{"id":37606,"date":"2009-03-16T15:52:55","date_gmt":"2009-03-16T15:52:55","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/03\/16\/catequese-de-d-manuel-felicio-no-iii-domingo-da-quaresma\/"},"modified":"2009-03-16T15:52:55","modified_gmt":"2009-03-16T15:52:55","slug":"catequese-de-d-manuel-felicio-no-iii-domingo-da-quaresma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/catequese-de-d-manuel-felicio-no-iii-domingo-da-quaresma\/","title":{"rendered":"Catequese de D. Manuel Fel\u00edcio no III Domingo da Quaresma"},"content":{"rendered":"<p>\u201cA rela\u00e7\u00e3o com Deus \u00e9 estruturante da vida pessoal e comunit\u00e1ria\u201d <!--more--> 1.Celebramos o III Domingo da Quaresma. Com ele entramos no n\u00facleo central deste tempo forte de prepara\u00e7\u00e3o para a P\u00e1scoa e de revis\u00e3o da vida crist\u00e3 de todos os baptizados. De facto, o 3\u00ba, o 4\u00ba e o 5\u00ba domingos da Quaresma constituem uma unidade e pretendem  que a Igreja e todos os seus fi\u00e9is se interroguem, com a m\u00e1xima seriedade,  sobre as formas como deve ser vivida a F\u00e9 em Jesus Cristo, sua celebra\u00e7\u00e3o e consequ\u00eancias quer na vida social quer quanto \u00e0 esperan\u00e7a na Vida eterna. Hoje celebramos tamb\u00e9m o dia Nacional da Caritas, a lembrar a passagem de S. Paulo aos Cor\u00edntios: \u201cSe n\u00e3o tiver caridade nada sou\u201d.  2. A Palavra de Deus hoje proclamada na Assembleia Eucar\u00edstica do domingo continua a falar-nos da Alian\u00e7a. Alian\u00e7a que Deus estabeleceu com a humanidade no seu conjunto atrav\u00e9s de No\u00e9; estabeleceu com o Povo eleito, atrav\u00e9s de Abra\u00e3o e hoje renova atrav\u00e9s de Mois\u00e9s, conforme descri\u00e7\u00e3o do Livro do \u00caxodo. Pela alian\u00e7a, Deus escolhe o Povo de Israel e faz dele o Seu Povo eleito; este compromete-se a cumprir os 10 mandamentos, cuja lista o Livro de \u00caxodo hoje nos apresenta. A Lei da Nova Alian\u00e7a, interpretada por Jesus Cristo, resume os 10 mandamentos em 2 apenas \u2013 amar a Deus sobre todas as coisas e ao pr\u00f3ximo como a n\u00f3s mesmos. O Evangelho de hoje, ao apresentar-nos o epis\u00f3dio da purifica\u00e7\u00e3o do Templo, remete a nossa aten\u00e7\u00e3o para o verdadeiro culto devido a Deus e para o verdadeiro templo onde esse culto lhe \u00e9 prestado. Para a nova alian\u00e7a todo o verdadeiro  culto se resume no \u00fanico sacrif\u00edcio de Cristo. Por isso, como lembra hoje a I Carta aos Cor\u00edntios, o Cora\u00e7\u00e3o da mensagem crist\u00e3, segundo S. Paulo, \u00e9 Cristo crucificado, esc\u00e2ndalo para os Judeus e loucura para os Gentios. E o verdadeiro Templo onde se pratica esse verdadeiro culto passou a ser a pessoa de Cristo Ressuscitado.  3. A Palavra de Deus hoje convida-nos a recordar os 10 mandamentos, atrav\u00e9s da passagem do Livro do \u00caxodo. E n\u00f3s vamos considerar especialmente os 3 primeiros mandamentos voltados para a recomenda\u00e7\u00e3o de amar a deus sobre todas as coisas. De facto, o primeiro manda-nos amar a Deus sobre todas as coisas; o segundo manda-nos n\u00e3o  invocar o Santo nome de Deus em v\u00e3o e o 3\u00ba manda-nos santificar o dia do Senhor. 3.1. Estes 3 mandamentos, que constituem o primeiro dos 2 em que se resume o dec\u00e1logo, colocam a rela\u00e7\u00e3o com Deus no centro da nossa vida pessoal e comunit\u00e1ria e lembram n\u00e3o s\u00f3 \u00e0s pessoas mas \u00e0 pr\u00f3pria sociedade que Deus e a rela\u00e7\u00e3o com ele s\u00e3o muito importantes na organiza\u00e7\u00e3o da vida tanto dos indiv\u00edduos, como das comunidades. Deus \u00e9 o Criador e o Senhor da hist\u00f3ria que oferece a todos a mesa da cria\u00e7\u00e3o e todos os bens de que precisamos para viver a vida com verdadeiro entusiasmo e sentido. Em troca de toda a generosidade que nos dedica, desde a cria\u00e7\u00e3o \u00e0 hist\u00f3ria das suas rela\u00e7\u00f5es connosco atrav\u00e9s do Povo eleito e da Igreja e sobretudo atrav\u00e9s da Pessoa de Cristo, Deus pede-nos apenas a retribui\u00e7\u00e3o do Seu amor. Amor esse que desabrocha no verdadeiro culto celebrado no novo Templo que \u00e9 Cristo ressuscitado e a Sua Igreja. 