{"id":37247,"date":"2009-03-02T10:02:47","date_gmt":"2009-03-02T10:02:47","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/03\/02\/catequese-do-1o-domingo-da-quaresma-de-d-jose-policarpo\/"},"modified":"2009-03-02T10:02:47","modified_gmt":"2009-03-02T10:02:47","slug":"catequese-do-1o-domingo-da-quaresma-de-d-jose-policarpo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/catequese-do-1o-domingo-da-quaresma-de-d-jose-policarpo\/","title":{"rendered":"Catequese do 1\u00ba Domingo da Quaresma de D. Jos\u00e9 Policarpo"},"content":{"rendered":"<p>\u00abO poder criador da Palavra: as obras da Palavra\u00bb <!--more--> S\u00e9 Patriarcal, 1 de Mar\u00e7o de 2009  Introdu\u00e7\u00e3o 1. Na Quaresma do ano passado, est\u00e1vamos no per\u00edodo de prepara\u00e7\u00e3o do S\u00ednodo dos Bispos sobre a \u201cPalavra de Deus na vida e na miss\u00e3o da Igreja\u201d. As Catequeses Quaresmais sobre o mist\u00e9rio da Palavra revelada inseriram-se nessa prepara\u00e7\u00e3o. O S\u00ednodo realizou-se, e o seu eco chegou at\u00e9 n\u00f3s atrav\u00e9s de uma bel\u00edssima Mensagem dirigida pelos Padres Sinodais a todo o Povo de Deus. As pr\u00f3prias propostas feitas pelo S\u00ednodo ao Santo Padre, em ordem \u00e0 redac\u00e7\u00e3o da Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica, foram tornadas p\u00fablicas, al\u00e9m de outros elementos, como as homilias do Santo Padre e outras interven\u00e7\u00f5es particularmente significativas, dispon\u00edveis nos meios de informa\u00e7\u00e3o da Santa S\u00e9. Temos, assim, elementos suficientes para continuar a aprofundar o tema, dada a import\u00e2ncia decisiva da Palavra de Deus na vida e na miss\u00e3o da Igreja. E essa \u00e9 a primeira interpela\u00e7\u00e3o que o S\u00ednodo nos lan\u00e7a: considerar a Palavra de Deus como elemento importante na nossa convers\u00e3o, na nossa f\u00e9, na nossa fidelidade expressa na vida, na miss\u00e3o da Igreja na sociedade contempor\u00e2nea, com particular relev\u00e2ncia para o sentido novo de todas as coisas, e especial incid\u00eancia na exig\u00eancia \u00e9tica da vida de cada um de n\u00f3s e na vida da sociedade como um todo, numa circunst\u00e2ncia particularmente problem\u00e1tica da nossa vida colectiva. Na tradi\u00e7\u00e3o b\u00edblica, tanto do Antigo como do Novo Testamento, a Palavra de Deus aparece ligada a tr\u00eas dimens\u00f5es da vida crist\u00e3 e, no fundo, da vida de todos os homens: antes de mais ela \u00e9 uma Palavra de revela\u00e7\u00e3o. Nela, Deus fala-nos e revela-Se; como Palavra, ela dirige-se \u00e0 nossa intelig\u00eancia e permite-nos conhecer Quem Deus \u00e9 e os des\u00edgnios de vida que tem para n\u00f3s. Depois, a Palavra manifestou-se como for\u00e7a criadora, eficaz, com poder de realizar aquilo que anuncia: \u201cV\u00f3s sabereis que Eu, Yahw\u00e9, disse e fiz\u201d (Ez. 17,14); e finalmente a Palavra de Deus \u00e9 promessa, anuncia o que Deus far\u00e1 pelo Seu Povo, at\u00e9 \u00e0 plenitude escatol\u00f3gica. E porque a Palavra de Deus \u00e9 eficaz, realiza aquilo que anuncia, a palavra da promessa torna-se o