{"id":372040,"date":"2025-04-27T09:31:41","date_gmt":"2025-04-27T08:31:41","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=372040"},"modified":"2025-04-26T21:11:55","modified_gmt":"2025-04-26T20:11:55","slug":"igreja-francisco-quis-apontar-muito-pouco-para-si-mesmo-e-mais-para-aquilo-que-e-essencial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/igreja-francisco-quis-apontar-muito-pouco-para-si-mesmo-e-mais-para-aquilo-que-e-essencial\/","title":{"rendered":"Igreja: Francisco quis \u00abapontar muito pouco para si mesmo e mais\u202fpara aquilo que \u00e9 essencial\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>No dia seguinte ao adeus a Francisco \u00e9 convidado da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia Ecclesia o padre\u202fJos\u00e9 Fraz\u00e3o Correia, antigo provincial dos Jesu\u00edtas em Portugal, te\u00f3logo e diretor\u202fda revista Brot\u00e9ria<!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_372041\" aria-describedby=\"caption-attachment-372041\" style=\"width: 2048px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/frazao_correia-2.jpeg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-372041 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/frazao_correia-2.jpeg\" alt=\"\" width=\"2048\" height=\"1536\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/frazao_correia-2.jpeg 2048w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/frazao_correia-2-347x260.jpeg 347w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/frazao_correia-2-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/frazao_correia-2-768x576.jpeg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/frazao_correia-2-1536x1152.jpeg 1536w\" sizes=\"(max-width: 2048px) 100vw, 2048px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-372041\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/OC<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia) <\/em><\/p>\n<p><em>A Igreja Cat<\/em><em>\u00f3<\/em><em>lica fica melhor depois do pontificado do Papa Francisco?<\/em><\/p>\n<p>Direi sem hesita\u00e7\u00e3o que sim, que fica melhor.\u202fFoi mais de uma d\u00e9cada muito marcante e das muitas coisas que precisar\u00edamos de dizer\u202fpara ser justo, em rela\u00e7\u00e3o a este pontificado, diria que a grande marca \u00e9 de algu\u00e9m\u202fque verdadeiramente assumiu o legado do Conc\u00edlio Vaticano II.\u202fN\u00e3o sei se para muitas pessoas isto diz muito ou diz pouco, mas do ponto de vista eclesial\u202fcreio que esta \u00e9 a grande marca e que n\u00e3o fica encerrada com a morte do Papa Francisco,\u202fmas seguramente ser\u00e1 um legado que dificilmente n\u00e3o ser\u00e1 retomado.<\/p>\n<p>O Papa Francisco \u00e9 verdadeiramente um filho do Vaticano II e que mostra que esse acontecimento\u202feclesial dos anos 60 continua viv\u00edssimo, com uma for\u00e7a extraordin\u00e1ria, mas que ainda\u202ffalta alguma coisa, ou falta bastante para lhe dar uma forma eclesial.\u202fParece-me que ent\u00e3o esse grande processo iniciado pela Igreja nos anos 60, o Papa Francisco\u202fpegou nele com grande coragem e impulsionou um conjunto de processos que agora precisam\u202fde ser alimentados e aprofundados para que eles cheguem a uma reforma, a uma mudan\u00e7a\u202finstitucional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Que caminhos de futuro deixa este pontificado que desafiou<\/em><em>\u202f<\/em><em>os cat<\/em><em>\u00f3<\/em><em>licos a viver a f<\/em><em>\u00e9<\/em><em> na alegria e em sa<\/em><em>\u00ed<\/em><em>da sem medo de abra<\/em><em>\u00e7<\/em><em>ar a todos, todos,<\/em><em>\u202f<\/em><em>todos, n<\/em><em>\u00e3<\/em><em>o <\/em><em>\u00e9<\/em><em>?