{"id":37699,"date":"2009-03-19T22:57:47","date_gmt":"2009-03-19T22:57:47","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/03\/19\/discurso-do-papa-aos-membros-do-conselho-especial-para-a-africa-do-sinodo-dos-bispos\/"},"modified":"2009-03-19T22:57:47","modified_gmt":"2009-03-19T22:57:47","slug":"discurso-do-papa-aos-membros-do-conselho-especial-para-a-africa-do-sinodo-dos-bispos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/discurso-do-papa-aos-membros-do-conselho-especial-para-a-africa-do-sinodo-dos-bispos\/","title":{"rendered":"Discurso do Papa aos membros do conselho especial para a \u00c1frica do S\u00ednodo dos Bispos"},"content":{"rendered":"<p>Senhores Cardeais, Amados irm\u00e3os no Episcopado!  \u00c9 com profunda alegria que vos sa\u00fado a todos, nesta terra de \u00c1frica. Para ela, em 1994, uma Primeira Assembleia Especial do S\u00ednodo dos Bispos foi convocada pelo meu venerado antecessor, o Servo de Deus Jo\u00e3o Paulo II, em sinal de solicitude pastoral por este continente rico tanto de promessas como de prementes car\u00eancias humanas, culturais e espirituais. Nesta manh\u00e3, chamei-o \u00abo continente da esperan\u00e7a\u00bb. Recordo com gratid\u00e3o a assinatura da Exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica p\u00f3s-sinodal \u00abEcclesia in Africa\u00bb, que teve lugar precisamente aqui h\u00e1 14 anos, na Festa da Exalta\u00e7\u00e3o da Cruz, em 14 de Setembro de 1995. Exprimo a minha gratid\u00e3o a D. Nikola Eterovi&#263;, Secret\u00e1rio-geral do S\u00ednodo dos Bispos, pelas palavras que me dirigiu em vosso nome, introduzindo este encontro em terra africana convosco, queridos membros do Conselho Especial para a \u00c1frica. Toda a Igreja olha com aten\u00e7\u00e3o para este nosso encontro em vista da Segunda Assembleia Especial para a \u00c1frica do S\u00ednodo dos Bispos, que, se Deus quiser, ser\u00e1 celebrada em Outubro pr\u00f3ximo. O seu tema \u00e9: \u00abA Igreja em \u00c1frica ao servi\u00e7o da reconcilia\u00e7\u00e3o, da justi\u00e7a e da paz. \u201cV\u00f3s sois o sal da terra\u2026 V\u00f3s sois a luz do mundo\u201d (Mt 5, 13.14)\u00bb. Agrade\u00e7o vivamente aos Cardeais, Arcebispos e Bispos membros do Conselho Especial para a \u00c1frica pela sua s\u00e1bia colabora\u00e7\u00e3o na redac\u00e7\u00e3o dos \u00abLineamenta\u00bb e do \u00abInstrumentum laboris\u00bb. De igual modo vos estou reconhecido, amados irm\u00e3os no Episcopado, por terdes apresentado, nas vossas colabora\u00e7\u00f5es, aspectos importantes da situa\u00e7\u00e3o eclesial e social actual dos vossos pa\u00edses de origem e da regi\u00e3o. Sublinhastes o grande dinamismo da Igreja na \u00c1frica, mas evocastes igualmente os desafios que o S\u00ednodo dever\u00e1 examinar, a fim de que o crescimento na Igreja em \u00c1frica n\u00e3o seja apenas quantitativo mas tamb\u00e9m qualitativo. Car\u00edssimos irm\u00e3os, na abertura da minha reflex\u00e3o, parece-me importante sublinhar que o vosso continente foi santificado pelo pr\u00f3prio Senhor nosso Jesus Cristo. Ao alvorecer da sua vida terrena, tristes circunst\u00e2ncias fizeram-No pisar o solo africano. Deus escolheu o vosso continente para abrigar seu Filho. Atrav\u00e9s de Jesus, Deus veio ao encontro certamente de todos os homens, mas duma maneira particular do homem africano. A \u00c1frica ofereceu ao Filho de Deus uma terra que O nutriu e uma protec\u00e7\u00e3o eficaz. Atrav\u00e9s de Jesus, j\u00e1 l\u00e1 v\u00e3o dois mil anos, o pr\u00f3prio Deus trouxe o sal e a luz \u00e0 \u00c1frica. Desde ent\u00e3o, a semente da sua presen\u00e7a est\u00e1 enterrada nas profundezas do