{"id":37621,"date":"2009-03-17T11:38:41","date_gmt":"2009-03-17T11:38:41","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/03\/17\/como-se-vive-a-quaresma-entre-os-cristaos\/"},"modified":"2009-03-17T11:38:41","modified_gmt":"2009-03-17T11:38:41","slug":"como-se-vive-a-quaresma-entre-os-cristaos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/como-se-vive-a-quaresma-entre-os-cristaos\/","title":{"rendered":"Como se vive a Quaresma entre os crist\u00e3os?"},"content":{"rendered":"<p>A Ag\u00eancia ECCLESIA apresenta esta semana um olhar sobre v\u00e1rias perspectivas ligadas \u00e0 prepara\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa: como se celebra noutras Igrejas, qual a sua origem hist\u00f3rica, o que significa para quem entra na Igreja Cat\u00f3lica atrav\u00e9s do Baptismo. Perspectivas que se cruzam e ajudam a dar sentido \u00e0 viv\u00eancia deste tempo lit\u00fargico. O ano lit\u00fargico como hoje o conhecemos pretende levar os cat\u00f3licos a celebrar sacramentalmente a pessoa de Jesus Cristo como &#8220;mem\u00f3ria&#8221;, &#8220;presen\u00e7a&#8221;, &#8220;profecia&#8221;. Na Igreja primitiva, o mist\u00e9rio, a celebra\u00e7\u00e3o, a prega\u00e7\u00e3o, a vida crist\u00e3 tiveram um \u00fanico centro: a P\u00e1scoa &#8211; o culto da Igreja primitiva nasceu da P\u00e1scoa e para celebrar a P\u00e1scoa. No in\u00edcio da vida crist\u00e3 encontra-se o Domingo como \u00fanica festa, com a \u00fanica denomina\u00e7\u00e3o de &#8220;Dia do Senhor&#8221;. Por influ\u00eancia das comunidades crist\u00e3s provenientes do juda\u00edsmo, surgiu depois um &#8220;grande Domingo&#8221;, como celebra\u00e7\u00e3o anual da P\u00e1scoa. A celebra\u00e7\u00e3o do baptismo na noite de P\u00e1scoa, j\u00e1 em uso no s\u00e9culo III, e a disciplina penitencial com a reconcilia\u00e7\u00e3o dos penitentes na manh\u00e3 de Quinta-feira Santa, j\u00e1 no s\u00e9culo V, fizeram nascer tamb\u00e9m o per\u00edodo preparat\u00f3rio da P\u00e1scoa, ou seja, a Quaresma, inspirada nos &#8220;quarenta dias b\u00edblicos&#8221;. A Semana Santa apresenta-se, neste contexto, como a Semana Maior do ano lit\u00fargico. Gra\u00e7as \u00e0 peregrina Eg\u00e9ria, que viveu no final do s\u00e9culo IV, conhecemos os rituais que envolviam estas celebra\u00e7\u00f5es no princ\u00edpio do Cristianismo.  Ela descreve, no seu livro &#8220;Itinerarium&#8221;, a liturgia que se desenvolveu em Jerusal\u00e9m, teatro das \u00faltimas horas de vida de Jesus, e compreende o intervalo de tempo que vai do Domingo de Ramos \u00e0 P\u00e1scoa.  Na Idade M\u00e9dia, esta semana era chamada a &#8220;semana dolorosa&#8221;, porque a Paix\u00e3o de Cristo era dramatizada pelo povo, pondo em destaque os aspectos do sofrimento e da compaix\u00e3o. Actualmente, muitas igrejas locais d\u00e3o ainda vida a essa tradi\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica, que se desenrola na Via-Sacra, prociss\u00f5es e representa\u00e7\u00f5es da Paix\u00e3o de Jesus. <i>Oct\u00e1vio Carmo<\/i>  <b>As outras Igrejas<\/b> Paix\u00e3o, morte e Ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo s\u00e3o as doutrinas comuns a todos os ramos do Cristianismo e que, ao mesmo tempo as distingue das outras religi\u00f5es. A Quarta-feira de cinzas marca o in\u00edcio da Quaresma para todas as Igrejas crist\u00e3s, mas apenas a tradi\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica a assinala obrigatoriamente com a simbologia da imposi\u00e7\u00e3o das cinzas.   