{"id":37701,"date":"2009-03-20T09:09:01","date_gmt":"2009-03-20T09:09:01","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/03\/20\/homilia-do-bispo-de-santarem-no-dia-de-sao-jose\/"},"modified":"2009-03-20T09:09:01","modified_gmt":"2009-03-20T09:09:01","slug":"homilia-do-bispo-de-santarem-no-dia-de-sao-jose","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-santarem-no-dia-de-sao-jose\/","title":{"rendered":"Homilia do Bispo de Santar\u00e9m no dia de S\u00e3o Jos\u00e9"},"content":{"rendered":"<p>S\u00e3o Jos\u00e9, esposo e Pai <!--more--> S&atilde;o Jos&eacute;, patrono da Igreja universal e designado tamb&eacute;m padroeiro da cidade e concelho de Santar&eacute;m, &eacute; considerado, desde os primeiros s&eacute;culos da Igreja, como o &ldquo;guarda fiel e providente dos tesouros mais preciosos de Deus &ndash; Jesus Cristo Filho de Deus e a Virgem Nossa Senhora&rdquo; (S. Bernardino de Sena). Sempre os fi&eacute;is cat&oacute;licos acreditaram e esperaram que este patrono celeste, assim como cuidou e protegeu Jesus Cristo e a Virgem, acompanhe e proteja tamb&eacute;m, com id&ecirc;ntica solicitude, o povo de Deus que nasceu da entrega de Jesus e que tem Maria como modelo e figura. Somos, assim, tamb&eacute;m um dos tesouros preciosos confiado &agrave; protec&ccedil;&atilde;o de S&atilde;o Jos&eacute;. <\/p>\n<p>Ao celebrarmos hoje a sua festa, situamo-nos numa corrente de venera&ccedil;&atilde;o e confian&ccedil;a na protec&ccedil;&atilde;o de S&atilde;o Jos&eacute; que vem desde os primeiros tempos da Igreja e atravessa todas as gera&ccedil;&otilde;es crist&atilde;s. Fazemos parte da sua fam&iacute;lia religiosa e da sua descend&ecirc;ncia espiritual. Por isso, &eacute; com alegria e louvor que manifestamos o nosso apre&ccedil;o e venera&ccedil;&atilde;o ao santo Patriarca Jos&eacute;, escolhido desde tempos antigos para protector e exemplo dos habitantes do concelho de Santar&eacute;m. Sentimo-nos certamente honrados por ter um padroeiro que real&ccedil;a e prop&otilde;e valores fundamentais para a nossa civiliza&ccedil;&atilde;o, como a uni&atilde;o familiar. <\/p>\n<p>Sa&uacute;do e agrade&ccedil;o a todos os que contribu&iacute;ram para a realiza&ccedil;&atilde;o desta festa: A C&acirc;mara Municipal de Santar&eacute;m, na pessoa do seu presidente, vereadores e funcion&aacute;rios, o p&aacute;roco da S&eacute; e os p&aacute;rocos da cidade, as Juntas de freguesia, os romeiros de S&atilde;o Jos&eacute;, os devotos deste patrono, os pais que o consideram como uma refer&ecirc;ncia, os participantes nesta celebra&ccedil;&atilde;o. Os valores humanos e crist&atilde;os real&ccedil;ados por S&atilde;o Jos&eacute; s&atilde;o uma preocupa&ccedil;&atilde;o comum de todos os que desejam construir um mundo mais humano, atrav&eacute;s da protec&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as, da qualidade da educa&ccedil;&atilde;o, do bom ambiente de conc&oacute;rdia e de estabilidade na fam&iacute;lia. Por isso, desde a primeira hora apoi&aacute;mos empenhadamente esta iniciativa. Reconhecemos que oferece propostas consider&aacute;veis para aprofundar a mem&oacute;ria cultural das popula&ccedil;&otilde;es, para fortalecer a identidade da comunidade social e para congregar as pessoas em ambiente festivo. &Eacute; assim que deve ser entendida a laicidade, numa perspectiva construtiva e inclusiva que reconhece e valoriza o contributo das diferentes for&ccedil;as vivas da sociedade civil, entre as quais, como Igreja, nos inclu&iacute;mos. <\/p>\n<p>A festa lit&uacute;rgica de 19 de Mar&ccedil;o apresenta S&atilde;o Jos&eacute; como esposo da Virgem Maria. Os evangelhos n&atilde;o dizem muito sobre esta figura mas referem-nos o mais importante. Maria esperava um filho, precisava de afecto, de ajuda, de protec&ccedil;&atilde;o. Jesus, que ia nascer segundo a natureza humana, necessitava de um nome, de integra&ccedil;&atilde;o numa fam&iacute;lia e numa sociedade, do amor de M&atilde;e e de Pai para crescer em idade, em sabedoria e em gra&ccedil;a ou seja, para realizar um desenvolvimento global. S&atilde;o Jos&eacute; foi chamado por Deus a realizar esta miss&atilde;o: cuidou com amor de Maria e dedicou-se com empenho jubiloso &agrave; educa&ccedil;&atilde;o de Jesus Cristo. <\/p>\n<p>Os evangelhos chamam a Jos&eacute; o esposo de Maria e a Maria a esposa de Jos&eacute;. Neste matrim&oacute;nio se baseia a paternidade de S&atilde;o Jos&eacute;. Como comenta Santo Agostinho: &laquo;Por motivo daquele matrim&oacute;nio fiel, ambos mereceram ser chamados pais de Cristo, n&atilde;o apenas a M&atilde;e, mas tamb&eacute;m aquele que era seu pai, do mesmo modo que era c&ocirc;njuge da M&atilde;e, uma e outra coisa por meio da mente e n&atilde;o da carne &raquo;. Neste