{"id":37346,"date":"2009-03-04T17:38:56","date_gmt":"2009-03-04T17:38:56","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/03\/04\/angola-500-anos-de-evangelizacao\/"},"modified":"2009-03-04T17:38:56","modified_gmt":"2009-03-04T17:38:56","slug":"angola-500-anos-de-evangelizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/angola-500-anos-de-evangelizacao\/","title":{"rendered":"Angola: 500 Anos de Evangeliza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Os 500 anos do in\u00edcio da evangeliza\u00e7\u00e3o de Angola, no antigo Reino do Congo (1491), s\u00e3o o motivo que levam Bento XVI a este pa\u00eds lus\u00f3fono pela primeira vez. Uma ocasi\u00e3o para recordar que o Cristianismo chega a Angola atrav\u00e9s dos Portugueses. A fim de satisfazer os pedidos do Rei do Congo, saiu de Lisboa, em 1490 a primeira miss\u00e3o de coopera\u00e7\u00e3o e evangeliza\u00e7\u00e3o, chegando a 29 de Mar\u00e7o de 1491 ao Soyo, foz do Rio Zaire. A catequese come\u00e7ou pelo rei e pelos nobres, enquanto os oper\u00e1rios portugueses constru\u00edram a primeira igreja. Nesta primeira fase destaca-se o rei Dom Afonso I, Mv\u00e9mba\u2013Nz\u00ednga (1506-1543), que foi naquele tempo o maior mission\u00e1rio do seu povo. O Reino do Congo procurou ter rela\u00e7\u00f5es directas com a Santa S\u00e9 em Roma, enviando a\u00ed embaixadores. A pedido de D. Afonso, D. Manuel I, de Portugal, enviou ao Congo dois grupos de mission\u00e1rios. O primeiro partiu de Lisboa em 1504 e o segundo, formado por padres toios, em 1508. Era chefiado por frei Jo\u00e3o de Santa Maria. Em 1517, o Papa Le\u00e3o X nomeou bispo o Pr\u00edncipe D. Henrique, que foi o primeiro Bispo da \u00c1frica Negra. Em 1534, foi criada a diocese de S\u00e3o Tom\u00e9, desmembrada da do Funchal. O Congo passou a depender da diocese de S\u00e3o Tom\u00e9. Mais tarde, pela bula \u201cSuper specula militantis Ecclesiae\u201d, de 20 de Maio de 1596, o Papa Clemente VII desmembrava da Diocese de S\u00e3o Tom\u00e9 a nova Diocese do Congo, com sede em Mbanza Congo, chamada S\u00e3o Salvador do Congo. O Papa Urbano VIII, pede, por interm\u00e9dio da Congrega\u00e7\u00e3o da Propaganda fidei, o envio de mission\u00e1rios para o Congo e em 1640 cria-se prefeitura Apost\u00f3lica do Congo e Frei Boaventura de Alessano \u00e9 nomeado Prefeito Apost\u00f3lico.  Em 1643 prepara-se nova expedi\u00e7\u00e3o, sob a direc\u00e7\u00e3o do mesmo Frei Boaventura de Alessano. O embarque deu-se a 20 de Janeiro de 1645 e o desembarque na foz do rio Zaire foi em Junho do mesmo ano, ap\u00f3s uma viagem acidentada. Angola passou praticamente a constituir um dom\u00ednio do Brasil, que em \u00c1frica encontrava o mercado de escravos de que precisava para a agricultura e, mais tarde, para o trabalho das minas. O s\u00e9culo XVIII foi j\u00e1 de profunda decad\u00eancia, principalmente com a expuls\u00e3o dos jesu\u00edtas e com a decad\u00eancia das Ordens Religiosas em quase toda a Europa. <i>Oct\u00e1vio Carmo<\/i>  <b>Renascimento<\/b> O problema do clero ind\u00edgena \u00e9 dos mais graves e delicados