cora\u00e7\u00e3o deste amado continente e germina pouco a pouco para al\u00e9m e atrav\u00e9s dos riscos da hist\u00f3ria humana do vosso continente. A \u00c1frica representou uma etapa importante na Encarna\u00e7\u00e3o, o primeiro momento da kenose, porque acolheu o abaixamento e o despojamento do Filho de Deus antes de voltar \u00e0 Terra Prometida. Por causa da vinda de Cristo que a santificou com a sua presen\u00e7a f\u00edsica, a \u00c1frica recebeu um apelo particular para conhecer Cristo. Que os africanos se sintam orgulhosos disso! Meditando e aprofundando espiritual e teologicamente esta primeira etapa da kenose, o africano poder\u00e1 encontrar as for\u00e7as suficientes para enfrentar o seu dia a dia \u00e0s vezes muito duro, e poder\u00e1 ent\u00e3o descobrir imensos espa\u00e7os de f\u00e9 e de esperan\u00e7a que o ajudar\u00e3o a crescer em Deus. Alguns momentos significativos da hist\u00f3ria crist\u00e3 deste continente podem recordar-nos a liga\u00e7\u00e3o profunda que existe entre a \u00c1frica e o cristianismo a partir das suas origens. Segundo a vener\u00e1vel tradi\u00e7\u00e3o patr\u00edstica, o evangelista S\u00e3o Marcos, que \u00abtransmitiu por escrito o que fora pregado por Pedro\u00bb (Ireneu, Adversus haereses III, I, 1), veio a Alexandria reanimar a semente espalhada pelo Senhor. Este Evangelista deu testemunho na \u00c1frica da morte na cruz do Filho de Deus \u2013 \u00faltimo momento da kenose \u2013 e da sua eleva\u00e7\u00e3o soberana, para que \u00abtoda a l\u00edngua proclame: Jesus Cristo \u00e9 o Senhor, para gl\u00f3ria de Deus Pai\u00bb (Fil 2, 11). A Boa Nova da vinda do Reino de Deus espalhou-se rapidamente no norte do vosso continente, onde teve ilustres m\u00e1rtires e santos e gerou insignes te\u00f3logos. Depois de ter sido posto \u00e0 prova por vicissitudes hist\u00f3ricas, o cristianismo subsistiu, durante quase um mil\u00e9nio, apenas na parte nordeste do continente. Com a chegada dos europeus, que procuravam a rota para a \u00cdndia, nos s\u00e9culos XV e XVI, as popula\u00e7\u00f5es subsaarianas encontraram Cristo. Foram as popula\u00e7\u00f5es costeiras que receberam, em primeiro lugar, o baptismo. Nos s\u00e9culos XIX e XX, a \u00c1frica subsaariana viu chegar mission\u00e1rios, homens e mulheres, que provinham de todo o Ocidente, da Am\u00e9rica Latina e mesmo da \u00c1sia. Desejo prestar homenagem \u00e0 generosidade da sua resposta incondicional ao apelo do Senhor e ao seu ardente zelo apost\u00f3lico. Aqui queria ir mais al\u00e9m e falar dos catequistas africanos, companheiros insepar\u00e1veis dos mission\u00e1rios na evangeliza\u00e7\u00e3o. Deus tinha preparado o cora\u00e7\u00e3o de um certo n\u00famero de leigos africanos, homens e mulheres, jovens e de mais idade, para receberem os seus dons e levarem a luz da sua Palavra aos seus irm\u00e3os e irm\u00e3s. Leigos com os leigos, souberam encontrar na l\u00edngua de seus pais as palavras de Deus que tocaram o cora\u00e7\u00e3o dos seus irm\u00e3os e irm\u00e3s. Souberam partilhar o sabor do sal da Palavra e fazer resplandecer a luz dos Sacramentos que anunciavam. Acompanharam as fam\u00edlias no seu crescimento espiritual, encorajaram as voca\u00e7\u00f5es sacerdotais e religiosas, e serviram de liga\u00e7\u00e3o entre as suas comunidades e os presb\u00edteros e os bispos. Com naturalidade, realizaram uma eficaz incultura\u00e7\u00e3o que deu maravilhosos frutos (cf. Mc 4, 20). Foram os catequistas que permitiram que a \u00abluz brilhasse diante dos homens\u00bb (Mt 5, 16), porque, vendo o bem que faziam, popula\u00e7\u00f5es inteiras puderam dar gl\u00f3ria ao nosso Pai que est\u00e1 