{"id":37309,"date":"2009-03-03T15:32:18","date_gmt":"2009-03-03T15:32:18","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/03\/03\/mensagem-para-o-dia-caritas\/"},"modified":"2009-03-03T15:32:18","modified_gmt":"2009-03-03T15:32:18","slug":"mensagem-para-o-dia-caritas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-para-o-dia-caritas\/","title":{"rendered":"Mensagem para o Dia C\u00e1ritas"},"content":{"rendered":"<p>\u201cSe n\u00e3o tiver caridade nada sou\u201d (1 Cor 13, 2) <!--more--> Sem caridade n\u00e3o existimos como crist\u00e3os, afirma s\u00e3o Paulo com a for\u00e7a apost\u00f3lica do seu testemunho. De facto, ainda que possuidores do dom da profecia, detentores de ci\u00eancia, com f\u00e9 capaz de transportar montanhas ou generosidade motivadora da oferta dos bens aos pobres, sem caridade nada somos. Comecemos por olhar a presente realidade, com esta identidade que nos marca, em ordem a lan\u00e7ar sobre as situa\u00e7\u00f5es \u00e0 luz do Evangelho e a encontrar vias operativas que hoje sirvam a verdadeira caridade.  1. O agudizar de problemas sociais decorrentes da crise financeira e econ\u00f3mica e resultantes de op\u00e7\u00f5es pol\u00edticas erradas, algumas persistentes h\u00e1 d\u00e9cadas, exige uma leitura atenta, cuidadosa e profunda da realidade. Agravam-se as situa\u00e7\u00f5es de pobreza e de precariedade do emprego, desaparecem oportunidades de emprego e cresce o desemprego com despedimentos massivos, seja por falta de viabilidade econ\u00f3mica das empresas, seja por oportunismo lesivo dos trabalhadores. Aumentam as desigualdades, gera-se exclus\u00e3o social, paira o risco de uma implos\u00e3o social, com perda da paz e levanta-se um acicate para movimentos de restri\u00e7\u00e3o do regime democr\u00e1tico&#8230; O conhecimento dessa realidade \u00e9 d\u00e9bil nos meros dados estat\u00edsticos, mas ganha cor e forma gra\u00e7as aos contactos personalizados e solid\u00e1rios vividos por cada crist\u00e3o e por cada par\u00f3quia, dificilmente recolhidos a n\u00edvel diocesano e a n\u00edvel nacional. A C\u00e1ritas vem desenvolvendo em todo o territ\u00f3rio nacional, n\u00e3o obstante variar o peso da presen\u00e7a de diocese para diocese, um servi\u00e7o de sensibiliza\u00e7\u00e3o para os reais problemas sociais, quer atrav\u00e9s de campanhas motivadas por situa\u00e7\u00f5es urgentes, quer atrav\u00e9s de manuten\u00e7\u00e3o de equipamentos sociais, ou ainda atrav\u00e9s de ofertas de forma\u00e7\u00e3o para agentes de pastoral social. As circunst\u00e2ncias evidenciam as vantagens de uma implanta\u00e7\u00e3o paroquial, inserida ou animando grupos de ac\u00e7\u00e3o social paroquiais. O trabalho de anima\u00e7\u00e3o local apela para as responsabilidades sociais dos crist\u00e3os e das comunidades crist\u00e3s, conduz \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o de propostas que possam chegar aos centros de decis\u00e3o pol\u00edtica e permitir a solu\u00e7\u00e3o concreta dos problemas, sem muitas media\u00e7\u00f5es perturbadoras da agilidade das respostas.  2. O vigor criativo da caridade assume, neste contexto, uma dimens\u00e3o social como marca distintiva dos crist\u00e3os, capaz de afastar qualquer conceito desvirtuado de redu\u00e7\u00e3o assistencial ou de comisera\u00e7\u00e3o sentimental. Ao escolher, em pleno Ano Paulino, o lema \u201cSe n\u00e3o tiver caridade nada sou\u201d evidencia-se a dimens\u00e3o integral e existencial da virtude. N\u00f3s somos o amor que nos rodeia e nos faz ser o que somos. E somos o amor que exercemos na rela\u00e7\u00e3o com os outros. Sem caridade n\u00e3o somos nada como pessoas. O que d\u00e1 valor, o que \u00e9 caro \u00e0 vida humana s\u00e3o os la\u00e7os dos que nos s\u00e3o caros e para quem n\u00f3s somos caros. Quando universalizamos os gestos de caridade e nos desprendemos da reciprocidade atrevemo-nos a ser em Deus, sumo bem, m\u00e1xima bondade que a todos quer salvar, j\u00e1, na dignidade de filhos. Ter caridade: \u00e9 atender \u00e0 amplitude dos problemas com suas incid\u00eancias pol\u00edticas, sindicais, empresariais e associativas, \u00e9 participar em processos de desenvolvimento que permitam a cada ser humano ser amado. Torna-se, no tempo actual, mais evidente a urg\u00eancia de coordena\u00e7\u00e3o da ac\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-caritativa das diversas organiza\u00e7\u00f5es e institui\u00e7\u00f5es. A C\u00e1ritas tem aptid\u00e3o para servir esta fundamental sinergia.  