<\/em><\/p>\n<p>Sim, eu acho que deixa essa coragem, essa aud\u00e1cia, essa leveza que o Papa Francisco\u202ftinha, talvez por estilo pessoal, mas de alguma maneira tamb\u00e9m como um estilo eclesial,\u202fessa ideia de abertura, uma ideia que ele j\u00e1 expressou antes do conclave aos outros\u202fcardeais, que era preciso abrir as portas da Igreja para deixar sair o Esp\u00edrito e para\u202fdeixar entrar aqueles que desejavam entrar. Essa marca de abertura, de grande\u202fcontacto com o mundo, com a aud\u00e1cia, \u00e9 interessante recordar como terminam os atos dos ap\u00f3stolos,\u202fque Paulo na pris\u00e3o fala com desassombro e sem impedimentos, acho que \u00e9 algo do g\u00e9nero\u202fque o Papa Francisco encarnou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Aquela<\/em><em>\u202f<\/em><em>palavra que o Papa usou muitas vezes, a parr\u00e9sia, n\u00e3o \u00e9?<\/em><\/p>\n<p>Exatamente, \u00e9 esse falar franco, essa liberdade evang\u00e9lica que o Papa Francisco penso que\u202ftraduziu com grande autenticidade, obviamente tamb\u00e9m sua autenticidade pessoal, sem o aparato barroco ou medieval que ainda cobre muita forma eclesial. O Papa Francisco\u202ftem esse lado de autenticidade que marcou muito o mundo, mas n\u00e3o parece que seja simplesmente\u202fuma esp\u00e9cie de fait-divers pessoal, \u00e9 um estilo eclesial. Nesse sentido, retomando\u202fa ideia com que comecei, \u00e9 um estilo que encarna um modo da Igreja estar que assumiu\u202fcom o Vaticano II, e portanto esse processo que ele retomou com grande liberdade e grande\u202fousadia, e que de alguma maneira se traduz neste S\u00ednodo sobre a sinodalidade &#8211; s\u00e3o palavr\u00f5es\u202fque n\u00f3s usamos pouco interessantes, mas n\u00e3o temos outro, isto \u00e9, de uma Igreja que se\u202fcompreende como um sujeito que caminha em conjunto com partes diferentes, mas que se\u202fcompreendem numa unidade a partir do Batismo.<\/p>\n<p>Esse processo agora precisa\u202fde ser alimentado, obviamente com os tempos necess\u00e1rios, a matura\u00e7\u00e3o\u202fnecess\u00e1ria e a paci\u00eancia tamb\u00e9m necess\u00e1rias, porque se n\u00e3o traduzir numa mudan\u00e7a institucional\u202fcome\u00e7a a ser um c\u00edrculo que n\u00e3o gera nada, e creio que esse \u00e9 o grande legado. Independentemente de quem vier a ser eleito Papa, esse testemunho\u202fque o Papa Francisco assume do Vaticano II, e que passa ao pr\u00f3ximo, penso que dificilmente\u202fn\u00e3o ser\u00e1 retomado, independentemente depois do estilo mais pessoal, de uma maneira\u202fou de outra.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>N\u00e3o receia que<\/em><em>\u202f<\/em><em>esse processo, em constru<\/em><em>\u00e7\u00e3<\/em><em>o ainda, que <\/em><em>\u00e9<\/em><em> o Conc<\/em><em>\u00ed<\/em><em>lio, possa de alguma forma ser<\/em><em>\u202f<\/em><em>travado? H<\/em><em>\u00e1<\/em><em> quem tenha d<\/em><em>\u00fa<\/em><em>vidas de que o legado<\/em><em>\u202f<\/em><em>do Papa e os caminhos tra<\/em><em>\u00e7<\/em><em>ados por ele possam vir a ser interrompidos. A sua