nos c\u00e9us. S\u00e3o africanos que evangelizaram africanos. Evocando a sua mem\u00f3ria gloriosa, sa\u00fado e encorajo os seus dignos sucessores que trabalham hoje com a mesma abnega\u00e7\u00e3o, a mesma coragem apost\u00f3lica e a mesma f\u00e9 dos seus antecessores. Que Deus os aben\u00e7oe generosamente! Durante este segundo per\u00edodo, a terra africana foi aben\u00e7oada com numerosos santos. Limito-me a nomear os gloriosos m\u00e1rtires do Uganda, os grandes mission\u00e1rios Ana-Maria Javouhey e Daniel Comboni, bem como a Irm\u00e3 Anuarite Nengapeta e o catequista Is\u00eddoro Bakanja, sem esquecer a humilde Josefina Bakhita. Encontramo-nos actualmente num per\u00edodo hist\u00f3rico que coincide, do ponto de vista civil, com a reavida independ\u00eancia e, do ponto de vista eclesial, com o acontecimento do Conc\u00edlio Vaticano II. A Igreja na \u00c1frica preparou e acompanhou, durante este per\u00edodo, a constru\u00e7\u00e3o das novas identidades nacionais e, paralelamente, procurou traduzir a identidade de Cristo segundo caminhos pr\u00f3prios. Enquanto a hierarquia se tinha pouco a pouco africanizado, a partir da ordena\u00e7\u00e3o dos Bispos do vosso continente pelo Papa Pio XII, a reflex\u00e3o teol\u00f3gica come\u00e7ou a desenvolver-se. Seria bom que os vossos te\u00f3logos continuassem hoje a sondar a profundidade do mist\u00e9rio trinit\u00e1rio e o seu significado para a vida di\u00e1ria africana. Talvez este s\u00e9culo permita, com a gra\u00e7a de Deus, o renascimento no vosso continente da prestigiosa Escola de Alexandria, certamente por\u00e9m sob uma forma diversa e nova. Porque n\u00e3o esperar dela que possa fornecer aos africanos de hoje e \u00e0 Igreja universal grandes te\u00f3logos e mestres espirituais que contribuiriam para a santifica\u00e7\u00e3o dos habitantes deste continente e da Igreja inteira? A Primeira Assembleia Especial do S\u00ednodo dos Bispos permitiu indicar as direc\u00e7\u00f5es a tomar e p\u00f4s em evid\u00eancia, para al\u00e9m do mais, a necessidade de aprofundar e encarnar na vida o mist\u00e9rio de uma Igreja-Fam\u00edlia. Quero sugerir qualquer reflex\u00e3o sobre o tema espec\u00edfico da Segunda Assembleia Especial para a \u00c1frica do S\u00ednodo dos Bispos, relativo \u00e0 reconcilia\u00e7\u00e3o, \u00e0 justi\u00e7a e \u00e0 paz. Segundo o Conc\u00edlio Ecum\u00e9nico Vaticano II, \u00aba Igreja, em Cristo, \u00e9 como que o sacramento, ou sinal, e o instrumento da \u00edntima uni\u00e3o com Deus e da unidade de todo o g\u00e9nero humano\u00bb (Lumen gentium, 1). Para bem cumprir a sua miss\u00e3o, a Igreja deve ser uma comunidade de pessoas reconciliadas com Deus e entre si mesmas. Deste modo, pode anunciar a Boa Nova da reconcilia\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade actual, que infelizmente conhece, em numerosos lugares, conflitos, viol\u00eancias, guerras e \u00f3dio. O vosso continente n\u00e3o tem sido poupado; foi e \u00e9 ainda triste cen\u00e1rio de graves trag\u00e9dias que reclamam por uma verdadeira reconcilia\u00e7\u00e3o entre os povos, as etnias, os homens. Para n\u00f3s, crist\u00e3os, esta reconcilia\u00e7\u00e3o enra\u00edza-se no amor misericordioso de Deus Pai e realiza-se atrav\u00e9s da pessoa de Jesus Cristo, que, no Esp\u00edrito Santo, ofereceu a todos a gra\u00e7a da reconcilia\u00e7\u00e3o. As consequ\u00eancias que da\u00ed se h\u00e3o-de manifestar ser\u00e3o a justi\u00e7a e a paz, indispens\u00e1veis para construir um mundo melhor. Na realidade, que pode haver de mais dram\u00e1tico, no actual contexto s\u00f3cio-pol\u00edtico e econ\u00f3mico do continente africano, do