nas actividades mission\u00e1ria. As dificuldades tanto vinham dos evangelizados como dos evangelizadores. Os sacerdotes  que se encontravam em Angola eram pouco numerosos e geralmente faltava-lhes organiza\u00e7\u00e3o, zelo mission\u00e1rio e m\u00e9todos apropriados ao apostolado mission\u00e1rio. O encerramento das casas religiosas em Portugal pelo Governo Liberal em 1834 tirou a esperan\u00e7a da recupera\u00e7\u00e3o durante muitos anos. Um bispo do s\u00e9culo XIX pedia para Portugal que se acudisse \u00e0 sua &#8220;moribunda diocese e a um outro, de meados deste s\u00e9culo atribui-se esta frase de desalento: &#8220;Das Miss\u00f5es de Angola e Congo s\u00f3 resta a mem\u00f3ria&#8221;. Na realidade o n\u00famero de sacerdotes chegou ao \u00edndice mais baixo em 1853: 5 angolanos, encontrando-se 4 em Luanda I em Benguela. As antigas par\u00f3quias e igrejas tinham desaparecido quase todas, miss\u00f5es propriamente ditas no interior n\u00e3o havia nenhuma.Desde 1885 at\u00e9 1910 a vida religiosa foi-se desenvolvendo com certa intensidade: o pessoal mission\u00e1rio &#8211; padres, irm\u00e3os e irm\u00e3s &#8211; iam aumentando progressivamente e as popula\u00e7\u00f5es iam-se abrindo \u00e0 evangeliza\u00e7\u00e3o. Mas algumas guerras de ocupa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio tornaram certos povos imperme\u00e1veis por algum tempo, como os cuanhamas. Era de esperan\u00e7a a ac\u00e7\u00e3o religiosa em 1910, com a chegada anual de v\u00e1rios sacerdotes, irm\u00e3os e irm\u00e3s. Em 5 de Outubro daquele ano, a revolu\u00e7\u00e3o que suprimiu a monarquia e instaurou o regime republicano em Portugal mostrou-se logo de in\u00edcio contra a Igreja Cat\u00f3lica e suas institui\u00e7\u00f5es: supress\u00e3o dos Institutos religiosos, dos semin\u00e1rios e do ensino religioso nas escolas, nacionaliza\u00e7\u00e3o dos bens eclesi\u00e1sticos &#8211; semin\u00e1rios, resid\u00eancias episcopais e paroquiais e das comunidades religiosas &#8211; imposi\u00e7\u00e3o do casamento civil, admiss\u00e3o do div\u00f3rcio, etc. Ao mesmo tempo, na imprensa intensificou-se a propaganda, que j\u00e1 vinha detr\u00e1s, contra a Igreja e a vida cat\u00f3lica. Em Angola, os reflexos destas leis e da campanha anti-religiosa encontravam numerosos adeptos, mesmo em algumas autoridades. V\u00e1rios mission\u00e1rios, sobretudo estrangeiros, foram perseguidos, foram expulsas as religiosas que trabalhavam em Luanda e Mo\u00e7\u00e2medes, e suprimidos os subs\u00eddios que o Estado vinha concedendo a v\u00e1rias miss\u00f5es e outras institui\u00e7\u00f5es cat\u00f3licas. Mas a supress\u00e3o dos Institutos Religiosos e dos semin\u00e1rios em Portugal tinha consequ\u00eancias mais desastrosas em Angola e nas outras col\u00f3nias portuguesas. Quanto \u00e0s Religiosas sucedia o mesmo: as Franciscanas Hospitaleiras retiraram-se para Portugal e n\u00e3o voltaram mais.  