{"id":37448,"date":"2009-03-10T10:55:34","date_gmt":"2009-03-10T10:55:34","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/03\/10\/portugal-os-papas-e-africa\/"},"modified":"2009-03-10T10:55:34","modified_gmt":"2009-03-10T10:55:34","slug":"portugal-os-papas-e-africa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/portugal-os-papas-e-africa\/","title":{"rendered":"Portugal, os Papas e \u00c1frica"},"content":{"rendered":"<p>A rela\u00e7\u00e3o dos Papas com \u00c1frica remonta aos primeiros s\u00e9culos, quando tr\u00eas dos Bispos de Roma foram homens nascidos nesse continente: S\u00e3o V\u00edtor I, S\u00e3o Melqu\u00edades e S\u00e3o Gel\u00e1sio I. Estes s\u00e9culos de cristianismo viram, sobretudo, a evangeliza\u00e7\u00e3o do Egipto e da \u00c1frica do Norte. Uma segunda fase, envolvendo as regi\u00f5es deste Continente situadas ao sul do Saara, teve lugar nos s\u00e9culos XV e XVI. \u00c9 nesta altura que a rela\u00e7\u00e3o do papado com \u00c1frica viria a ter significativos desenvolvimentos. Logo em 1452, o Papa Nicalau V, com a Bula \u201cDum diversas\u201d, concede a Portugal o dom\u00ednio sobre os territ\u00f3rios \u201csubtra\u00eddos aos mu\u00e7ulmanos e aos infi\u00e9is\u201d. Tr\u00eas anos depois, o mesmo Papa exortava o Rei Afonso V a construir igrejas e a enviar mission\u00e1rios, com a bula \u201cRomanus pontifex\u201d. Em Mar\u00e7o de 1456, o Papa Calisto III, com a \u201cInter coetera\u201d colocava os territ\u00f3rios das Descobertas sob o dom\u00ednio da Ordem de Cristo, dando origem ao Vicariato de Tomar. Le\u00e3o X, em 1515, criou a Diocese do Funchal (Bula \u201cPro excellenti praemi-nentia\u201d), para as terras descobertas pelos portugueses, extinguindo o Vicariato de Tomar. Em 1518, decide nomear como Bispo Henrique Kinu-Mbemba, filho do Rei Afonso, e em 1521 concede-lhe autoridade sobre o Reino do Congo. No ano de 1551, J\u00falio III assina a Bula \u201cPraeclara carissimi\u201d, que d\u00e1 in\u00edcio ao Padroado portugu\u00eas. Em 1596, Clemente VIII autoriza a erec\u00e7\u00e3o da Diocese de Luanda, com a Bula \u201cSuper specula autorizza\u201d. Uma terceira fase da evangeliza\u00e7\u00e3o em \u00c1frica, caracterizada por um extraordin\u00e1rio esfor\u00e7o mission\u00e1rio, teve in\u00edcio no s\u00e9culo XIX.  <b>De Paulo VI a Bento XVI<\/b> O primeiro Papa dos tempos modernos a viajar at\u00e9 \u00c1frica foi Paulo VI, que visitou o Uganda de 31 de Julho a 2 de Agosto de 1969. Ap\u00f3s esta hist\u00f3rica visita, coube a Jo\u00e3o Paulo II percorrer praticamente todo o territ\u00f3rio africano, em 16 viagens apost\u00f3licas entre 1980 e 2000. O falecido Papa polaco passou por 42 pa\u00edses e pelo departamento franc\u00eas da Reuni\u00e3o, tendo mesmo repetido a visita no caso de 7 pa\u00edses. Come\u00e7ou pelo Zaire, Congo-Brazzaville, Qu\u00e9nia, Gana, Alto Volta (actual Burkina Fasso) e a Costa do Marfim, ao longo de dez dias, em 1980. A \u00faltima passagem por territ\u00f3rio africano aconteceu no ano 2000, aquando da peregrina\u00e7\u00e3o jubilar ao Monte Sinai, no Egipto. Nos territ\u00f3rios lus\u00f3fonos, Jo\u00e3o Paulo II passou por Mo\u00e7ambique, em 1988; Guin\u00e9-Bissau e Cabo Verde (1990); Angola e S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe (1992). Nove anos depois, Bento XVI realizar\u00e1 de 17 a 23 de Mar\u00e7o uma viagem aos Camar\u00f5es e Angola, a terceira para o territ\u00f3rio camaron\u00eas (1985 e 1995, Jo\u00e3o Paulo II) e a segunda para o pa\u00eds lus\u00f3fono.  <b>SECAM<\/b> Entre os muitos frutos destas viagens, destaca-se o nascimento do SECAM\/SCEAM (Simp\u00f3sio das Confer\u00eancias Episcopais de \u00c1frica e Madag\u00e1scar, siglas em ingl\u00eas e franc\u00eas), que ganhou forma em 1969 na presen\u00e7a de Paulo VI. Em 1995, Jo\u00e3o Paulo II assinou a exorta\u00e7\u00e3o p\u00f3s-sinodal \u201cEcclesia in Africa\u201d (14 settembre 1995), referindo que \u201cnessa ocasi\u00e3o, os Bispos procuraram endividuar os instrumentos apropriados para melhor compartilharem e tornarem eficaz a sua solicitude por todas as Igrejas (cf. 2 Cor 11,28) e, com tal finalidade, come\u00e7aram a propor as estruturas adequadas a n\u00edvel nacional, regional e continental\u201d. \u201cFoi em tal clima que os Bispos de \u00c1frica e Madag\u00e1scar, presentes no Conc\u00edlio, decidiram instituir um Secretariado-Geral pr\u00f3prio, com a miss\u00e3o de coordenar as suas interven\u00e7\u00f5es de modo a apresentarem em Aula, quanto poss\u00edvel, um ponto de vista comum. Esta coopera\u00e7\u00e3o inicial entre os Bispos da \u00c1frica institucio-nalizou-se, depois, com a cria\u00e7\u00e3o em Kampala do Simp\u00f3sio das Confer\u00eancias Episcopais de \u00c1frica e Madag\u00e1scar\u201d, escreveu o Papa Wojtyla. Jo\u00e3o Paulo II deixava clara a sua convic\u00e7\u00e3o de que \u201co des\u00edgnio que Deus tem de salvar a \u00c1frica est\u00e1 na origem da difus\u00e3o da Igreja neste Continente. Ora, sendo a Igreja, segundo a vontade de Cristo, por sua natureza mission\u00e1ria, segue-se da\u00ed que a Igreja em \u00c1frica \u00e9 chamada a assumir ela pr\u00f3pria um papel activo ao servi\u00e7o do projecto salvador de Deus\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A rela\u00e7\u00e3o dos Papas com \u00c1frica remonta aos primeiros s\u00e9culos, quando tr\u00eas dos Bispos de Roma foram homens nascidos nesse continente: S\u00e3o V\u00edtor I, S\u00e3o Melqu\u00edades e S\u00e3o Gel\u00e1sio I. Estes s\u00e9culos de cristianismo viram, sobretudo, a evangeliza\u00e7\u00e3o do Egipto e da \u00c1frica do Norte. 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