{"id":37514,"date":"2009-03-12T12:55:37","date_gmt":"2009-03-12T12:55:37","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/03\/12\/novo-quadro-de-pobreza\/"},"modified":"2009-03-12T12:55:37","modified_gmt":"2009-03-12T12:55:37","slug":"novo-quadro-de-pobreza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/novo-quadro-de-pobreza\/","title":{"rendered":"Novo quadro de pobreza"},"content":{"rendered":"<p>Decorre a Semana Nacional da C\u00e1ritas. At\u00e9 ao dia 15 de Mar\u00e7o, o Dia Nacional da organiza\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica, esta iniciativa quer colocar no centro das celebra\u00e7\u00f5es e debates, as actividades sociais dinamizadas por este servi\u00e7o, que ganham contornos espec\u00edficos devido \u00e0 crise econ\u00f3mica e financeira.   Chegam \u00e0s Caritas diocesanas quadros novos de pobreza, protagonizados por pessoas que at\u00e9 h\u00e1 pouco tempo estavam empregadas e tinham h\u00e1bitos de consumo elevados. Eug\u00e9nio Fonseca explica que estes casos s\u00e3o cada vez mais numerosos: \u201cEste \u00e9 o grande desafio. Estou convencido que esta crise apresenta um lado de esperan\u00e7a. Inclusive para a organiza\u00e7\u00e3o interna da ac\u00e7\u00e3o social da Igreja, a crise pode ser uma oportunidade\u201d.   O Presidente da C\u00e1ritas portuguesa explica que se organizavam ac\u00e7\u00f5es para atender a situa\u00e7\u00f5es de pobreza sist\u00e9micas, \u201cque passam de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o. Est\u00e3o a vir ao nosso encontro, pessoas que est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de priva\u00e7\u00e3o de bens, e que pedem que a institui\u00e7\u00e3o as ajude a delinear projectos de vida. Este \u00e9 um grande desafio para os nossos grupos. Um desafio de requalifica\u00e7\u00e3o, pois obriga a um olhar diferente, uma postura diferente, e quer evitar o facilitismo das respostas assistencialistas\u201d.   A Semana C\u00e1ritas de 2009 assume, segundo Eug\u00e9nio Fonseca,  uma urg\u00eancia espec\u00edfica concretizada em dois objectivos &#8211; \u201ca consciencializa\u00e7\u00e3o de que a resolu\u00e7\u00e3o da crise n\u00e3o passa apenas por revitalizar a economia, pois a crise tem contornos que ultrapassam as fronteiras econ\u00f3micas e financeiras e toca a civiliza\u00e7\u00e3o. Neste campo, a Igreja, atrav\u00e9s do seu pensamento e das suas institui\u00e7\u00f5es sociais, deve tornar esse pensamento mais pr\u00f3ximo dos cidad\u00e3os\u201d.   Eug\u00e9nio Fonseca sublinha ao programa Ecclesia, a responsabiliza\u00e7\u00e3o, \u201cindividual e colectiva, de cada cidad\u00e3o e, em particular, dos crist\u00e3os\u201d, pois \u201ca crise n\u00e3o vai ser superada se apenas contarmos com as decis\u00f5es dos governos\u201d.   O Presidente da C\u00e1ritas reconhece comportamentos individuais e em sociedade que t\u00eam de ser revistos. \u201cValorizar a pessoa e o sentido de dignidade que ela cont\u00e9m, que lhe confere direitos e deveres, e perceber que o dinheiro \u00e9 apenas um instrumento que deve ser colectivo\u201d, s\u00e3o duas vias essenciais.   Neste sentido da universalidade dos bens, esta semana quer tamb\u00e9m \u201crefor\u00e7ar a partilha com quem est\u00e1 sem trabalho e, sabendo que os cidad\u00e3os vivem sobretudo do trabalho, na lacuna laboral, os cidad\u00e3os ficam na pobreza\u201d. O apelo \u00e9 dirigido aos crist\u00e3os para que partilhem na Eucaristia do Dia Nacional da C\u00e1ritas, 15 de Mar\u00e7o, e aos portugueses em geral, no pedit\u00f3rio p\u00fablico a decorrer a partir desta Quinta-feira.   <b>Consumismo desregulado<\/b> Eug\u00e9nio Fonseca lamenta que por muito generosos que sejam os portugueses, face aos compromissos que as fam\u00edlias t\u00eam por cumprir, decorrentes de um consumismo desregulado, os donativos n\u00e3o chegam para colmatar as d\u00edvidas causadas.  \u201cIsto j\u00e1 se previa. Pelos mecanismos de marketing que seduziam as pessoas para preferirem bens que n\u00e3o lhe eram necess\u00e1rios e contra\u00edrem d\u00edvidas sup\u00e9rfluas. Outras d\u00edvidas as pessoas contra\u00edram contando com os recursos que dispunham \u2013 as d\u00edvidas de habita\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, por exemplo\u201d.  As C\u00e1ritas diocesanas, destino da recolha de donativos, v\u00e3o priorizar o atendimentos \u00e0s necessidades b\u00e1sicas, para que n\u00e3o falte o indispens\u00e1vel e as pessoas subsistam com dignidade, garante Eug\u00e9nio Fonseca. \u201cPara al\u00e9m desta semana, precisamos continuar a criar dinamismos, em coopera\u00e7\u00e3o com outras entidades, com vista a refor\u00e7ar a generosidade dos portugueses e ajudar quem est\u00e1 em situa\u00e7\u00e3o de car\u00eancia\u201d.   <b>Combate \u00e0 crise<\/b> O contributo da C\u00e1ritas n\u00e3o se fixa apenas na assist\u00eancia. Eug\u00e9nio Fonseca assume que a institui\u00e7\u00e3o vai cooperar com as medidas determinadas pelo governo. \u201cEsperamos que algumas medidas n\u00e3o se tornem lentas por for\u00e7a da burocracia que apresentam. De qualquer forma, a preocupa\u00e7\u00e3o do governo para recolocar os postos de trabalho para que as pessoas possam ter garantido o seu trabalho, \u00e9 uma medida salutar\u201d.  Algumas medidas indicadas pelo governo est\u00e3o dependentes da conjectura internacional, \u201csabemos que Portugal est\u00e1 muito dependente do exterior. Essa \u00e9 uma das nossas fragilidades\u201d, indica o Residente, recordando que a crise \u00e9 grave dentro das fronteiras portuguesas devido \u00e0 falta de competi\u00e7\u00e3o de Portugal. \u201cFomos mais consumidores do que produtores\u201d.   Eug\u00e9nio Fonseca recorda no entanto, haver mecanismos internos, que competem ao Estado, por proposta de pol\u00edtica estrutural, que pode ajudar as pessoas na cria\u00e7\u00e3o de emprego. \u201cMas n\u00e3o basta criar condi\u00e7\u00f5es para a criar desse emprego. \u00c9 preciso ajudar as pessoas a escoarem o que forem produzindo\u201d.  <b>Servi\u00e7o da Igreja Cat\u00f3lica<\/b> A C\u00e1ritas Portuguesa rege-se pelas orienta\u00e7\u00f5es da Igreja Cat\u00f3lica Portuguesa, consignadas no Direito Can\u00f3nico, em termos organizativos, mas tamb\u00e9m \u201cporque estamos em sociedade e precisamos de responder \u00e0s exig\u00eancias da lei civil\u201d. Eug\u00e9nio Fonseca explica que algumas C\u00e1ritas diocesanas, est\u00e3o constitu\u00eddas como Institui\u00e7\u00f5es Particulares de Solidariedade Social.   A C\u00e1ritas portuguesa \u00e9 um servi\u00e7o da Igreja para a promo\u00e7\u00e3o da sua ac\u00e7\u00e3o social. Hierarquicamente, est\u00e1 dependente da Confer\u00eancia Episcopal. Cada C\u00e1ritas diocesana depende do seu bispo. \u201c\u00c9 um servi\u00e7o do bispo para a promo\u00e7\u00e3o social\u201d.   