Em 1940 a Santa S\u00e9 e o Governo Portugu\u00eas estabeleceram dois acordos: A Concordata e o Acordo Mission\u00e1rio, aos quais o Governo Portugu\u00eas acrescentou o Estatuto Mission\u00e1rio. Estes documentos condicionaram o funcionamento das miss\u00f5es. Tais documentos consagraram o nacionalismo mission\u00e1rio, como afirmaram alguns respons\u00e1veis do tempo. O Cardeal Manuel Gon\u00e7alves Cerejeira, referindo-se ao Acordo Mission\u00e1rio, declara a 10 de Dezembro de 1940: &#8220;Pelo Acordo Mission\u00e1rio continua no Ultramar a nossa voca\u00e7\u00e3o de dilatar a F\u00e9 e o Imp\u00e9rio&#8221;. &#8221; A constitui\u00e7\u00e3o da hierarquia nas nossas mais importantes Col\u00f3nias \u00e9 um acto simb\u00f3lico da sua ocupa\u00e7\u00e3o, para Cristo e para Portugal&#8221;. A 25 de Maio do mesmo ano, Salazar acrescenta: &#8220;N\u00e3o pode p\u00f4r-se, entre n\u00f3s, o problema de qualquer incompatibilidade entre a pol\u00edtica da Na\u00e7\u00e3o e a liberdade da evangeliza\u00e7\u00e3o; pelo contr\u00e1rio, uma faz parte da outra. O governo condiciona a evangeliza\u00e7\u00e3o \u00e0 forma\u00e7\u00e3o patri\u00f3tica do clero&#8221;. Monsenhor Alves da Cunha concluiu: &#8220;Com o Acordo Mission\u00e1rio a Santa S\u00e9 favorece os altos interesses nacionais de Portugal. A Organiza\u00e7\u00e3o Mission\u00e1ria Cat\u00f3lica ser\u00e1 essencialmente portuguesa&#8221;. Entre 1926 e 1940, a expans\u00e3o da Igreja Cat\u00f3lica foi visivelmente impulsionada com a funda\u00e7\u00e3o de 29 novas miss\u00f5es. De 1930 a 1960, mais de 20 Congrega\u00e7\u00f5es mission\u00e1rias enviaram pessoal para Angola: Beneditinos, Beneditinas, Doroteias, Irm\u00e3s do SS. Salvador, Irm\u00e3s de la Salette, Capuchinhos, Franciscanas Mission\u00e1rias de Maria, Reparadoras, Teresianas, Redentoristas, Ordem Trapista, Irm\u00e3ozinhos de Jesus, Irm\u00e3os Maristas, Irm\u00e3s do Amor de Deus, Dominicanas de Se. Catarina, Espiritanas, Mission\u00e1rias M\u00e9dicas de Maria, Dominicanas do Ros\u00e1rio, Irm\u00e3s da Miseric\u00f3rdia. Em 28 anos (1940-1968), o n\u00famero de Padres angolanos passou de 8 a 71. Durante a 2.&#8221; Guerra Mundial (1939-1945), n\u00e3o foi poss\u00edvel a entrada de pessoal mission\u00e1rio estrangeiro; mas, finda a Guerra, muitas Congrega\u00e7\u00f5es acorreram ao apelo e dedicaram-se ao apostolado mission\u00e1rio em Angola.  Em 1954, Ano Santo Mariano, a revista \u201cO Apostolado\u201d deu in\u00edcio \u00e0 campanha para a funda\u00e7\u00e3o de uma Emissora Cat\u00f3lica de Angola (E.C.A.). No dia 8 de Dezembro de 1954 (encerramento das comemora\u00e7\u00f5es marianas) realizou-se a primeira emiss\u00e3o da R\u00e1dio Ecclesia, Emissora Cat\u00f3lica de Angola. Na cidade de Luanda, em 15 anos (1960-1975), as par\u00f3quias passaram de 5 a 14. A expans\u00e3o mission\u00e1ria prosseguia com novas dioceses e novos semin\u00e1rios diocesanos, com frequ\u00eancia muito animadora. A evangeliza\u00e7\u00e3o foi feita com mais profundidade e, em muitos lugares, era uma aut\u00eantica pr\u00e9-evangeliza\u00e7\u00e3o.    <b>A Igreja e a quest\u00e3o Social<\/b> A popula\u00e7\u00e3o, que os mission\u00e1rio evangelizavam, estava estratificada. Os brancos, naturais de Portugal, tinham mais privil\u00e9gios do que os naturais de Angola. Os mesti\u00e7os (assimilados por natureza) tinham direito ao ensino oficial, mas n\u00e3o ao servi\u00e7o militar. Os pretos que sabiam ler e escrever eram assimilados por promo\u00e7\u00e3o e tinham os mesmos direitos que os mesti\u00e7os. Para prestar servi\u00e7o religioso aos tr\u00eas grupos estavam os padres Diocesanos (europeus, euroafricanos e assimilados). Tinham estruturas paroquiais, \u00e0 maneira de Portugal, diria Monsenhor Alves da Cunha. Os ind\u00edgenas (pretos que viviam segundo os usos tradicionais) estavam entregues aos mission\u00e1rios religiosos, salvo raras excep\u00e7\u00f5es. As rela\u00e7\u00f5es entre os diversos grupos sociais eram, teoricamente, abertas. Mas, na pr\u00e1tica, cada um procurava conviver com pessoas da sua condi\u00e7\u00e3o social. A condi\u00e7\u00e3o do assimilado era a mais dram\u00e1tica. N\u00e3o convivia nem com o europeu nem com o ind\u00edgena. O ensino ind\u00edgena Todos os governos coloniais tiveram sempre medo da promo\u00e7\u00e3o intelectual dos ind\u00edgenas. Portugal Confiou a instru\u00e7\u00e3o dos ind\u00edgenas \u00e0s Miss\u00f5es Cat\u00f3licas, mas sem lhes atribuir verbas para isso. Os mission\u00e1rios alfabetizaram Angola \u00e0 sua custa. A situa\u00e7\u00e3o mudou um pouco depois de 1961, mas estava longe de corresponder \u00e0s necessidades da popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena. O ensino ind\u00edgena come\u00e7ou por se chamar Ensino Rudimentar e durava tr\u00eas anos. Depois passou-se a chamar Ensino de Adapta\u00e7\u00e3o com dura\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m de tr\u00eas anos. Em ambos os casos, no terceiro ano, a crian\u00e7a podia fazer o exame oficial. Mas, na pr\u00e1tica, n\u00e3o o fazia, por os pais n\u00e3o poderem apresentar Bilhete de Identidade, por serem ind\u00edgenas. O ind\u00edgena, que queria aprender mais, tinha de ir para o semin\u00e1rio ou jogar futebol. Os mission\u00e1rios sofriam com os entraves que encontravam na promo\u00e7\u00e3o dos ind\u00edgenas. Para o povo portugu\u00eas, as Miss\u00f5es eram um meio, n\u00e3o s\u00f3 de difundir o catolicismo (religi\u00e3o oficial do pa\u00eds), mas de promover as popula\u00e7\u00f5es. A escola, a oficina e o trabalho rural, eram actividades que n\u00e3o faltavam na grande maioria das Miss\u00f5es. A Miss\u00e3o era frequentemente o \u00fanico centro de ensino intelectual e profissional para a grande maioria das popula\u00e7\u00f5es rurais. A guerra da independ\u00eancia, que durou.13 anos, trouxe grandes sofrimentos e muitos benef\u00edcios. Foi extinta a Lei do Indigenato. As escolas oficiais foram abertas a todos. Os contratados come\u00e7aram a ser tratados condignamente. Constru\u00edram-se estradas e aeroportos. Na d\u00e9cada de 60, a fuga das popula\u00e7\u00f5es rurais para as cidades motivou especial aten\u00e7\u00e3o por parte da Igreja. Neste trabalho de evangeliza\u00e7\u00e3o, foi not\u00f3rio e imprescind\u00edvel o papel desempenhado pelos catequistas. Come\u00e7ou a