A Igreja Lusitana de comunh\u00e3o Anglicana e tamb\u00e9m a Presbiteriana diferem pouco da tradi\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica. Pequenos detalhes marcam a diferen\u00e7a. \u201cA Igreja Lusitana \u00e9 cat\u00f3lica mas n\u00e3o \u00e9 romana, ou seja, n\u00e3o reconhecemos a autoridade a Roma. A actividade lit\u00fargica \u00e9, por isso, muito semelhante\u201d, explica o Bispo Fernando Soares. O tempo de Quaresma principia na Quarta-feira de cinzas com o rito de imposi\u00e7\u00e3o das cinzas. N\u00e3o \u00e9 uma pr\u00e1tica de todas as igrejas, \u201cdepender\u00e1 da sensibilidade das comunidades\u201d. Tamb\u00e9m a Igreja Evang\u00e9lica Metodista Portuguesa n\u00e3o tem doutrinas nem normas espec\u00edficas sobre este culto, mas em alguns pa\u00edses, \u201capenas em sentido tradicional e volunt\u00e1rio, h\u00e1 uma cerim\u00f3nia nesta data, com ou sem imposi\u00e7\u00e3o de cinzas\u201d, explica o Pastor Jorge Barros.  Talvez a maior \u201cdetalhe\u201d nas celebra\u00e7\u00f5es da Igreja Lusitana aconte\u00e7a no Domingo de Ramos. Durante a Quaresma, s\u00e3o feitas, em folhas de palmeira, pequenas cruzes que no \u00faltimo Domingo da Quaresma, s\u00e3o aben\u00e7oadas e distribu\u00eddas aos fi\u00e9is que, durante a leitura do Evangelho sobre a crucifica\u00e7\u00e3o de Jesus, as seguram na m\u00e3o. \u201c\u00c9 uma cruz pequena que se usa para marcar os livros. Algumas pessoas gostam inclusivamente de levar para alguns familiares\u201d. Um pequeno s\u00edmbolo que pretende \u201crefor\u00e7ar a rela\u00e7\u00e3o de cada um com a cruz de Cristo\u201d, explica o Bispo Fernando Soares.   A tradi\u00e7\u00e3o Presbiteriana aponta como diferen\u00e7a a leitura do Evangelho no Domingo de Ramos. Enquanto a tradi\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica revive toda a paix\u00e3o de Cristo neste Domingo, a Igreja Presbiteriana apenas l\u00ea a entrada de Jesus em Jerusal\u00e9m, deixando o restante relato para a Semana Santa. Os sete dias antes da P\u00e1scoa s\u00e3o um tempo especial de prepara\u00e7\u00e3o para os fi\u00e9is presbiterianos e tamb\u00e9m para os metodistas. \u201cA Semana Santa \u00e9 a \u00e9poca do ano em que temos mais servi\u00e7os religiosos, em especial nas igrejas paroquiais maiores, onde h\u00e1 servi\u00e7os durante toda a semana, excepto no S\u00e1bado\u201d, explica o pastor Jorge Barros.   <i>Semana Santa<\/i> Todas as Igrejas t\u00eam um culto especial na Quinta-feira e na Sexta-feira Santa. Algumas comunidades Presbiterianas encontram-se todos os dias da Semana Santa. \u201cA organiza\u00e7\u00e3o fica dependente de cada comunidade que poder\u00e1 organizar actividades para os mais novos e mais velhos\u201d, explica Eva Michel.  Durante a Quaresma a aten\u00e7\u00e3o principal centra-se nas passagens b\u00edblicas e na reflex\u00e3o pessoal de cada um, \u201cpara que possamos viver com maior aten\u00e7\u00e3o aos outros, a n\u00f3s pr\u00f3prios, com a natureza e com Deus\u201d. Este \u00e9 o centro da pr\u00e1tica quaresmal da Igreja Presbiteriana.   Tradicionalmente, nas Igrejas protestantes, a espiritualidade centrou-se na Sexta-feira Santa e na reden\u00e7\u00e3o. Eva Michel recorda a devo\u00e7\u00e3o que leva as pessoas ao culto na Sexta-feira santa, mesmo que estejam ausentes durante o resto do ano. No entanto, o di\u00e1logo ajudou a corrigir os extremos e, a pastora Eva explica que, hoje entende-se a necessidade de ampliar os horizontes. \u201cA cruz sem ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 muito vazia, mas a celebra\u00e7\u00e3o da ressurrei\u00e7\u00e3o sem olhar para o sofrimento na cruz tamb\u00e9m \u00e9 insuficiente. Para ver a morte de Jesus temos de a perceber enquanto consequ\u00eancia da sua vida e n\u00e3o isol\u00e1-la. Isto significa redescobrir o profundo mist\u00e9rio que \u00e9 a P\u00e1scoa\u201d.  