{"id":377890,"date":"2025-05-27T15:27:56","date_gmt":"2025-05-27T14:27:56","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=377890"},"modified":"2025-05-31T10:15:29","modified_gmt":"2025-05-31T09:15:29","slug":"a-historia-de-um-baptismo-secreto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-historia-de-um-baptismo-secreto\/","title":{"rendered":"A hist\u00f3ria de um baptismo secreto"},"content":{"rendered":"<p>Bispo de Sap\u00eb recorda os tempos da ditadura comunista na Alb\u00e2nia<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_377891\" aria-describedby=\"caption-attachment-377891\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/D-Simon-Kulli.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-377891 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/D-Simon-Kulli-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/D-Simon-Kulli-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/D-Simon-Kulli-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/D-Simon-Kulli-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/D-Simon-Kulli-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/D-Simon-Kulli.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-377891\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Funda\u00e7\u00e3o AIS<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>O Bispo de Sap\u00eb, diocese situada no norte da Alb\u00e2nia, descobriu a sua voca\u00e7\u00e3o religiosa no exemplo de um padre que passou 28 anos na pris\u00e3o, quando a Alb\u00e2nia era um pa\u00eds comunista. Foram tempos muito duros em que a f\u00e9 sobreviveu clandestinamente, em segredo. O pr\u00f3prio baptismo de D. Simon Kulli foi um exemplo disso. \u201c<\/em><em>Se algu\u00e9m soubesse que eu havia sido baptizado, lan\u00e7ariam os meus av\u00f3s e o resto da minha fam\u00edlia na pris\u00e3o\u201d, afirma o prelado em entrevista \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o AIS\u2026<\/em><\/p>\n<p>\u201cNasci na Alb\u00e2nia h\u00e1 52 anos, no auge do regime comunista.\u201d Come\u00e7a assim a entrevista de D. Simon Kulli a Maria Lozano, da Funda\u00e7\u00e3o AIS. Durante uma visita \u00e0 sede internacional da funda\u00e7\u00e3o pontif\u00edcia, o Bispo de Sap\u00eb, diocese situada no norte da Alb\u00e2nia, recordou os tempos negros em que o seu pa\u00eds vivia debaixo de uma tenebrosa ditadura que declarou o pa\u00eds como o primeiro estado ateu do mundo. \u201cA minha inf\u00e2ncia foi a mesma de todas as outras crian\u00e7as do pa\u00eds, todos n\u00f3s sofremos igualmente sob o comunismo\u201d, recorda o Bispo. \u201cMas, gra\u00e7as a Deus, recebi a F\u00e9 quando ela n\u00e3o existia na Alb\u00e2nia. Quando eu tinha uma semana de vida, meus av\u00f3s levaram-me e baptizaram-me secretamente. Ent\u00e3o foi um grande milagre que meus av\u00f3s tenham transmitido a F\u00e9 para mim. Est\u00e1vamos fechados no nosso pa\u00eds. No entanto, diziam-nos que era um para\u00edso, que t\u00ednhamos tudo e n\u00e3o nos faltava nada\u201d, disse D. Simon Kulli, sublinhando que quando o regime caiu, no in\u00edcio da d\u00e9cada de noventa do s\u00e9culo passado, praticamente ningu\u00e9m sabia nada do mundo para l\u00e1 das fronteiras do pa\u00eds. \u201cN\u00e3o t\u00ednhamos ideia de como eram a It\u00e1lia, a Alemanha ou a Am\u00e9rica. Afinal, havia uma pobreza tremenda, e o regime explorava todos. A vida sob o comunismo foi definitivamente muito dif\u00edcil; crescemos sem f\u00e9, sem Cristo e sem religi\u00e3o\u201d, refere na entrevista \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o AIS.