A ac\u00e7\u00e3o social acontece tamb\u00e9m por iniciativa de outras organiza\u00e7\u00f5es da Igreja cat\u00f3lica. Eug\u00e9nio Fonseca aponta esta diversidade como uma riqueza, \u201csuscitada algumas vezes por carismas crist\u00e3os\u201d.  <b>Falta de coordena\u00e7\u00e3o<\/b> O Presidente da C\u00e1ritas lamenta a falta de organiza\u00e7\u00e3o no trabalho das v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es no campo da ac\u00e7\u00e3o social. \u201cAcredito n\u00e3o ser um problema da Igreja, mas uma condi\u00e7\u00e3o do ser humano, que tem a tend\u00eancia para considerar mais o seu trabalho que outro desenvolvido por terceiros\u201d. Por parte da Igreja, reconhece haver uma preocupa\u00e7\u00e3o de \u201carticular os diferentes servi\u00e7os\u201d.   O Presidente da C\u00e1ritas relembra a falta de articula\u00e7\u00e3o, em alguns locais, entre as actividades do Centro Social e Paroquial e a vida da pr\u00f3pria par\u00f3quia. \u201cOs centros sociais e paroquiais nem sempre s\u00e3o a express\u00e3o da caridade da par\u00f3quia onde se integra\u201d, indica.  Na mensagem para o Dia Nacional da C\u00e1ritas, D. Carlos Azevedo, Presidente da Comiss\u00e3o Episcopal para a Pastoral Social, sublinhou a urg\u00eancia da coordena\u00e7\u00e3o da ac\u00e7\u00e3o social e caritativa das diversas institui\u00e7\u00f5es da Igreja e indicou a C\u00e1ritas como o servi\u00e7o capaz de realizar esta sinergia. Eug\u00e9nio Fonseca assume que, sendo esta uma institui\u00e7\u00e3o ao servi\u00e7o da Igreja que depende directamente, a n\u00edvel diocesano, do bispo, e da colegialidade da Confer\u00eancia Episcopal, \u201ca C\u00e1ritas \u00e9 tamb\u00e9m uma inst\u00e2ncia de comunh\u00e3o\u201d.  A fun\u00e7\u00e3o de coordena\u00e7\u00e3o \u00e9 j\u00e1 exercida, em algumas dioceses, pela C\u00e1ritas. Noutras dioceses, esta fun\u00e7\u00e3o \u00e9 assumida pelo Secretariado diocesano de ac\u00e7\u00e3o ou pastoral social. \u201cS\u00e3o aspectos organizativos que ultrapassam as decis\u00f5es da C\u00e1ritas e que depende dos pr\u00f3prios bispos\u201d. Eug\u00e9nio Fonseca aponta a necessidade de optimiza\u00e7\u00e3o dos \u201cparcos recursos materiais e humanos de forma a n\u00e3o decalcar as mesmas solidariedades\u201d.  <b>Rede intra e internacional<\/b> A C\u00e1ritas interliga-se a n\u00edvel diocesano, mas est\u00e1 tamb\u00e9m em sintonia com a rede internacional. \u201cA C\u00e1ritas \u00e9 um servi\u00e7o da Santa S\u00e9. Sempre esteve intimamente ligado \u00e0 C\u00faria Romana e existe, inclusivamente, o organismo Cor Unum, que tem por miss\u00e3o coordenar a partilha que chega ao Papa para as Igrejas em maior car\u00eancia. A sua aplica\u00e7\u00e3o \u00e9 depois confiada \u00e0 C\u00e1ritas\u201d.   Por decis\u00e3o de Jo\u00e3o Paulo II, a C\u00e1ritas integra a C\u00faria da Santa S\u00e9. Portugal integra a C\u00e1ritas Europa e tamb\u00e9m a rede das C\u00e1ritas Lus\u00f3fonas.   A interliga\u00e7\u00e3o diocesana e internacional permite a elabora\u00e7\u00e3o de campanhas de solidariedade que possam responder a urg\u00eancias decorrentes de calamidades naturais. Eug\u00e9nio Fonseca explica que a ac\u00e7\u00e3o da C\u00e1ritas decorre nas duas frentes \u2013 nacional e internacional, mas lamenta que \u201cmuitas ac\u00e7\u00f5es nas dioceses n\u00e3o tenham a visibilidade correspondente \u00e0 import\u00e2ncia da ajuda\u201d. Nas dioceses e nas par\u00f3quias \u201cexistem muitas actividades que se realizam com descri\u00e7\u00e3o e simplicidade, mas com efeitos pr\u00e1ticos e transformadores\u201d.  