{"id":37741,"date":"2009-03-21T13:13:33","date_gmt":"2009-03-21T13:13:33","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/03\/21\/igreja-e-preservativo-vaticano-condena-insultos-contra-o-papa\/"},"modified":"2009-03-21T13:13:33","modified_gmt":"2009-03-21T13:13:33","slug":"igreja-e-preservativo-vaticano-condena-insultos-contra-o-papa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/igreja-e-preservativo-vaticano-condena-insultos-contra-o-papa\/","title":{"rendered":"Igreja e preservativo: Vaticano condena \u00abinsultos\u00bb contra o Papa"},"content":{"rendered":"<p>O jornal do Vaticano, \u201cL\u2019Osservatore Romano\u201d, condena em editorial a onda de cr\u00edticas que se abateu sobre Bento XVI por causa das suas declara\u00e7\u00f5es contra o uso do preservativo na preven\u00e7\u00e3o da SIDA, \u201cuma doen\u00e7a que \u00e9 uma prioridade dram\u00e1tica para o continente africano\u201d.  \u201c\u00c9 poss\u00edvel discordar da vis\u00e3o cat\u00f3lica, com certeza, mas o que justifica \u2013 como se fez \u2013 que se criem pol\u00e9micas at\u00e9 chegar ao insulto e \u00e0 distor\u00e7\u00e3o dos factos?\u201d, pergunta o director do jornal, Giovanni Maria Vian.  O editorial, intitulado \u201cUma outra viagem\u201d, defende  que a viagem do Papa tem uma avalia\u00e7\u00e3o diferente em \u00c1frica do que na Europa, frisando que \u201cs\u00f3 quem est\u00e1 longe pode pensar que a Igreja n\u00e3o est\u00e1 a fazer tudo o que se pode fazer\u201d no combate ao HIV\/SIDA.  Giovanni Maria Vian aponta o dedo a \u201cnovos e velhos colonialismos, mesmo culturais\u201d, que exploram \u201ctoda a \u00c1frica\u201d.  Sobre a pol\u00e9mica em torno das declara\u00e7\u00f5es de Bento XVI sobre o uso do preservativo, D. Jorge Ortiga, presidente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa (CEP) disse \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA ser redutor analisar a viagem do Papa tendo em conta apenas essa declara\u00e7\u00e3o: \u201cCorre-se o risco de se falar apenas dessa quest\u00e3o, quando na realidade o Papa vai trazer uma mensagem mais vasta, complexa, com desafios e interpela\u00e7\u00f5es. \u00c9 redutor fixarmo-nos apenas numa frase que se diz, quando a Igreja tem uma miss\u00e3o mais vasta e a pr\u00f3pria viagem do Papa tem outras motiva\u00e7\u00f5es\u201d.   Ao defender que a distribui\u00e7\u00e3o mais ou menos generalizada de preservativos n\u00e3o soluciona o problema (ver not\u00edcias relacionadas), Bento XVI limitou-se a reafirmar uma posi\u00e7\u00e3o que defendeu sempre. Pouco tempo ap\u00f3s ser eleito, em Junho de 2005, o Papa dizia aos Bispos da \u00c1frica do Sul que \u201co ensinamento tradicional (baseado na abstin\u00eancia, na castidade e na fidelidade, ndr) da Igreja provou que constitui o \u00fanico caminho seguro para impedir a propaga\u00e7\u00e3o do HIV\u201d.  Em Portugal, D. Janu\u00e1rio Torgal Ferreira voltou a assumir a opini\u00e3o de que \u201ch\u00e1 situa\u00e7\u00f5es t\u00e3o graves de doen\u00e7a que justificam utilizar os m\u00e9todos que os m\u00e9dicos advogam, para respeitar tamb\u00e9m a vida\u201d. Em entrevista ao \u201cA\u00e7oriano Oriental\u201d, o Bispo das For\u00e7as Armadas e de Seguran\u00e7a precisou, contudo, que \u201co problema \u00e9 que o preservativo \u00e9 visto como uma forma f\u00e1cil de algu\u00e9m come\u00e7ar a calcorrear os caminhos de uma sexualidade desviada\u201d.   