{"id":377086,"date":"2025-08-06T09:50:28","date_gmt":"2025-08-06T08:50:28","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=377086"},"modified":"2025-05-21T15:52:21","modified_gmt":"2025-05-21T14:52:21","slug":"o-uso-excessivo-dos-ecras-desafios-e-perspetivas-futuras-para-os-jovens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-uso-excessivo-dos-ecras-desafios-e-perspetivas-futuras-para-os-jovens\/","title":{"rendered":"O Uso Excessivo dos Ecr\u00e3s: Desafios e Perspetivas Futuras para os Jovens"},"content":{"rendered":"<p><em>H\u00e9lder Pires, Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-357210 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Helder-Pires-braganca-miranda-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Helder-Pires-braganca-miranda-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Helder-Pires-braganca-miranda-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Helder-Pires-braganca-miranda-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Helder-Pires-braganca-miranda-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Helder-Pires-braganca-miranda.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/>Vivemos numa era cada vez mais digital, onde os ecr\u00e3s \u2013 sejam eles smartphones, computadores, tablets ou consolas \u2013 se tornaram elementos centrais na vida dos jovens. O seu uso, embora ofere\u00e7a vantagens significativas em termos de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, comunica\u00e7\u00e3o e lazer, levanta preocupa\u00e7\u00f5es crescentes quanto ao bem-estar f\u00edsico, psicol\u00f3gico e social dos adolescentes e jovens adultos.<\/p>\n<p>As redes sociais, como o Instagram, TikTok, Facebook ou X (antigo Twitter), s\u00e3o ferramentas poderosas de conex\u00e3o social, mas podem tornar-se fontes de ansiedade e depress\u00e3o quando usadas de forma excessiva. Jovens que passam mais de tr\u00eas horas por dia nestas plataformas apresentam maior propens\u00e3o para sintomas depressivos, baixa autoestima e isolamento social (Simion &amp; Dorard, 2020).<\/p>\n<p>A constante procura por valida\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de \u201clikes\u201d e coment\u00e1rios leva \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma identidade virtual muitas vezes desconectada da realidade. Esta discrep\u00e2ncia alimenta sentimentos de inadequa\u00e7\u00e3o e insatisfa\u00e7\u00e3o pessoal. Al\u00e9m disso, fen\u00f3menos como o <strong>cyberbullying<\/strong>, o ass\u00e9dio e o contacto com conte\u00fados nocivos, como discurso de \u00f3dio ou viol\u00eancia, contribuem para o agravamento do estado emocional dos utilizadores (Ad\u00e8s et al., 2019).<\/p>\n<p>Os videojogos representam uma das atividades mais comuns entre os jovens. Embora tragam benef\u00edcios cognitivos, como a melhoria da coordena\u00e7\u00e3o e da capacidade de resolu\u00e7\u00e3o de problemas, podem tornar-se altamente viciantes.<\/p>\n<p>Segundo a OMS, o &#8220;dist\u00farbio do jogo&#8221; j\u00e1 \u00e9 reconhecido como uma condi\u00e7\u00e3o de sa\u00fade mental. Elementos como o sistema de recompensas, a competi\u00e7\u00e3o constante e o sentimento de perten\u00e7a a grupos ou \u201ccl\u00e3s\u201d tornam os jogos online, como Fortnite ou League of Legends, altamente envolventes (Griffiths &amp; Pontes, 2014). Estes jogos promovem a experi\u00eancia de <strong>flow<\/strong>, onde o jogador perde a no\u00e7\u00e3o do tempo e da realidade, dificultando o controlo do tempo de jogo.<\/p>\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o precoce a ecr\u00e3s, incluindo videojogos, em idades inferiores a 3 anos compromete o desenvolvimento motor, cognitivo, social e emocional das crian\u00e7as (Ad\u00e8s et al., 2019; SPNP, 2024).<\/p>\n<p>As apostas online emergem como uma nova e preocupante forma de depend\u00eancia digital. O f\u00e1cil acesso atrav\u00e9s dos dispositivos m\u00f3veis exp\u00f5e os jovens a jogos de azar desde cedo. A promessa de gratifica\u00e7\u00e3o imediata e ganhos r\u00e1pidos atrai especialmente os adolescentes, cuja impulsividade natural os torna mais vulner\u00e1veis (Patr\u00e3o &amp; Sampaio, 2016).<\/p>\n<p>Este tipo de comportamento pode resultar em perdas financeiras significativas, problemas emocionais e decis\u00f5es impulsivas que afetam negativamente o desempenho acad\u00e9mico, a vida familiar e a sa\u00fade mental.<\/p>\n<p>Os diversos usos dos ecr\u00e3s, embora distintos, partilham desafios comuns:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Sa\u00fade f\u00edsica<\/strong>: postura incorreta, obesidade, perturba\u00e7\u00f5es do sono e problemas oculares (Ad\u00e8s et al., 2019);<\/li>\n<li><strong>Sa\u00fade mental<\/strong>: ansiedade, depress\u00e3o, irritabilidade e depend\u00eancia digital (Griffiths &amp; Pontes, 2014);<\/li>\n<li><strong>Rela\u00e7\u00f5es sociais<\/strong>: isolamento, conflitos familiares e dificuldades de comunica\u00e7\u00e3o (Patr\u00e3o et al., s.d.).