Na tradi\u00e7\u00e3o baptista, durante a Semana Santa, h\u00e1 cultos vespertinos ou servi\u00e7os religiosos \u00e0 noite, em especial na Quinta-feira e Sexta-feira santa, onde s\u00e3o lembradas, atrav\u00e9s de textos e hinos, as \u00faltimas 48 horas de Jesus, a \u00faltima ceia com os disc\u00edpulos e a crucifica\u00e7\u00e3o. \u201cExistem muitos serm\u00f5es sobre a descri\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do que aconteceu\u201d. Os c\u00e2nticos e os textos sagrados centram-se no sofrimento de Jesus. \u201cOs evang\u00e9licos consideram que a salva\u00e7\u00e3o \u00e9 de gra\u00e7a, mas n\u00e3o a foi para Jesus. Teve um alto pre\u00e7o e por isso os pastores recordam aos crentes que este foi um sofrimento atroz e d\u00e3o \u00eanfase ao pre\u00e7o do sofrimento para a salva\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Fernando Loja.  <i>Tr\u00edduo Pascal<\/i> Das Igrejas crist\u00e3s, apenas a Cat\u00f3lica realiza a Via-sacra na tarde de Sexta-feira santa, reconstruindo os \u00faltimo passos de Cristo. Na Sexta-feira Santa, a Igreja Lusitana prepara um momento devocional pelas 15 horas nas comunidades e tamb\u00e9m \u00e0 noite, onde o culto se debru\u00e7a sobre a crucifica\u00e7\u00e3o. \u201cA reflex\u00e3o \u00e9 conduzida pela prega\u00e7\u00e3o, pelos textos sagrados e por c\u00e2nticos\u201d. O culto de Quinta-feira santa termina com a desnuda\u00e7\u00e3o do altar. \u201cTodas as alfaias lit\u00fargicas, a cruz, as flores, velas, a toalha s\u00e3o retirados com o objectivo de lembrar que Jesus foi sepultado e tudo ficou nu\u201d. Na Sexta-feira o culto decorre na austeridade e apenas na Vig\u00edlia Pascal de S\u00e1bado os elementos lit\u00fargicos s\u00e3o repostos. Quando anunciada a ressurrei\u00e7\u00e3o, acendem-se as luzes, \u201ccome\u00e7ando uma nova vida\u201d. Um rito semelhante \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica que habitualmente inicia a celebra\u00e7\u00e3o com a b\u00ean\u00e7\u00e3o do fogo no exterior da igreja. No Domingo celebra-se o dia da Ressurrei\u00e7\u00e3o. O conv\u00edvio ap\u00f3s o culto, num almo\u00e7o familiar, \u00e9 uma tradi\u00e7\u00e3o que o Bispo da Igreja Lusitana lamenta estar-se a perder. \u201cAt\u00e9 no Natal as pessoas j\u00e1 optam por ir ao restaurante ou a hot\u00e9is porque n\u00e3o querem cozinhar\u201d.   A tradi\u00e7\u00e3o Metodista celebra um culto na Sexta-feira santa \u201cmuito solene e por vezes emotivo e s\u00e3o real\u00e7ados os acontecimentos centrados na crucifica\u00e7\u00e3o e morte\u201d, explica o Pastor Jorge Barros. Leituras b\u00edblicas longas e apropriadas e hinos de sofrimento e tristeza, \u201cembora de f\u00e9\u201d conduzem os fi\u00e9is. Este \u00e9 um dia em que a frequ\u00eancia na Igreja \u00e9 \u201cmuito maior que o habitual, incluindo crentes pouco ass\u00edduos e visitantes\u201d.  