{"id":37719,"date":"2009-03-20T15:50:58","date_gmt":"2009-03-20T15:50:58","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/03\/20\/um-olhar-missionario-sobre-a-visita-do-papa\/"},"modified":"2009-03-20T15:50:58","modified_gmt":"2009-03-20T15:50:58","slug":"um-olhar-missionario-sobre-a-visita-do-papa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/um-olhar-missionario-sobre-a-visita-do-papa\/","title":{"rendered":"Um olhar mission\u00e1rio sobre a visita do Papa"},"content":{"rendered":"<p>Na primeira desloca\u00e7\u00e3o de Bento XVI ao continente africano, o Papa repete apelos \u00e0 reconcilia\u00e7\u00e3o, \u00e0 justi\u00e7a e \u00e0 paz, nos Camar\u00f5es e em Angola, onde chegou esta Sexta-feira.   \u00abA Igreja em \u00c1frica ao servi\u00e7o da reconcilia\u00e7\u00e3o, da justi\u00e7a e da paz\u00bb \u00e9 o tema do S\u00ednodo dos Bispos africanos que em Outubro, no Vaticano, vai juntar a hierarquia eclesial em torno do documento deixado esta Quinta-feira nos Camar\u00f5es.   O Pe. Manuel Augusto, director da revista \u00abAl\u00e9m-Mar\u00bb, afirma ao programa ECCLESIA que o servi\u00e7o da reconcilia\u00e7\u00e3o faz parte da miss\u00e3o da Igreja. \u201cExiste ainda uma situa\u00e7\u00e3o de conflitos, de injusti\u00e7as e de necessidade de reconcilia\u00e7\u00e3o que desafiam a Igreja a mostrar-se mais activa nesta \u00e1rea\u201d. Depois do II Conc\u00edlio do Vaticano as preocupa\u00e7\u00f5es da Igreja africana foram para a incultura\u00e7\u00e3o e menos para o envolvimento nos processos de transforma\u00e7\u00e3o social, foca. \u201cMas at\u00e9 a pr\u00f3pria Igreja africana sente hoje essa necessidade dada a gravidade da situa\u00e7\u00e3o\u201d. O Director da revista \u00abAl\u00e9m-Mar\u00bb afirma que existe essa possibilidade de interven\u00e7\u00e3o. \u201cA Igreja tem o dever de formar consci\u00eancias e, de forma indirecta, tocar nos conflitos. Parece-me que tamb\u00e9m tem uma palavra a dar na pol\u00edtica, nomeadamente, na vis\u00e3o necess\u00e1ria para supera\u00e7\u00e3o dos conflitos\u201d.  A Irm\u00e3 Tassy Francisco, religiosa Concepcionista aos servi\u00e7os do pobres, natural de Mo\u00e7ambique, afirma existir um desafio muito grande face aos \u201cfort\u00edssimos conflitos que existem e que votam o continente ao descr\u00e9dito\u201d. A religiosa aponta o importante papel que a Igreja tem. \u201c\u00c9 uma institui\u00e7\u00e3o muito forte, tem o povo na m\u00e3o, muita gente a formar e a ajudar para passar uma mensagem de reconcilia\u00e7\u00e3o, de paz e justi\u00e7a\u201d.   A presen\u00e7a do religioso \u00e9 tamb\u00e9m cada vez mais inter-religiosa. O Pe. Tony Neves, mission\u00e1rio espiritano que esteve em Angola durante muitos anos e director do jornal \u00abAc\u00e7\u00e3o Mission\u00e1ria\u00bb, aponta que h\u00e1 locais onde a diversidade religiosa tem conduzido a alguns conflitos. No entanto, o espiritano foca que a diversidade religiosa \u00e9 um \u201ccapital enorme. A complementaridade n\u00e3o deveria dar lugar a guerras e conflitos mas devia ser um factor de aproxima\u00e7\u00e3o e de paz\u201d.   O sacerdote mission\u00e1rio recorda serem hist\u00f3ricos os conflitos originados por diferentes vis\u00f5es da vida. \u201cMas acontecem situa\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m contr\u00e1rias\u201d, aponta. Em Angola, por exemplo, durante a guerra civil crist\u00e3os cat\u00f3licos e protestantes, que constituem a maioria do povo angolano, \u201cderam as m\u00e3os e trabalharam pela paz. Foram capazes de se sentar \u00e0 mesma mesa, de produzir documentos e lan\u00e7ar iniciativas comuns. O Comit\u00e9 Internacional para a Paz \u00e9 o sinal mais vis\u00edvel dessa vontade firme de dar as m\u00e3os e construir a paz\u201d.   <b>Igreja de interven\u00e7\u00e3o e den\u00fancia<\/b>  O Pe. Manuel Augusto antecipa a for\u00e7a que a Igreja pode ter para fazer ouvir a sua voz como resultado do S\u00ednodo dos Bispos Africanos. \u201cA Igreja universal unida com a Igreja africana pode ter uma grande for\u00e7a quando falar sobre os conflitos, sobre a necessidade de reconcilia\u00e7\u00e3o\u201d. Um dos frutos poder\u00e1 ser tamb\u00e9m \u201cfortalecer a denuncia. Os conflitos t\u00eam origens locais, mas est\u00e3o a ser manipulados por interesses externos ao continente. A Igreja Cat\u00f3lica tem uma for\u00e7a de den\u00fancia que talvez ainda n\u00e3o esteja a ser exercida em rela\u00e7\u00e3o aos conflitos.\u201d  O Director da revista \u00abAl\u00e9m-mar\u00bb recorda que alguns observadores lamentam que os documentos que apontam a realidade dos africanos \u201cforam preparados por grupos distantes da vida real e das comunidades concretas\u201d. O sacerdote acredita que todos os temas ficados t\u00eam interesse, \u201cresta saber quais os que ter\u00e3o mais visibilidade no S\u00ednodo\u201d.  O tema geral \u201coferece aos africanos a possibilidade de mostrar os seus problemas e ao mesmo tempo valorizar as boas experi\u00eancias de reconcilia\u00e7\u00e3o\u201d.  A religiosa Tassy Francisco manifesta que o S\u00ednodo ser\u00e1 um tempo de \u201cconfirma\u00e7\u00e3o da f\u00e9 do povo africano que quer ser uma Igreja com capacidade de traduzir o Evangelho na sua pr\u00f3pria cultura\u201d. O pr\u00f3prio tema do S\u00ednodo dos Bispos tem como objectivo \u201cencorajar a Igreja a ser uma voz que denuncia a injusti\u00e7a, a viol\u00eancia, a guerra, a pobreza e mis\u00e9ria\u201d.  Explica a religiosa que \u201cser Igreja \u00e9 optar pelos pobres e ficar ao seu lado\u201d.   A Irm\u00e3 Tassy afirma que enquanto africana gostaria que o S\u00ednodo tivesse palco em \u00c1frica. \u201cO primeiro foi em Roma e j\u00e1 nessa altura a Igreja africana gostaria de ter acolhido o S\u00ednodo, at\u00e9 porque era um momento forte, e um grande impulso a dar \u00e0 Igreja\u201d. Sendo em Roma, \u201cn\u00e3o deixar\u00e1 de ser um momento de encontro e de afirma\u00e7\u00e3o que os africanos s\u00e3o capazes de acolher a Igreja deixada pelos mission\u00e1rios\u201d.   O Pe. Tony Neves aponta tamb\u00e9m o papel de denuncia que a Igreja pode ter. \u201cMas o problema ser\u00e1 outro, porque a den\u00fancia passa nos documentos das Confer\u00eancias Episcopais africanas. \u00c9 preciso tirar consequ\u00eancias pr\u00e1ticas dessa den\u00fancia\u201d. O Pe. Tony Noves recorda o caso do sacerdote verbita Konrad que, em 1996, saiu \u00e0 rua e promoveu uma manifesta\u00e7\u00e3o pac\u00edfica pela paz, partindo da situa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica e social que o povo vivia\u201d. Este sacerdote foi preso, \u201cjulgado e durante todo o processo a hierarquia n\u00e3o se pronunciou. S\u00f3 depois o clero da arquidiocese de Luanda tomou uma posi\u00e7\u00e3o conjunta e escreveu um documento a defender o padre depois da condena\u00e7\u00e3o\u201d. O Pe. Konrad foi condenado com pena suspensa, mas \u201cdois anos depois, n\u00e3o conseguiu renovar o visto e teve de regressar \u00e0 Alemanha depois de 12 anos de trabalho intenso em Angola\u201d.  O Sacerdote espiritano sublinha que a Igreja \u201cfala e denuncia bem, mas quando a den\u00fancia vai um pouco mais longe a Igreja, enquanto hierarquia, retrai-se e n\u00e3o defende os seus padres, irm\u00e3s e leigos. Parece que o poder pol\u00edtico pode continuar a fazer o que quiser, que a Igreja denuncia, mas falta dar um passo em frente. Esta lacuna d\u00e1 for\u00e7a aos pol\u00edticos e militares. \u201d.   O Pe. Manuel Augusto afirma ser essencial fundamentar as den\u00fancias e \u201cprosseguir com uma ac\u00e7\u00e3o coerente\u201d. Mission\u00e1rios e as Igrejas locais \u201cdevem ter criatividade para p\u00f4r em ac\u00e7\u00e3o processos que conduzam \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o aos conflitos\u201d. Com ramifica\u00e7\u00f5es na comunidade internacional \u201ctorna-se mais complicado denunciar as situa\u00e7\u00f5es com raz\u00f5es consistentes\u201d.   