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o se podia fazer o sinal da cruz\u2026\u201d<\/p>\n<p>O pa\u00eds procurou silenciar a religiosidade do povo, mas n\u00e3o conseguiu. A pr\u00f3pria fam\u00edlia do Bispo de Sap\u00eb \u00e9 disso exemplo. A f\u00e9 foi passando de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o, clandestinamente, com coragem, em segredo. \u201cSim, a minha fam\u00edlia, especialmente os meus av\u00f3s, passaram a F\u00e9 para n\u00f3s. Eles nos ensinaram as ora\u00e7\u00f5es, o Pai Nosso, o sinal da cruz, a Ave Maria. Mas sempre em segredo, num ambiente familiar. Na Alb\u00e2nia, n\u00e3o pod\u00edamos falar sobre isso na escola ou com nossos amigos, pois, caso contr\u00e1rio, os nossos av\u00f3s seriam presos. O regime era feroz, n\u00e3o se podia nem fazer o sinal da cruz. Em casa, rez\u00e1vamos o Pai Nosso antes das refei\u00e7\u00f5es. Lembro que o meu av\u00f4 fazia o sinal da cruz voltado para uma parede vazia, e eu n\u00e3o sabia porqu\u00ea. Mas depois, quando o regime caiu, ele explicou que havia embutido um crucifixo dentro da parede\u201d, recorda o prelado. E o mesmo aconteceu em muitas outras fam\u00edlias. O pr\u00f3prio baptismo de Simon Kulli foi exemplo de como as fam\u00edlias arriscaram tanto tantas vezes para preservarem uma f\u00e9 que o regime procurava silenciar. Kulli foi baptizado por uma religiosa Estigmatina idosa, que todos conheciam como \u201ctia\u201d e que agia secretamente. \u201cEla trazia o Sant\u00edssimo Sacramento das pris\u00f5es, onde lhe era entregue por padres encarcerados, na Alb\u00e2nia. Os padres celebravam clandestinamente, e depois entregavam as h\u00f3stias consagradas para a Irm\u00e3 Maria, escondidas entre a roupa suja, para que ela pudesse lev\u00e1-las aos doentes. E esse baptismo que recebi foi um grande presente que o Senhor me quis dar, em segredo, no auge do regime comunista. Se algu\u00e9m soubesse que eu havia sido baptizado, lan\u00e7ariam os meus av\u00f3s e o resto da minha fam\u00edlia na pris\u00e3o\u201d, afirma o Bispo.<\/p>\n<p>O nascer da voca\u00e7\u00e3o religiosa<\/p>\n<p>E era preciso mesmo ter muita coragem para se enfrentar um regime que condenou milhares para penas degradantes na pris\u00e3o apenas por ousarem viver a sua f\u00e9. D. Simon Kulli diz agora \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o AIS que teve \u201ca sorte\u201d de conhecer alguns desses her\u00f3is, desses \u201cm\u00e1rtires vivos\u201d que \u201csofreram anos na pris\u00e3o, alguns por 28 anos\u2026\u201d. O contacto com estes sacerdotes foi de tal forma importante que foi da\u00ed, desses encontros, que nasceu a sua pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o. \u201cA minha voca\u00e7\u00e3o surgiu ao ver um daqueles padres antigos celebrando a missa em latim pela primeira vez na minha par\u00f3quia. Foi a primeira missa ap\u00f3s a liberta\u00e7\u00e3o da f\u00e9 na Alb\u00e2nia. Foi exactamente naquele momento que senti a minha voca\u00e7\u00e3o. Enfim, ao ver aquele padre sofredor, que tinha tanta dificuldade em celebrar a missa, que estava curvado no altar por causa dos anos de pris\u00e3o, pensei que poderia substitu\u00ed-lo. Assim, foi ali que nasceu a minha voca\u00e7\u00e3o sacerdotal. A primeira pessoa com quem conversei sobre isso foi a Irm\u00e3 Maria, a irm\u00e3 que me baptizou\u201d, confidencia. No final da entrevista, o prelado fez quest\u00e3o de deixar tamb\u00e9m uma palavra de agradecimento por tudo o que a Funda\u00e7\u00e3o AIS tem feito ao longo dos anos pela Igreja, pela comunidade crist\u00e3 da Alb\u00e2nia. \u201cQue o Senhor aben\u00e7oe cada pessoa que estende a m\u00e3o aos mais pobres e os recompense abundantemente pela sua generosidade para com a Igreja e os necessitados no mundo. Mil gra\u00e7as pelo vosso apoio. Agrade\u00e7o de todo o cora\u00e7\u00e3o!\u201d<\/p>\n<p><em>Paulo Aido<\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bispo de Sap\u00eb recorda os tempos da ditadura comunista na Alb\u00e2nia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":187728,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-377890","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/377890","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=377890"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/377890\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/187728"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=377890"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=377890"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=377890"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}