{"id":37645,"date":"2009-03-18T09:59:52","date_gmt":"2009-03-18T09:59:52","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/03\/18\/discurso-de-bento-xvi-no-aeroporto-nsimalen-de-yaounde\/"},"modified":"2009-03-18T09:59:52","modified_gmt":"2009-03-18T09:59:52","slug":"discurso-de-bento-xvi-no-aeroporto-nsimalen-de-yaounde","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/discurso-de-bento-xvi-no-aeroporto-nsimalen-de-yaounde\/","title":{"rendered":"Discurso de Bento XVI no aeroporto Nsimalen de Yaound\u00e9"},"content":{"rendered":"<p>Senhor Presidente,  Ilustres Representantes das Autoridades civis,  Senhor Cardeal Tumi,  Venerados Irm\u00e3os no Episcopado,  Amados irm\u00e3os e irm\u00e3s!  Obrigado pelas boas-vindas com que me acolhestes. Obrigado, Senhor Presidente, pelas suas am\u00e1veis palavras. Apreciei imenso o convite a visitar os Camar\u00f5es, e por isso desejo exprimir a minha gratid\u00e3o a Vossa Excel\u00eancia e ao Presidente da Confer\u00eancia Episcopal Nacional, D. Tony\u00e9 Bakot. Sa\u00fado a todos v\u00f3s que me honrastes com a vossa presen\u00e7a nesta ocasi\u00e3o, e desejo que saibais a grande alegria que sinto por me encontrar convosco aqui, em terra africana, pela primeira vez desde a minha elei\u00e7\u00e3o para a S\u00e9 de Pedro. Sa\u00fado afectuosamente os meus Irm\u00e3os no Episcopado como tamb\u00e9m o clero e os fi\u00e9is leigos aqui reunidos. Dirijo uma sauda\u00e7\u00e3o respeitosa tamb\u00e9m aos Representantes do Governo, das Autoridades civis e do Corpo diplom\u00e1tico. Dado que esta Na\u00e7\u00e3o, como v\u00e1rias outras na \u00c1frica, se aproxima do cinquenten\u00e1rio da sua independ\u00eancia, quero juntar a minha voz ao coro de congratula\u00e7\u00f5es e bons votos que os vossos amigos em todo o mundo vos enviar\u00e3o nesta feliz ocasi\u00e3o. Com gratid\u00e3o, registo a presen\u00e7a de membros de outras Confiss\u00f5es crist\u00e3s e seguidores de diversas religi\u00f5es. Unindo-vos a n\u00f3s neste dia, ofereceis um sinal claro da boa vontade e harmonia que existe neste pa\u00eds entre pessoas de diferentes tradi\u00e7\u00f5es religiosas.  Venho ter convosco como pastor. Venho para confirmar os meus irm\u00e3os e as minhas irm\u00e3s na f\u00e9. Este foi o dever que Cristo confiou a Pedro na \u00daltima Ceia, e esta \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o dos sucessores de Pedro. Em Jerusal\u00e9m, no dia de Pentecostes, quando Pedro pregou \u00e0 multid\u00e3o, estavam presentes l\u00e1 visitantes tamb\u00e9m da \u00c1frica. Depois o testemunho de muitos e grandes Santos deste continente durante os primeiros s\u00e9culos do cristianismo \u2013 S\u00e3o Cipriano, Santa M\u00f3nica, Santo Agostinho, Santo Atan\u00e1sio, para nomear s\u00f3 alguns \u2013 assegura \u00e0 \u00c1frica um lugar de distin\u00e7\u00e3o nos anais da hist\u00f3ria da Igreja. At\u00e9 aos dias de hoje, falanges de mission\u00e1rios e de m\u00e1rtires continuaram a dar testemunho de Cristo em toda a parte da \u00c1frica, sendo aqui hoje aben\u00e7oada a Igreja com a presen\u00e7a aproximada de cento e cinquenta milh\u00f5es de fi\u00e9is. Muito apropriada se revela, pois, a decis\u00e3o de o Sucessor de Pedro vir \u00e0 \u00c1frica para celebrar convosco a f\u00e9 vivificante em Cristo, que sustenta e nutre um n\u00famero assim t\u00e3o grande de filhos e filhas deste continente.  