A tradi\u00e7\u00e3o Presbiteriana n\u00e3o realiza a Vig\u00edlia Pascal. Algumas comunidades organizam um culto durante a noite, que pode come\u00e7ar de madrugada e prolongar-se at\u00e9 ao nascer do Sol. \u201cQuando o Sol se levanta, celebra-se a Ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo\u201d, afirma a pastora Eva Michel. A comunidade de Set\u00fabal, por exemplo, desloca-se \u00e0 Serra da Arr\u00e1bida e t\u00eam o culto no exterior enquanto esperam pelo Sol. \u201cCostuma seguir-se um pequeno-almo\u00e7o comunit\u00e1rio\u201d. Quem celebra o culto durante a noite j\u00e1 n\u00e3o participa no culto de Domingo.   Para os fi\u00e9is Baptistas a grande celebra\u00e7\u00e3o \u00e9 feita no Domingo de P\u00e1scoa. \u201cAlgumas comunidades fazem uma celebra\u00e7\u00e3o fora de portas, pelas 7 horas da manh\u00e3, porque segundo os textos sagrados Jesus ressuscitou muito cedo, ainda o sol n\u00e3o tinha despontado\u201d. Segue-se um pequeno-almo\u00e7o comunit\u00e1rio e os fi\u00e9is juntam-se no habitual culto dominical. Fernando Loja explica que neste culto se \u201centoam c\u00e2nticos espec\u00edficos e \u00e9 um Domingo de alegria\u201d. Terminado o culto, as fam\u00edlias re\u00fanem-se num almo\u00e7o festivo. Sem ser regra, algumas comunidades realizam almo\u00e7os comunit\u00e1rios.   A Igreja Metodista celebra um culto no Domingo da Ressurrei\u00e7\u00e3o \u201ccentrado na vit\u00f3ria da Vida e na alegria da F\u00e9\u201d. A Igreja \u00e9 ornamentada com flores brancas e s\u00e3o entoados hinos de \u00abAleluia\u00bb.  Apenas a tradi\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica realiza o Compasso no Domingo da Ressurrei\u00e7\u00e3o. As Igrejas crist\u00e3s Baptista, Lusitana, Presbiteriana e Metodista n\u00e3o usam o crucifixo mas a cruz que mant\u00eam no local de culto. O pastor Jorge Barros explica que \u201ca cruz vazia d\u00e1 mais realce \u00e0 vida, embora sem esquecer o sofrimento e morte de Cristo\u201d. Fernando Loja explica que os Baptistas t\u00eam a cruz fixa na parede \u201ce n\u00e3o anda de m\u00e3o-em-m\u00e3o. N\u00e3o pode ser removida\u201d.   <i>Jejum e Ren\u00fancia<\/i> As pr\u00e1ticas do jejum e a ren\u00fancia quaresmal s\u00e3o entendidos como opcionais e n\u00e3o impostos pelos l\u00edderes espirituais aos fi\u00e9is das Igrejas Baptista, Lusitana, Presbiteriana e Metodista.  As Igrejas protestantes assumem como sacramentos o Baptismo e a Eucaristia, pois s\u00e3o os que, segundo a B\u00edblia, foram institu\u00eddos por Cristo. \u201cApesar de falar tamb\u00e9m da reconcilia\u00e7\u00e3o, n\u00e3o foi Jesus que disse para o fazer em sua mem\u00f3ria. N\u00e3o chamamos a reconcilia\u00e7\u00e3o um sacramento\u201d e por isso n\u00e3o \u00e9 praticado no confession\u00e1rio, explica Eva Michel, pastora da Igreja Presbiteriana. Tamb\u00e9m a Igreja Baptista n\u00e3o reconhece a penit\u00eancia como factor de purifica\u00e7\u00e3o. \u201cEntendemos que n\u00e3o precisamos de fazer penit\u00eancia pelos pecados\u201d, d\u00e1 conta Fernando Loja da Igreja Baptista. \u201cJesus pagou o pre\u00e7o e o perd\u00e3o \u00e9 concedido gratuitamente a quem confessar directamente a Deus a sua falta\u201d. A remiss\u00e3o dever\u00e1 ser directa, quando estiver alguma pessoa em causa. \u201cN\u00e3o temos nenhuma priva\u00e7\u00e3o na alimenta\u00e7\u00e3o, nem especificamente em alguns dias\u201d. Este crist\u00e3o Baptista expressa que, para os evang\u00e9licos, \u201c\u00e9 dif\u00edcil compreender o jejum. A priva\u00e7\u00e3o e o sofrimento enquanto instrumento de purifica\u00e7\u00e3o para n\u00f3s n\u00e3o existem\u201d.   