{"id":3766,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/vivencias-do-natal-no-minho\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"vivencias-do-natal-no-minho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/vivencias-do-natal-no-minho\/","title":{"rendered":"Viv\u00eancias do Natal no Minho"},"content":{"rendered":"<p>A quadra natal\u00edcia na regi\u00e3o de Guimar\u00e3es come\u00e7a a 16 de Dezembro, Dia da Senhora do \u00d3, com a \u201cnovena em honra do Menino Jesus\u201d que \u00e9 organizada e dinamizada \u201cpor grupos de rapazes e raparigas\u201d \u2013 disse \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA o Pe. Armando Luis, p\u00e1roco de Ferment\u00f5es. Actos preparat\u00f3rios que terminam na \u201cnoite de consoada com a missa da Meia Noite, mais conhecida como a missa do Galo\u201d. Uma celebra\u00e7\u00e3o \u201cmuito solene\u201d que traz \u00e0 Igreja paroquial \u201cquase 100% da popula\u00e7\u00e3o\u201d. O Pe Artur Coutinho diz mesmo que nesse dia \u201ctodos iam \u00e0 missa\u201d. E acentua: \u201cdepois da celebra\u00e7\u00e3o, as pessoas, com o melhor fato que tinham (fato de ver a Deus), ficavam no adro a conversar muito tempo\u201d.  A refei\u00e7\u00e3o da noite de Natal \u2013 refere o Pe. Armando Luis \u2013 congrega \u201ca fam\u00edlia\u201d e \u201ctemos casos de pessoas que v\u00eam do estrangeiro para passar o Natal\u201d. Momentos \u00fanicos e de partilha \u00e0 volta de pratos t\u00edpicos. Naquela zona do Minho, o \u201cbacalhau com batatas \u00e9 indispens\u00e1vel\u201d mas h\u00e1 \u201cquem adicione tamb\u00e9m o arroz com polvo\u201d. Ao n\u00edvel de doces \u201cn\u00e3o dispensamos as rabanadas, aletria, formigos e o bolo rei\u201d mas as \u201cfam\u00edlias da lavoura ainda fazem estes doces \u00e0 moda antiga\u201d \u2013 sublinhou o p\u00e1roco de Ferment\u00f5es, localidade a meia d\u00fazia de quil\u00f3metros de Guimar\u00e3es. O bacalhau j\u00e1 est\u00e1 de molho h\u00e1 quatro dias \u201cque ele \u00e9 alto e precisa de muitas mudas\u201d \u2013 diz o povo minhoto, o polvo, as tronchudas e a couve-galega escolhidas na horta ficam \u00e0 espera de mais umas noites de geada. \u00c9, sem d\u00favida, a Ceia de Natal \u201co mais solene banquete da fam\u00edlia minhota\u201d &#8211; di-lo j\u00e1 Ramalho Ortig\u00e3o, no seu livro \u00abFarpas\u00bb. Uma festa de e em fam\u00edlia que re\u00fane na mesma mesa mi\u00fados e gra\u00fados para celebrarem o nascimento do menino. N\u00e3o se levanta a mesa &#8211; para as \u201calminhas\u201d e os \u201canjinhos\u201d comerem de noite, se quiserem (e que lhes fa\u00e7a bom proveito) &#8211; assim rezam algumas das tradi\u00e7\u00f5es mais familiares do Alto Minho. Na Serra de Arga, no Alto Minho, as tradi\u00e7\u00f5es natal\u00edcias sempre foram vividas \u201cintensamente\u201d porque, como tinha muitos emigrantes, quer no Brasil quer na Europa, \u201cera o momento de encontro\u201d. Era o \u201cvoltar \u00e0s origens\u201d para estarem com os seus familiares \u2013 disse \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA o Pe. Artur Coutinho, p\u00e1roco de Nossa Senhora de F\u00e1tima, cidade de Viana do Castelo. Actualmente, \u00e9 um p\u00e1roco da cidade mas \u201cpassei muitos anos com aquela gente\u201d e interessou-se sobre as viv\u00eancias daquele povo. Outrora o \u201cbacalhau n\u00e3o chegava \u00e0 serra\u201d por isso o prato tradicional \u201cdaquela gente \u00e9 o Per\u00fa ou ent\u00e3o o melhor galo da capoeira\u201d.    