{"id":37620,"date":"2009-05-22T17:52:00","date_gmt":"2009-05-22T17:52:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/05\/22\/as-religioes-do-antigo-testamento\/"},"modified":"2009-05-22T17:52:00","modified_gmt":"2009-05-22T17:52:00","slug":"as-religioes-do-antigo-testamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/as-religioes-do-antigo-testamento\/","title":{"rendered":"As religi\u00f5es do Antigo Testamento"},"content":{"rendered":"<p>Autoridade mundial na mat\u00e9ria, Francolino Gon\u00e7alves, portugu\u00eas na Comiss\u00e3o B\u00edblica Pontif\u00edcia, apresenta o seu percurso  <!--more--> O dominicano portugu\u00eas Francolino Gon\u00e7alves, investigador da Escola B\u00edblica e Arqueol\u00f3gica Francesa de Jerusal\u00e9m, \u00e9 um dos mais recentes membros da Comiss\u00e3o B\u00edblica Pontif\u00edcia. Nascido em 1943, faz de Jerusal\u00e9m a sua casa e os seus principais centros de interesse s\u00e3o a dimens\u00e3o pol\u00edtica do profetismo no Oriente Antigo e a hist\u00f3ria da forma\u00e7\u00e3o dos livros prof\u00e9ticos da B\u00edblia, em especial Isa\u00edas e Jeremias. <\/p>\n<p><i>Ag\u00eancia ECCLESIA (AE) \u2013 Recentemente, foi nomeado para a Comiss\u00e3o B\u00edblica Pontif\u00edcia. \u00c9 o reconhecimento do seu trabalho nesta \u00e1rea? <br \/>Francolino Gon\u00e7alves (FG) \u2013<\/i> N\u00e3o esperava e fiquei surpreendido. Sei que esta comiss\u00e3o tem 20 elementos e que existe desde 30 de Outubro de 1902. Surgiu no final do Pontificado de Le\u00e3o XIII e tinha como fun\u00e7\u00e3o primitiva a promo\u00e7\u00e3o do estudo cient\u00edfico da B\u00edblia. No contexto de ent\u00e3o, este era sin\u00f3nimo de estudo hist\u00f3rico-cr\u00edtico. Por outro lado, tinha tamb\u00e9m a fun\u00e7\u00e3o de defender a ortodoxia cat\u00f3lica do estudo da B\u00edblia. <br \/>Um ano ap\u00f3s a cria\u00e7\u00e3o desta comiss\u00e3o, em 1903, come\u00e7a o Pontificado de Pio X e \u00abestala\u00bb a crise modernista. A Comiss\u00e3o B\u00edblica tornou-se s\u00f3 defensora da ortodoxia. <\/p>\n<p><i>AE \u2013 Esqueceu-se da promo\u00e7\u00e3o do estudo cient\u00edfico da B\u00edblia? <br \/>FG \u2013<\/i> A crise modernista era grave e, muitos, viam-na como um perigo para a sobreviv\u00eancia da f\u00e9 crist\u00e3. Em todo o Pontificado de Pio X, a Comiss\u00e3o foi um \u00f3rg\u00e3o de censura. Recordo-me de algumas respostas que foram dadas pela Comiss\u00e3o. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 autoria do Pentateuco (cinco primeiros livros da B\u00edblia) afirmaram: \u00abN\u00e3o se pode negar que Mois\u00e9s tenha sido o autor de todo o Pentateuco\u00bb. Sobre o Livro de Isa\u00edas, a Comiss\u00e3o dizia que \u201cn\u00e3o se pode negar que este livro tenha sido escrito na sua totalidade por Isa\u00edas\u201d. <\/p>\n<p><i>AE \u2013 Quando se alterou esta situa\u00e7\u00e3o? <br \/>FG \u2013<\/i> Mudou, radicalmente, ap\u00f3s o II Conc\u00edlio do Vaticano. Actualmente, pelo que sei de fora, a Comiss\u00e3o tornou-se uma esp\u00e9cie de academia que se dedica a estudos de fundo com grandes preocupa\u00e7\u00f5es metodol\u00f3gicas. J\u00e1 publicou v\u00e1rios trabalhos desse tipo. Um dos mais importantes foi \u00abA Interpreta\u00e7\u00e3o da B\u00edblia na Igreja\u00bb. Nesta obra faz-se uma esp\u00e9cie de elenco de todos os m\u00e9todos utilizados na leitura da B\u00edblia. Na d\u00e9cada de 70 do s\u00e9culo