fundamento objectivo da esperan\u00e7a. Este ano, no intervalo entre o S\u00ednodo e a publica\u00e7\u00e3o, pelo Santo Padre, da Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica que esperamos, tendo em conta os desafios de autenticidade crist\u00e3 que se apresentam \u00e0 Igreja nesta sociedade complexa, em que vivemos, escolhi como fio condutor das Catequeses desta Quaresma o segundo aspecto, isto \u00e9, o poder criador da Palavra, que tem de ser compreendida no contexto mais vasto da efic\u00e1cia sacramental da Igreja. Teremos de nos perguntar porque \u00e9 que a Palavra de Deus, que t\u00e3o abundantemente escutamos, n\u00e3o \u00e9 eficaz, produzindo em n\u00f3s, na Igreja a que pertencemos, a mensagem que anuncia. Porque \u00e9 que a Palavra n\u00e3o nos mobiliza para um ideal de humanidade, carregado de grandeza \u00e9tica, que al\u00e9m de ser fermento para toda a sociedade, seria o nosso caminho de santidade.  <b>A Palavra criadora e salvadora<\/b> 2. O judeo-cristianismo, na sua compreens\u00e3o do homem e da hist\u00f3ria, \u00e9 atravessado por uma convic\u00e7\u00e3o firme e basilar: Deus, pela Sua Palavra, age, interv\u00e9m, cria e salva. A Sua Palavra est\u00e1 na g\u00e9nese de toda a realidade, da cria\u00e7\u00e3o e da hist\u00f3ria. No pensamento b\u00edblico, a cria\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma emana\u00e7\u00e3o do divino, perspectiva presente em todos os pante\u00edsmos. Mas \u00e9 obra de Deus, atrav\u00e9s da Sua Palavra criadora. A cria\u00e7\u00e3o \u00e9 fruto de um pensamento, de um des\u00edgnio divino, que Deus realiza atrav\u00e9s da Palavra: Deus diz e as coisas acontecem; basta Deus dizer, para elas acontecerem. Ao contr\u00e1rio das cosmogonias antigas, a B\u00edblia explica a cria\u00e7\u00e3o do mundo e do homem como fruto eficaz da Palavra pronunciada por Deus. \u201cDeus disse e fez-se\u201d (Ps. 33,6-9). A Palavra criadora \u00e9 a fonte da inteligibilidade da cria\u00e7\u00e3o, porque tudo \u00e9 fruto da Palavra e esta \u00e9 intelig\u00edvel, \u00e9 reveladora dum sentido, manifesta o des\u00edgnio que presidiu \u00e0 cria\u00e7\u00e3o. O pr\u00f3prio homem, enriquecido com o dinamismo da evolu\u00e7\u00e3o progressiva, \u00e9 fruto de uma Palavra de Deus: \u201cFa\u00e7amos o homem \u00e0 nossa Imagem!&#8230;\u201d (Gen. 1,26). Criado \u00e0 imagem de Deus, o homem \u00e9 um ser livre, com possibilidade de intervir na sua vida e no seu destino. A partir do acto criador, a exist\u00eancia do homem sobre a terra transforma-se em hist\u00f3ria. Deus continua a ter um des\u00edgnio para essa hist\u00f3ria, a Sua Palavra interv\u00e9m na hist\u00f3ria, \u00e9, desde o in\u00edcio, uma palavra de salva\u00e7\u00e3o, mas a efic\u00e1cia criadora dessa Palavra pode encontrar a barreira na liberdade humana. Como diz a Mensagem dos Padres Sinodais, \u201cA Palavra divina tamb\u00e9m est\u00e1 na raiz da hist\u00f3ria humana. O homem e a mulher, que s\u00e3o \u201cimagem e semelhan\u00e7a de Deus\u201d (G\u00e9n. 1,27) e que, por isso, levam em si a marca divina, podem entrar em di\u00e1logo