O Presidente da C\u00e1ritas Portuguesa lamenta ainda que a comunica\u00e7\u00e3o social se sinta \u201cmais motivada para as ac\u00e7\u00f5es que envolvam dramatismo ou n\u00famero. Nas situa\u00e7\u00f5es mais escondidas, o dramatismo n\u00e3o \u00e9 vis\u00edvel porque devemos respeitar a confidencialidade das vidas\u201d. No entanto, Eug\u00e9nio Fonseca relembra o apoio que a C\u00e1ritas prestou \u00e0s v\u00edtimas dos inc\u00eandios, em 2004 e 2005, que teve express\u00e3o e a sociedade reconheceu, assim como o apoio prestado \u00e0s popula\u00e7\u00f5es atingidas pelo tsunami no Natal de 2004.   <b>Miss\u00e3o da Igreja<\/b> A matriz diferenciadora da ac\u00e7\u00e3o social da C\u00e1ritas de outras institui\u00e7\u00f5es, \u201cque deve ser aprofundada\u201d, \u00e9 apontada como sendo a proximidade. O Presidente deste servi\u00e7o aponta a necessidade de ser valorizar as respostas pr\u00f3ximas. \u201cS\u00f3 assim poderemos atingir pessoas que n\u00e3o nos procuram por respeito, a chamada pobreza envergonhada. Falta a cultura do pr\u00f3ximo\u201d.  Eug\u00e9nio Fonseca aponta ainda que \u201cnunca poderemos dizer que este trabalho n\u00e3o nos compete. Trabalhamos pela salva\u00e7\u00e3o das pessoas e se n\u00e3o salvarmos a pessoa toda, n\u00e3o a salvamos\u201d.  \u201cA caridade deve, ent\u00e3o, ser entendida na sua verdadeira dimens\u00e3o, n\u00e3o criando paternalismos ou depend\u00eancias, mas enquanto valor libertador, prof\u00e9tico, que anuncia, denuncia e \u00e9 transformador. A caridade \u00e9 mais do que a solidariedade, que sup\u00f5e a responsabilidade para com o outro. A caridade faz reconhecer que todos somos irm\u00e3os. N\u00e3o \u00e9 uma responsabilidade mas uma obriga\u00e7\u00e3o\u201d.   Eug\u00e9nio Fonseca relembra as Eucaristias que v\u00e3o decorrer no Dia Nacional da C\u00e1ritas e o pedit\u00f3rio p\u00fablico, a decorrer at\u00e9 ao dia 15. Em 2008, o pedit\u00f3rio de rua aproximou-se dos 250 mil euros. \u201cTudo o que for recolhido na diocese fica na respectiva C\u00e1ritas diocesana para ajudar, n\u00e3o os cat\u00f3licos, mas todas as pessoas que procuram a C\u00e1ritas independentemente de religi\u00e3o, partido, etnia. A universalidade \u00e9 caracter\u00edstica da C\u00e1ritas\u201d.  A celebra\u00e7\u00e3o nacional da C\u00e1ritas decorre na diocese de Lamego. <\/p>\n<div name=\"mediaspace\" id=\"mediaspace\"><\/div>\n<p> <script type='text\/javascript' src=\"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/video\/wmvplayer\/silverlight.js\"><\/script> <script type='text\/javascript' src=\"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/video\/wmvplayer\/wmvplayer.js\"><\/script> <script type=\"text\/javascript\"> var cnt = document.getElementById(\"mediaspace\"); var src = 'http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/video\/wmvplayer\/wmvplayer.xaml'; var cfg = { file:'http:\/\/mp3.rtp.pt\/mp3\/wmvd\/fehomens\/20090309_1_fehomens.wmv', height:'350', width:'440', autostart:'false' }; var ply = new jeroenwijering.Player(cnt,src,cfg); <\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Decorre a Semana Nacional da C\u00e1ritas. 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