A festa em fam\u00edlia tem um grande significado e \u201ceu pr\u00f3prio passo o Natal com os meus\u201d. H\u00e1 trinta e oito anos naquela parcela da Igreja, o Pe. Armando Luis salienta que \u201cos meus sobrinhos n\u00e3o faltam a este conv\u00edvio\u201d e quando o rel\u00f3gio d\u00e1 as dozes badaladas \u201cabrimos as prendas\u201d. Um inconveniente de ter muitos sobrinhos porque \u201cfica caro\u201d. E adianta em tom de brincadeira: \u201cDeus tirou os filhos aos padres mas o Diabo deu-lhes sobrinhos\u201d.   As lareiras das cozinhas patriarcais \u00abrecebem\u00bb a fogueira de Natal, que muitas vezes se prolonga at\u00e9 aos Reis. O grande reizeiro ou canhoto arde lentamente at\u00e9 se transformar \u201cem cinzas que muitas vezes s\u00e3o guardadas para livrar das trovoadas de Inverno\u201d \u2013 diz o ad\u00e1gio popular. Tradi\u00e7\u00f5es que n\u00e3o diferem muito da aldeia para a cidade porque \u201cn\u00e3o h\u00e1 fam\u00edlia que tenha uma viv\u00eancia crist\u00e3 que deixe passar despercebida a quadra do Natal\u201d. Como nesta \u00e9poca do ano o frio domina, as fam\u00edlias \u201cfazem uma fogueira com canhotas grandes de carvalho\u201d para tornar o ambiente \u201cmais acolhedor\u201d \u2013 observa o Pe. Armando Luis. Na Serra de Arga a \u201cfogueira, as pinhas e os pinh\u00f5es\u201d tamb\u00e9m fazem parte do ritual. Enquanto uns t\u00eam \u00f3ptimos manjares outros \u201cvivem na pen\u00faria\u201d mas para diminuir estas assimetrias \u201cna nossa par\u00f3quia fazemos recolha de alimentos e de roupas para oferecer aos mais desfavorecidos\u201d \u2013 disse o p\u00e1roco de Ferment\u00f5es. O pres\u00e9pio \u00e9 outro s\u00edmbolo desta quadra, o que leva o p\u00e1roco de Ferment\u00f5es a dizer que \u201cn\u00e3o h\u00e1 fam\u00edlia  crist\u00e3 que n\u00e3o o fa\u00e7a\u201d. E adianta: \u201cmesmo as institui\u00e7\u00f5es locais fazem a sua festa de Natal com pres\u00e9pios vivos\u201d. Mais a norte, no Alto Minho, os jovens reuniam-se \u201ce faziam o pres\u00e9pio comunit\u00e1rio na Igreja\u201d. O Natal n\u00e3o passa \u201cdespercebido\u201d nesta regi\u00e3o apesar da mentalidade \u201chedonista e consumista da sociedade contempor\u00e2nea\u201d \u2013 finaliza o Pe. Armando Luis.  <B>Not\u00edcias relacionadas<\/B> <a href=\"http:\/\/62.48.143.220\/noticia.asp?noticiaid=5097\">\u2022 O Natal em Portugal<\/a>   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A quadra natal\u00edcia na regi\u00e3o de Guimar\u00e3es come\u00e7a a 16 de Dezembro, Dia da Senhora do \u00d3, com a \u201cnovena em honra do Menino Jesus\u201d que \u00e9 organizada e dinamizada \u201cpor grupos de rapazes e raparigas\u201d \u2013 disse \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA o Pe. Armando Luis, p\u00e1roco de Ferment\u00f5es. 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