A C\u00e1ritas \u00e9 chamada a ser express\u00e3o estrutural da Igreja, forma organizada, operativa e din\u00e2mica do modo crist\u00e3o de viver, junto dos mais pobres e exclu\u00eddos da sociedade. Em cada diocese, em comunh\u00e3o com o Bispo, a C\u00e1ritas \u00e9 \u00f3rg\u00e3o integrador e dinamizador da pastoral s\u00f3cio-caritativa. Atrav\u00e9s da Caritas, o Bispo pode promover e garantir a aten\u00e7\u00e3o da sua Igreja particular aos irm\u00e3os mais necessitados.   3. No seguimento desta vis\u00e3o crist\u00e3, podem apontar-se como linhas de ac\u00e7\u00e3o para a C\u00e1ritas:  &#8211; viver a ac\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-caritativa como parte essencial da ac\u00e7\u00e3o evangelizadora e celebrativa da f\u00e9, colaborando na consciencializa\u00e7\u00e3o de todos os membros da comunidade para uma coer\u00eancia evang\u00e9lica; &#8211; apoiar e acompanhar grupos paroquiais de ac\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-caritativa; &#8211; exercer o amor pelos pobres unido ao compromisso com a implanta\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a e a transforma\u00e7\u00e3o libertadora dos males da sociedade, promovendo forma\u00e7\u00e3o competente, discernimento das causas reinantes e interpela\u00e7\u00e3o das consci\u00eancias; &#8211; atender \u00e0 fraternidade universal, rosto crist\u00e3o da vida global, conjugada com a prontid\u00e3o de real partilha de proximidade; &#8211; promover o esp\u00edrito de gratuidade e voluntariado, facilitando o crescimento espiritual, o trabalho em equipa e a eficaz coordena\u00e7\u00e3o dos meios e recursos; &#8211; encontrar solu\u00e7\u00f5es inovadoras para os problemas verificados pelo N\u00facleo de Observa\u00e7\u00e3o Social (NOS). A Caritas est\u00e1 dispon\u00edvel para apoiar a cria\u00e7\u00e3o e funcionamento de grupos de ac\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-caritativos, representativos das diversas zonas da par\u00f3quia, que tenham como objectivos conhecer os problemas sociais a partir das rela\u00e7\u00f5es de proximidade e intentar as respectivas solu\u00e7\u00f5es. Procurem os membros dos grupos recorrer \u00e0 forma\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel, ser ass\u00edduos \u00e0s ajudas em ordem a uma espiritualidade crist\u00e3 na qual a dimens\u00e3o social obrigatoriamente se inclui. Al\u00e9m do conhecimento objectivo da realidade e do tratamento dos dados, prestam as ajudas poss\u00edveis e exercem a media\u00e7\u00e3o junto de entidades que possam contribuir para as solu\u00e7\u00f5es. \u00c9 fundamental, para o exerc\u00edcio de uma caridade evang\u00e9lica, contribuir para a consci\u00eancia eclesial dos problemas sociais, a n\u00edvel diocesano e nacional, promover reflex\u00f5es sobre os dados recolhidos, chamar a aten\u00e7\u00e3o para problemas por solucionar, criar propostas e exercer influ\u00eancia para conseguir as respostas necess\u00e1rias.  Conclus\u00e3o Para que a necessidade imperativa de S\u00e3o Paulo, relativamente \u00e0 caridade, seja vivida pelas comunidades crist\u00e3s muito contamos com a Caritas, nos diversos n\u00edveis da sua presen\u00e7a. A responsabilidade social dos crist\u00e3os e das comunidades paroquiais requer novo vigor, en\u00e9rgica agilidade, ternura eficaz, generosa partilha. A C\u00e1ritas encontre o modo para, em cada contexto, dar passos firmes no cumprimento da sua miss\u00e3o.  Lisboa, 3 de Mar\u00e7o de 2009 <i>Carlos A. Moreira Azevedo, Presidente da Comiss\u00e3o Episcopal de Pastoral Social<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cSe n\u00e3o tiver caridade nada sou\u201d (1 Cor 13, 2)<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[113,125,199,282,329],"class_list":["post-37309","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-ano-paulino","tag-caritas","tag-espiritualidade","tag-pastoral-social","tag-voluntariado"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37309","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37309"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37309\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37309"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37309"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37309"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}