J\u00e1 na Igreja Lusitana de comunh\u00e3o Anglicana a pr\u00e1tica do jejum e da ren\u00fancia quaresmal s\u00e3o recomendadas. O Bispo Fernando Soares escreveu uma carta aos crist\u00e3os anglicanos a solicitar a ren\u00fancia quaresmal enfatizando duas vertentes &#8211; \u201co aprofundamento da espiritualidade interior e a rela\u00e7\u00e3o com os outros, exprimindo a solidariedade com quem se encontra em dificuldades\u201d. A liturgia anglicana exprime o apelo ao jejum, \u00e0 ren\u00fancia, \u00e0 ora\u00e7\u00e3o e \u00e0 leitura reflexiva da Palavra de Deus. Apelos dirigidos ao tempo de Quaresma como \u201cprepara\u00e7\u00e3o para a Semana Santa e P\u00e1scoa\u201d.   <i>P\u00e1scoa, centro da mensagem crist\u00e3<\/i> Sem um calend\u00e1rio lit\u00fargico espec\u00edfico e com uma grande autonomia de comunidade para comunidade, a Igreja Baptista assume como central a celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa. Mais do que a celebra\u00e7\u00e3o do Natal. \u201cO Natal \u00e9 necess\u00e1rio porque o filho de Deus precisava de se tornar homem, mas \u00e9 instrumental. Se Deus n\u00e3o tivesse planeado a P\u00e1scoa, n\u00e3o haveria Natal\u201d. A celebra\u00e7\u00e3o do Natal \u00e9 vista como \u201ca promessa de P\u00e1scoa\u201d, explica Fernando Loja.   O Bispo Fernando Soares da Igreja Lusitana lamenta que alguns aspectos da viv\u00eancia tradicional da P\u00e1scoa se estejam a perder. \u201cAs altera\u00e7\u00f5es sociais e civilizacionais assim o dita, mas conduziram a um entendimento do lazer e do descanso diferente\u201d. Chegados \u00e0 P\u00e1scoa, \u201cas pessoas optam por mini f\u00e9rias e diminuiu a presen\u00e7a nas celebra\u00e7\u00f5es pascais\u201d. Entre os fi\u00e9is praticantes, o Bispo da Igreja Lusitana explica que a celebra\u00e7\u00e3o do Domingo de P\u00e1scoa \u201c\u00e9 muito participada\u201d. A viv\u00eancia da P\u00e1scoa acentua a espiritualidade pessoal e em comunh\u00e3o na Igreja Presbiteriana. \u201cA Quaresma conduz-nos durante os 40 dias, mas o tempo forte \u00e9 a Semana Santa\u201d, explica a pastora Eva Michel, que afirma n\u00e3o notar menos participa\u00e7\u00e3o na altura da P\u00e1scoa. \u201cContinua a ser um momento alto na nossa Igreja\u201d.   Para a Igreja Metodista, a Quaresma \u00e9 uma \u00e9poca n\u00e3o apenas de caminho, mas de prepara\u00e7\u00e3o para a P\u00e1scoa Crist\u00e3, apontando para a centralidade dos acontecimentos centrais da F\u00e9 (Paix\u00e3o, morte e Ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo). A pastora presbiteriana Eva Michel explica que na B\u00edblia h\u00e1 muitas formas de falar da cruz e da Ressurrei\u00e7\u00e3o e \u201ctodas as tradi\u00e7\u00f5es se podem enriquecer mutuamente\u201d.  <i>L\u00edgia Silveira<\/i>  <B>Not\u00edcias relacionadas<\/B> <a href=\"noticia.asp?noticiaid=70803\">\u2022 O Baptismo no caminho para a P\u00e1scoa<\/a> <a href=\"noticia.asp?noticiaid=70809\">\u2022 P\u00e1scoa: Da tradi\u00e7\u00e3o judaica \u00e0 viv\u00eancia crist\u00e3<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Ag\u00eancia ECCLESIA apresenta esta semana um olhar sobre v\u00e1rias perspectivas ligadas \u00e0 prepara\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa: como se celebra noutras Igrejas, qual a sua origem hist\u00f3rica, o que significa para quem entra na Igreja Cat\u00f3lica atrav\u00e9s do Baptismo. Perspectivas que se cruzam e ajudam a dar sentido \u00e0 viv\u00eancia deste tempo lit\u00fargico. 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