passado assistimos a uma prolifera\u00e7\u00e3o dos m\u00e9todos e abordagens. <\/p>\n<p><i>AE \u2013 Essa \u00e9 uma obra de refer\u00eancia, mas a Comiss\u00e3o B\u00edblica tem outros estudos? <br \/>FG \u2013<\/i> Sim. \u00abO Povo Judeu e as suas santas Escrituras na B\u00edblia crist\u00e3\u00bb publicado em 2004. Passados quatro anos (2008) saiu \u00abB\u00edblia e Moral, as ra\u00edzes b\u00edblicas do agir crist\u00e3o\u00bb. O novo projecto ser\u00e1 sobre a \u00abInspira\u00e7\u00e3o e verdade da B\u00edblia\u00bb <\/p>\n<p><i>AE \u2013 Este projecto j\u00e1 contar\u00e1 com a sua colabora\u00e7\u00e3o? <br \/>FG \u2013<\/i> \u00c9 verdade. Na pr\u00f3xima assembleia plen\u00e1ria da Comiss\u00e3o, a realizar de 20 a 24 de Abril, no Vaticano, iremos lan\u00e7ar e repartir o trabalho. Depois partimos para a investiga\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p><i>AE \u2013 \u00c9 professor na Escola B\u00edblica e Arqueol\u00f3gica Francesa de Jerusal\u00e9m. Como \u00e9 o seu \u00abmodus vivendi\u00bb naquela cidade? <br \/>FG \u2013<\/i> Vivo l\u00e1 enclaustrado. A minha vida \u00e9: quarto e biblioteca. Praticamente, n\u00e3o necessito de sair. Outrora sa\u00eda mais, quando estava ocupado com as viagens arqueol\u00f3gicas da escola. No entanto sei que, do ponto de vista da seguran\u00e7a f\u00edsica, n\u00e3o h\u00e1 problema nenhum. Fisicamente, nunca tive medo, mas sente-se tens\u00e3o. <\/p>\n<p><b>Uma vida de estudo<\/b> <br \/><i>AE \u2013 Consideram-no o maior perito mundial sobre o Profeta Isa\u00edas. Reconhece-se nesse lugar? <br \/>FG \u2013<\/i> Eu n\u00e3o diria. H\u00e1 muita gente a estudar Isa\u00edas e cada um estuda-o do seu ponto de vista. Penso que n\u00e3o se pode dizer que h\u00e1 o maior perito no livro de Isa\u00edas. N\u00e3o h\u00e1 rankings. Cada um tem a sua experi\u00eancia e abordagem do livro. <\/p>\n<p><i>AE \u2013 Como descobriu este fasc\u00ednio pela B\u00edblia, pela investiga\u00e7\u00e3o do Livro dos livros? <br \/>FG \u2013<\/i> Em parte, deve-se \u00e0s influ\u00eancias que se t\u00eam durante o estudo. Recordo-me que tive \u2013 em Portugal \u2013 um professor extraordin\u00e1rio, frei Raimundo de Oliveira. Tinha uma capacidade de comunica\u00e7\u00e3o absolutamente excepcional. Sabia muito, mas sabia ensinar ainda melhor. <\/p>\n<p><i>AE \u2013 Era um grande pedagogo&#8230; <br \/>FG \u2013<\/i> Tinha paix\u00e3o naquilo que fazia. Esse entusiasmo era contagioso. Penso que lhe devo, em parte, este interesse pela B\u00edblia. Tudo isto aconteceu nos primeiros anos de Teologia, em F\u00e1tima, no in\u00edcio da d\u00e9cada de sessenta. Depois, manifestei o desejo de aprofundar estas \u00e1reas. <\/p>\n<p><i>AE \u2013 Onde estudou? <br \/>FG \u2013<\/i> Primeiro em Portugal, depois estive tr\u00eas anos no Canad\u00e1 (Otawa). Para a especializa\u00e7\u00e3o tinha duas hip\u00f3teses: Instituto B\u00edblico de Roma ou a Escola B\u00edblica e Arqueol\u00f3gica Francesa em Jerusal\u00e9m. Optei por Jerusal\u00e9m. Na Ordem dos Dominicanos era costume irmos estudar para l\u00e1 onde pass\u00e1vamos, pelo menos, dois anos. Durante este per\u00edodo prepar\u00e1vamos t\u00edtulos pr\u00f3prios da escola e os t\u00edtulos para a Comiss\u00e3o B\u00edblica Pontif\u00edcia. Segui o itiner\u00e1rio que era habitual dentro dos Dominicanos. Depois fiz o doutoramento em Hist\u00f3ria e Filologia