com o seu Criador ou podem afastar-se dele e rejeit\u00e1-lo atrav\u00e9s do pecado. Ent\u00e3o, a Palavra de Deus salva e julga, penetra na trama da hist\u00f3ria, com o seu tecido de vicissitudes e eventos: \u201cObservei a afli\u00e7\u00e3o do meu Povo no Egipto e ouvi o seu grito\u2026 conhe\u00e7o os seus sofrimentos. Desci para o libertar do Egipto e o fazer sair desta terra para uma terra bela e espa\u00e7osa\u2026\u201d (Ex. 3,7-8). H\u00e1, pois, uma presen\u00e7a divina nas vicissitudes humanas que, mediante a ac\u00e7\u00e3o do Senhor na hist\u00f3ria, s\u00e3o inseridas num des\u00edgnio mais alto, para que \u201ctodos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade (1Tim. 2,4)\u201d . Uma das caracter\u00edsticas desta Palavra, que est\u00e1 na origem da cria\u00e7\u00e3o e interv\u00e9m na hist\u00f3ria, \u00e9 a sua efic\u00e1cia. Ela realiza o que anuncia. O \u00fanico obst\u00e1culo que pode encontrar, \u00e9 a liberdade do homem que recusa a Palavra e escolhe outros caminhos. E ent\u00e3o a pr\u00f3pria Palavra p\u00f5e a nu o pecado como recusa da liberdade humana. Na trama da hist\u00f3ria, a efic\u00e1cia da palavra divina sup\u00f5e a f\u00e9 como disponibilidade humilde para aceitar a ac\u00e7\u00e3o salv\u00edfica de Deus. O Profeta Isa\u00edas exprime esta profunda convic\u00e7\u00e3o com rara beleza prof\u00e9tica: \u201cComo a chuva e a neve descem dos c\u00e9us e n\u00e3o voltam para l\u00e1 sem terem regado a terra, a terem fecundado e feito germinar para que d\u00ea a semente ao semeador e o p\u00e3o para alimento, assim a palavra que sai da minha boca n\u00e3o voltar\u00e1 sem resultado, sem ter feito o que Eu queria, e realizado a sua miss\u00e3o\u201d (Is. 55,10-11). Esta Palavra de Deus que desceu \u00e0 terra \u00e9 o Verbo que encarnou, ficou em ac\u00e7\u00e3o na hist\u00f3ria e quando voltar, no fim dos tempos, para inaugurar os \u201cnovos c\u00e9us e a nova terra\u201d, os seus frutos de salva\u00e7\u00e3o ter\u00e3o sido imensos no resgatar da humanidade. No caso de Cristo, a harmonia entre o poder da Sua Palavra e a f\u00e9 s\u00e3o claras. Ao centuri\u00e3o Ele diz: \u201cFa\u00e7a-se segundo a tua f\u00e9. E naquele momento o seu servo ficou curado\u201d (Mt. 8,13). A Palavra de Cristo realiza sempre o que anuncia, mas a sua efic\u00e1cia sup\u00f5e a f\u00e9 de quem recebe o fruto dessa ac\u00e7\u00e3o. Aos miraculados o Senhor diz: foi a tua f\u00e9 que te salvou.  3. Na origem do ser das coisas, a Palavra de Deus \u00e9 o fundamento s\u00f3lido da pr\u00f3pria realidade. O Santo Padre Bento XVI, numa homilia durante o S\u00ednodo, comentando o Salmo 118, diz: \u201cA Palavra de Deus \u00e9 o fundamento de tudo, \u00e9 a verdadeira realidade. E para sermos realistas, temos mesmo que contar com esta realidade; temos que mudar a nossa ideia de que a mat\u00e9ria, as coisas s\u00f3lidas que se podem tocar seriam a realidade mais s\u00f3lida, mais segura. No final do Serm\u00e3o da Montanha, o Senhor fala-nos das duas possibilidades de constru\u00e7\u00e3o da casa da pr\u00f3pria vida: na areia e na rocha. Constr\u00f3i