matrim&oacute;nio n&atilde;o faltou, portanto, nenhum dos requisitos que o constituem, como ensina o mesmo Santo fil&oacute;sofo: &laquo;Naqueles pais de Cristo realizaram-se todos os bens das n&uacute;pcias: a prole, a fidelidade e o sacramento. Conhecemos a prole, que &eacute; o pr&oacute;prio Senhor Jesus; a fidelidade porque n&atilde;o houve nenhum adult&eacute;rio; e o sacramento, porque n&atilde;o se deu nenhum div&oacute;rcio&rdquo;. O grande pensador crist&atilde;o situa, depois, a identidade do matrim&oacute;nio na &laquo; uni&atilde;o indivis&iacute;vel das almas&raquo;; na &laquo;uni&atilde;o dos cora&ccedil;&otilde;es&raquo; e no &laquo; consenso comum&raquo; (Jo&atilde;o Paulo II, Redemptoris Custos, RC 7). <\/p>\n<p>&Eacute; muito interessante e oportuno prestar aten&ccedil;&atilde;o a estes n&iacute;veis da uni&atilde;o conjugal referidos por Santo Agostinho, enraizados na tradi&ccedil;&atilde;o b&iacute;blica e recomendados constantemente por S&atilde;o Paulo: a uni&atilde;o das almas; a uni&atilde;o dos cora&ccedil;&otilde;es; e o consenso comum. Notemos que o segredo de um matrim&oacute;nio realizado e feliz est&aacute; na conjuga&ccedil;&atilde;o harmoniosa destes elementos. Se hoje assistimos a uma grande fragilidade e instabilidade dos matrim&oacute;nios &eacute; porque, muitas vezes, falta o acordo &iacute;ntimo, a uni&atilde;o profunda dos cora&ccedil;&otilde;es, sede dos afectos, e a uni&atilde;o das almas, fonte das convic&ccedil;&otilde;es profundas e fundamentais. Frequentemente vive-se o amor &agrave; superf&iacute;cie, procura-se a uni&atilde;o dos corpos mas n&atilde;o se cultivam os afectos nem as convic&ccedil;&otilde;es e valores profundos que d&atilde;o solidez e beleza ao matrim&oacute;nio e fazem com que a fam&iacute;lia seja o santu&aacute;rio do amor humano e o ber&ccedil;o da vida. Como desenvolver a conc&oacute;rdia &iacute;ntima? Cultivando todos os meios que geram uni&atilde;o de convic&ccedil;&otilde;es e sentimentos como: o di&aacute;logo dos esposos e de pais e filhos; a espiritualidade dom&eacute;stica; o conv&iacute;vio familiar. <\/p>\n<p>S&atilde;o Jos&eacute; apresenta-nos, deste modo, uma imagem muito concreta e um apelo actual para a identidade da fam&iacute;lia, c&eacute;lula base sem a qual as nossas sociedades n&atilde;o subsistem: a uni&atilde;o afectiva, complementar e duradoura do homem e da mulher que se torna fonte de vida e ber&ccedil;o do desenvolvimento humano. Sem esta uni&atilde;o alicer&ccedil;ada no amor e orientada &agrave; gera&ccedil;&atilde;o da vida, a sociedade n&atilde;o tem futuro. <\/p>\n<p>De facto, a fam&iacute;lia aprece hoje questionada na sua pr&oacute;pria identidade e amea&ccedil;ada por uma cultura de forte individualismo e relativismo que coloca o bem ego&iacute;sta e imediato de cada um acima de qualquer responsabilidade. A crise da fam&iacute;lia &eacute; mais preocupante e profunda que a crise econ&oacute;mica: se n&atilde;o se promove a natalidade e n&atilde;o se cuida da educa&ccedil;&atilde;o, de forma a transmitir valores humanos e crist&atilde;os &agrave;s novas gera&ccedil;&otilde;es, pomos em risco os fundamentos da vida social. Se n&atilde;o protegermos a c&eacute;lula familiar estamos a contribuir para que a sociedade se torne um imenso lar de idosos. Gostamos que os nossos idosos sejam bem tratados e eles merecem. Mas cuidar bem deles implica que nas&ccedil;a gente nova, que funcione a seguran&ccedil;a social, que as gera&ccedil;&otilde;es possam ser renovadas com novos nascimentos e com educa&ccedil;&atilde;o cuidada. S&atilde;o estes pilares essenciais da nossa cultura humanista que S&atilde;o Jos&eacute; nos recomenda pelo exemplo da sua vida. <\/p>\n<p>Que a festa de S&atilde;o Jos&eacute; nos permita aprofundar, praticar e infundir na cidade terrena a responsabilidade paterna e a uni&atilde;o familiar, miss&atilde;o que S&atilde;o Jos&eacute; desempenhou fiel e exemplarmente. <\/p>\n<p>Santar&eacute;m 19 de Mar&ccedil;o de 2009 <br \/><em>+ Manuel Pelino Domingues, Bispo de Santar&eacute;m <\/p>\n<p><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e3o Jos\u00e9, esposo e Pai<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[168,180,199,267],"class_list":["post-37701","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-de-santarem","tag-espiritualidade","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37701","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37701"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37701\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37701"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37701"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37701"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}