{"id":376853,"date":"2025-05-20T10:11:50","date_gmt":"2025-05-20T09:11:50","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=376853"},"modified":"2025-05-20T10:28:36","modified_gmt":"2025-05-20T09:28:36","slug":"a-mensagem-de-fatima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-mensagem-de-fatima\/","title":{"rendered":"A Mensagem de F\u00e1tima"},"content":{"rendered":"<div><em>Padre V\u00edtor Pereira, Diocese de Vila Real\u00a0<\/em><\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_268285\" aria-describedby=\"caption-attachment-268285\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-268285\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-268285\" class=\"wp-caption-text\">Padre Vitor Pereira, Diocese de Vila Real<\/figcaption><\/figure>\n<p>Aqui h\u00e1 uns tempos, se bem se lembram, assistimos a um frenesim verboso, informativo e editorial sobre F\u00e1tima. Alguns padres esgrimiram perspetivas e argumentos sobre o \u00abfen\u00f3meno\u00bb de F\u00e1tima, na imprensa e em confer\u00eancias. O que aconteceu em F\u00e1tima foram apari\u00e7\u00f5es ou vis\u00f5es? Se foram vis\u00f5es, que tipo de vis\u00f5es foram? N\u00e3o seria fantasia ou imagina\u00e7\u00e3o f\u00e9rtil? Ou foram revela\u00e7\u00f5es particulares? A quest\u00e3o \u00e9 complexa e, claro, n\u00e3o \u00e9 consensual. Quem j\u00e1 tinha dado o mote foi o ent\u00e3o Prefeito da Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, o Cardeal Ratzinger, futuro Papa Bento XVI, no seu \u00abComent\u00e1rio Teol\u00f3gico\u00bb, sobre a mensagem e as apari\u00e7\u00f5es de F\u00e1tima, no ano 2000. No referido documento, o cardeal reafirma a tr\u00eas formas de vis\u00e3o ou perce\u00e7\u00e3o que a antropologia teol\u00f3gica reconhece: vis\u00e3o sensorial ou corp\u00f3rea, vis\u00e3o interior e vis\u00e3o espiritual ou m\u00edstica. E conclui que em F\u00e1tima aconteceram vis\u00f5es interiores e n\u00e3o \u00abapari\u00e7\u00f5es\u00bb. Os pastorinhos tiveram acesso a dimens\u00f5es mais profundas da realidade, que est\u00e3o para al\u00e9m daquilo que os nossos sentidos podem captar, algo que s\u00f3 os nossos \u00absentidos internos\u00bb podem ver.<\/p>\n<p>F\u00e1tima continuar\u00e1 a suscitar discuss\u00f5es e debates. N\u00e3o esque\u00e7amos, contudo, a mensagem e o apelo perene que F\u00e1tima significa para a nossa vida pessoal, comunit\u00e1ria, eclesial e dos povos, a n\u00edvel mundial. N\u00e3o h\u00e1 cat\u00f3lico que, durante este m\u00eas de maio, n\u00e3o se volte para F\u00e1tima e n\u00e3o deixe de acompanhar com alguma emo\u00e7\u00e3o os muitos peregrinos que rumam a F\u00e1tima, alguns at\u00e9 poder\u00e3o ser familiares ou amigos, cujos dramas ou dificuldades conhecemos. Para muitos, F\u00e1tima \u00e9 um ref\u00fagio e um consolo, busca de ajuda, seguran\u00e7a e prote\u00e7\u00e3o, procura de paz e serenidade, encontro com a vida e com Deus, por Maria, e compreendo que assim seja para quem tem vivido no meio de sofrimentos atrozes e tribula\u00e7\u00f5es. Mas, para mim, F\u00e1tima tem me tocado sempre, sobretudo, pelo desassossego, pela desinstala\u00e7\u00e3o e confronto com a mediocridade ou a mediania da vida. \u00c9 um apelo a querer mais e a ir mais al\u00e9m, a ser mais para Deus e para os outros, a colaborar com Deus na edifica\u00e7\u00e3o de um mundo diferente, aspira\u00e7\u00e3o que sentimos ferver nas entranhas do cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quem sai de F\u00e1tima, n\u00e3o pode apenas trazer a paz de ter cumprido uma promessa porque se sente aben\u00e7oado pela benevol\u00eancia divina ou porque deixou uma vela a arder e um pedido para futuros risonhos, que s\u00e3o leg\u00edtimos, tem de trazer um fogo ardente dentro de si, para se comprometer mais com Deus, com a sua santidade pessoal, se comprometer mais com os outros e com a Igreja, lutar por um mundo mais evang\u00e9lico e humano e recusar uma forma mundana e banal de viver a vida, com valores e crit\u00e9rios muito rasteiros. Se assim n\u00e3o for, esvaziamos F\u00e1tima. A mais prof\u00e9tica das apari\u00e7\u00f5es modernas, assim definida por Bento XVI, tem uma mensagem clara e firme para todos os tempos, mensagem interpelante, mas uma mensagem de miseric\u00f3rdia, de esperan\u00e7a e de paz, que todos devemos acolher: ora\u00e7\u00e3o, convers\u00e3o e penit\u00eancia.