{"id":37751,"date":"2009-03-22T23:35:12","date_gmt":"2009-03-22T23:35:12","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/03\/22\/bispo-de-viseu-admite-preservativo-contra-a-sida\/"},"modified":"2009-03-22T23:35:12","modified_gmt":"2009-03-22T23:35:12","slug":"bispo-de-viseu-admite-preservativo-contra-a-sida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/bispo-de-viseu-admite-preservativo-contra-a-sida\/","title":{"rendered":"Bispo de Viseu admite preservativo contra a SIDA"},"content":{"rendered":"<p>D. Il\u00eddio Leandro apoia Bento XVI, mas diz que h\u00e1 casos em que existe \u00abobriga\u00e7\u00e3o moral\u00bb de n\u00e3o provocar a doen\u00e7a <!--more--> Causou algum esc\u00e2ndalo a afirma\u00e7\u00e3o do Papa, v\u00e1rias vezes repetida como tese da Igreja, de que o preservativo n\u00e3o \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o para o combate ao v\u00edrus da SIDA. Que queriam que ele dissesse? Afirmando que sim, banalizava o valor, o sentido e a viv\u00eancia da sexualidade, enquanto dimens\u00e3o do ser humano, centro, s\u00edmbolo e express\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es profundas da pessoa, a viver no amor, na fidelidade (confian\u00e7a rec\u00edproca), na estabilidade e na responsabilidade.  \tO Papa, quando fala da SIDA ou de outros aspectos da vida humana, n\u00e3o pode fazer doutrina para situa\u00e7\u00f5es individuais e casos concretos. Neste caso, para rela\u00e7\u00f5es entre uma pessoa infectada e outra que pode ser afectada com a doen\u00e7a. Nestes casos, quando a pessoa infectada n\u00e3o prescinde das rela\u00e7\u00f5es e induz o(a) parceiro(a) (conhecedor ou n\u00e3o da doen\u00e7a) \u00e0 rela\u00e7\u00e3o, h\u00e1 obriga\u00e7\u00e3o moral de se prevenir e de n\u00e3o provocar a doen\u00e7a na outra pessoa. Aqui, o preservativo n\u00e3o somente \u00e9 aconselh\u00e1vel como poder\u00e1 ser eticamente obrigat\u00f3rio. \tE n\u00e3o tenhamos medo ou reserva mental ou hipocrisia de admitir esta doutrina! N\u00e3o usamos tantos \u201cauxiliares\u201d artificiais para promover a vida e defender a sa\u00fade? As interven\u00e7\u00f5es cir\u00fargicas, os f\u00e1rmacos, as pr\u00f3teses e tantas outras t\u00e9cnicas ao servi\u00e7o da pessoa, em situa\u00e7\u00e3o de doen\u00e7a, n\u00e3o s\u00e3o formas de \u2018preservar\u2019, defender e promover a sa\u00fade?&#8230; Ent\u00e3o, porqu\u00ea esta afirma\u00e7\u00e3o do Papa a veicular uma doutrina e, precisamente, na viagem para \u00c1frica \u2013 o continente mais atingido por esta doen\u00e7a? Como doutrina, como ideal, como princ\u00edpio de dignidade, defesa e promo\u00e7\u00e3o da vida humana, o Papa n\u00e3o pode dizer outra coisa. Como, tamb\u00e9m, dever\u00e1 ser a deontologia do m\u00e9dico, praticando a medicina para promover e defender a vida em todas as circunst\u00e2ncias poss\u00edveis, ainda que, para defender valores em conflito, possa p\u00f4r-se perante situa\u00e7\u00f5es inevit\u00e1veis de morte\u2026 \tAinda bem que o Papa n\u00e3o cede a tenta\u00e7\u00f5es de simpatia, facilitismo ou conveni\u00eancia!&#8230; Esta \u00e9 parte da sua cruz pascal (tamb\u00e9m da Igreja, dos Bispos, dos Sacerdotes, dos Crist\u00e3os) \u2013 ter valores e causas a defender para a realiza\u00e7\u00e3o integral da pessoa humana e gastar a vida por eles, ao servi\u00e7o da dignidade e sentido da pessoa e da sua plenitude. Ser\u00e1 falta de h\u00e1bito e de cultura da exig\u00eancia e da honestidade, numa sociedade t\u00e3o relativa, t\u00e3o m\u00ednima e t\u00e3o pouca ambiciosa e coerente na defesa das pessoas e dos seus valores? Ser\u00e1 t\u00e3o f\u00e1cil o esc\u00e2ndalo farisaico de quem n\u00e3o sabe interpretar as diferen\u00e7as entre valores e princ\u00edpios gerais, por um lado e situa\u00e7\u00f5es concretas e pessoais, por outro?  