u00e3o \u00e0s outras religi\u00f5es e denomina\u00e7\u00f5es crist\u00e3s, particularmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s igrejas independentes do continente: as rela\u00e7\u00f5es t\u00eam sido dif\u00edceis e conflituosas e imp\u00f5e-se uma viragem pelos caminhos, nem sempre f\u00e1ceis, do respeito, do di\u00e1logo e da colabora\u00e7\u00e3o. A terceira, em direc\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade africana em geral e ao envolvimento da igreja nos processos de transforma\u00e7\u00e3o social. \u00c9 talvez o \u00e2mbito mais dif\u00edcil, por um lado, mas o mais actual e aquele a que a opini\u00e3o p\u00fablica \u00e9 mais sens\u00edvel e mais espera do pr\u00f3ximo s\u00ednodo. A persist\u00eancia de conflitos e guerras \u00e9tnicas, a perman\u00eancia de situa\u00e7\u00f5es de exclus\u00e3o e de injusti\u00e7a social (pense-se no Darfur, no nordeste da R. D. Congo, na Som\u00e1lia, na Eritreia, no Zimbabu\u00e9\u2026) levam muitos hoje, em \u00c1frica, a perguntar-se onde est\u00e3o as igrejas e qual \u00e9 o seu contributo para a den\u00fancia e a supera\u00e7\u00e3o destas situa\u00e7\u00f5es.  Nos anos que se seguiram ao Conc\u00edlio Vaticano II, os l\u00edderes das igrejas locais africanas afirmaram sobretudo o seu interesse pela incultura\u00e7\u00e3o do Cristianismo e pela afirma\u00e7\u00e3o dos valores das suas culturas. Volvidos 40 anos e nos alvores do s\u00e9culo XXI, o pr\u00f3ximo s\u00ednodo africano d\u00e1-lhes a oportunidade de recuperarem o tempo perdido em rela\u00e7\u00e3o ao seu empenhamento nos processos de transforma\u00e7\u00e3o social e ao seu interesse pela doutrina social da Igreja. Neste sentido, o pr\u00f3ximo s\u00ednodo africano constituir\u00e1 um marco hist\u00f3rico para a Igreja africana: o f\u00f3rum onde ela poder\u00e1 fazer ouvir a sua voz prof\u00e9tica em rela\u00e7\u00e3o aos sofrimentos e \u00e0s esperan\u00e7as, muitas vezes desiludidas, dos africanos. <i>Pe. Manuel Augusto L. Ferreira, mccj,  Director da revista &#8220;Al\u00e9m-Mar&#8221; <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De 17 a 23 deste m\u00eas o Papa Bento XVI esteve em \u00c1frica, concretamente na Rep\u00fablica dos Camar\u00f5es e em Angola, na que foi a sua primeira visita a Igrejas particulares deste continente. 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