{"id":37789,"date":"2009-03-24T09:41:09","date_gmt":"2009-03-24T09:41:09","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/03\/24\/reconciliar-e-reconstruir\/"},"modified":"2009-03-24T09:41:09","modified_gmt":"2009-03-24T09:41:09","slug":"reconciliar-e-reconstruir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/reconciliar-e-reconstruir\/","title":{"rendered":"Reconciliar e Reconstruir"},"content":{"rendered":"<p>Tudo come\u00e7ou bem para Angola: Bento XVI decidiu incluir este pa\u00eds lus\u00f3fono na sua primeira viagem a \u00c1frica. Uma honra enorme que deveria significar um apre\u00e7o grande do Vaticano pelas interven\u00e7\u00f5es da Igreja angolana durante a guerra e neste per\u00edodo de reconstru\u00e7\u00e3o nacional. Um risco enorme de, tal como acontecera em 1992, com Jo\u00e3o Paulo II, haver aproveitamento pol\u00edtico por parte das autoridades, em ano de elei\u00e7\u00f5es. Os Partidos Hist\u00f3ricos, MPLA, UNITA e FNLA, consideram todos muito positiva a decis\u00e3o do Papa visitar Angola.  <b>Dos Camar\u00f5es a Luanda<\/b> Depois de Bento XVI ter entregue o &#8216;Documento de Trabalho&#8217; do II S\u00ednodo Africano aos Bispos, levantou voo rumo a Luanda onde banhos de multid\u00e3o em festa aguardavam o Papa. Lamentava eu o facto de n\u00e3o estar em Angola (como acontecera em 1992, aquando da Visita de Jo\u00e3o Paulo II), mas acabaria por acompanhar de perto e por dentro esta viagem papal porque fui convidado a coment\u00e1-la na SIC, na TVI e na RTP. A &#8216;obriga\u00e7\u00e3o&#8217; permitiu-me ver as cerim\u00f3nias, ouvir o Papa e acompanhar a festa que o povo fez e as reac\u00e7\u00f5es que esta visita foi suscitando um pouco por todo o lado. Partilho o que vi, ouvi e senti.  <b>Papa e Presidente<\/b> A chegada a Luanda foi de troca de galhardetes. O Presidente da Rep\u00fablica evocou valores crist\u00e3os de fundo (dignidade, justi\u00e7a, solidariedade, liberdade, paz) como base para a reconstru\u00e7\u00e3o de Angola e salientou o papel importante que a Igreja Cat\u00f3lica desempenhou na &#8216;luta&#8217; pela Paz e est\u00e1 agora a investir na recupera\u00e7\u00e3o do tecido social atingido pela guerra. Sobre a situa\u00e7\u00e3o, falou das melhorias que se sentem e do ainda longo caminho a percorrer. Eduardo dos Santos surpreendeu-me pela humildade como p\u00f4s a nu, com dados estat\u00edsticos, a situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria em que vive mais de metade do povo angolano. Prometeu combater estes &#8216;tremendos desafios a superar&#8217;, apelou a uma pol\u00edtica fiscal mais justa e denunciou a corrup\u00e7\u00e3o existente no pa\u00eds. Tudo isto porque, segundo o Presidente, a guerra atingiu o corpo e alma dos angolanos. N\u00e3o poupou elogios \u00e1 interven\u00e7\u00e3o da Igreja sobre a Paz, dizendo que ela \u00e9 a institui\u00e7\u00e3o melhor posicionada para ajudar na reconstru\u00e7\u00e3o de uma Angola mais justa, equilibrada e digna, pois tem for\u00e7a moral para influenciar os cora\u00e7\u00f5es dos que decidem. Bento XVI pediu que n\u00e3o se vivesse segundo a lei dos mais fortes e recordou a multid\u00e3o de angolanos v\u00edtimas da pobreza. Referiu a necessidade de uma comunica\u00e7\u00e3o social livre, uma administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica honesta, uma rede de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o que atinja todos os angolanos. Falou ainda da boa governa\u00e7\u00e3o, da necessidade dos pa\u00edses mais ricos atribu\u00edrem os 0,7% do PIB prometido ao desenvolvimento dos pa\u00edses mais pobres e apelou ao fim das discrimina\u00e7\u00f5es de que s\u00e3o v\u00edtimas as mulheres. Foi claro ao afirmar que a Igreja estar\u00e1 sempre ao lado dos mais pobres.  <b>Dos Coqueiros \u00e0 Cuca<\/b> E as celebra\u00e7\u00f5es come\u00e7aram. A Eucaristia com o &#8216;pessoal mission\u00e1rio&#8217;, em S. Paulo, foi muito formal e &#8216;europeia&#8217;, marcada pela homenagem aos mission\u00e1rios e pela condena\u00e7\u00e3o da feiti\u00e7aria, realidade que n\u00f3s, europeus, nunca chegamos a perceber bem. Nos Coqueiros, o encontro com os jovens foi um momento de grande festa, apenas estragada pelas duas jovens mortas e pelos feridos. C\u00e2nticos, dan\u00e7as, coreografias encheram de m\u00fasica, cor e movimento o est\u00e1dio. O Papa disse que os jovens eram uma festa e o s\u00edmbolo da esperan\u00e7a. Recordou que &#8216;Deus faz a diferen\u00e7a&#8217;. Pediu-lhes que n\u00e3o tivessem medo de tomar decis\u00f5es para a vida (matrim\u00f3nio, sacerd\u00f3cio, vida consagrada), pois quem n\u00e3o se decida arrisca a ficar uma eterna crian\u00e7a. O momento mais forte foi o do encontro com jovens mutilados, tendo um deles, ali na sua frente, entoado uma can\u00e7\u00e3o muito emocionada e ovacionada. O domingo ultrapassaria as expectativas mais optimistas. Aguardavam-se 500 mil pessoas para a grande Missa papal. Estavam mais de um milh\u00e3o, a cantar, a dan\u00e7ar, sob um calor t\u00f3rrido. Neste IV Domingo da Quaresma que, em Angola, \u00e9 o Dia Nacional da Reconcilia\u00e7\u00e3o, Bento XVI falou da guerra, com as suas terr\u00edveis consequ\u00eancias e da paz, fruto da reconcilia\u00e7\u00e3o dos cora\u00e7\u00f5es. O momento da apresenta\u00e7\u00e3o das ofertas foi a grande festa da celebra\u00e7\u00e3o da diversidade cultural. Representantes das Dioceses ofereceram a Bento XVI pe\u00e7as de artesanato e produtos agr\u00edcolas. Angola, pela primeira vez, parecia estar ali toda naquele ampla esplanada da Cimamgola. A tarde teve direito ao momento mais original de todas as visitas papais que eu j\u00e1 acompanhei: o encontro exclusivo para as mulheres, na Igreja de S. Ant\u00f3nio da Cuca. Ali se disse que a mulher africana \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o fant\u00e1stica. Ali se provou que, durante a guerra, foram as mulheres quem mais influenciou a chegada da paz. Mas tamb\u00e9m se denunciaram discrimina\u00e7\u00f5es de toda a ordem, abusos, viol\u00eancia dom\u00e9stica e outras situa\u00e7\u00f5es que espezinham os direitos das mulheres.  Na hora do regresso a casa, ficou claro que o Papa veio confirmar a Miss\u00e3o da Igreja em Angola, denunciar os indicadores negativos da sociedade angolana e fazer uma proposta de mudan\u00e7a, que passa pela transpar\u00eancia, pela justi\u00e7a social, pelo combate \u00e0 pobreza e pela solidariedade. <i>Tony Neves,  Mission\u00e1rio Espiritano e Director da Ac\u00e7\u00e3o Mission\u00e1ria <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tudo come\u00e7ou bem para Angola: Bento XVI decidiu incluir este pa\u00eds lus\u00f3fono na sua primeira viagem a \u00c1frica. Uma honra enorme que deveria significar um apre\u00e7o grande do Vaticano pelas interven\u00e7\u00f5es da Igreja angolana durante a guerra e neste per\u00edodo de reconstru\u00e7\u00e3o nacional. 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