O secret\u00e1rio da CEP, Pe. Manuel Moruj\u00e3o, defendeu \u00e0 Lusa que \u201cexiste compreens\u00e3o para os casos que n\u00e3o possam cumprir o que a Igreja dita como sendo ideal. H\u00e1 essa toler\u00e2ncia, mas a compreens\u00e3o dos casos particulares n\u00e3o deve baixar a fasquia da exig\u00eancia&#8221;.  D. Ant\u00f3nio Vitalino, Bispo de Beja, diz na sua nota semanal para a \u201cR\u00e1dio Pax\u201d que \u201cmuitos respons\u00e1veis de governos, sobretudo europeus, inclu\u00eddos alguns portugueses, resolveram pegar nessa not\u00edcia distorcida e incompleta para tecer duras cr\u00edticas \u00e0 Igreja e ao Papa, esquecendo toda a obra de evangeliza\u00e7\u00e3o e de promo\u00e7\u00e3o cultural, social e sanit\u00e1ria desenvolvida pela Igreja cat\u00f3lica e suas institui\u00e7\u00f5es, sobretudo nos pa\u00edses pobres onde h\u00e1 liberdade religiosa e se permite \u00e0s Igrejas desenvolver a sua actividade\u201d.  \u201cTalvez com essas reac\u00e7\u00f5es estes respons\u00e1veis queiram abafar o pouco que fazem pelo desenvolvimento deste continente, por vezes com m\u00e9todos de nova coloniza\u00e7\u00e3o, explorando as suas mat\u00e9rias-primas, por um lado, e, por outro, inundando-os de subprodutos industriais e poluentes\u201d, atira.  Segundo D. Ant\u00f3nio Vitalino, \u201cna sua resposta o Papa n\u00e3o disse que era contra o preservativo, mas sim que esta praga n\u00e3o se combate s\u00f3 com slogans publicit\u00e1rios do preservativo, pois \u00e9 um problema de fundo da educa\u00e7\u00e3o e da pessoa humana\u201d.   \u201cA humaniza\u00e7\u00e3o da sexualidade, o respeito pela dignidade das pessoas, a fidelidade conjugal, a ajuda aos doentes, a luta contra o com\u00e9rcio sexual e a escravid\u00e3o da mulher, s\u00e3o rem\u00e9dios muito mais profundos que as t\u00e9cnicas da ind\u00fastria dos pa\u00edses desenvolvidos, comercializadas e impostas aos pobres do terceiro mundo\u201d, indica o Bispo de Beja.  Esta ideia de que o preservativo pode ser uma esp\u00e9cie de \u201cviol\u00eancia cultural\u201d imposta a uma \u00c1frica que nunca teve mentalidade contraceptiva est\u00e1 presente no pensamento do Papa.  O Pe. Jorge Cunha, professor de Teologia Moral e director-adjunto da UCP (Porto), indicou \u00e0 RR que \u201ca \u00fanica maneira que a Igreja entende a respeito da sexualidade \u00e9 uma viv\u00eancia da sexualidade no contexto do Amor e, portanto, n\u00e3o tem qualquer sentido usar o preservativo\u201d.  \u201cOs meios de comunica\u00e7\u00e3o social ficam irritad\u00edssimos, porque dizem que o Papa permite e incentiva comportamentos de risco que levam \u00e0 morte das pessoas, quando ele est\u00e1 a pensar noutro registo: \u00abeu, em nome da Igreja, nunca posso dizer que se pode viver anarquicamente a sexualidade\u00bb. O sexo s\u00f3 faz sentido no Amor \u2013 \u00e9 o que Bento XVI quer dizer\u201d, concluiu.  