{"id":37342,"date":"2009-03-04T17:27:36","date_gmt":"2009-03-04T17:27:36","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/03\/04\/papa-pode-ajudar-na-paz-social-em-angola\/"},"modified":"2009-03-04T17:27:36","modified_gmt":"2009-03-04T17:27:36","slug":"papa-pode-ajudar-na-paz-social-em-angola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/papa-pode-ajudar-na-paz-social-em-angola\/","title":{"rendered":"Papa pode ajudar na paz social em Angola"},"content":{"rendered":"<p>Entrevista a D. Joaquim Ferreira Lopes, Bispo portugu\u00eas que lidera a Diocese angolana de Viana   <!--more--> \u00c0 espera do Papa, a Ecclesia foi ao encontro de D. Joaquim Ferreira Lopes, Bispo portugu\u00eas que lidera a Diocese de Viana, constitu\u00edda em 2007 a partir de nove par\u00f3quias que faziam parte da Arquidiocese de Luanda.  Este respons\u00e1vel conhece bem a realidade do pa\u00eds: j\u00e1 passou pela capital angolana, onde foi vig\u00e1rio-geral, pela direc\u00e7\u00e3o nacional das Obras Mission\u00e1rias Pontif\u00edcias angolanas e, a 9 de Novembro de 2001, foi nomeado Bispo da Diocese do Dundo, por Jo\u00e3o Paulo II, tendo recebido a sagra\u00e7\u00e3o episcopal a 3 de Fevereiro de 2002, das m\u00e3os de D. Francisco de Mata Mourisca. Em Julho de 2007, tomou possa da Diocese de Viana.  <i>Ecclesia(E) \u2013 De que forma se est\u00e1 Angola a preparar para receber Bento XVI? D. Joaquim Lopes(JL) \u2013 <\/i> Desde que foi anunciada a visita papal, no passado m\u00eas de Outubro, todo o pa\u00eds se come\u00e7ou a mexer para receber o Papa. Creio que o an\u00fancio e a concretiza\u00e7\u00e3o da mesma n\u00e3o foram mediados por um espa\u00e7o suficientemente longo. Pelo tipo de visita que \u00e9, v\u00ea-se que h\u00e1 um grande peso organizativo e temos reconhecido que o tempo \u00e9 pouco.  <i>E \u2013 Foi uma surpresa receber o an\u00fancio do Papa? JL \u2013 <\/i> O episcopado j\u00e1 estava \u00e0 espera de uma resposta positiva. Eu, por acaso, em encontro privado com o Papa dei-me conta de que, de facto, a resposta \u00e0 proposta feita no final de uma reuni\u00e3o dos Bispos de Angola j\u00e1 estava concretizada, como se verificou dias depois. Para o povo, em geral, a surpresa foi grande, bem como o resto do mundo.  <i>E  &#8211; Para qu\u00ea ir a Angola? JL \u2013 <\/i> Na realidade, a grande celebra\u00e7\u00e3o dos cinco s\u00e9culos de evangeliza\u00e7\u00e3o foi feita em 1992, na presen\u00e7a de Jo\u00e3o Paulo II. O actual Papa vai aos Camar\u00f5es entregar o instrumento de trabalho para o pr\u00f3ximo S\u00ednodo de Outubro e era natural que outra na\u00e7\u00e3o pudesse ser visitada. A nossa Nunciatura em Angola aproveitou, certamente, esta desloca\u00e7\u00e3o do Santo Padre e, atempadamente, ter\u00e1 feito o pedido. Na \u00c1frica austral, Angola ocupa um lugar hist\u00f3rico privilegiado, j\u00e1 que a Igreja come\u00e7ou a\u00ed nos finais do s\u00e9culo XV, e toda a epopeia da Igreja a Sul do Equador passa por l\u00e1, como um sinal que nenhuma outra na\u00e7\u00e3o tem, ningu\u00e9m pode tirar a Angola essa primazia.  <i>E \u2013 H\u00e1 leituras pol\u00edticas nesta viagem? JL \u2013 <\/i> \u00c9 natural que haja essas leituras e que os pol\u00edticos procurem tirar dividendos dessa visita, sobretudo em ano de elei\u00e7\u00f5es presidenciais, mas temos insistido na necessidade de informar bem que esta visita papal \u00e9 feita essencialmente numa dimens\u00e3o essencialmente eclesial. Claro que o Papa \u00e9 Chefe de Estado, do Vaticano, mas n\u00f3s temos privilegiado a dimens\u00e3o pastoral, ele vem para visitar o Povo de Deus, como um pastor que visita o seu rebanho, h\u00e1 apenas sete anos num clima de paz total, para dar um pouco mais de elan para que as comunidades crist\u00e3s adquiram for\u00e7a e coragem, para que Angola n\u00e3o s\u00f3 mantenha e incremente o clima de paz, mas tamb\u00e9m que o desenvolvimento e progresso se desenvolvam nesta linha, sabendo que a Igreja tem um papel preponderante neste pa\u00eds.  <i>E \u2013 Qual \u00e9 a participa\u00e7\u00e3o do Estado na recep\u00e7\u00e3o ao Papa? JL \u2013 <\/i> O governo angolano est\u00e1 a colaborar de uma forma superlativa e tem posto \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da Igreja \u2013 como fez antes com Jo\u00e3o Paulo II &#8211;  todos os meios para que a visita se salde por um sucesso total. A maioria dos governantes angolanos s\u00e3o cat\u00f3licos e n\u00e3o t\u00eam recusado nenhuma colabora\u00e7\u00e3o, pelo contr\u00e1rio. \u00c9 natural que nestes acontecimentos surja uma pitada de interesses, de que n\u00e3o estamos isentos, mas n\u00e3o \u00e9 isso que est\u00e1 a ser posto em grande destaque.  <i>E \u2013 H\u00e1 seguran\u00e7a em Angola para receber o Papa? JL \u2013 <\/i> Esse \u00e9 um problema s\u00e9rio, porque estas visitas s\u00e3o realizadas e preparadas ao mil\u00edmetro, num trabalho conjunto entre o pa\u00eds que recebe o Papa e o Vaticano. Se \u00e9 s\u00e9rio em qualquer parte do mundo, mais ser\u00e1 no chamado Terceiro Mundo, sobretudo numa capital como Luanda, com cerca de cinco milh\u00f5es de habitantes, uma cidade antiga. J\u00e1 houve mudan\u00e7as no programa do Santo Padre, exactamente porque alguns locais n\u00e3o inspiravam total seguran\u00e7a e eu estou convencido de que tudo vai correr bem, porque a capacidade dos angolanos, neste \u00e2mbito, \u00e9 muito grande.  <i>E \u2013 Que esfor\u00e7os se est\u00e3o a fazer para custear esta visita? JL \u2013 <\/i> Uma visita papal implica gastos fora do comum, creio que haver\u00e1 apoio da parte governamental e todos os crist\u00e3os est\u00e3o empenhados em contribuir, \u00e0 sua maneira, sob este ponto de vista econ\u00f3mico.  <i>E \u2013 Mas \u00e9 um investimento com saldo positivo? JL \u2013 <\/i> O saldo de uma visita papal, a n\u00edvel dos crist\u00e3os e da popula\u00e7\u00e3o em geral, do ambiente sociopol\u00edtico, \u00e9 de tal ordem grande que justifica estes gastos, desde que n\u00e3o sejam feitos de forma exagerada num pa\u00eds que, apesar de potencialmente rico, \u00e9 carente em v\u00e1rios aspectos. Acho que vale a pena gastar este dinheiro, nunca o lamentaremos, porque bem que vai sair desta visita papal \u00e9 extraordin\u00e1rio e ter\u00e1 efeitos nesta pacifica\u00e7\u00e3o dos esp\u00edritos, que o que mais desejamos em Angola depois da assinatura da paz. Paz pol\u00edtica \u00e9 uma coisa, agora a social, pessoal, dos cora\u00e7\u00f5es \u00e9 necess\u00e1rios fortalec\u00ea-la.  <i>E \u2013 Depois da paz, como vivem as popula\u00e7\u00f5es? JL \u2013<\/i>  Nos sete anos que passei no Dundo, na Angola profunda, a 1700 quil\u00f3metros de Luanda, sai de carro v\u00e1rias vezes para regi\u00f5es a muitos quil\u00f3metros de dist\u00e2ncia e nunca vi uma arma no caminho, em paz absoluta. A paz \u00e9 real, efectiva. A destrui\u00e7\u00e3o das estruturas do interior, contudo, obrigou as novas gera\u00e7\u00f5es a procurar um furo para a sua vida e h\u00e1 um \u00eaxodo para as grandes cidades, como Luanda e Viana. O isolamento do interior leva a que as pessoas olhem, \u00e0 primeira vista, como uma salva\u00e7\u00e3o o ir para a cidade. Isto leva a um crescimento an\u00e1rquico das cidades, Viana, por exemplo, rebenta pelas costuras, com quase dois milh\u00f5es de pessoas. Compete agora ao governo melhorar as liga\u00e7\u00f5es, por estradas, para que se possa circular, escoar a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, porque isto est\u00e1 a condicionar o regresso das pessoas para as suas aldeias de origem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista a D. 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