elaborar-se para eles uma forma\u00e7\u00e3o cultural, pedag\u00f3gica e religiosa, em cursos de dois anos, j\u00e1 segundo as orienta\u00e7\u00f5es do Vaticano II. Em 1961, foi fundado o Instituto de Educa\u00e7\u00e3o e Servi\u00e7o Social Pio XII, em Luanda, com orienta\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica. Este Instituto formou, durante anos, assistentes sociais, educadoras de fam\u00edlia e da inf\u00e2ncia. Os Servi\u00e7os de Sa\u00fade solicitavam Irm\u00e3s para os hospitais, centros de sa\u00fade e dispens\u00e1rios A constru\u00e7\u00e3o de igrejas, nas cidades e sedes de Miss\u00e3o, revela florescimento religioso. Proliferaram igualmente os Movimentos cat\u00f3licos: Apostolado da Ora\u00e7\u00e3o, Legi\u00e3o de Maria, Cursos de Cristandande, Confer\u00eancias Vicentinas, Escuteiros.   <b>Novas Dioceses em Angola<\/b> Para que o trabalho da Igreja possa render, s\u00e3o necess\u00e1rias estruturas. No Acordo Mission\u00e1rio de 1940 foi criada a Arquidiocese de Luanda, e as Dioceses de Nova Lisboa (Huambo) de Silva Porto (Kwito-Bi\u00e9). D. Mois\u00e9s Alves de Pinho foi nomeado Arcebispo de Luanda; D. Daniel Gomes Junqueira, Bispo de Nova Lisboa e D. Ildefonso dos Santos, Bispo de Silva Porto. Em 1955 foi criada a Diocese de S\u00e3 da Bandeira (Lubango) e, em 1957, a Diocese de Malanje. Cada bispo esfor\u00e7ou-se por mandar vir mais mission\u00e1rios e o raio da ac\u00e7\u00e3o aumentou. O primeiro Bispo de S\u00e3 da Bandeira, D. Altino Ribeiro Santa na, era do clero diocesano de Goa. O primeiro de Malanje \u00e9 um antigo mission\u00e1rio de Angola, Reitor do Semin\u00e1rio de Luanda durante 25 anos, D. Manuel Nunes Gabriel. Paulo VI, em 1975, criou quatro novas dioceses: Saurimo, Sumbe, Menongue e Onjiva. Da popula\u00e7\u00e3o, 52% era cat\u00f3lica; 12% protestante. [1]   <b>Novas circunscri\u00e7\u00f5es eclesi\u00e1stica<\/b> Em 1 de Junho de 1963 foi criada a Diocese de Luso, sendo nomeado para Bispo D. Francisco Esteves Dias, da Ordem Beneditina. A 14 de Mar\u00e7o de 1967 foi criada a Diocese de Carmona e S. Salvador, \u00e0 frente da qual foi colocada o Capuchinho D. Francisco da Mata Mourisca. Os Portugueses conseguiram controlar a guerrilha, confinando-a aos distritos de Cabinda, Zaire, Uije e Moxico. Com o aparecimento de estradas asfaltadas, a evangeliza\u00e7\u00e3o tornou-se mais f\u00e1cil. Nas zonas de guerra a luta \u00e9 feroz, s\u00e3o frequentes as opera\u00e7\u00f5es de limpeza, como a Opera\u00e7\u00e3o Robusta que despovoou Kikulungo, e o assassinato de 220 angolanos no Ana (Camabatela)no dia 7 de Abril de 1971.   <b>Novas Dioceses e novos Bispos<\/b> A 11 de Agosto de 1975 foram criadas as Dioceses de: Novo Redondo (Sumbe) Henrique de Carvalho (Saurimo) Serpa Pinto (Menongue) Pereira d&#8217;E\u00e7a (Ondjiva). Ao som de metralhadoras, eram ordenados bispos: Padre Alexandre do Nascimento, Bispo de Malanje, Padre Francisco Viti, Bispo de Serpa Pinto, C\u00f3nego Manuel Franklin da Costa, Bispo de Henrique de Carvalho, Padre Oscar Lopes Fernandes Braga, Bispo de Benguela, Padre