{"id":376357,"date":"2025-05-16T17:42:00","date_gmt":"2025-05-16T16:42:00","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=376357"},"modified":"2025-05-20T10:28:42","modified_gmt":"2025-05-20T09:28:42","slug":"um-papa-do-renascimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/um-papa-do-renascimento\/","title":{"rendered":"Um Papa do Renascimento"},"content":{"rendered":"<p><em>Jorge Teixeira da Cunha, Diocese do Porto<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-321545 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jorge-Teixeira-da-Cunha-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jorge-Teixeira-da-Cunha-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jorge-Teixeira-da-Cunha-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jorge-Teixeira-da-Cunha-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jorge-Teixeira-da-Cunha-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jorge-Teixeira-da-Cunha-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jorge-Teixeira-da-Cunha.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/>A elei\u00e7\u00e3o de Le\u00e3o XIV foi uma agrad\u00e1vel surpresa. As primeiras impress\u00f5es n\u00e3o podem ser melhores: olhar limpo, concis\u00e3o verbal, verticalidade frente \u00e0 multid\u00e3o. Uma presen\u00e7a despojada que falou por si, uma fibra desprovida de adiposidade e de estados de alma. Uma serena aceita\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o de Pedro e, para j\u00e1, mais nada. O porvir nos mostrar\u00e1 melhor quem \u00e9 o Papa Le\u00e3o. A elei\u00e7\u00e3o demonstra, mais uma vez, que a Igreja tem reservas de vitalidade e de diversidade, apesar de algum esvaziamento da qualidade dos seus servidores de topo. H\u00e1 menos por onde escolher, tanto nas dioceses, como nos servi\u00e7os centrais da Igreja.<\/p>\n<p>Alguns dados revelam-se interessantes, \u00e0 partida. O Cardeal Prevost nasceu nos Estados Unidos da Am\u00e9rica, mas trabalhou no Peru. Viveu, por isso, dois dos mais importantes contextos do catolicismo de hoje: a vitalidade saturada da Am\u00e9rica do Norte e a vitalidade da Am\u00e9rica do Sul, baseada na religiosidade popular, com tudo o que isso significa de virtualidade e de car\u00eancia. A forma\u00e7\u00e3o do nosso Papa na espiritualidade agostiniana decerto tamb\u00e9m condicionar\u00e1 o seu modo de pastorear a Igreja. A demorada medita\u00e7\u00e3o sobre o abismo do esp\u00edrito humano costuma levar a um certo pessimismo, \u00e0 desconfian\u00e7a na raz\u00e3o e \u00e0 insist\u00eancia na necessidade da f\u00e9 para o renascimento do ser humano e para a funda\u00e7\u00e3o da moral.<\/p>\n<p>Muito se tem escrito sobre a escolha do nome pelo nosso Papa. Tenha isso o valor que tiver, na base dessa escolha, podemos esperar um certo estilo e prever algumas insist\u00eancias para os pr\u00f3ximos anos. Desde logo, a analogia com o Papa Le\u00e3o XIII e o voltar da nossa aten\u00e7\u00e3o para a quest\u00e3o social como esta se apresenta na atualidade. Revolu\u00e7\u00f5es industriais, costuma falar de umas quatro, sendo que a \u00faltima \u00e9 a que se refere ao desenvolvimento da intelig\u00eancia artificial. Ora esta \u00faltima tem imensas virtualidades, pois nos livrar\u00e1 de muito do esfor\u00e7o que o trabalho produtivo tem exigido \u00e0 humanidade: a m\u00e1quina inteligente desempenhar\u00e1 as tarefas que ontem foram servis. Por\u00e9m, a intelig\u00eancia, que melhora a m\u00e1quina, acumula uma quantidade de dados de conhecimento que tendem a ganhar uma certa autonomia e a manipular-nos nas nossas decis\u00f5es. Por isso, se o Papa Le\u00e3o XIV tiver como prop\u00f3sito enfrentar pastoralmente esta situa\u00e7\u00e3o de forma s\u00e9ria ser\u00e1 uma grande op\u00e7\u00e3o. A Igreja, enquanto perita em espiritualidade e personalismo tem um contributo decisivo a dar para manter os seres humanos como senhores das m\u00e1quinas inteligentes e para propor novas formas de distribui\u00e7\u00e3o da riqueza que a nova tecnologia tende a concentrar na m\u00e3o dos poucos que det\u00eam as fontes do conhecimento.<\/p>\n<p>Mas, se nos \u00e9 permitido jogar com o nome do nosso Papa Le\u00e3o XIV, ainda vamos recordar mais dois ou tr\u00eas contextos para os quais o nome nos encaminha. Seria muito \u00fatil que ele tamb\u00e9m continuasse a linha de Le\u00e3o Magno (morto em 461), esse que enfrentou \u00c1tila \u00e0s portas de Roma: ora esta faceta seria muito \u00fatil para enfrentar as derivas populistas de hoje, tanto de direita como de esquerda, que est\u00e3o a p\u00f4r em causa a nossa conviv\u00eancia democr\u00e1tica. Por n\u00f3s, tamb\u00e9m gostar\u00edamos que ele continuasse a linha de Le\u00e3o X, um papa do Renascimento, que investiu fortemente no humanismo e nas artes. Isto porque a nossa Igreja anda muito carenciada em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 est\u00e9tica e \u00e0 sua miss\u00e3o de promover a cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica como forma de dar a viver o mist\u00e9rio crist\u00e3o.<\/p>\n<p>Enfim, h\u00e1 outro Le\u00e3o que, sem ofensa, gost\u00e1vamos que inspirasse o nosso Papa. \u00c9 a figura cr\u00edstica de Aslam, o le\u00e3o das Cr\u00f3nicas de N\u00e1rnia, da autoria de C. S. Lewis. Esta personagem anda ligada a um inverno duro que \u00e9 figura da Europa em guerra e aponta para a sua supera\u00e7\u00e3o, pelo menos na fantasia das crian\u00e7as, que s\u00e3o quem primeiro reconhece os sinais do Reino.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jorge Teixeira da Cunha, Diocese do Porto<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":321545,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-376357","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/376357","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=376357"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/376357\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/321545"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=376357"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=376357"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=376357"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}