perce<\/em><em>\u00e7<\/em><em>\u00e3o<\/em><em>\u202f<\/em><em>n<\/em><em>\u00e3<\/em><em>o vai por a<\/em><em>\u00ed<\/em><em>? <\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o vai, obviamente, falo tamb\u00e9m\u202fa partir do meu entendimento e da minha expectativa, do meu desejo, mas parece-me que aqui, e \u00e9\u202ftamb\u00e9m o risco, toda esta din\u00e2mica medi\u00e1tica em torno de uma figura que \u00e9 o Papa, pode ser injusta e enviesada se for a concentra\u00e7\u00e3o numa pessoa\u202fe n\u00e3o numa din\u00e2mica eclesial, digamos.<\/p>\n<p>E nesse sentido, creio que essa din\u00e2mica eclesial\u202f vem do Vaticano II &#8211; isto \u00e9, a Igreja inteira entendeu nos anos 60 que \u00e9 uma Igreja\u202fFechada sobre si mesma, que mant\u00e9m uma tradi\u00e7\u00e3o que \u00e9 entendida sobretudo como uma espada\u202fque combate o presente e o mundo, n\u00e3o servia de todo \u00e0 sua miss\u00e3o de enunciar o Evangelho.\u202fEsse \u00e9 um processo tamb\u00e9m, \u00e9 uma din\u00e2mica cultural,\u202f\u00e9 uma din\u00e2mica social, para al\u00e9m de ser uma din\u00e2mica evang\u00e9lica, e dificilmente esses\u202fmovimentos s\u00e3o bloqueados porque, se o fossem, a Igreja ficaria reduzida ao seu pequeno\u202fgrupo, eventualmente com alguma tutela pol\u00edtica de movimentos tamb\u00e9m, que agora percebemos\u202fque procura uma certa legitima\u00e7\u00e3o sacral do seu projeto pol\u00edtico. Seria uma Igreja\u202fFechada, sem relev\u00e2ncia nas vidas das pessoas e sem relev\u00e2ncia cultural e, portanto, independentemente\u202fdepois do estilo mais pessoal, parece-me que esta din\u00e2mica, este grande processo iniciado\u202fcom o Vaticano II e est\u00e1 longe de estar realizado na forma eclesial, dificilmente n\u00e3o ser\u00e1\u202fum legado a continuar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Eu quero lembrar aqui um momento, que seguramente ter\u00e1 sido muito particular para os jesu\u00edtas<\/em><em>\u202f<\/em><em>portugueses: o encontro de 5 de agosto de 2023, aqui em Lisboa. Entre muitas<\/em><em>\u202f<\/em><em>coisas, o Papa disse \u201cn<\/em><em>\u00e3<\/em><em>o tenham medo de ser imprudentes a perguntar\u201d. Esta capacidade que ele de enfrentar o desconforto e o imprevisto<\/em><em>\u202f<\/em><em>v<\/em><em>\u00e3<\/em><em>o fazer falta?<\/em><em>\u202f<\/em><\/p>\n<p>Se n\u00e3o forem continuados, v\u00e3o fazer falta, mas esse contacto vivo com a realidade, com\u202fas pessoas concretas, com as din\u00e2micas culturais e sociais concretas e pol\u00edticas, isso est\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia crist\u00e3.\u202fQuando n\u00f3s dizemos que Jesus Cristo encarnou, isso n\u00e3o \u00e9 uma palavra simplesmente que\u202fse repete e que n\u00e3o significa nada, estamos a dizer que, segundo a nossa compreens\u00e3o crist\u00e3\u202fdas coisas, Deus fala na realidade e, portanto, sem um contacto vivo com a realidade, sem\u202fa disponibilidade para se deixar tocar por ela e para tocar essa mesma realidade, a experi\u00eancia\u202fcrente \u00e9 uma ideia vaga, \u00e9 um sentimento muito intimista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E o Papa Francisco sempre conseguiu fazer do concreto uma categoria teol\u00f3gica central?