{"id":3765,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/nao-invocar-o-santo-nome-de-deus-em-vao\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"nao-invocar-o-santo-nome-de-deus-em-vao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/nao-invocar-o-santo-nome-de-deus-em-vao\/","title":{"rendered":"N\u00e3o invocar o santo nome de Deus em v\u00e3o!"},"content":{"rendered":"<p>Mensagem de Natal do P\u00e1roco de S\u00e3o Gon\u00e7alo <!--more--> Duas coisas me custam particularmente nestas \u00abmensagens de Natal\u00bb: A primeira: escrev\u00ea-las em tempo de Advento. A segunda: falar do Natal, sem \u201cinvocar o Santo Nome de Deus em v\u00e3o\u201d.   A not\u00edcia, antes do acontecimento  1. Falar de Natal em tempo de Advento \u00e9, para mim, como fazer a not\u00edcia antes do acontecimento. E o acontecimento, pela sua grandeza de import\u00e2ncia, merece-nos espera, demora, prepara\u00e7\u00e3o, tens\u00e3o e aten\u00e7\u00e3o, desejo e acolhimento, abertura e ruptura, para saber a novidade. S\u00f3 assim o Natal se tornar\u00e1 algo da gra\u00e7a do divino que desabrocha no humano, e n\u00e3o simplesmente uma coisa que se desembrulha. Mas, para a grande maioria, o Natal chega mais cedo, com algumas ceias em Novembro e \u201ccheias\u201d em Dezembro. E, o pior, \u00e9 que chegando mais cedo, este Natal comercial, global, ou como que lhe queiram chamar, n\u00e3o fica para mais tarde. Azeda, no dia seguinte, como as batatas. Quando n\u00e3o avaria, depois da meia-noite, como alguns brinquedos. Salvam-se as luzes que s\u00f3 mais tarde se despedem. N\u00f3s perdemos assim aquela sabedoria dos tempos, que fazem com que um dia seja diferente dos outros dias. Antecipamos tudo \u00e0 for\u00e7a. E quando chega a hora, j\u00e1 passou. Com pouco gosto e muito custo.   Na Liturgia da Igreja, usamos outra pedagogia. Vivemos a expectativa do Natal durante quatro domingos, sulcando a esperan\u00e7a, semeada pelos profetas, cultivando a austeridade gozosa do Baptista, aprendendo a candura de Jos\u00e9 e o acolhimento de Maria. Mas somos, de facto, numa sociedade profundamente paganizada, um pequeno resto, uns \u201ccrentes\u201d que ainda se d\u00e3o \u00e0 paci\u00eancia dessa espera. Pobres filhos de Deus que tentam divisar e apanhar com as duas m\u00e3os a Estrela do Pres\u00e9pio.   Eis porque uma reflex\u00e3o pr\u00e9via do Natal, me obriga a um enorme esfor\u00e7o de profecia. Dif\u00edcil, sobretudo em tempos, como os nossos, que viram a p\u00e1gina de repetente. Porque n\u00e3o se trata aqui de uma ideia que se repete. Trata-se, pois, de um acontecimento que se renova. O Natal do Senhor. E \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil falar antes do tempo! Quem adivinha, hoje, o Natal que amanh\u00e3 nos vai ser dado viver?!  As palavras em v\u00e3o ou talvez n\u00e3o  2. A segunda dificuldade \u00e9 a de falar do Natal, sem \u201cinvocar o Santo Nome de Deus em v\u00e3o\u201d. A troco do Natal v\u00eam as mensagens do costume. Os apelos de sempre. Os lugares comuns: Festa da Fam\u00edlia, sobretudo das crian\u00e7as! (E quase parece pecado gostar delas!) Tempo de Solidariedade, que \u00e9 agora o nome secular dado \u00e0 caridade, por medo injustificado das refer\u00eancias crist\u00e3s. Esperan\u00e7a de Paz, sobretudo fora de casa, onde obviamente ela nos d\u00e1 menos trabalho.   S\u00e3o estes os votos habituais que se colam ao Natal e n\u00e3o por acaso. Mas que parecem fazer dele mais uma ideia generosa, do que um acontecimento real. E o acontecimento fica, mais uma vez, por nomear. Por dizer. Por celebrar. Diria mesmo, o acontecimento fica por se dar, &#8211; passe a express\u00e3o \u2013 o acontecimento fica por acontecer. As palavras correm em v\u00e3o velocidade, via postal ou via net. Em mensagens escritas, copiadas e coladas, num excesso de poupan\u00e7a de significados pessoais. E h\u00e1 palavras raras e s\u00e9rias de mais para fazerem parte do dicion\u00e1rio do computador ou do telem\u00f3vel!   \u00c9 hoje bastante inc\u00f3modo falar do Pres\u00e9pio, com a velha manjedoura. Falar de um Deus, sem a nossa l\u00f3gica fria e racional. Falar de uma M\u00e3e que \u00e9 Virgem. De uns Anjos que se encontram \u00e0 noite com os Pastores. De um homem como Jos\u00e9, que sacrificou o romance do noivado pela loucura de uma Promessa. Tudo nos soa a um cen\u00e1rio virtual, de mistifica\u00e7\u00e3o, de que hoje temos algum medo de nos abeirar. Mas s\u00e3o estas coisas, desenhadas numa linguagem que os pequeninos e os simples bem entendem, que dizem da absoluta gratuidade do acontecimento, desse verdadeiro Natal, que n\u00e3o nos foi devido nem merecido, mas dado por Deus, quando e como Ele pr\u00f3prio quis.   Deus tal qual Ele \u00e9  3. O Pres\u00e9pio, com o boi e o burro, os Anjos, a Nossa Senhora, o S\u00e3o Jos\u00e9 e o Menino, os Magos e os camelos, as luzes e a Estrela, s\u00e3o afinal o quadro de um \u201cexc\u00eantrico mundo\u201d, que regressa finalmente \u00e0 paz original, ao equil\u00edbrio ecol\u00f3gico, \u00e0 pureza das coisas, \u00e0 ternura dos afectos, \u00e0 beleza do amor, \u00e0 d\u00e1diva presente da vida eterna. E \u00e9 o Menino, por ser Deus, o centro de tudo! \u00c9 Ele, o Menino Jesus, a dizer, por balbucios, que Deus desceu at\u00e9 n\u00f3s. Que o Verbo se fez Carne. Que o Eterno abra\u00e7ou o tempo. Que Deus se fez Homem. Que, por isso, h\u00e1 uma reden\u00e7\u00e3o, para todos, neste feliz encontro entre Deus e o Homem. Desde a\u00ed, est\u00e1 tudo mudado. Dentro de n\u00f3s e \u00e0 nossa volta. E nada est\u00e1 perdido. Est\u00e1 tudo salvo, redimido\u2026 uma vez que Aquele Jesus n\u00e3o era um menino qualquer, nem um Deus \u201cfeito por medida\u201d.   N\u00f3s acreditamos assim. Que o Natal \u00e9 a Festa de Deus que se fez Homem. E que o Homem escusa de ter medo de Deus. Porque Deus veio at\u00e9 n\u00f3s para nos engrandecer. Para nos salvar. Para fazer aqui e agora o que sempre quis: que f\u00f4ssemos homens autenticamente, filhos seus, irm\u00e3os uns dos outros. Talvez a partir daqui se possa dizer, sem invocar o santo nome de Deus em v\u00e3o, tudo o mais, de que \u00e9 comum falar-se antes e no tempo de Natal.   O acontecimento est\u00e1 \u00e0 porta. E \u00e0s portas do Natal, resta-me testemunhar que o nascimento deste Menino mudou a rota do meu pr\u00f3prio destino. Ele continua a brincar comigo, para que a minha vida seja mais a s\u00e9rio. Livre e erguida, digna e plena, de olhos abertos para cima. Desafio-vos tamb\u00e9m a tomardes conta deste Menino. Pois tornar-se Homem significa tornar-se crian\u00e7a. Esse \u00e9 o itiner\u00e1rio principal para quem desejar chegar ao Pres\u00e9pio e ver a Deus, tal qual Ele \u00e9.  Pe. Amaro Gon\u00e7alo P\u00e1roco de S\u00e3o Gon\u00e7alo e S\u00e3o Ver\u00edssimo <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mensagem de Natal do P\u00e1roco de S\u00e3o Gon\u00e7alo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[100,154,206,246,267,314],"class_list":["post-3765","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-advento","tag-crianca","tag-familia","tag-liturgia","tag-natal","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3765","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3765"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3765\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3765"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3765"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3765"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}