Orientais, na Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade Cat\u00f3lica de Lovaina, em Lovaina-a-Nova. Com base na mesma tese, obtive o grau de Doutor em Hist\u00f3ria Antiga na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. <\/p>\n<p><i>AE \u2013 Foi para Jerusal\u00e9m por dois anos e ainda se mant\u00e9m por l\u00e1? <br \/>FG \u2013<\/i> Fui para Jerusal\u00e9m em Outubro de 1969. Ap\u00f3s o primeiro ano obtive uma Bolsa da Gulbenkian e continuei os estudos. Fiquei at\u00e9 Janeiro de 1974. Apesar de ter sido convidado para leccionar em Jerusal\u00e9m voltei para Portugal. Pensava ficar por c\u00e1, onde ensinei durante um semestre. Ao fim deste tempo cheguei \u00e0 conclus\u00e3o que me agradava mais l\u00e1. <\/p>\n<p><i>AE \u2013 A cidade de Jerusal\u00e9m tinha mais fasc\u00ednio. Tinha oportunidade de conjugar a biblioteca com a pesquisa no terreno? <br \/>FG \u2013<\/i> Exacto. Em Setembro de 1974 voltei para Jerusal\u00e9m e convidaram-me novamente para leccionar. Aceitei, mas pensava sempre num horizonte curto. <\/p>\n<p><i>AE \u2013 J\u00e1 passaram 40 anos&#8230; Muitas experi\u00eancias para relatar? <br \/>FG \u2013<\/i> \u00c9 um mundo t\u00e3o complicado. No in\u00edcio \u00e9 fascinante pela diversidade de mundos. Jerusal\u00e9m \u00e9 um aglomerado de microcosmos. No entanto, depressa me encerrei nos meus estudos visto que estava muito interessado nas descobertas no terreno. Participa\u00e7\u00f5es em escava\u00e7\u00f5es arqueol\u00f3gicas. Sem esquecer o trabalho de biblioteca. Enveredei, muito cedo, pela interpreta\u00e7\u00e3o dos textos. <\/p>\n<p><i>AE \u2013 Nas investiga\u00e7\u00f5es arqueol\u00f3gicas nunca descobriu um manuscrito dos tempos b\u00edblicos? <br \/>FG \u2013<\/i> Isso nunca me aconteceu. S\u00e3o coisas que acontecem muito raramente. Talvez uma vez num s\u00e9culo. N\u00e3o existem muitas probabilidades de nos acontecer. Mas tive contacto directo com pessoas que descobriram alguns dos manuscritos de Qumr\u00e2n. Tive como professor o Pe. Roland de Vaux, arque\u00f3logo que escavou as ru\u00ednas de Qumr\u00e2n. Estas descobertas vieram revolucionar os estudos b\u00edblicos. <\/p>\n<p><b>Pluralidade de religi\u00f5es<\/b> <br \/><i>AE \u2013 Natural de Tr\u00e1s-os-Montes, mas um viajante na descoberta de novas civiliza\u00e7\u00f5es. <br \/>FG \u2013<\/i> As coisas foram surgindo naturalmente. Recordo-me que quando cheguei a Jerusal\u00e9m \u2013 1969 \u2013 levava uma ideia para investigar: a hist\u00f3ria da Salva\u00e7\u00e3o. Este tema dominava os estudos b\u00edblicos daquele tempo. Pensava para mim: O que \u00e9 isso de \u00abSalva\u00e7\u00e3o\u00bb? <\/p>\n<p><i>AE \u2013 J\u00e1 descobriu o que \u00ab\u00e9 isso de salva\u00e7\u00e3o\u00bb? <br \/>FG \u2013<\/i> (Risos). N\u00e3o. Ainda ando \u00e0 procura. <\/p>\n<p><i>AE \u2013 Depois de tantos anos de investiga\u00e7\u00e3o? <br \/>FG \u2013<\/i> Quando cheguei a Jerusal\u00e9m, Pe. Roland de Vaux disse-me: \u201cO melhor \u00e9 come\u00e7ar por coisas muito modestas. Tu vais fazer um estudo filol\u00f3gico\u201d. Escolhi dois grupos lexicais hebraicos que expressam a ideia de salva\u00e7\u00e3o. Andei um ano \u00e0 volta desta tem\u00e1tica. Durante esta pesquisa apercebi-me que havia uma grande concentra\u00e7\u00e3o deste vocabul\u00e1rio em dois textos: 2\u00ba Livro dos Reis 18-20 e Isa\u00edas 36-39. Ali\u00e1s, \u00e9 o mesmo tempo com pequenas variantes. <br \/>No ano seguinte, comecei a estudar estes relatos. H\u00e1 um epis\u00f3dio extremamente importante: a amea\u00e7a que o Rei da Ass\u00edria, Senaquerib, faz pesar sobre Jerusal\u00e9m. Apercebi-me que havia neste relato uma hist\u00f3ria com v\u00e1rios s\u00e9culos de escrita. Reinterpreta\u00e7\u00f5es diferentes em momentos diferentes. Consegui fazer uma esp\u00e9cie de hist\u00f3ria da interpreta\u00e7\u00e3o de um acontecimento hist\u00f3rico. <\/p>\n<p><i>AE \u2013 Esqueceu-se do \u00abHist\u00f3ria da Salva\u00e7\u00e3o\u00bb? <br \/>FG \u2013<\/i> N\u00e3o esqueci, mas para a tese de doutoramento centrei-me no tema &#8211; poderia ser de rela\u00e7\u00f5es internacionais ou pol\u00edtica internacional -: \u00abA expedi\u00e7\u00e3o de Senaquerib na Palestina na literatura hebraica antiga\u00bb. <\/p>\n<p><i>AE \u2013 Este relato foi uma porta de entrada para o Profeta Isa\u00edas? <br \/>FG \u2013<\/i> Passei estes 40 anos a estudar os profetas. Nos \u00faltimos 10\/15 anos voltei indirectamente \u00e0 \u00abHist\u00f3ria da Salva\u00e7\u00e3o\u00bb, mas por outro caminho completamente diferente. Apercebi-me \u2013 j\u00e1 andava desconfiado \u2013 que o Antigo Testamento est\u00e1 longe de ser uma unidade do ponto de vista religioso. N\u00e3o h\u00e1 s\u00f3 uma religi\u00e3o no Antigo Testamento. <\/p>\n<p><i>AE \u2013 Est\u00e1 investigar esta pluralidade de religi\u00f5es no Antigo Testamento (AT). J\u00e1 chegou a alguma conclus\u00e3o? <br \/>FG \u2013<\/i> Sim. Penso que o AT \u00e9 o compromisso entre dois sistemas religiosos. Um destes sistemas \u2013 o mais fundamental \u2013 toda a religi\u00e3o se funda na Cria\u00e7\u00e3o. Mais precisamente, no mito da cria\u00e7\u00e3o. Esta religi\u00e3o tem a sua imagem de Deus que aparece, essencialmente, como Rei. O texto mais claro e que melhor ilustra esta concep\u00e7\u00e3o de Deus \u00e9 a vis\u00e3o inaugural de Isa\u00edas (Cap\u00edtulo 6). Este profeta v\u00ea uma sala real onde est\u00e1 o rei sentado no trono &#8211; com umas vestes que se estendem por toda a sala \u2013 e rodeado pelos seus cortes\u00e3os. <br \/>Deus \u00e9 o rei que conquistou a realeza. Como \u00e9 que Ele se tornou rei? H\u00e1 diferentes vers\u00f5es, mas a mais corrente \u00e9: tornou-se rei pela vit\u00f3ria contra o caos. O combate c\u00f3smico primitivo. Este \u00e9 um esquema comum ao mundo semita. <\/p>\n<p><i>AE \u2013 \u00c9 uma antevis\u00e3o do Novo Testamento? <br \/>FG \u2013<\/i> Alguns conceitos fundamentais do Novo Testamento (NT) partem daqui. E exemplifico: o conceito de Reino de Deus; o conceito de Messianismo e o conceito de justi\u00e7a e justifica\u00e7\u00e3o lidos em S. Paulo. N\u00e3o podemos esquecer que justi\u00e7a \u00e9 sin\u00f3nimo de ordem. Para S. Paulo \u00e9 a harmonia da cria\u00e7\u00e3o na sua rela\u00e7\u00e3o com o Deus, o Criador. <\/p>\n<p><i>AE \u2013 Ent\u00e3o atrav\u00e9s da leitura do cosmos as pessoas visualizam a cria\u00e7\u00e3o. <br \/>FG \u2013<\/i> Todos t\u00eam acesso ao conhecimento de Deus atrav\u00e9s da cria\u00e7\u00e3o. Este sistema religioso n\u00e3o tem lei, n\u00e3o conhece a lei positiva, mas a lei natural. Atrav\u00e9s da leitura do cosmos e da sociedade, as pessoas observam comportamentos com resultados felizes e infelizes, e a partir dessa observa\u00e7\u00e3o, induzem normas de conduta. <\/p>\n<p><i>AE \u2013 Falta o outro sistema religioso? <br \/>FG \u2013<\/i> O outro funda-se na hist\u00f3ria das rela\u00e7\u00f5es entre um Deus e o seu povo. Entre Israel e Yahve. A primeira grande testemunha deste sistema religioso \u00e9 Oseias. Qual \u00e9 a imagem que Oseias d\u00e1 de Deus? As met\u00e1foras que emprega t\u00eam origem familiar. Yahve \u00e9 pai e o povo \u00e9 o filho. Yahve \u00e9 esposo, o povo \u00e9 a esposa. Estas met\u00e1foras sublinham a autoridade de Deus e o culto exclusivo a Ele. Um pai pode ter muitos filhos, mas os filhos s\u00f3 t\u00eam um pai. Na sociedade de ent\u00e3o, um homem podia ter muitas de esposas, mas elas s\u00f3 podiam ter um marido. A met\u00e1fora mais frequente \u00e9 a do marido. Mais tarde, usou-se sobretudo a met\u00e1fora da alian\u00e7a, oriunda do mundo das rela\u00e7\u00f5es entre dois reis de poder desigual, o suzerano e o vassalo. Neste sistema religioso, Deus revela-se na hist\u00f3ria e a um grupo. Este sistema religioso foi mais din\u00e2mico e conquistador. Acabou por ir absorvendo o outro sistema. <\/p>\n<p><i>AE \u2013 Pelas suas palavras, nota-se um fasc\u00ednio pelo Antigo Testamento. <br \/>FG \u2013<\/i> Quando estudo o AT, exploro os fundamentos do Novo Testamento. O estudo do AT \u00e9 t\u00e3o complexo e dif\u00edcil que \u00e9 imposs\u00edvel tentar estudar, seriamente, os dois. Mesmo dentro do Antigo Testamento temos especializa\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p><b>Jerusal\u00e9m<\/b> <br \/><i>AE \u2013 Na sua cidade adoptiva (Jerusal\u00e9m), como \u00e9 vivida a Quaresma? <br \/>FG \u2013<\/i> \u00c9 preciso pensar que em Jerusal\u00e9m, os crist\u00e3os s\u00e3o uma minoria \u00ednfima. De um lado h\u00e1 o mundo judeu e no outro o mundo mu\u00e7ulmano. Os crist\u00e3os s\u00e3o uma minoria e, ainda por cima, est\u00e3o divididos. Nem sequer celebram a Quaresma ao mesmo tempo porque os calend\u00e1rios s\u00e3o diferentes. N\u00e3o h\u00e1 um fen\u00f3meno de conjunto sobre a Quaresma. <\/p>\n<p><i>AE \u2013 N\u00e3o tem um \u00absabor especial\u00bb viver a Quaresma e P\u00e1scoa em Jerusal\u00e9m? <br \/>FG \u2013<\/i> Ter\u00e1 para quem vai de fora. Para quem vive l\u00e1&#8230; Passar a P\u00e1scoa l\u00e1 ou noutro lado qualquer para mim \u00e9 indiferente. Jerusal\u00e9m \u00e9 um lugar familiar, mas n\u00e3o posso dizer que tenha um grande apego \u00e0 cidade. <\/p>\n<p><i>AE \u2013 O simbolismo da Via-Sacra \u00e9 diferente&#8230; <br \/>FG \u2013<\/i> Sim, mas sabemos que a escolha desse itiner\u00e1rio \u00e9 artificial. No entanto, continuo a dizer que Deus n\u00e3o est\u00e1 ligado a nenhuma terra, seja ela qual for. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Autoridade mundial na mat\u00e9ria, Francolino Gon\u00e7alves, portugu\u00eas na Comiss\u00e3o B\u00edblica Pontif\u00edcia, apresenta o seu percurso<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[190,207,275,91],"class_list":["post-37620","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-dominicanos","tag-fatima","tag-pascoa","tag-quaresma"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37620","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37620"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37620\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37620"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37620"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37620"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}