<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida, e essa \u00e9 uma quest\u00e3o interessante, porque muitas vezes se diz que o Papa\u202fFrancisco n\u00e3o era te\u00f3logo, como se fosse algu\u00e9m\u202fque gosta de fazer coisas e que n\u00e3o pensa, e \u00e9 tudo falso. Ele tem um entendimento teol\u00f3gico\u202fmuito claro, s\u00f3 que \u00e9 uma teologia que n\u00e3o se pensa a si mesmo, digamos assim, fechada\u202fsobre si mesma, \u00e9 um pensamento sobre o fen\u00f3meno crist\u00e3o, onde a rela\u00e7\u00e3o com\u202fa realidade, com os sentimentos, as emo\u00e7\u00f5es, as din\u00e2micas pol\u00edticas, as din\u00e2micas sociais,\u202fa realidade da pobreza, da ecologia, entram como categorias de pensamento. Nesse sentido, n\u00e3o lhe interessa um pensamento erudito que se autocelebra e que fala para\u202fos seus, seguramente n\u00e3o \u00e9 a teologia que o Papa Francisco cultivava.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A autorreferencialidade.<\/em><em>..<\/em><\/p>\n<p>Exatamente, ali\u00e1s, a autorreferencialidade que diz respeito a muitas dimens\u00f5es da Igreja\u202fe pode dizer respeito \u00e0 teologia. O Papa Francisco parte\u202fda realidade, ficou famoso o princ\u00edpio de que a realidade \u00e9 superior \u00e0 ideia; obviamente\u202fn\u00f3s precisamos de ideias para pensar a realidade e para lhe dar categorias, mas o ponto de\u202fpartida \u00e9 a realidade. \u00c9 muito interessante, mesmo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 din\u00e2mica, digamos assim,\u202fdoutrinal, a caridade, a miseric\u00f3rdia, um termo que o Papa Francisco p\u00f4s no centro\u202fdo seu pontificado, a miseric\u00f3rdia, o amor crist\u00e3o, o que quisermos chamar, precede\u202fa doutrina e permanece v\u00e1lida e ponto de refer\u00eancia mesmo quando a realidade n\u00e3o\u202f\u00e9 de todo clara, mesmo nas zonas cinzentas das exist\u00eancias, da compreens\u00e3o das coisas. A caridade preside e, portanto, a caridade, a miseric\u00f3rdia, para o Papa Francisco foi\u202fo elemento estruturante da rela\u00e7\u00e3o com a realidade. N\u00f3s podemos ter um entendimento\u202fn\u00e3o claro, por exemplo, sobre a transexualidade, para trazer assim um tema dif\u00edcil, mas o\u202fPapa Francisco recordou que antes de pensar essa realidade, mesmo do ponto de vista moral,\u202fh\u00e1 pessoas concretas que se compreendem assim e, portanto, um ponto pr\u00e9vio \u00e0 ideia que\u202fpossamos ter e de ju\u00edzo moral \u00e9 o contacto com estas pessoas, e o contacto com estas pessoas\u202ffaz com que o pensamento sobre essa realidade, eventualmente do ponto de vista te\u00f3rico\u202fou teol\u00f3gico, seja informado. Isso diz respeito a todas as realidades,\u202f\u00e0 realidade pol\u00edtica, \u00e0 realidade cultural, \u00e0 realidade ecol\u00f3gica, \u00e0 realidade das\u202frela\u00e7\u00f5es fraternas, etc.\u202fEsse \u00e9 um modo muito elementar, ainda que pare\u00e7a original, mas muito elementar\u202fde realizar o Evangelho e nesse sentido percebemos tamb\u00e9m como o Evangelho tem um alcance universal\u202fenquanto \u00e9 capaz de tocar a realidade muito para al\u00e9m das fronteiras que s\u00e3o aquelas\u202fdo espa\u00e7o eclesial e daqueles que professam explicitamente a f\u00e9 crist\u00e3.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>N\u00f3s sabemos que o pontificado encontrou resist\u00eancias nas suas din\u00e2micas de abertura e tamb\u00e9m<\/em><em>\u202f<\/em><em>de sinodalidade, por exemplo. Teme que haja uma reconfigura<\/em><em>\u00e7\u00e3<\/em><em>o de prioridades numa esp<\/em><em>\u00e9<\/em><em>cie<\/em><em>\u202f<\/em><em>de movimento pendular de recuo no futuro imediato?