{"id":37444,"date":"2009-03-10T10:21:14","date_gmt":"2009-03-10T10:21:14","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/03\/10\/teologia-africana-a-luz-do-sinodo-dos-bispos\/"},"modified":"2009-03-10T10:21:14","modified_gmt":"2009-03-10T10:21:14","slug":"teologia-africana-a-luz-do-sinodo-dos-bispos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/teologia-africana-a-luz-do-sinodo-dos-bispos\/","title":{"rendered":"Teologia Africana \u00e0 luz do S\u00ednodo dos Bispos"},"content":{"rendered":"<p>\u00c1frica est\u00e1 na ordem dia, nesta altura em que prosseguem os preparativos para o pr\u00f3ximo S\u00ednodo dos Bispos marcado para o m\u00eas de Outubro, subordinado ao tema \u00abA Igreja em \u00c1frica ao servi\u00e7o da reconcilia\u00e7\u00e3o, da justi\u00e7a e da paz. \u201cVos sois o sal da terra e a luz do mundo\u201d (Mt 5, 13.14)\u00bb. Trata-se de um lema muito oportuno, pertinente e actual, que ter\u00e1 de iluminar as reflex\u00f5es teol\u00f3gicas elaboradas neste continente, configuradas numa ci\u00eancia intitulada \u00abTeologia Africana\u00bb, que continua \u00e0 procura de um lugar ao sol, pois a sua afirma\u00e7\u00e3o e a sua matura\u00e7\u00e3o surgem como desafios a ter em conta.   O caminho \u00e9 longo e espinhoso. Por\u00e9m interessante, envolvendo te\u00f3logos desta mesma regi\u00e3o, incentivando-os a encontrar fundamentos e m\u00e9todos adequados para que a sua linha de pensamento seja coerente, operativa, devendo, ao mesmo tempo, primar pela comunh\u00e3o e pela ortodoxia. \u00c9 indispens\u00e1vel este reparo, pois, durante muitos anos, a reflex\u00e3o africana foi elaborada sem ter em conta algumas notas que s\u00e3o indispens\u00e1veis para uma \u00abverdadeira teologia\u00bb: a falta de esp\u00edrito de comunh\u00e3o era um dos dados mais salientes que n\u00e3o se fazia sentir, apesar das suas preocupa\u00e7\u00f5es serem sociol\u00f3gica e pastoralmente v\u00e1lidas. Ora, a falta da observ\u00e2ncia desta comunh\u00e3o corresponde tamb\u00e9m ao \u00abesquecimento\u00bb das orienta\u00e7\u00f5es do Magist\u00e9rio. Nesta toada, registou-se uma s\u00e9rie de autores e correntes que, apesar do seu impacto no mundo intelectual, n\u00e3o espelhavam uma catolicidade s\u00e3.  Nesta linha figuravam os dois malogrados intelectuais camaroneses de refer\u00eancia, nomeadamente Jean-Marc Ela e Engelbert Mveng, promotores e defensores convictos de uma teologia africana da liberta\u00e7\u00e3o, que se situou bem pr\u00f3xima do pensamento latino-americano cuja ortodoxia esteve sempre em causa. Ao lado destes dois pensadores alinhou sempre o outro camaron\u00eas, Fabien Eboussi-Boulaga, tendo formado um \u00abtrio\u00bb que conquistou muitos disc\u00edpulos, no que toca n\u00e3o s\u00f3 ao campo da reflex\u00e3o, mas tamb\u00e9m ao dom\u00ednio pr\u00e1tico da incultura\u00e7\u00e3o. Para dar outra vitalidade \u00e0 esta ci\u00eancia surgiu a ala protestante, liderada pelo congol\u00eas K\u00e4 Mana, propondo a Teologia da Reconstru\u00e7\u00e3o. Esta \u00abnovidade\u00bb colocou, assim, duas correntes bem diferentes no mundo teol\u00f3gico africano, que dominaram o panorama durante muitos anos: a teologia da liberta\u00e7\u00e3o, representada pela escola camaronesa e a teologia da reconstru\u00e7\u00e3o, tendo como grandes protagonistas o j\u00e1 referido congol\u00eas (K\u00e4 Mana) e o queniano Jesse Mugambi. Neste mesmo contexto, seria