na areia somente quem edifica nas coisas vis\u00edveis e tang\u00edveis, no sucesso, na carreira e no dinheiro. Aparentemente, estas s\u00e3o as verdadeiras realidades. Mas um dia tudo isto passar\u00e1. E assim todas estas coisas, que parecem a verdadeira realidade com a qual contar, s\u00e3o realidades de segunda ordem. Quem constr\u00f3i a pr\u00f3pria vida sobre estas realidades, sobre a mat\u00e9ria, sobre o sucesso e sobre tudo aquilo que se v\u00ea, edifica na areia. Somente a Palavra de Deus \u00e9 fundamento de toda a realidade, \u00e9 est\u00e1vel como o c\u00e9u e mais que o c\u00e9u, \u00e9 a realidade. Portanto, temos que mudar o nosso conceito de realismo. Realista \u00e9 quem reconhece na Palavra de Deus, nesta realidade aparentemente t\u00e3o fr\u00e1gil, o fundamento de tudo. Realista \u00e9 aquele que constr\u00f3i a sua vida precisamente neste fundamento, que permanece. E assim estes primeiros vers\u00edculos do Salmo convidam-nos a descobrir o que \u00e9 a realidade e a encontrar desde modo o fundamento da nossa vida e como construir a vida\u201d .  <b>A Palavra em ac\u00e7\u00e3o na Igreja<\/b> 4. A Igreja \u00e9 o lugar onde a Palavra de Deus continua a agir na hist\u00f3ria. Ela pr\u00f3pria \u00e9 um fruto da Palavra, sobretudo da palavra apost\u00f3lica. Neste Ano Paulino, somos chamados a redescobrir como a palavra do Ap\u00f3stolo gerou Igrejas, introduzindo, assim, uma novidade na sociedade daquele tempo. A palavra apost\u00f3lica prolonga no tempo a for\u00e7a criadora da Palavra de Jesus que proclamou solenemente a perenidade da Sua Palavra: \u201cO C\u00e9u e a Terra passar\u00e3o, mas as minhas palavras n\u00e3o h\u00e3o-de passar\u201d (Mt. 24,35). A palavra apost\u00f3lica afirma-se na Igreja primitiva com esta for\u00e7a, como pot\u00eancia de salva\u00e7\u00e3o. O crescimento da Igreja \u00e9 identificado com a express\u00e3o da Palavra: \u201cE a Palavra do Senhor crescia; o n\u00famero de disc\u00edpulos aumentava em Jerusal\u00e9m e uma multid\u00e3o de sacerdotes obedecia \u00e0 f\u00e9\u201d (Act. 6,7; cf. 12,24). A Igreja primitiva faz a experi\u00eancia de identificar a Palavra em ac\u00e7\u00e3o no crescimento da Igreja. O que a f\u00e9 do Antigo Testamento acreditava acerca do poder da Palavra na cria\u00e7\u00e3o e na hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o \u00e9 agora verdade acerca da Palavra de Jesus, Ele que \u00e9 a Palavra encarnada, continuada na palavra dos Ap\u00f3stolos. Na obra da salva\u00e7\u00e3o e no crescimento da Igreja, a palavra apost\u00f3lica tem a mesma for\u00e7a criadora que teve a Palavra eterna de Deus na cria\u00e7\u00e3o e na hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o. Ali\u00e1s, Jesus tinha prometido aos Ap\u00f3stolos essa efic\u00e1cia salv\u00edfica da sua palavra: \u201cEm verdade vos digo, tudo o que ligardes na Terra, no C\u00e9u ser\u00e1 tido como ligado, e tudo o que desligardes na Terra, no C\u00e9u ser\u00e1 tido como desligado\u201d (Mt. 18,18). A mesma garantia ser\u00e1 dada a Pedro (cf. Mt. 16,19ss). Um dos poderes da palavra dos