que a luta frequentemente sangrenta entre grupos \u00e9tnicos ou povos irm\u00e3os? E, se o S\u00ednodo de 1994 insistiu sobre a Igreja-Fam\u00edlia de Deus, qual poder\u00e1 ser o contributo do deste ano para a constru\u00e7\u00e3o da \u00c1frica, sedenta de reconcilia\u00e7\u00e3o e \u00e0 procura da justi\u00e7a e da paz? Os conflitos locais ou regionais, os massacres e os genoc\u00eddios que sucedem no continente devem-nos interpelar de maneira muito particular: se \u00e9 verdade que, em Jesus Cristo, pertencemos \u00e0 mesma fam\u00edlia e partilhamos a mesma vida, dado que, nas nossas veias, circula o mesmo Sangue de Cristo, que fez de n\u00f3s filhos de Deus, membros da Fam\u00edlia de Deus, ent\u00e3o n\u00e3o deveria haver mais \u00f3dios, injusti\u00e7as e guerras ente irm\u00e3os. Ao constatar o avan\u00e7o da viol\u00eancia e a apari\u00e7\u00e3o do ego\u00edsmo em \u00c1frica, o Cardeal Bernardin Gantin, de venerada mem\u00f3ria, fazia apelo, desde 1988, a uma Teologia da Fraternidade, como resposta aos prementes apelos dos pobres e dos humildes (cf. L\u2019Osservatore Romano, ed. Francesa de 12 de Abril de 1988, pp. 4-5). Na mem\u00f3ria, tinha talvez aquilo que escrevia o africano Lact\u00e2ncio ao alvorecer do s\u00e9culo IV: \u00abO primeiro dever da justi\u00e7a \u00e9 reconhecer o homem como um irm\u00e3o. De facto, se o mesmo Deus nos fez e nos gerou a todos na mesma condi\u00e7\u00e3o, que aponta para a justi\u00e7a e a vida eterna, estamos seguramente unidos por la\u00e7os de fraternidade: quem n\u00e3o os reconhece, \u00e9 injusto\u00bb (Epitom\u00e9 des Institutions Divines, 54, 4-5: SC 335, p. 210). A Igreja-fam\u00edlia de Deus que est\u00e1 em \u00c1frica fez uma op\u00e7\u00e3o preferencial pelos pobres, j\u00e1 desde a Primeira Assembleia Especial do S\u00ednodo dos Bispos. Ela torna assim patente que a situa\u00e7\u00e3o de desumaniza\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o que aflige os povos africanos n\u00e3o \u00e9 irrevers\u00edvel; pelo contr\u00e1rio, coloca cada qual diante de um desafio: o da convers\u00e3o, da santidade e da integridade. O pr\u00f3prio Filho, atrav\u00e9s do Qual Deus nos fala, \u00e9 Palavra feita carne. Isto foi o objecto das reflex\u00f5es da recente XII Assembleia Geral Ordin\u00e1ria do S\u00ednodo dos Bispos. Feita carne, esta Palavra est\u00e1 na origem do que somos e realizamos; \u00e9 o fundamento de toda a vida. Por isso \u00e9 a partir desta Palavra que \u00e9 preciso valorizar as tradi\u00e7\u00f5es africanas, corrigir e aperfei\u00e7oar a sua concep\u00e7\u00e3o da vida, do homem e da fam\u00edlia. Jesus Cristo, Palavra de vida, \u00e9 fonte e coroamento de todas as nossas vidas, porque o Senhor Jesus \u00e9 o \u00fanico mediador e redentor. \u00c9 urgente que as comunidades crist\u00e3s se tornem cada vez mais lugares de profunda escuta da Palavra de Deus e de leitura meditada da Sagrada Escritura. \u00c9 por meio desta leitura meditada e comunit\u00e1ria na Igreja que o crist\u00e3o encontra Cristo ressuscitado, que lhe fala e devolve a esperan\u00e7a na plenitude de vida que Ele oferece ao mundo. Quanto \u00e0 Eucaristia, esta torna o Senhor realmente presente na hist\u00f3ria. Atrav\u00e9s da realidade do seu Corpo e Sangue, Cristo inteiro torna-Se substancialmente presente nas nossas vidas. Est\u00e1 connosco todos os dias at\u00e9 ao fim dos tempos (cf. Mt 28, 20) e envia-nos \u00e0s nossas realidades quotidianas para podermos ench\u00ea-las da sua presen\u00e7a. Na Eucaristia, p\u00f5e-se claramente em evid\u00eancia que a vida \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o de comunh\u00e3o