Em 2001, a Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa publicou uma nota a respeito do drama da SIDA, afirmando claramente que \u201ca fidelidade conjugal ou ao parceiro que se elegeu para partilhar a vida, a castidade como express\u00e3o de uma viv\u00eancia equilibrada e generosa da sexualidade, s\u00e3o elementos decisivos na luta contra este flagelo\u201d.   \u201cNa preven\u00e7\u00e3o t\u00eam-se privilegiado os m\u00e9todos da \u00abbarreira f\u00edsica\u00bb, que isola o contacto dos corpos na intimidade sexual, que \u00e9, em si mesmo, um encontro plenificante de todo o ser. N\u00e3o pensamos que a luta contra esta amea\u00e7a possa ser vencida sem mobilizar as liberdades e as consci\u00eancias, levando a uma real transforma\u00e7\u00e3o dos comportamentos\u201d, apontavam ent\u00e3o os Bispos, recordando \u201cas retic\u00eancias da moral cat\u00f3lica em rela\u00e7\u00e3o ao uso generalizado do preservativo, porque ele significa uma altera\u00e7\u00e3o profunda do sentido e da dignidade da sexualidade humana\u201d.   \u201cNenhuma raz\u00e3o pode levar a Igreja a deixar de afirmar claramente essa verdade, pois s\u00f3 ela pode atrair as pessoas para novas etapas de responsabilidade e generosidade\u201d, observava a CEP.  <b>Entre Roma e \u00c1frica<\/b> Os religiosos e religiosas da Igreja Cat\u00f3lica s\u00e3o respons\u00e1veis pelos cuidados e a assist\u00eancia mais de um quarto dos doentes de SIDA em todo o mundo. Em Maio de 2008, durante o Congresso da Uni\u00e3o dos Superiores Gerais (UISG) e da Uni\u00e3o internacional das Superioras Gerais (USG), o padre Frank Monks, da Comiss\u00e3o para a Sa\u00fade dos organismos, afirmou que a resposta dos religiosos ao problema do HIV nem sempre foi vis\u00edvel, obscurecida pela aten\u00e7\u00e3o quase exclusiva que se reservou \u00e0 quest\u00e3o do preservativo. &#8220;O modo dos religiosos de enfrentar a quest\u00e3o, pelo contr\u00e1rio, vai al\u00e9m&#8221;, disse.  Os institutos religiosos est\u00e3o empenhados em v\u00e1rias frentes: tratamento m\u00e9dico, preven\u00e7\u00e3o geral, preven\u00e7\u00e3o da transmiss\u00e3o m\u00e3e-filho, cuidados dos \u00f3rf\u00e3os e das fam\u00edlias atingidas, assist\u00eancia espiritual, educa\u00e7\u00e3o sexual e, por fim, a pesquisa, em especial para se encontrar uma vacina contra a doen\u00e7a.  Na \u00c1frica, os institutos religiosos n\u00e3o deixam de se confrontar com a quest\u00e3o do preservativo. A mission\u00e1ria comboniana Ir. Maria Martinelli explicou que os princ\u00edpios da Igreja a este prop\u00f3sito s\u00e3o conhecidos, mas, na pr\u00e1tica, considerando que os religiosos lidam com pessoas de v\u00e1rias religi\u00f5es, culturas e etnias, &#8220;percebe-se que, em situa\u00e7\u00f5es especiais, o preservativo \u00e9 necess\u00e1rio&#8221;.  V\u00e1rios te\u00f3logos defendem esta mesma posi\u00e7\u00e3o e algumas congrega\u00e7\u00f5es religiosas distribuem preservativos em \u00c1frica para evitar a propaga\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as como a SIDA ou a hepatite. O Bispo sul-africano Kevin Dowling tamb\u00e9m promove essa distribui\u00e7\u00e3o e tem sido uma das vozes mais activas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 necessidade de adaptar as orienta\u00e7\u00f5es de Roma \u00e0 pr\u00e1tica pastoral.  