<\/li>\n<\/ul>\n<p>Dados do SICAD (2020) revelam que 1 em cada 4 jovens portugueses apresenta problemas associados \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o da internet, com implica\u00e7\u00f5es no rendimento escolar, profissional e socioemocional. Um estudo de 2014 revelou que mais de 70% dos jovens mostravam sinais de depend\u00eancia da Internet (Patr\u00e3o, 2016).<\/p>\n<p>O futuro dos jovens numa sociedade hiperconectada depender\u00e1 da\u00a0<strong>alfabetiza\u00e7\u00e3o digital<\/strong>, da\u00a0<strong>autorregula\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0e da\u00a0<strong>parceria entre pais, educadores e institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade<\/strong>. A parentalidade digital, baseada no exemplo e no acompanhamento consciente, torna-se essencial (Patr\u00e3o &amp; Sampaio, 2016).<\/p>\n<p>A Sociedade Portuguesa de Neuropediatria (SPNP, 2024) emitiu diretrizes para limitar o tempo de ecr\u00e3 em fun\u00e7\u00e3o da idade:<\/p>\n<ul>\n<li>At\u00e9 aos 3 anos: evitar ecr\u00e3s (exceto videochamadas);<\/li>\n<li>4 a 6 anos: at\u00e9 30 minutos di\u00e1rios, com supervis\u00e3o;<\/li>\n<li>7 a 11 anos: at\u00e9 1 hora por dia;<\/li>\n<li>12 a 15 anos: at\u00e9 2 horas por dia;<\/li>\n<li>16 a 18 anos: at\u00e9 3 horas por dia.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u00c9 recomendado que as redes sociais apenas sejam utilizadas a partir dos 16 anos, embora legalmente o m\u00ednimo seja os 13.<\/p>\n<p>O uso excessivo dos ecr\u00e3s \u00e9 um fen\u00f3meno complexo que exige uma resposta integrada da sociedade. A tecnologia n\u00e3o \u00e9 um inimigo, mas sim uma ferramenta poderosa, desde que usada com modera\u00e7\u00e3o e consci\u00eancia. Cabe aos adultos orientar, educar e ser exemplo para os mais jovens. Apenas atrav\u00e9s de um equil\u00edbrio entre os benef\u00edcios do mundo digital e os princ\u00edpios do bem-estar humano ser\u00e1 poss\u00edvel garantir um futuro saud\u00e1vel para as novas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Ad\u00e8s, J., Agid, Y., Bach, J.-F., Barth\u00e9l\u00e9my, C., B\u00e9gu\u00e9, P. Berthoz, A., Dubertret, L., Falissard, B., Le Moal, L., L\u00e9na, P. &amp; Tisseron, S. (2019).\u00a0<em>L\u2019enfant, l\u2019adolescent, la famille et les \u00e9crans : appel \u00e0 une vigilance raisonn\u00e9e sur les technologies num\u00e9riques<\/em>. Bulletin de l&#8217;Acad\u00e9mie Nationale de M\u00e9decine, 203(6).<\/li>\n<li>Griffiths, M.D. &amp; Pontes, H.M. (2014).\u00a0<em>Internet Addiction Disorder and Internet Gaming Disorder are Not the Same<\/em>. Journal of Addict Research Therapy, 5:124.<\/li>\n<li>Patr\u00e3o, I. &amp; Sampaio, D. (2016).\u00a0<em>Depend\u00eancias online. O poder das novas tecnologias<\/em>. Lisboa: Pactor.<\/li>\n<li>Patr\u00e3o, I. (2016).\u00a0<em>Comportamentos online em jovens portugueses: Estudo da rela\u00e7\u00e3o entre o bem-estar e o uso da internet<\/em>. In Atas do 11\u00ba Congresso Nacional de Psicologia da Sa\u00fade (pp. 347-353). Lisboa: ISPA-Instituto Universit\u00e1rio.<\/li>\n<li>Patr\u00e3o, I., Machado, M., Fernandes, P., &amp; Leal, I. (s.d.).\u00a0<em>Jovens e internet: Rela\u00e7\u00e3o com o bem-estar psicol\u00f3gico, isolamento social e funcionamento familiar<\/em>. In Actas do 13\u00ba Col\u00f3quio de Psicologia e Educa\u00e7\u00e3o (pp. 241-249).<\/li>\n<li>Proen\u00e7a dos Santos, T. &amp; Sampaio, M. (2024).\u00a0<em>Recomenda\u00e7\u00f5es da Sociedade Portuguesa de Neuropediatria para a utiliza\u00e7\u00e3o de ecr\u00e3s e tecnologia digital em idade pedi\u00e1trica<\/em>. SPNP: Lisboa.<\/li>\n<li>SICAD (2019).\u00a0<em>Jogo, Internet e Outros Comportamentos Aditivos<\/em>. Servi\u00e7o de Interven\u00e7\u00e3o nos Comportamentos Aditivos e nas Depend\u00eancias: Lisboa.<\/li>\n<li>Simion, O. &amp; Dorard, G. (2020).\u00a0<em>L\u2019usage probl\u00e9matique des r\u00e9seaux sociaux chez les jeunes adultes : quels liens avec l\u2019exposition de soi, l\u2019estime de soi sociale et la personnalit\u00e9 ?<\/em>\u00a0Psychologie Fran\u00e7aise, 65(3).<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e9lder Pires, Coordenador do Observat\u00f3rio Social da Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda<\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e9lder Pires, Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-377086","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/377086","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=377086"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/377086\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=377086"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=377086"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=377086"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}