3.2.Deus vem ao nosso encontro para fazer de n\u00f3s  a Sua Fam\u00edlia. E n\u00f3s aceitamos essa vinda de Deus  ao nosso encontro atrav\u00e9s da F\u00e9, virtude sobrenatural tamb\u00e9m ela um dom de Deus. Sendo dom de Deus, a F\u00e9 n\u00e3o dispensa o nosso esfor\u00e7o para a alimentar sobretudo com a leitura ass\u00eddua da Palavra de Deus, que hoje \u00e9 actualizada na Palavra da Igreja especialmente resumida no Catecismo. E esfor\u00e7o tamb\u00e9m para a defender, sobretudo aprofundando as raz\u00f5es de esperan\u00e7a que nos v\u00eam de Deus e de Nosso Senhor Jesus Cristo no di\u00e1logo e mesmo no confronto com as muitas vis\u00f5es do mundo e da vida  hoje existentes, muitas delas em clara oposi\u00e7\u00e3o aos valores profundamente humanos da nossa F\u00e9. A Esperan\u00e7a no sentido positivo da hist\u00f3ria presente e sobretudo na Vida Eterna \u00e9 outro dos grandes bens que Deus coloca na nossa vida pessoal. \u00c9 um bem que nos defende do desespero e nos empenha cada vez mais em fazer tudo o que est\u00e1 ao nosso alcance para  orientar a hist\u00f3ria do mundo confiada \u00e0 nossa responsabilidade. Por sua vez, a caridade crist\u00e3, para al\u00e9m de ser resposta ao amor infinito que Deus nos dedica desde toda a eternidade, h\u00e1-de fazer resplandecer o amor divino nas nossas rela\u00e7\u00f5es sociais. Quando, de alguma forma, fazemos oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 presen\u00e7a e ao amor de Deus no meio do mundo e da hist\u00f3ria, para al\u00e9m de cometermos uma ingratid\u00e3o inqualific\u00e1vel, colaboramos no maior dos preju\u00edzos de que a humanidade pode ser v\u00edtima. 3.3.Vivemos hoje um modelo de organiza\u00e7\u00e3o social onde a laicidade \u00e9 regra comummente aceite. Mas laicidade n\u00e3o pode significar a expuls\u00e3o de Deus nem da vida pessoal nem da vida social. Deve representar apenas um distanciamento dos poderes p\u00fablicos relativamente \u00e0s formas de organizar a viv\u00eancia da F\u00e9. De facto, esta \u00e9 responsabilidade dos cidad\u00e3os e de organiza\u00e7\u00f5es espec\u00edficas. Mas aos poderes p\u00fablicos compete criar todas as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias ao exerc\u00edcio do direito e dever que os cidad\u00e3os  t\u00eam de promover, viver e celebrar a F\u00e9. \u00c9 assim que deve ser entendido o correcto exerc\u00edcio da Liberdade religiosa, tanto por parte dos cidad\u00e3os como dos poderes p\u00fablicos. A aut\u00eantica liberdade religiosa nunca pode ser entendida como sil\u00eancio sobre o facto religioso, muito menos como indiferen\u00e7a, oposi\u00e7\u00e3o ou simples tentativa de a fazer recuar para a esfera privada do indiv\u00edduo. A Liberdade religiosa s\u00f3 ficar\u00e1 devidamente assumida e cumprida quando saudavelmente se criarem todas as condi\u00e7\u00f5es objectivas para que os indiv\u00edduos e as comunidades vivam efectivamente o dever de acolherem Deus nas suas vidas, de lhe prestarem o culto devido e assim contribu\u00edrem para o maior bem da Sociedade. E as autoridades p\u00fablicas n\u00e3o podem argumentar com o pluralismo religioso para fugirem a esta sua responsabilidade. Pois, tamb\u00e9m o di\u00e1logo e a coopera\u00e7\u00e3o entre as v\u00e1rias religi\u00f5es devem ser promovidas, sem preju\u00edzo de criar as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para que cada uma delas viva a sua identidade e realize a miss\u00e3o espec\u00edfica que lhe compete. De facto, o vazio de simbologia religiosa no espa\u00e7o p\u00fablico e todas as tentativas de expulsar Deus da vida social em nada ajudam a aut\u00eantica humaniza\u00e7\u00e3o da sociedade. 