D. Filomeno Vieira Dias, coordenador da visita papal a Luanda, disse ao JN que \u201ca sexualidade est\u00e1 orientada para ser desenvolvida num ambiente de responsabilidade. Por isso, havendo estes princ\u00edpios, acreditamos que o preservativo s\u00f3 poder\u00e1 ser usado em situa\u00e7\u00f5es extremas, mas respeitando a liberdade das pessoas\u201d.  O Pe. Michael Czerny, director da rede jesu\u00edta contra a SIDA em \u00c1frica, considera que este problema \u00e9 particularmente complexo: \u201cO HIV reduz e destr\u00f3i o sistema imunit\u00e1rio, mas \u00e9 tamb\u00e9m uma realidade cultural, familiar, comunal e espiritual\u201d.  \u201cOs ocidentais sentem que o preservativo \u00e9 o m\u00ednimo que pode fazer, em termos de responsabilidade. Mas isso \u00e9 tornar a sexualidade numa escolha muito individualizada\u201d, indica, antes de precisar que \u201cem \u00c1frica, a express\u00e3o sexual raramente \u00e9 consensual e muitas vezes \u00e9 por coac\u00e7\u00e3o\u201d, especialmente no caso de homens mais velhos e jovens raparigas.  Segundo este respons\u00e1vel, \u201ca SIDA \u00e9 uma parte de toda uma s\u00edndrome de injusti\u00e7a\u201d que impedem a \u00c1frica de encontrar \u201co seu lugar justo na economia mundial\u201d.  No Vaticano encontra-se ainda \u201cem estudo\u201d um documento sobre toda esta tem\u00e1tica, que fora anunciado em 2006 pelo Cardeal Javier Lozano Barrag\u00e1n, presidente do Conselho Pontif\u00edcio para a Pastoral da Sa\u00fade, dizendo ent\u00e3o que o mesmo abrangia a diversidade de opini\u00f5es sobre o uso do preservativo como forma de prevenir a SIDA.  O Conselho Pontif\u00edcio n\u00e3o tem compet\u00eancias doutrinais, apenas compet\u00eancias pastorais, pelo que o seu estudo tem de ser analisado pela Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, onde o processo abrandou.  O servi\u00e7o de informa\u00e7\u00e3o da Confer\u00eancia Episcopal nos EUA cita fontes da C\u00faria Romana para afirmar que o Vaticano considera ser prematuro oferecer uma posi\u00e7\u00e3o global sobre os aspectos teol\u00f3gicos e pastorais do uso do preservativo, \u201cem parte porque n\u00e3o h\u00e1 unanimidade de opini\u00f5es\u201d e tamb\u00e9m porque muitos acreditam que a discuss\u00e3o de nuances teol\u00f3gicas apenas ir\u00e1 convidar \u00e0 confus\u00e3o.  <B>Not\u00edcias relacionadas<\/B>  <a href=\"noticia.asp?noticiaid=70806\">\u2022 Papa diz que a SIDA n\u00e3o se combate com preservativos<\/a>  <a href=\"noticia.asp?noticiaid=70851\">\u2022 Vaticano precisa declara\u00e7\u00f5es do Papa sobre a SIDA <\/a>  <a href=\"noticia.asp?noticiaid=70887\">\u2022 Papa encontrou-se com representantes de Comunidade empenhada na luta conta a SIDA em \u00c1frica <\/a>  <a href=\"noticia.asp?noticiaid=70818\">\u2022 Igreja e SIDA em \u00c1frica<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O jornal do Vaticano, \u201cL\u2019Osservatore Romano\u201d, condena em editorial a onda de cr\u00edticas que se abateu sobre Bento XVI por causa das suas declara\u00e7\u00f5es contra o uso do preservativo na preven\u00e7\u00e3o da SIDA, \u201cuma doen\u00e7a que \u00e9 uma prioridade dram\u00e1tica para o continente africano\u201d. \u201c\u00c9 poss\u00edvel discordar da vis\u00e3o cat\u00f3lica, com certeza, mas o que 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