<\/em><em>\u202f<\/em><\/p>\n<p>Eu gostaria que n\u00e3o, \u00e9 verdade que o p\u00eandulo pendula por natureza, percebemos\u202fque depois de um determinado perfil vem outro que corrija um pouco e essa din\u00e2mica talvez\u202fseja incontorn\u00e1vel e se calhar justa, uma esp\u00e9cie de corre\u00e7\u00e3o.\u202fAgora, no conjunto, eu gostaria que n\u00e3o acontecesse, eu acho que a for\u00e7a do legado do Papa Francisco\u202f\u00e9 que n\u00e3o chega dizer \u2018sinodalidade\u2019, \u00e9 preciso pratic\u00e1-la porque\u202f\u00e9 essencialmente uma a\u00e7\u00e3o e aqui est\u00e1 a exig\u00eancia e muitas vezes tamb\u00e9m a fragilidade,\u202fse calhar, da Igreja e de muitos l\u00edderes na Igreja \u00e9 pensar que, porque se diz, a realidade\u202fse altera. Estamos a falar de pr\u00e1ticas que implicam a exposi\u00e7\u00e3o, que implicam a\u202fin\u00e9rcia das din\u00e2micas, a for\u00e7a das din\u00e2micas, gostaria muito que n\u00e3o\u202fse perdesse. Como dizia, no fundo este longo processo que vem do Vaticano II precisa\u202fser continuado para que desague em altera\u00e7\u00f5es, em mudan\u00e7as institucionais, isto \u00e9, em altera\u00e7\u00f5es\u202fque configurem o modo como a Igreja se compreende, mas, sobretudo, como se realiza, que chegue\u202fao Direito Can\u00f3nico, que chegue ao modo de organiza\u00e7\u00e3o, ao exerc\u00edcio do poder, \u00e0\u202fteologia, etc. Quando falamos de institui\u00e7\u00e3o estamos a falar da forma vis\u00edvel e, sem chegar \u00e0 forma\u202fvis\u00edvel, deixamos a f\u00e9 apenas ao n\u00edvel do pensamento ou apenas do sentimento e n\u00e3o\u202fda forma eclesial.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E ser\u00e1 que o futuro nos reserva um acentuar de posi\u00e7\u00f5es entre conservadoras<\/em><em>\u202f<\/em><em>e progressistas?<\/em><em>\u202f<\/em><\/p>\n<p>Enfim, para usar essas categorias&#8230; eu gostaria mais, parece mais interessante,\u202fentre aqueles que compreendem o cristianismo exposto \u00e0 realidade com a capacidade de tocar,\u202fmesmo, o risco dessa exposi\u00e7\u00e3o. Um cristianismo, em concreto a Igreja Cat\u00f3lica, que j\u00e1 n\u00e3o\u202fse compreende como o centro, mas como uma voz, entre outras vozes, mas que ainda assim\u202fn\u00e3o renuncia \u00e0 sua voz e, nesse sentido, capaz de agir entre tantas outras, exp\u00f5e-se\u202fa esse risco. E uma compreens\u00e3o do cristianismo, talvez, mais fechado sobre si mesmo, mais protegido,\u202fmais recluso. Parece-me que essas s\u00e3o as duas grandes din\u00e2micas. H\u00e1 um risco para a Igreja Cat\u00f3lica,\u202fem concreto, mas n\u00e3o \u00e9 um problema apenas da igreja Cat\u00f3lica, basta olhar para a Igreja\u202fOrtodoxa Russa: a manipula\u00e7\u00e3o do patrim\u00f3nio crist\u00e3o para fins pol\u00edticos que lhe s\u00e3o\u202falheios, ainda que haja aparentes afinidades no exerc\u00edcio da autoridade, da recupera\u00e7\u00e3o\u202fdos valores crist\u00e3os, da heran\u00e7a crist\u00e3 da Igreja, elementos que \u00e0 partida\u202fsoam bem, mas que s\u00e3o, parece-me, muito sens\u00edveis do ponto de vista da limita\u00e7\u00e3o da liberdade\u202fda Igreja no exerc\u00edcio da sua