Foi aqui em Yaound\u00e9, no ano 1995, que o meu venerado antecessor, Papa Jo\u00e3o Paulo II, promulgou a Exorta\u00e7\u00e3o p\u00f3s-sinodal Ecclesia in Africa, fruto da Primeira Assembleia Especial para a \u00c1frica do S\u00ednodo dos Bispos, realizada em Roma no ano anterior. O d\u00e9cimo anivers\u00e1rio daquele momento hist\u00f3rico foi celebrado com grande solenidade nesta mesma cidade, n\u00e3o h\u00e1 muito tempo. Vim aqui para apresentar o Instrumentum laboris para a Segunda Assembleia Especial, que ter\u00e1 lugar em Roma no pr\u00f3ximo m\u00eas de Outubro. Os Padres do S\u00ednodo reflectir\u00e3o, juntos, sobre o tema: \u00abA Igreja em \u00c1frica ao servi\u00e7o da reconcilia\u00e7\u00e3o, da justi\u00e7a e da paz: &#8220;V\u00f3s sois o sal da terra\u2026 V\u00f3s sois a luz do mundo&#8221; (Mt 5, 13.14)\u00bb. Quase dez anos depois da entrada no novo mil\u00e9nio, este momento de gra\u00e7a \u00e9 um apelo a todos os Bispos, presb\u00edteros, religiosos e fi\u00e9is leigos do continente para se dedicarem com redobrada for\u00e7a \u00e0 miss\u00e3o que tem a Igreja de levar esperan\u00e7a aos cora\u00e7\u00f5es do povo da \u00c1frica e, desse modo, tamb\u00e9m aos povos de todo o mundo.  Mesmo no meio dos maiores sofrimentos, a mensagem crist\u00e3 traz sempre consigo esperan\u00e7a. A vida de Santa Josefina Bakhita proporciona um admir\u00e1vel exemplo da transforma\u00e7\u00e3o que o encontro com o Deus vivo pode gerar numa situa\u00e7\u00e3o de grande sofrimento e injusti\u00e7a. Diante da dor ou da viol\u00eancia, da pobreza ou da fome, da corrup\u00e7\u00e3o ou do abuso de poder, um crist\u00e3o nunca pode ficar calado. A mensagem salv\u00edfica do Evangelho exige ser proclamada, com for\u00e7a e clareza, de tal modo que a luz de Cristo possa brilhar na escurid\u00e3o da vida das pessoas. Aqui na \u00c1frica, como em tantas outras partes do mundo, inumer\u00e1veis homens e mulheres anseiam por ouvir uma palavra de esperan\u00e7a e conforto. Conflitos locais deixam milhares de desalojados e necessitados, de \u00f3rf\u00e3os e vi\u00favas. Num continente que no passado viu muitos de seus habitantes cruelmente raptados e levados para al\u00e9m-mar a fim de trabalhar como escravos, o tr\u00e1fico de seres humanos, especialmente de inermes mulheres e crian\u00e7as, tornou-se uma moderna forma de escravatura. Num tempo de global escassez alimentar, de confus\u00e3o financeira, de modelos causadores de altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, a \u00c1frica sofre desconformemente: um n\u00famero crescente de seus habitantes acaba prisioneiro da fome, da pobreza e da doen\u00e7a. Estes clamam por reconcilia\u00e7\u00e3o, justi\u00e7a e paz; e isto \u00e9 precisamente o que a Igreja lhes oferece. N\u00e3o novas formas de opress\u00e3o econ\u00f3mica ou pol\u00edtica, mas a liberdade gloriosa dos filhos de Deus (cf. Rom 8, 21). N\u00e3o a imposi\u00e7\u00e3o de modelos cultuais que ignoram o direitos \u00e0 vida dos nascituros, mas a pura \u00e1gua salv\u00edfica do Evangelho da vida. N\u00e3o amargas rivalidades inter-\u00e9tnicas ou inter-religiosas, mas a rectid\u00e3o, a paz e a alegria do Reino de Deus, descrito de modo muito apropriado pelo Papa Paulo VI como \u00abciviliza\u00e7\u00e3o do amor\u00bb (cf. Alocu\u00e7\u00e3o ao Regina caeli, Pentecostes de 1970).  