{"id":37703,"date":"2009-03-20T10:35:54","date_gmt":"2009-03-20T10:35:54","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/03\/20\/bento-xvi-preocupado-com-conflitos-violencias-guerras-e-odio-em-solo-africano\/"},"modified":"2009-03-20T10:35:54","modified_gmt":"2009-03-20T10:35:54","slug":"bento-xvi-preocupado-com-conflitos-violencias-guerras-e-odio-em-solo-africano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/bento-xvi-preocupado-com-conflitos-violencias-guerras-e-odio-em-solo-africano\/","title":{"rendered":"Bento XVI preocupado com conflitos, viol\u00eancias, guerras e \u00f3dio em solo africano"},"content":{"rendered":"<p>Na Nunciatura apost\u00f3lica de Yaound\u00e9, Bento XVI concluiu este terceiro dia da sua viagem a \u00c1frica encontrando-se com os membros do conselho especial para a \u00c1frica do Sinodo dos Bispos. Este encontro representou o simb\u00f3lico in\u00edcio no continente africano da II assembleia sinodal especial que se efectuar\u00e1 no Vaticano de 4 a 25 de Outubro.   O conselho especial \u00e9 constitu\u00eddo por 12 membros pertencentes a v\u00e1rios pa\u00edses do continente: Nig\u00e9ria, Tanz\u00e2nia, \u00c1frica do Sul, Arg\u00e9lia, Camar\u00f5es, Mo\u00e7ambique, Congo, Burkina Fasso, Z\u00e2mbia, Madag\u00e1scar e Egipto.   Perante os conflitos \u00e9tnicos que dilaceram o continente africano, Bento XVI fez votos de que o pr\u00f3ximo S\u00ednodo para a \u00c1frica possa encarar esta grave situa\u00e7\u00e3o, porventura desenvolvendo aquela \u201cteologia da fraternidade\u201d de que j\u00e1 em 1988 falava o cardeal Gantin.  O Papa come\u00e7ou por recordar que o continente africano \u201cfoi santificado pelo pr\u00f3prio Senhor Jesus\u201d, pois \u201cno alvorecer da sua vida terrena, tristes circunst\u00e2ncias fizeram-No pisar o solo africano\u201d. \u201cDeus escolheu o vosso continente para abrigar seu Filho. Atrav\u00e9s de Jesus, Deus veio ao encontro certamente de todos os homens, mas duma maneira particular do homem africano. A \u00c1frica ofereceu ao Filho de Deus uma terra que O nutriu e uma protec\u00e7\u00e3o eficaz. Atrav\u00e9s de Jesus, j\u00e1 l\u00e1 v\u00e3o dois mil anos, o pr\u00f3prio Deus trouxe o sal e a luz \u00e0 \u00c1frica\u201d  Desde ent\u00e3o, a semente da presen\u00e7a de Jesus Cristo est\u00e1 enterrada nas profundezas do cora\u00e7\u00e3o da \u00c1frica e germina pouco a pouco, para al\u00e9m e atrav\u00e9s dos riscos da hist\u00f3ria humana do continente. \u201cA \u00c1frica representou uma etapa importante na Encarna\u00e7\u00e3o, o primeiro momento da kenose, porque acolheu o abaixamento e o despojamento do Filho de Deus antes de voltar \u00e0 Terra Prometida. Por causa da vinda de Cristo que a santificou com a sua presen\u00e7a f\u00edsica, a \u00c1frica recebeu um apelo particular para conhecer Cristo. Que os africanos se sintam orgulhosos disso!\u201d   Bento XVI considera que, \u201caprofundando espiritual e teologicamente esta primeira etapa da kenose, o africano poder\u00e1 encontrar as for\u00e7as suficientes para enfrentar o seu dia a dia \u00e0s vezes muito duro; poder\u00e1 descobrir imensos espa\u00e7os de f\u00e9 e de esperan\u00e7a que o ajudar\u00e3o a crescer em Deus\u201d.  Evocando, em breves tra\u00e7os, o lento avan\u00e7ar da evangeliza\u00e7\u00e3o no continente africano, Bento XVI deteve-se especialmente nos \u00faltimos dois s\u00e9culos, quando a \u00c1frica subsaariana viu chegar mission\u00e1rios, homens e mulheres, provenientes de todo o Ocidente, da Am\u00e9rica Latina e mesmo da \u00c1sia. Prestando \u201chomenagem \u00e0 generosidade da sua resposta incondicional ao apelo do Senhor e ao seu ardente zelo apost\u00f3lico\u201d, o Papa quis desde logo referir tamb\u00e9m \u201cos catequistas africanos, companheiros insepar\u00e1veis dos mission\u00e1rios na evangeliza\u00e7\u00e3o\u201d.   \u201cLeigos com os leigos, souberam encontrar na l\u00edngua de seus pais as palavras de Deus que tocaram o cora\u00e7\u00e3o dos seus irm\u00e3os e irm\u00e3s. Souberam partilhar o sabor do sal da Palavra e fazer resplandecer a luz dos Sacramentos que anunciavam. Acompanharam as fam\u00edlias no seu crescimento espiritual, encorajaram as voca\u00e7\u00f5es sacerdotais e religiosas, e serviram de liga\u00e7\u00e3o entre as suas comunidades e os presb\u00edteros e os bispos. Com naturalidade, realizaram uma eficaz incultura\u00e7\u00e3o que deu maravilhosos frutos. Foram os catequistas que permitiram que a luz brilhasse diante dos homens.\u201d  Bento XVI prop\u00f4s-se entretanto adiantar \u201cqualquer reflex\u00e3o sobre o tema espec\u00edfico da Segunda Assembleia Especial para a \u00c1frica do S\u00ednodo dos Bispos, relativo \u00e0 reconcilia\u00e7\u00e3o, \u00e0 justi\u00e7a e \u00e0 paz\u201d.  A Igreja \u2013 sublinhou o Papa \u2013 \u201cdeve ser uma comunidade de pessoas reconciliadas com Deus e entre si mesmas\u201d, para poder \u201canunciar a Boa Nova da reconcilia\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade actual, que infelizmente conhece, em numerosos lugares, conflitos, viol\u00eancias, guerras e \u00f3dio\u201d. A \u00c1frica, ali\u00e1s, \u201cfoi e \u00e9 ainda triste cen\u00e1rio de graves trag\u00e9dias que reclamam por uma verdadeira reconcilia\u00e7\u00e3o entre os povos, as etnias, os homens\u201d.  \u201cQue pode haver de mais dram\u00e1tico, no actual contexto sociopol\u00edtico e econ\u00f3mico do continente africano, do que a luta frequentemente sangrenta entre grupos \u00e9tnicos ou povos irm\u00e3os? (\u2026) Os conflitos locais ou regionais, os massacres e os genoc\u00eddios que sucedem no continente devem-nos interpelar de maneira muito particular: se \u00e9 verdade que, em Jesus Cristo, pertencemos \u00e0 mesma fam\u00edlia e partilhamos a mesma vida, dado que, nas nossas veias, circula o mesmo Sangue de Cristo, que fez de n\u00f3s filhos de Deus, membros da Fam\u00edlia de Deus, ent\u00e3o n\u00e3o deveria haver mais \u00f3dios, injusti\u00e7as e guerras ente irm\u00e3os.\u201d  Bento XVI recordou que, \u201cao constatar o avan\u00e7o da viol\u00eancia e a apari\u00e7\u00e3o do ego\u00edsmo em \u00c1frica, o Cardeal Bernardin Gantin, fazia apelo, desde 1988, a uma Teologia da Fraternidade\u201d. Na mem\u00f3ria, tinha talvez aquilo que escrevia o africano Lact\u00e2ncio ao alvorecer do s\u00e9culo IV: \u00abO primeiro dever da justi\u00e7a \u00e9 reconhecer o homem como um irm\u00e3o. De facto, se o mesmo Deus nos fez e nos gerou a todos na mesma condi\u00e7\u00e3o, que aponta para a justi\u00e7a e a vida eterna, estamos seguramente unidos por la\u00e7os de fraternidade: quem n\u00e3o os reconhece, \u00e9 injusto\u00bb.  Recordando a recente Assembleia do S\u00ednodo dos Bispos sobre a Palavra de Deus, o Papa sublinhou que \u201c\u00e9 a partir desta Palavra que \u00e9 preciso valorizar as tradi\u00e7\u00f5es africanas, corrigir e aperfei\u00e7oar a sua concep\u00e7\u00e3o da vida, do homem e da fam\u00edlia\u201d.  \u201c\u00c9 urgente que as comunidades crist\u00e3s se tornem cada vez mais lugares de profunda escuta da Palavra de Deus e de leitura meditada da Sagrada Escritura. \u00c9 por meio desta leitura meditada e comunit\u00e1ria na Igreja que o crist\u00e3o encontra Cristo ressuscitado, que lhe fala e devolve a esperan\u00e7a na plenitude de vida que Ele oferece ao mundo.\u201d  Bento XVI concluiu rezando com os presentes uma ora\u00e7\u00e3o invocando Maria, \u201cProtectora da \u00c1frica\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na Nunciatura apost\u00f3lica de Yaound\u00e9, Bento XVI concluiu este terceiro dia da sua viagem a \u00c1frica encontrando-se com os membros do conselho especial para a \u00c1frica do Sinodo dos Bispos. 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