A pr\u00f3pria falta de uni\u00e3o entre os pa\u00edses africanos n\u00e3o ajudar a construir a justi\u00e7a e a paz. \u201cMesmo dentro de cada pa\u00eds existem muitos grupos, cada grupo com uma forma muito pr\u00f3pria. \u00c9 preciso lutar pela uni\u00e3o em \u00c1frica, que \u00e9 muito necess\u00e1ria\u201d. Sublinha a religiosa Concepcionista aos servi\u00e7os do pobres.  Segundo o Tony Neves a uni\u00e3o pol\u00edtica seria muito positiva, mas apresenta-se invi\u00e1vel. \u201c\u00c1frica \u00e9 uma manta de etnias e povos. As rela\u00e7\u00f5es s\u00e3o muito diferentes quer em termos hist\u00f3ricos quer a n\u00edvel cultural. A uni\u00e3o seria fict\u00edcia\u201d.  No entanto, aponta o sacerdote espiritano, \u201ct\u00eam existido alguns esfor\u00e7os para se juntarem for\u00e7as para encontrar caminhos de solu\u00e7\u00e3o. Mas n\u00e3o se tem conseguido, lamentavelmente com preju\u00edzo para as popula\u00e7\u00f5es que vivem dramas indiscrit\u00edveis. No entanto n\u00e3o se encontram vontades pol\u00edticas globais para encontrar solu\u00e7\u00f5es porque h\u00e1 grandes interesses\u201d.   \u201c\u00c1frica n\u00e3o \u00e9 auto gestora das suas riquezas\u201d, denuncia o Pe. Tony. \u201cPetr\u00f3leo, diamantes, madeiras s\u00e3o disputadas por multinacionais que preferem a instabilidade para poder mais facilmente aceder a esses materiais\u201d.   <b>Afirmar a identidade do cristianismo africano<\/b> A visita do Papa a \u00c1frica e a realiza\u00e7\u00e3o do S\u00ednodo africano s\u00e3o sinais da necessidade de afirmar o cristianismo deste continente. \u201cUnindo os dois acontecimentos, o desafio \u00e9 lan\u00e7ado \u00e0 Igreja africana internamente para que se apresente como uma comunidade que ultrapassa os conflitos \u00e9tnicos e vive reconciliada\u201d. O Pe. Manuel Augusto aponta que \u201cesta reflex\u00e3o e desafio tem de ser assumido dentro da pr\u00f3pria Igreja\u201d.   Depois de uma fase de an\u00fancio em \u00c1frica, \u201centramos na fase da incultura\u00e7\u00e3o, de ganhar profundidade, estruturar a comunidade crist\u00e3 para que se torne prof\u00e9tica e influir nos processos em curso\u201d.  A Irm\u00e3 Tassy afirma que a reflex\u00e3o e op\u00e7\u00e3o conjunta de caminhos j\u00e1 acontece em Mo\u00e7ambique. \u201c\u00c9 um tempo forte da Igreja em \u00c1frica. Mas \u00e9 tamb\u00e9m um tempo de dificuldade. No p\u00f3s-guerra a Igreja cresceu, houve comunidades abandonadas e agora parece que tudo normaliza. Mas esta normalidade que precisa ser cuidada, atrav\u00e9s da forma\u00e7\u00e3o de leigos, religiosas e clero\u201d.  Para o Pe. Tony Neves \u00e9 uma \u201chonra enorme para Angola ser escolhida para a primeira desloca\u00e7\u00e3o do Papa \u00c1frica\u201d. O sacerdote aponta que esta foi uma escolha do Papa para confirmar a caminhada da Igreja angolana, que est\u00e1 forte, tem futuro e impacto dentro da sociedade. Talvez Bento XVI queira mostrar este exemplo angolano para o levar a outros pa\u00edses\u201d.   <\/p>\n<div name=\"mediaspace\" id=\"mediaspace\"><\/div>\n<p> <script type='text\/javascript' src=\"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/video\/wmvplayer\/silverlight.js\"><\/script> <script type='text\/javascript' src=\"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/video\/wmvplayer\/wmvplayer.js\"><\/script> <script type=\"text\/javascript\"> var cnt = document.getElementById(\"mediaspace\"); var src = 'http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/video\/wmvplayer\/wmvplayer.xaml'; var cfg = { file:'mms:\/\/195.245.168.21\/rtpfiles\/videos\/auto\/fehomens\/fehomens_2_20090316.wmv', height:'350', width:'440', autostart:'false' }; var ply = new jeroenwijering.Player(cnt,src,cfg); <\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na primeira desloca\u00e7\u00e3o de Bento XVI ao continente africano, o Papa repete apelos \u00e0 reconcilia\u00e7\u00e3o, \u00e0 justi\u00e7a e \u00e0 paz, nos Camar\u00f5es e 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