miss\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u202f<\/em><em>O pontificado do Papa Francisco, de certa forma, funcionou<\/em><em>\u202f<\/em><em>como barreira desses movimentos, em muitos casos. Tamb\u00e9m h<\/em><em>\u00e1<\/em><em> pessoas que, olhando para o que foi o pontificado,<\/em><em>\u202f<\/em><em>talvez tenham ficado frustradas por alguns temas n<\/em><em>\u00e3<\/em><em>o terem avan<\/em><em>\u00e7<\/em><em>ado<\/em><em>\u202f<\/em><em>tanto quanto desejariam, como, por exemplo, a ordena<\/em><em>\u00e7\u00e3<\/em><em>o<\/em><em>\u202f<\/em><em>de mulheres, sobretudo a diaconal, ou a possibilidade da ordena<\/em><em>\u00e7\u00e3<\/em><em>o sacerdotal de homens casados. N<\/em><em>\u00e3<\/em><em>o houve tempo, n<\/em><em>\u00e3<\/em><em>o houve consenso, n<\/em><em>\u00e3<\/em><em>o houve capacidade de criar as condi<\/em><em>\u00e7\u00f5<\/em><em>es<\/em><em>\u202f<\/em><em>para que este debate fosse frutuoso? <\/em><\/p>\n<p>Talvez todas essas raz\u00f5es. Estou de acordo que muitos processos n\u00e3o tenham, talvez,\u202fchegado ainda t\u00e3o longe como poderiam chegar. Mas s\u00e3o processos, eu acho que eles foram\u202fabertos e necessariamente ter\u00e3o continuidade. Porque o quadro cultural em que o cristianismo\u202fse compreende hoje, n\u00e3o permite \u00e0 Igreja n\u00e3o dizer alguma coisa sobre estas realidades. Os processos, eventualmente, n\u00e3o foram t\u00e3o longe como tantos gostariam, mas\u202fforam abertos e j\u00e1 tiveram as suas etapas. Ter\u00e3o de ter muitas outras. Obviamente, estamos a falar de temas muito sens\u00edveis dentro da Igreja e na sua rela\u00e7\u00e3o\u202fcom o mundo, onde h\u00e1 tamb\u00e9m muita press\u00e3o cultural, digamos assim, de ir em determinada\u202fdire\u00e7\u00e3o. Portanto, acho que h\u00e1 aqui uma paci\u00eancia e uma matura\u00e7\u00e3o necess\u00e1rias,\u202fmas, ao mesmo tempo, n\u00e3o t\u00e3o previdentes que tamb\u00e9m n\u00e3o se exponham a essa mesma\u202fdin\u00e2mica. S\u00e3o campos onde, inevitavelmente, o caminho ter\u00e1 de\u202fser feito, ter\u00e1 de dar mais passos, sob pena de a Igreja ficar sem capacidade de uma palavra\u202fsignificativa no espa\u00e7o p\u00fablico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Come<\/em><em>\u00e7<\/em><em>amos agora a olhar para o que vai ser<\/em><em>\u202f<\/em><em>o futuro. Como <\/em><em>\u00e9<\/em><em> que olha para a reconfigura<\/em><em>\u00e7\u00e3<\/em><em>o do catolicismo em geral, que deixa de ser<\/em><em>\u202f<\/em><em>um fen<\/em><em>\u00f3<\/em><em>meno centralmente europeu, e como <\/em><em>\u00e9<\/em><em> que o Papa conseguiu traduzir isso na constitui<\/em><em>\u00e7\u00e3<\/em><em>o<\/em><em>\u202f<\/em><em>do Col<\/em><em>\u00e9<\/em><em>gio Cardinal<\/em><em>\u00ed<\/em><em>cio?<\/em><em>\u202f<\/em><\/p>\n<p>Do que posso perceber, \u00e9 claro que houve um desejo de alargar este col\u00e9gio, dando\u202fvoz a Igrejas e a comunidades que, \u00e0 partida, n\u00e3o teriam grande voz, por serem t\u00e3o limitadas\u202fdo ponto de vista num\u00e9rico, ou por estarem em zonas geogr\u00e1ficas t\u00e3o remotas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E muitas vezes zonas em que s\u00e3o minoria. Isso \u00e9 relevante?