Ap\u00f3stolos que Deus tomar\u00e1 a s\u00e9rio \u00e9 o poder de perdoar os pecados, algo que s\u00f3 Deus pode fazer: \u201cRecebei o Esp\u00edrito Santo. \u00c0queles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-\u00e3o perdoados; \u00e0queles a quem os retiverdes, ser-lhes-\u00e3o retidos\u201d (Jo. 20,23). O segredo do crescimento da Igreja passa por esta certeza do poder eficaz da Palavra na Igreja. Isso \u00e9 absolutamente claro e seguro na ac\u00e7\u00e3o sacramental da Igreja, pela qual torna actuante a for\u00e7a transformadora da P\u00e1scoa de Jesus. A celebra\u00e7\u00e3o dos sacramentos \u00e9 um caso claro da efic\u00e1cia da palavra da Igreja. Quando a Igreja diz: \u201cIsto \u00e9 o Meu Corpo\u201d, \u201crecebe o Esp\u00edrito Santo\u201d, \u201cos teus pecados s\u00e3o-te perdoados\u201d, a efic\u00e1cia desta palavra \u00e9 garantida pelo Esp\u00edrito Santo e nem sequer depende da santidade do ministro que a pronuncia. Mesmo pronunciada por um pecador, em nome da Igreja, ela realiza aquilo que diz. Mas a efic\u00e1cia da Palavra, pronunciada e anunciada pela Igreja, realiza-se tamb\u00e9m no cora\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os, quando, na obedi\u00eancia da sua f\u00e9, eles deixam que a palavra realize neles o que anuncia. A justi\u00e7a e a santidade s\u00e3o fruto da Palavra. A Igreja, desde o princ\u00edpio, acredita que a Palavra \u00e9 viva e eficaz: \u201cViva \u00e9 a Palavra de Deus, eficaz e mais incisiva que uma espada de dois gumes\u201d (Heb. 4,12). Referindo-se \u00e0 presen\u00e7a dos crist\u00e3os na sociedade, S\u00e3o Paulo diz aos Filipenses: \u201cNo mundo, v\u00f3s brilhais como focos de luz, apresentando-lhe a Palavra de vida\u201d (Fil. 2,15-16). Permitir que a Palavra seja viva, eficaz e criadora na nossa vida, eis o segredo do crescimento e da fidelidade da Igreja. Isso define a f\u00e9 com que se escuta e acolhe a Palavra. N\u00e3o pode ser uma f\u00e9 que seja s\u00f3 aceita\u00e7\u00e3o te\u00f3rica, tem de ser abertura humilde e confiante \u00e0 for\u00e7a da Palavra que nos transformar\u00e1 o cora\u00e7\u00e3o e mudar\u00e1 as nossas vidas.   <b>A F\u00e9 e as Obras<\/b> 5. Uma f\u00e9 que aceita a Palavra, mas que n\u00e3o d\u00e1 origem \u00e0 concretiza\u00e7\u00e3o, nas nossas atitudes, dos frutos de vida e de reden\u00e7\u00e3o que a Palavra anuncia, n\u00e3o \u00e9 a f\u00e9 que nos salva. O Ap\u00f3stolo S\u00e3o Tiago \u00e9 claro a esse respeito, concretizando na caridade o fruto da palavra eficaz: \u201cPara que serve, meus irm\u00e3os, se algu\u00e9m diz \u00abtenho f\u00e9\u00bb, se n\u00e3o tem obras? A f\u00e9 poder\u00e1 salv\u00e1-lo? Se um irm\u00e3o ou irm\u00e3 est\u00e3o nus, se n\u00e3o t\u00eam com que se alimentar e um de entre v\u00f3s lhe diz: ide em paz, aquecei-vos, saciai-vos, sem lhes dar o que necessitam para o seu corpo, de que lhes serve? Acontece o mesmo com a f\u00e9; se n\u00e3o tem as obras, est\u00e1 completamente morta! (Tiag. 2,14-17). Esta situa\u00e7\u00e3o, denunciada pelo Ap\u00f3stolo, pode acontecer hoje: bel\u00edssimos discursos sobre a