{"id":37288,"date":"2009-03-03T10:59:06","date_gmt":"2009-03-03T10:59:06","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/03\/03\/a-quaresma-voltarmo-nos-para-deus\/"},"modified":"2009-03-03T10:59:06","modified_gmt":"2009-03-03T10:59:06","slug":"a-quaresma-voltarmo-nos-para-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-quaresma-voltarmo-nos-para-deus\/","title":{"rendered":"\u00abA Quaresma: voltarmo-nos para Deus\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>Medita\u00e7\u00e3o do irm\u00e3o Alois, prior de Taiz\u00e9 <!--more--> A Quaresma orienta o nosso pensamento, em primeiro lugar, para a imagem do deserto, aquele onde Jesus viveu quarenta dias de solid\u00e3o ou aquele que o povo de Deus atravessou, caminhando durante quarenta anos. E, no entanto, quando chegavam estas semanas que precedem a P\u00e1scoa, o irm\u00e3o Roger gostava de lembrar que esse n\u00e3o era um tempo de austeridade ou de tristeza, nem um per\u00edodo para alimentar a culpabilidade, mas sim um momento para cantar a alegria do perd\u00e3o. Ele via a Quaresma como quarenta dias para nos prepararmos para redescobrir pequenas primaveras nas nossas vidas. No in\u00edcio do Evangelho de S\u00e3o Mateus, quando Jo\u00e3o Baptista proclama \u00abarrependei-vos!\u00bb, ele quer dizer \u00abvoltai-vos para Deus!\u00bb Sim, durante a Quaresma, gostar\u00edamos de voltar-nos para Deus para acolher o seu perd\u00e3o. Cristo venceu o mal, e o seu perd\u00e3o constante permite-nos renovar uma vida interior. \u00c9 a uma convers\u00e3o que somos chamados: n\u00e3o a voltarmo-nos para n\u00f3s pr\u00f3prios numa introspec\u00e7\u00e3o ou num perfeccionismo individual, mas a procurar uma comunh\u00e3o com Deus e tamb\u00e9m uma comunh\u00e3o com os outros. Voltarmo-nos para Deus! \u00c9 verdade que, no mundo ocidental, tornou-se dif\u00edcil, para algumas pessoas, acreditar em Deus. Elas v\u00eaem a exist\u00eancia de Deus como um limite \u00e0 sua liberdade. Pensam que devem lutar sozinhas para construir a sua vida. Parece-lhes inconceb\u00edvel que Deus os acompanhe. No ano passado, fui visitar os nossos irm\u00e3os que vivem na Coreia h\u00e1 trinta anos. Durante o caminho, acompanhado por outro irm\u00e3o, estive em encontros de jovens em v\u00e1rios pa\u00edses asi\u00e1ticos. O que me marcou na \u00c1sia foi o facto de a ora\u00e7\u00e3o parecer natural. Nas diferentes religi\u00f5es, as pessoas t\u00eam espontaneamente na ora\u00e7\u00e3o uma atitude de respeito, ou mesmo de adora\u00e7\u00e3o. Certamente, nestas sociedades n\u00e3o h\u00e1 menos tens\u00f5es ou viol\u00eancias do que no Ocidente. Mas um sentido de interioridade \u00e9 talvez mais acess\u00edvel, um respeito perante o milagre da vida, pela cria\u00e7\u00e3o, uma aten\u00e7\u00e3o ao mist\u00e9rio, a algo que vai para al\u00e9m do que podemos ver. Como renovar uma vida interior descobrindo e voltando sempre de novo a descobrir uma rela\u00e7\u00e3o pessoal com Deus? H\u00e1 em todos n\u00f3s uma sede de infinito. Deus criou-nos com este desejo de um absoluto. Deixemos viver em n\u00f3s esta aspira\u00e7\u00e3o! Entre os c\u00e2nticos de Taiz\u00e9, um deles expressa esta espera. A letra \u00e9 de um poeta espanhol, Luis Rosales, inspirado por S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz: \u00abDe noite iremos e, para encontrar a fonte, s\u00f3 a sede nos ilumina.\u00bb Para algumas pessoas, o tempo da Quaresma \u00e9 tempo de jejum. N\u00e3o que a ascese tenha um valor por si pr\u00f3pria, mas h\u00e1 em cada pessoa uma espera mais profunda do que as esperas superficiais, uma sede mais essencial. E essa sede pode iluminar o nosso caminho. Se, por vezes, caminhamos de noite ou se atravessamos como que um deserto, n\u00e3o \u00e9 para seguirmos um ideal. Seguimos uma pessoa: Cristo. N\u00e3o estamos sozinhos, ele vai \u00e0 nossa frente. Segui-lo implica um combate interior, com decis\u00f5es a tomar, com fidelidades de toda uma vida. Neste combate, n\u00e3o nos apoiamos sobre as nossas pr\u00f3prias for\u00e7as, mas abandonamo-nos \u00e0 sua presen\u00e7a. O caminho n\u00e3o est\u00e1 tra\u00e7ado de antem\u00e3o, implica tamb\u00e9m acolher surpresas, criar com o inesperado. Deus n\u00e3o se cansa de retomar o caminho connosco. Podemos acreditar que uma comunh\u00e3o com ele \u00e9 poss\u00edvel e assim nunca nos cansamos de, tamb\u00e9m n\u00f3s, retomar sempre de novo o combate. N\u00e3o perseveramos para nos apresentarmos diante de Deus com o nosso melhor aspecto. N\u00e3o, aceitamos avan\u00e7ar como pobres do Evangelho, que se confiam \u00e0 miseric\u00f3rdia de Deus. A Quaresma \u00e9 um tempo que nos convida \u00e0 partilha. Leva-nos a pressentir que n\u00e3o nos sentiremos realizados se n\u00e3o consentirmos a ren\u00fancias. Ren\u00fancias feitas por amor. Quando, noutra ocasi\u00e3o, Jesus se encontrava no deserto, cheio de compaix\u00e3o por aqueles que o tinham seguido, multiplica cinco p\u00e3es e dois peixes para alimentar cada pessoa. Que sinais de partilha podemos n\u00f3s realizar? O Evangelho valoriza a simplicidade de vida. Chama-nos a dominar os nossos pr\u00f3prios desejos para nos conseguirmos limitar, n\u00e3o por constrangimento mas por escolha. Este apelo \u00e9 hoje muito actual, n\u00e3o somente em termos pessoais, mas na vida das nossas sociedades. A simplicidade escolhida livremente permite que os mais favorecidos resistam \u00e0 corrida ao sup\u00e9rfluo e contribui \u00e0 luta contra a pobreza imposta aos mais deserdados. Durante este tempo da Quaresma, ousemos rever o nosso estilo de vida. N\u00e3o para dar m\u00e1 consci\u00eancia \u00e0queles que n\u00e3o o fazem, mas com o prop\u00f3sito de sermos solid\u00e1rios com os mais desamparados. O Evangelho incentiva-nos a partilhar livremente, dispondo das coisas com beleza simples da cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Medita\u00e7\u00e3o do irm\u00e3o Alois, prior de Taiz\u00e9<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[275,91,315],"class_list":["post-37288","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-pascoa","tag-quaresma","tag-taize"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37288","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37288"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37288\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37288"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37288"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37288"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}