{"id":37581,"date":"2009-03-15T22:10:42","date_gmt":"2009-03-15T22:10:42","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/03\/15\/vaticano-coloca-se-ao-lado-de-menina-brasileira\/"},"modified":"2009-03-15T22:10:42","modified_gmt":"2009-03-15T22:10:42","slug":"vaticano-coloca-se-ao-lado-de-menina-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/vaticano-coloca-se-ao-lado-de-menina-brasileira\/","title":{"rendered":"Vaticano coloca-se ao lado de menina brasileira"},"content":{"rendered":"<p>Crian\u00e7a de nove anos foi violada, engravidou e abortou. Presidente da Academia para a Vida lamenta que s\u00f3 se fale em excomunh\u00f5es  <!--more--> O presidente da Pontif\u00edcia Academia para a Vida, D. Rino Fisichella, comentou este Domingo no jornal do Vaticano, \u201cL\u2019Osservatore Romano\u201d, o caso da menina brasileira de nove anos que interrompeu a gravidez de dois g\u00e9meos concebidos ap\u00f3s ter sido violada pelo seu padrasto.  Segundo este respons\u00e1vel, depois de toda a pol\u00e9mica gerada em torno do caso, chegou \u201co momento em que se deve olhar para o essencial e, por um momento, deixar de lado aquilo que n\u00e3o toca directamente o problema\u201d.   \u201cO caso na sua dramaticidade \u00e9 simples. Uma menina de apenas nove anos, a quem chamaremos \u00abC\u00e1rmen\u00bb, e a quem devemos olhar fixamente nos olhos, sem nos distrairmos sequer um minuto, para faz\u00ea-la entender o quanto lhe queremos bem\u201d, escreve.  \u201c\u00abC\u00e1rmen\u00bb, em Alagoinha, foi violentada v\u00e1rias vezes pelo seu jovem padrasto, engravidou de dois g\u00e9meos e nunca mais teve uma vida tranquila. A ferida \u00e9 profunda porque a viol\u00eancia destruiu-a por dentro e dificilmente lhe permitir\u00e1 no futuro olhar os outros com amor\u201d, aponta D. Fisichella.  Para o presidente da Academia Pontif\u00edcia para a Vida (APV), esta \u00e9 uma hist\u00f3ria de viol\u00eancia quotidiana que apenas chegou \u00e0s p\u00e1ginas dos jornais porque o Arcebispo de Olinda e Recife se apressou em excomungar os m\u00e9dicos que a ajudaram a interromper a gravidez.   \u201cUma hist\u00f3ria de viol\u00eancia que, infelizmente, teria passado despercebida, pois estamos acostumados a ver todos os dias factos de uma gravidade sem igual, se n\u00e3o fossem as reac\u00e7\u00f5es causadas pela actua\u00e7\u00e3o do bispo. A viol\u00eancia sobre uma mulher \u00e9 grave, e torna-se ainda mais deplor\u00e1vel quando perpetrada contra uma menina pobre, que vive em condi\u00e7\u00f5es de degrada\u00e7\u00e3o social\u201d, pode ler-se no jornal do Vaticano.   D. Rino Fisichella diz que, em primeiro lugar, \u201c\u00abC\u00e1rmen\u00bb deveria ter sido defendida, abra\u00e7ada, acariciada com do\u00e7ura para faz\u00ea-la sentir que estamos todos com ela; todos, sem excep\u00e7\u00e3o. Antes de pensar na excomunh\u00e3o, era necess\u00e1rio e urgente salvaguardar a sua vida inocente e recoloc\u00e1-la num n\u00edvel de humanidade, da qual n\u00f3s homens de Igreja devemos ser anunciadores e mestres\u201d.  \u201cAssim n\u00e3o foi feito e, infelizmente, a credibilidade do nosso ensinamento sofre com isso, pois aparece aos olhos de muitos como insens\u00edvel, incompreens\u00edvel e sem miseric\u00f3rdia. \u00c9 verdade, \u00abC\u00e1rmen\u00bb trazia consigo outras vidas inocentes como a sua &#8211; n\u00e3o obstante serem frutos da viol\u00eancia &#8211; e foram ceifadas; isso, todavia, n\u00e3o basta para fazer um julgamento que pesa como uma guilhotina\u201d, acrescenta.  A Academia Pontif\u00edcia para a Vida foi institu\u00edda por Jo\u00e3o Paulo II em 11 de Fevereiro de 1994, com o Motu Proprio \u201cVitae Mysterium\u201d. Tem como objectivo o estudo, a informa\u00e7\u00e3o e a forma\u00e7\u00e3o sobre os principais problemas de bio\u00e9tica e de direito, relativos \u00e0 promo\u00e7\u00e3o e defesa da vida, sobretudo na rela\u00e7\u00e3o directa que estes t\u00eam com a moral crist\u00e3 e com as directivas do magist\u00e9rio da Igreja Cat\u00f3lica.  