<\/p>\n<p>Pela ora\u00e7\u00e3o, entendamos dar o primado e a centralidade a Deus na vida e viver em di\u00e1logo permanente com Ele, e n\u00e3o o trocar pelos \u00eddolos que o homem cria para si mesmo para encontrar uma salva\u00e7\u00e3o, ou seja, uma vida e uma realiza\u00e7\u00e3o plena, que por este caminho \u00e9 falsa e ilus\u00f3ria. Deus n\u00e3o \u00e9 um estorvo ou um concorrente do homem, assim tantas vezes visto pela modernidade, que lhe quer tirar a liberdade ou complicar a vida. \u00c9 um Deus misericordioso que se quer aproximar sempre do homem e da humanidade para dar beleza, grandeza e dignidade \u00e0 vida e oferecer dons admir\u00e1veis que humanizam, realizam e enchem o homem de vida plena e verdadeira. Todas as sociedades que se procuraram construir sem Deus foram fonte de destrui\u00e7\u00e3o e sofrimento incalcul\u00e1vel para o homem. Basta lembrar a a\u00e7\u00e3o dos v\u00e1rios regimes e ideologias ate\u00edstas que espalharam o seu horror durante o s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>Pela convers\u00e3o, entenda-se verdadeira mudan\u00e7a de vida, ou melhor, um reorientar a vida para Deus e viver mais a partir de Deus, quebrando-se o gelo do nosso ego\u00edsmo ou da nossa autossufici\u00eancia. \u00c9 um grande desafio nestas sociedades secularizadas em que estamos a viver. A verdadeira convers\u00e3o, primeiro que tudo, tem de ser teologal, abrir-se e virar-se para Deus e renovar depois os valores e os crit\u00e9rios da vida. Assumir a s\u00e9rio um projeto de santidade, numa busca incessante de uma maior identifica\u00e7\u00e3o com Cristo, interiorizando os seus sentimentos e acolhendo o seu Evangelho. Recusar a l\u00f3gica do poder e do dom\u00ednio, do \u00f3dio, da competi\u00e7\u00e3o e da conflitualidade cega com os outros, abdicando absolutamente de fazer mal ou diminuir os outros para eu viver bem ou estar bem. Mais do que ser mais do que os outros, todos precisamos de abra\u00e7ar uma l\u00f3gica se ser mais com os outros e para os outros. Se queremos mudar o mundo e a sociedade, primeiro temos de mudar o ser humano.<\/p>\n<p>Pela penit\u00eancia, entendamos a repara\u00e7\u00e3o que \u00e9 preciso fazer do mal que existe e que tanto mal ainda nos faz, com as suas muitas sedu\u00e7\u00f5es e m\u00e1scaras que nos enganam. Cada cat\u00f3lico \u00e9 chamado a ser um consertador do mal do mundo. Mas n\u00e3o estamos condenados a viver sempre com o mal. H\u00e1 que combater a banaliza\u00e7\u00e3o do mal e o mal da banaliza\u00e7\u00e3o, desde o \u00edntimo de cada um de n\u00f3s. N\u00e3o podemos ceder ao conv\u00edvio insens\u00edvel com o mal e \u00e0 ditadura da indiferen\u00e7a face ao sofrimento que nos cerca.<\/p>\n<p>E, como dizima h\u00e1 uns tempos os nossos bispos, \u00abfi\u00e9is ao carisma de F\u00e1tima, somos chamados a acolher o convite \u00e0 promo\u00e7\u00e3o e defesa da paz entre os povos, denunciando e opondo-nos aos mecanismos perversos que enfrentam ra\u00e7as e na\u00e7\u00f5es: a arrog\u00e2ncia racionalista e individualista, o ego\u00edsmo indiferente e subjetivista, a economia sem moral ou a pol\u00edtica sem compaix\u00e3o. F\u00e1tima ergue-se como palavra prof\u00e9tica de den\u00fancia do mal e compromisso com o bem, na promo\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a e da paz, na valoriza\u00e7\u00e3o e respeito pela dignidade de cada ser humano\u00bb.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre V\u00edtor Pereira, Diocese de Vila Real\u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":268285,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-376853","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/376853","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=376853"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/376853\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/268285"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=376853"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=376853"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=376853"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}