com Deus, com os nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s e com a cria\u00e7\u00e3o inteira. A Eucaristia \u00e9 fonte de unidade reconciliada na paz. A Palavra e o P\u00e3o de vida proporcionam luz e alimento, como ant\u00eddoto e vi\u00e1tico na fidelidade ao Mestre e Pastor das nossas almas a fim de que a Igreja na \u00c1frica realize o servi\u00e7o da reconcilia\u00e7\u00e3o, da justi\u00e7a e da paz, segundo o programa de vida proposto pelo pr\u00f3prio Senhor: \u00abV\u00f3s sois o sal da terra\u2026V\u00f3s sois a luz do mundo\u00bb (Mt 5, 13.14). Para o serem de verdade, os fi\u00e9is devem converter-se e seguir Jesus Cristo, tornar-se seus disc\u00edpulos, para serem testemunhas do seu poder salv\u00edfico. Durante a sua vida terrestre, Jesus era \u00abpoderoso em obras e palavras\u00bb (Lc 24, 19). Pela sua ressurrei\u00e7\u00e3o, submeteu a Si toda a autoridade e poder (cf. Col 2, 15), toda a for\u00e7a do mal para tornar livres aqueles que s\u00e3o baptizados no seu nome. E, \u00abse Cristo nos libertou, foi para que sejamos verdadeiramente livres\u00bb (Gal 5, 1). A voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3 consiste em deixar-se libertar por Jesus Cristo. Ele venceu o pecado e a morte e concede a todos a plenitude da vida. No Senhor Jesus, j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 judeu nem pag\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 homem nem mulher (cf. Gal 3, 28). Na sua carne, reconciliou todos os povos. Com a for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo, dirijo a todos este apelo: \u00abDeixai-vos reconciliar!\u00bb (2 Cor 5, 20). Nenhuma diferen\u00e7a \u00e9tnica ou cultural, de ra\u00e7a, sexo ou religi\u00e3o deve tornar-se entre v\u00f3s motivo de conflito. Sois todos filhos do \u00fanico Deus, nosso Pai, que est\u00e1 nos c\u00e9us. Com esta convic\u00e7\u00e3o, ser\u00e1 finalmente poss\u00edvel construir uma \u00c1frica mais justa e pac\u00edfica, \u00e0 altura das leg\u00edtimas expectativas de todos os seus filhos. Por fim, convido-vos a encorajar a prepara\u00e7\u00e3o do acontecimento sinodal, recitando tamb\u00e9m com os fi\u00e9is a ora\u00e7\u00e3o que conclui o \u00abInstrumentum laboris\u00bb que entreguei esta manh\u00e3, e isto pelo bom \u00eaxito da Assembleia Sinodal. Rezemos juntos agora, amados irm\u00e3os: \u00abSanta Maria, M\u00e3e de Deus, Protectora da \u00c1frica, tu ofereceste ao mundo a verdadeira Luz, Jesus Cristo. Pela tua obedi\u00eancia ao Pai e pela gra\u00e7a do Esp\u00edrito Santo, tu nos deste a fonte da nossa reconcilia\u00e7\u00e3o e da nossa justi\u00e7a, Jesus Cristo, nossa paz e nossa alegria. M\u00e3e de ternura e de sabedoria, mostra-nos Jesus, teu Filho e Filho de Deus, ilumina o nosso caminho de convers\u00e3o para que Jesus fa\u00e7a brilhar em n\u00f3s a sua Gl\u00f3ria em todos os \u00e2mbitos da nossa vida pessoal, familiar e social. M\u00e3e, cheia de Miseric\u00f3rdia e de Justi\u00e7a, pela tua docilidade ao Esp\u00edrito Consolador, concede-nos a gra\u00e7a de sermos testemunhas do Senhor Ressuscitado, para que sejamos cada vez mais sal da terra e luz do mundo. M\u00e3e do Perp\u00e9tuo Socorro, \u00e0 tua intercess\u00e3o materna confiamos a prepara\u00e7\u00e3o e os frutos do Segundo S\u00ednodo para a \u00c1frica. Rainha da Paz, rogai por n\u00f3s! Nossa Senhora de \u00c1frica, rogai por n\u00f3s!\u00bb<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Senhores Cardeais, Amados irm\u00e3os no Episcopado! \u00c9 com profunda alegria que vos sa\u00fado a todos, nesta terra de \u00c1frica. 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