injusto n\u00e3o referenciar a outra ala situada num espa\u00e7o pr\u00f3prio, que \u00e9 a escola congolesa: a da Teologia da Incultura\u00e7\u00e3o, com nomes sonantes como Ngindu Mushete, Fran\u00e7ois Kabasel\u00e9, Tarcise Tsibangu e L\u00e9onard Nsatedi. Se a ala camaronesa real\u00e7ava a necessidade de a reflex\u00e3o considerar sobretudo a realidade s\u00f3ciopol\u00edtica local, para que a teologia africana n\u00e3o ca\u00edsse no vazio, devendo encontrar solu\u00e7\u00f5es concretas aos problemas que afligem o povo, para que este possa experimentar a sua liberta\u00e7\u00e3o, a escola protestante tamb\u00e9m defendia quase o mesmo objectivo, acentuando, todavia, o processo da reconstru\u00e7\u00e3o do homem africano e das suas estruturas. Por\u00e9m, uma posi\u00e7\u00e3o bem diferente era sustentada pela tend\u00eancia con-golesa, centrada na incultura\u00e7\u00e3o do Evangelho em \u00c1frica, um processo que teria a miss\u00e3o de revalorizar a cultura tradicional local\u2026 Para equilibrar o panorama surgiu a escola lus\u00f3fona que parte do termo \u00abreconstru\u00e7\u00e3o\u00bb preferido pelos protestantes, mas acrescentando-lhe, de uma forma evidente, o adjectivo \u00abafricano\u00bb, para real\u00e7ar o contexto e os autores (\u00c1frica e os africanos) deste trabalho, que primam pela ortodoxia, esp\u00edrito de comunh\u00e3o e rigor cient\u00edfico, articulando a teoria \u00e0 pr\u00e1tica, na linha da epistemologia e numa \u00abIgreja Fam\u00edlia de Deus\u00bb, evitando que os ideais propostos sejam meros desejos, sem qualquer valor pr\u00e1tico e peso cient\u00edfico. Da\u00ed, a actualidade e a per-tin\u00eancia da Teologia Africana da Reconstru\u00e7\u00e3o, elaborada no mundo lus\u00f3fono, como forma de um contributo peculiar ao avan\u00e7o do pensamento teol\u00f3gico e do crescimento da Igreja que est\u00e1 em \u00c1frica. Pelos vistos, ter\u00e1 chegado o momento para a \u00c1frica lus\u00f3fona se afirmar no \u00e2mbito das investiga\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, quebrando a hegemonia patenteada pelos franc\u00f3fonos e angl\u00f3fonos. E esta viragem parece ser muito oportuna, pois o desaparecimento f\u00edsico, primeiro, de Engelbert Mveng e, recentemente, de Jean-Marc Ela poder\u00e1 vir a ser um \u00absinal\u00bb do fim de uma era e de uma corrente teol\u00f3gica, que agora necessitam de uma viragem. Para isso, a Teologia Africana da Reconstru\u00e7\u00e3o da escola lus\u00f3fona tem uma palavra a dizer. Esta realidade ser\u00e1, certamente, contemplada pela pr\u00f3xima Assembleia Especial para a \u00c1frica do S\u00ednodo dos Bispos, que dever\u00e1 iluminar ainda o pensamento teol\u00f3gico africano, salientando os seus fundamentos e dando orienta\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias, tendo a reconcilia\u00e7\u00e3o, a justi\u00e7a e a paz no horizonte\u2026  <i>Pe. Muanamosi Matumona,  Te\u00f3logo angolano (Diocese do U\u00edje) <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c1frica est\u00e1 na ordem dia, nesta altura em que prosseguem os preparativos para o pr\u00f3ximo S\u00ednodo dos Bispos marcado para o m\u00eas de Outubro, subordinado ao tema \u00abA Igreja em \u00c1frica ao servi\u00e7o da reconcilia\u00e7\u00e3o, da justi\u00e7a e da paz. \u201cVos sois o sal da terra e a luz do mundo\u201d (Mt 5, 13.14)\u00bb. 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