Paulino do Livramento \u00c9vora, Bispo de Carbo Verde. D.Eduardo Andr\u00e9 Muaca foi tranferido de Malanje para Luanda; D.Zacarias Kamwenho, de Luanda para Novo Redondo. Os padres diocesanos portugueses partiram quase todos para Portugal. Os Religiosos e Irm\u00e3s, uns&#8217; partiram e regressaram, outros mudaram de campo de ac\u00e7\u00e3o. A maioria dos Organismos Cat\u00f3licos, (Cursos de Cristandade, por exemplo) desapareceram. Os servi\u00e7os das c\u00farias diocesanas estavam desorganizados. Os semin\u00e1rios estavam vazios. Um ou outro noviciado feminino abandonado. V\u00e1rias dioceses tinham o clero reduzido a 3 ou 4 unidades. No Saurimo n\u00e3o havia padre algum. Foram as Irm\u00e3s que receberam o Bispo. Esta era a situa\u00e7\u00e3o da Igreja no 11 de Novembro de 1975. Praticamente foi necess\u00e1rio recome\u00e7ar.   <b>Reestrutura\u00e7\u00e3o da Igreja em Angola<\/b>   Em 2 de Mar\u00e7o de 1977 a Santa S\u00e9, por proposta da Delega\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica de Angola, fez uma reestrutura\u00e7\u00e3o da Igreja em Angola. Criaram-se mais duas Prov\u00edncias Eclesi\u00e1sticas com sede no Huambo e Lubango. Nomearam-se mais Bispos e transferiram-se outros. Chamaram-se novos mission\u00e1rios. Vieram, sobretudo, da Am\u00e9rica Latina. O trabalho mission\u00e1rio retomou o seu antigo ritmo. A Igreja desenvolveu-se. Aumenta o n\u00famero de crian\u00e7as da catequese. As jovens descobrem o valor da vida consagrada. O n\u00famero de seminaristas maiores duplicou. Nascem Congrega\u00e7\u00f5es Religiosas Femininas de origem angolana. Os noviciados femininos passam de 5 para 25. Apesar da guerra, a Igreja cresce e desenvolve-se [2].  NOTAS: [1] Cfr. e., a. muaca, Breve Hist\u00f3ria da Evangeliza\u00e7\u00e3o de Angola 1491-1991;Biblioteca Evangeliza\u00e7\u00e3o e Culturas, Cucuj\u00e3es, 1991; id., Hist\u00f3ria sobre a Evangeliza\u00e7\u00e3o de Angola 1491-1991, Luanda, Oficinas Gr\u00e1ficas S\u00e3o Jos\u00e9-CEAST- 1990; m. n. Gabriel, Angola Cinco s\u00e9culos de Cristianismo, Braga, LITERAL, 1978. [2]Cfr. e., a. muaca, Breve Hist\u00f3ria da Evangeliza\u00e7\u00e3o de Angola 1491-1991;Biblioteca Evangeliza\u00e7\u00f5o e Culturas, Cucuj\u00e3es, 1991; id., Hist\u00f3ria sobre a Evangeliza\u00e7\u00e3o de Angola 1491-1991, Luanda, Oficinas Gr\u00e1ficas S\u00e3o Jos\u00e9-CEAST- 1990. <i>Confer\u00eancia Episcopal de Angola e S\u00e3o Tom\u00e9: <a href= http:\/\/www.ceastangola.org\/bento-xvi-seja-bem-vindo-a-angola\/angola-500-anos-de-evangelizacao\/traCos-gerais-da-histOria-da-evangelizaCAo-em-angola-\/traCos-gerais-da-histOria-da-evangelizaCAo-em-angola-_2_257_137_0.html target=\"_blank\"><b>CEAST<\/b><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os 500 anos do in\u00edcio da evangeliza\u00e7\u00e3o de Angola, no antigo Reino do Congo (1491), s\u00e3o o motivo que levam Bento XVI a este pa\u00eds lus\u00f3fono pela primeira vez. Uma ocasi\u00e3o para recordar que o Cristianismo chega a Angola atrav\u00e9s dos Portugueses. 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