Sim&#8230; Est\u00e1 aqui a grande diferen\u00e7a: a chamada \u201clei da gradualidade\u201d explica que, existindo a lei geral a afirmar, a exigir e a promover valores, eles n\u00e3o esmagam a pessoa concreta, em situa\u00e7\u00f5es muito individuais\u2026 Eles d\u00e3o a m\u00e3o com paci\u00eancia, toler\u00e2ncia e compreens\u00e3o para que a pessoa \u201csituada\u201d compreenda, aceite e queira caminhar, ao ritmo de um ideal libertador, defendido por uma lei orientadora. Acredita-se sempre no ideal que a pessoa \u00e9 chamada a atingir, porque a dignifica e valoriza, ainda que demore algum tempo ou n\u00e3o chegue nunca a atingi-lo. \tEste \u00e9 o papel da forma\u00e7\u00e3o personalizada e libertadora, dada individualmente ou em pequeno grupo, sempre como desafio \u00e0 convers\u00e3o e \u00e0 vida digna e feliz. O legislador, como refer\u00eancia do ideal a amar e a seguir, n\u00e3o pode deixar de estar acima e ser exigente, apelando, com a sabedoria de mestre e, sobretudo, com o amor e a proximidade de pai, a um grande ideal, percorrendo um caminho juntos, indo at\u00e9 onde for poss\u00edvel. Sobretudo, nunca abandonando a pessoa.  \tA terminar: como s\u00e3o parciais e intencionais as aprecia\u00e7\u00f5es da doutrina da Igreja veiculada pelo Papa para o Continente Africano e n\u00e3o s\u00f3!&#8230; \tO preservativo teria sido o tema mais importante \u2013 quase \u00fanico? Mesmo a respeito do tema da SIDA, foi a \u00fanica coisa que o Papa disse?  E outros temas, como a pobreza, a fome, a justi\u00e7a social (\u2026) e os apelos a que os pa\u00edses ricos cumpram os seus compromissos a favor do desenvolvimento?&#8230; E a den\u00fancia de que \u00c1frica n\u00e3o pode ser vista como o \u201creino do dinheiro\u201d, explorando a sua riqueza e as suas mat\u00e9rias-primas, deixando este Continente entregue \u00e0 sua insufici\u00eancia econ\u00f3mica, industrial e financeiramente?&#8230; E os desafios, feitos aos jovens, convidando-os \u00e0 coragem da aventura e a que n\u00e3o tenham medo das decis\u00f5es definitivas, sabendo que a vida est\u00e1 dentro deles?&#8230; E os desafios entreabertos e a aprofundar, quando denomina a \u00c1frica como o \u201cContinente da Esperan\u00e7a\u201d?&#8230; E a coragem que o Papa manifesta, ao falar e abordar tantos temas inc\u00f3modos?&#8230; E como entender a coragem e a capacidade de um homem, com quase 82 anos, que enfrenta situa\u00e7\u00f5es desta natureza para ir falar, no lugar pr\u00f3prio, dos temas e das causas que defende e nos quais acredita, ainda que saiba que s\u00e3o inc\u00f3modos para tantos?&#8230; Ao servi\u00e7o de quem est\u00e3o tantos meios de comunica\u00e7\u00e3o social, tantos \u201copinionmakers\u201d e tantos poderes institu\u00eddos, que mais parecem donos ou correias de transmiss\u00e3o de interesses econ\u00f3micos e pol\u00edticos que dos direitos, liberdades e dignidade da pessoa humana, a come\u00e7ar pelas mais pobres e mais indefesas?&#8230; Alguns perderam mesmo uma grande oportunidade de trazer para a reflex\u00e3o dos \u201cgrandes\u201d os grandes problemas dos \u201cpequenos\u201d que \u2013 infelizmente \u2013 continuam a n\u00e3o ter voz nem vez no actual (des)concerto das na\u00e7\u00f5es.  <i>Il\u00eddio, bispo de Viseu<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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