Aqui, nos Camar\u00f5es, onde mais de um quarto da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 cat\u00f3lica, a Igreja est\u00e1 em boas condi\u00e7\u00f5es para levar por diante a sua miss\u00e3o a favor da sa\u00fade e da reconcilia\u00e7\u00e3o. No Centro Cardeal L\u00e9ger, poderei dar-me conta pessoalmente da solicitude pastoral desta Igreja local pelas pessoas doentes e atribuladas; merecedor de particular enc\u00f3mio \u00e9 o facto de os doentes de sida sejam gratuitamente tratados. O empenho educativo \u00e9 outro elemento-chave do servi\u00e7o da Igreja e agora vemos os esfor\u00e7os de gera\u00e7\u00f5es de mission\u00e1rios professores dar o seu fruto na obra da Universidade Cat\u00f3lica da \u00c1frica Central, um sinal de grande esperan\u00e7a para o futuro da regi\u00e3o.  De facto, os Camar\u00f5es s\u00e3o terra de esperan\u00e7a para muitos na \u00c1frica Central. Milhares de refugiados, vindos dos pa\u00edses da regi\u00e3o devastados pela guerra, encontraram aqui acolhimento. Esta \u00e9 uma terra de vida, com um Governo que fala claramente em defesa dos direitos dos nascituros. Esta \u00e9 uma terra de paz: ao resolverem pelo di\u00e1logo a disputa na pen\u00ednsula Bakassi, os Camar\u00f5es e a Nig\u00e9ria mostraram ao mundo que uma paciente diplomacia pode realmente dar fruto. Esta \u00e9 uma terra de jovens, aben\u00e7oada com uma popula\u00e7\u00e3o jovem plena de vitalidade e impaciente por construir um mundo mais justo e pac\u00edfico. Justamente os Camar\u00f5es s\u00e3o descritos como uma \u00ab\u00c1frica em miniatura\u00bb, p\u00e1tria de mais de duzentos grupos \u00e9tnicos diferentes que vivem em harmonia uns com os outros. Tudo isto s\u00e3o raz\u00f5es para louvar e agradecer a Deus.  Ao chegar hoje ao vosso meio, rezo pela Igreja, aqui e por toda a \u00c1frica, para que possa continuar a crescer na santidade, no servi\u00e7o \u00e0 reconcilia\u00e7\u00e3o, \u00e0 justi\u00e7a e \u00e0 paz. Rezo para que o trabalho da Segunda Assembleia Especial do S\u00ednodo dos Bispos possa atear a chama dos dons que o Esp\u00edrito derramou sobre a Igreja na \u00c1frica. Rezo por cada um de v\u00f3s, pelas vossas fam\u00edlias e entes queridos, e pe\u00e7o que vos junteis a mim na ora\u00e7\u00e3o por todos os habitantes deste vasto continente. Deus aben\u00e7oe os Camar\u00f5es! Deus aben\u00e7oe a \u00c1frica!  Yaound\u00e9, 17 de Mar\u00e7o de 2009 (www.vatican.va)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Senhor Presidente, Ilustres Representantes das Autoridades civis, Senhor Cardeal Tumi, Venerados Irm\u00e3os no Episcopado, Amados irm\u00e3os e irm\u00e3s! Obrigado pelas boas-vindas com que me acolhestes. Obrigado, Senhor Presidente, pelas suas am\u00e1veis palavras. 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