O presidente da APV admite que o caso da menina brasileira era complexo, dado que \u201cpor causa da sua tenra idade e das suas condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade prec\u00e1rias, a sua vida corria s\u00e9rio risco por causa da gravidez\u201d.   \u201cO respeito devido ao profissionalismo do m\u00e9dico \u00e9 uma regra que deve envolver todos e n\u00e3o pode consentir chegar a um julgamento negativo sem antes considerar o conflito criado no seu \u00edntimo. O m\u00e9dico traz consigo a sua hist\u00f3ria e a sua experi\u00eancia; uma escolha como esta de ter de salvar uma vida, sabendo que coloca em s\u00e9rio risco outra, jamais \u00e9 vivida com facilidade\u201d, observa D. Fisichella.  \u201c\u00abC\u00e1rmen\u00bb voltou a propor um caso moral entre os mais delicados; trat\u00e1-lo de forma r\u00e1pida n\u00e3o faria justi\u00e7a nem \u00e0 sua fr\u00e1gil pessoa nem aos que est\u00e3o envolvidos no caso. Como qualquer caso singular e concreto, merece ser analisado de forma peculiar, sem generaliza\u00e7\u00f5es\u201d, diz o presidente da APV.  Neste artigo do Osservatore Romano \u00e9 afirmando que \u201ca moral cat\u00f3lica possui princ\u00edpios dos quais n\u00e3o pode prescindir, mesmo o se quisesse. A defesa de uma vida humana desde a sua concep\u00e7\u00e3o pertence a um destes princ\u00edpios e justifica-se pela sacralidade da exist\u00eancia\u201d.   \u201cQualquer ser humano, de facto, desde o primeiro instante de vida traz consigo a imagem do Criador, e por isto estamos convictos de que devem ser reconhecidos os direitos e a dignidade de qualquer pessoa, o primeiro dentre todos o da sua intangibilidade e inviolabilidade\u201d, prossegue.  Nesse contexto, afirma-se que \u201co aborto n\u00e3o-espont\u00e2neo sempre foi condenado pela lei moral como um acto intrinsecamente mau e este ensinamento permanece imut\u00e1vel nos nossos dias, desde os prim\u00f3rdios da Igreja\u201d.   A colabora\u00e7\u00e3o formal com o aborto directo \u201cconstitui uma culpa grave que, quando realizada, exclui automaticamente da comunidade crist\u00e3\u201d. Tecnicamente, o C\u00f3digo de Direito Can\u00f3nico usa a express\u00e3o \u00ablatae sententiae\u00bb para indicar que a excomunh\u00e3o acontece no momento em que o facto acontece.  Em rela\u00e7\u00e3o ao que aconteceu no Brasil, o presidente da APV defende que \u201cn\u00e3o era precisa tanta urg\u00eancia e publicidade para declarar um facto que se realiza de maneira autom\u00e1tica\u201d.   \u201cDo que se sente maior necessidade neste momento \u00e9 o sinal de um testemunho de proximidade a quem sofre, um acto de miseric\u00f3rdia que, mesmo mantendo firme o princ\u00edpio, \u00e9 capaz de olhar al\u00e9m da esfera jur\u00eddica para atingir aquilo que o direito prev\u00ea como objectivo de sua exist\u00eancia: o bem e a salva\u00e7\u00e3o daqueles que cr\u00eaem no amor do Pai e daqueles que acolhem o Evangelho de Cristo como as crian\u00e7as, que Jesus chamava para junto de si e as abra\u00e7ava dizendo que o reino dos c\u00e9us pertence a quem \u00e9 como elas\u201d, diz ainda.  \u201c\u00abC\u00e1rmen\u00bb, estamos do teu lado. Partilhamos o sofrimento pelo qual passaste, queremos fazer de tudo para te restituir a dignidade que te foi tirada e o amor de que precisas ainda mais. S\u00e3o outros que merecem a excomunh\u00e3o e o nosso perd\u00e3o, n\u00e3o os que te permitiram viver e ajudam a recuperar a esperan\u00e7a e a confian\u00e7a, n\u00e3o obstante a presen\u00e7a do mal e a maldade de muitos&#8221;, conclui o Arcebispo Fisichella.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Crian\u00e7a de nove anos foi violada, engravidou e abortou. 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