pobreza, que n\u00e3o levam a nenhuma ac\u00e7\u00e3o em favor dos pobres. O que \u00e9 esta f\u00e9 sem as obras? Pode ser uma ades\u00e3o intelectual \u00e0 Palavra, mas falta-lhe a coragem de exprimir em ac\u00e7\u00f5es o que a Palavra sugere. \u00c9 o caso em que a nossa vontade e a nossa liberdade se tornaram obst\u00e1culo \u00e0 efic\u00e1cia da Palavra. Esta sugere atitudes, exige mudan\u00e7a e generosidade. Acolher a Palavra \u00e9 aceitar a sua exig\u00eancia e empenhar a nossa vontade na realiza\u00e7\u00e3o das ac\u00e7\u00f5es que ela sugere. No seu ensinamento, Jesus alerta para o perigo de acolher a Palavra sem a transformar em atitudes. \u00c9 o sentido da Par\u00e1bola do Semeador. S\u00f3 num pequeno grupo a semente d\u00e1 fruto abundante. Nos outros casos, a Palavra foi acolhida mas ficou est\u00e9ril (cf. Mt. 13,3ss). \u201cN\u00e3o \u00e9 dizendo \u201cSenhor, Senhor\u201d, que se entra no Reino dos C\u00e9us, mas fazendo a vontade de Meu Pai que est\u00e1 nos C\u00e9us\u201d. Jesus distingue a sorte daqueles que ouvem a Sua Palavra e a p\u00f5em em pr\u00e1tica da daqueles que a ouvem e n\u00e3o a p\u00f5em em pr\u00e1tica (Mt. 7,21ss). Os que passam \u00e0 pr\u00e1tica s\u00e3o aqueles que \u201cguardam\u201d a Sua Palavra. Para S\u00e3o Jo\u00e3o, s\u00f3 quem cumpre os mandamentos, sobretudo o mandamento do amor, guarda a Palavra (cf. 1Jo. 2,3-5). S\u00f3 esses, os que puseram a Palavra em pr\u00e1tica no amor dos irm\u00e3os, amam a Deus (cf. Jo. 14,23). N\u00e3o h\u00e1 f\u00e9 viva sem fidelidade, e esta n\u00e3o consiste em pensar sempre da mesma maneira, aceitando o ensinamento da Palavra de Deus; a fidelidade situa-se no campo da caridade, da luta pela justi\u00e7a, pela vida, pela verdade. Na fidelidade, a f\u00e9 torna-se ac\u00e7\u00e3o, \u00e9 for\u00e7a de transforma\u00e7\u00e3o do mundo. \u00c9 por isso que nas obras da f\u00e9, naquela f\u00e9 que deixa a Palavra realizar o seu fruto, n\u00f3s podemos escutar o Senhor, sentir o Seu Esp\u00edrito em ac\u00e7\u00e3o no mundo. \u00c9 a for\u00e7a eloquente do testemunho. Contemplando os frutos da Palavra, n\u00f3s podemos chegar at\u00e9 ela, encontrando o Senhor da Palavra, ou melhor, o Senhor que \u00e9 Palavra.  <i>\u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abO poder criador da Palavra: as obras da Palavra\u00bb<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[113,120,127,161,168,275,91,294,297,311],"class_list":["post-37247","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-ano-paulino","tag-bento-xvi","tag-catequese","tag-d-jose-policarpo","tag-diocese-da-guarda","tag-pascoa","tag-quaresma","tag-sacramentos","tag-santa-se","tag-sinodo-dos-bispos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37247","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37247"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37247\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37247"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37247"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37247"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}