3.4. Manda-nos o 2\u00ba mandamento n\u00e3o invocar o santo nome de Deus em v\u00e3o. Ao longo da hist\u00f3ria, sempre que as pessoas quiseram expressar um especial empenho das suas vidas em favor das grandes causas, faziam-no e fazem-no, invocando o nome de Deus como garantia da fidelidade aos seus compromissos. \u00c9 por isso que ainda recentemente, na sua tomada de posse, o Presidente americano fez juramento de fidelidade sobre a B\u00edblia. A ningu\u00e9m \u00e9 leg\u00edtimo quebrar o juramento de fidelidade ou, pior ainda, instrumentalizar a for\u00e7a sagrada que vem da invoca\u00e7\u00e3o do nome de Deus para fins contr\u00e1rios ao bem. O que significa que a rela\u00e7\u00e3o com Deus \u00e9 factor importante de responsabiliza\u00e7\u00e3o das pessoas perante a vida social. 3.5. Manda-nos o 3\u00ba mandamento santificar o Dia do Senhor, que para a tradi\u00e7\u00e3o do Antigo Testamento era o S\u00e1bado e para os crist\u00e3os \u00e9 o Domingo. O domingo, termo que em si mesmo quer dizer dia do Senhor, de facto adquiriu importante centralidade na vida crist\u00e3 pessoal e comunit\u00e1ria.  Santificar o Domingo,  primeiro dia da Semana, \u00e9 para n\u00f3s em primeiro lugar, participar na assembleia da comunidade e Eucaristia dominical; mas \u00e9 tamb\u00e9m dedicar mais tempo \u00e0 escuta meditada da Palavra de Deus, \u00e0 ac\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica e \u00e0 pr\u00e1tica da caridade. Para al\u00e9m disso, o domingo tem uma componente social da maior import\u00e2ncia, enquanto dia de descanso semanal. Na nossa tradi\u00e7\u00e3o ocidental, desde os tempos do Imperador Constantino, que assim acontece. E, na realidade, esta componente humana e social do domingo \u00e9 importante para a vida das pessoas em geral, que assim t\u00eam possibilidade de dar \u00e0 Fam\u00edlia o tempo e as aten\u00e7\u00f5es que lhe n\u00e3o podem dar durante os dias de semana; ou simplesmente organizar para seu bem pessoal e dos outros os tempos livres que ele representa. O domingo \u00e9, assim, uma institui\u00e7\u00e3o de ra\u00edzes crist\u00e3s que passou a marcar o ritmo semanal da vida da sociedade e como tal h\u00e1-de ser defendido pelas pr\u00f3prias leis civis como um valor de maior import\u00e2ncia para a qualidade de vida das pessoas. Que o Senhor nos ajude a aproveitar bem esta Quaresma para fazer dos mandamentos da Lei de Deus a luz orientadora de toda a nossa vida e da vida da pr\u00f3pria sociedade.  Catedral da Guarda, 15 de Mar\u00e7o de 2009 <i>Manuel R. Fel\u00edcio, Bispo da Guarda <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cA rela\u00e7\u00e3o com Deus \u00e9 estruturante da vida pessoal e comunit\u00e1ria\u201d<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[127,168,206,275,91],"class_list":["post-37606","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-catequese","tag-diocese-da-guarda","tag-familia","tag-pascoa","tag-quaresma"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37606","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37606"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37606\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37606"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37606"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37606"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}