<\/em><em>\u202f<\/em><\/p>\n<p>Eu creio que \u00e9 relevante, porque \u00e9 um modo de ser consequente com esse desejo de pensar\u202fa Igreja n\u00e3o a partir do centro, mas da periferia, n\u00e3o a partir daqueles que t\u00eam o poder econ\u00f3mico\u202fou de influ\u00eancia teol\u00f3gica ou outra, mas a partir, precisamente, daqueles que est\u00e3o\u202fna margem. Portanto, parece-me que o que est\u00e1 subjacente \u00e0 escolha do Col\u00e9gio Cardinal\u00edcio\u202f\u00e9 tamb\u00e9m uma coer\u00eancia com esse desejo de a Igreja de se pensar a partir do fora e\u202fdo perif\u00e9rico, e seguramente que essas vozes ter\u00e3o alguma coisa a acrescentar.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de\u202fque, parece-me que a constitui\u00e7\u00e3o do Col\u00e9gio tamb\u00e9m traduz uma compreens\u00e3o clara, talvez\u202fpor ser latino-americano e ele vir de uma zona perif\u00e9rica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Europa e\u202fa Roma, digamos, que \u00e9 de se compreender tamb\u00e9m a partir da periferia e de compreender\u202fque o mundo, o norte global, precisa de dar outra voz ao sul global. Percebemos isso\u202fdo ponto de vista geopol\u00edtico e tamb\u00e9m do ponto de vista da igreja, me parece que ser\u00e1\u202fincontorn\u00e1vel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Esta dispers\u00e3o, vou chamar-lhe assim, tamb\u00e9m<\/em><em>\u202f<\/em><em>torna mais imprevis<\/em><em>\u00ed<\/em><em>vel perceber o que <\/em><em>\u00e9<\/em><em> que vai acontecer num Conclave, por exemplo?<\/em><\/p>\n<p>Eu imagino que sim, confesso que n\u00e3o conhe\u00e7o suficientemente os nomes que v\u00e3o surgir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Sim, no caso aqui nem estamos a falar de nomes, estamos a falar mesmo de perce<\/em><em>\u00e7\u00f5<\/em><em>es geogr<\/em><em>\u00e1<\/em><em>ficas<\/em><em>\u202f<\/em><em>de v<\/em><em>\u00e1<\/em><em>rias ideias de Igreja, de v<\/em><em>\u00e1<\/em><em>rias proveni<\/em><em>\u00ea<\/em><em>ncias, v<\/em><em>\u00e1<\/em><em>rias experi<\/em><em>\u00ea<\/em><em>ncias de vida. Tudo isso vai<\/em><em>\u202f<\/em><em>entrar na Capela Sistina&#8230;<\/em><\/p>\n<p>Imagino que sim, porque uma Igreja alem\u00e3\u202f\u00e9 muito diferente da Igreja americana e esta \u00e9 muito diferente de outras Igrejas do sul global, talvez, imagino que essas sensibilidades\u202fse v\u00e3o encontrar, se v\u00e3o confrontar. Eu espero que se confrontem de uma maneira honesta\u202fe, diria, espiritual, isto \u00e9, que o Esp\u00edrito possa manifestar-se n\u00e3o por uma esp\u00e9cie\u202fde consenso que ilumina as diferen\u00e7as, mas atrav\u00e9s de uma compreens\u00e3o da unidade Da\u202fIgreja, n\u00e3o apesar das diferen\u00e7as, mas nessas diferen\u00e7as, que s\u00e3o diferen\u00e7as muito significativas.\u202fDizia, a Igreja alem\u00e3 e a Igreja dos Estados Unidos atualmente s\u00e3o experi\u00eancias eclesiais\u202fmuito diferentes e um Conclave que n\u00e3o exprima, que n\u00e3o pense significativamente e com honestidade,\u202fcom a tal parr\u00e9sia, com a tal coragem evang\u00e9lica e falar franco, seria a procura de uma unidade\u202fque vai \u00e0 revelia das din\u00e2micas, das diferen\u00e7as da realidade, tamb\u00e9m da realidade eclesial.<\/p>\n<p>Cada vez mais a Igreja se compreende como uma Igreja plural e isso torna dif\u00edcil o exerc\u00edcio\u202fda autoridade, mas ao mesmo tempo tamb\u00e9m abre possibilidades, eu diria, talvez\u202fmais evang\u00e9licas. A quest\u00e3o n\u00e3o nos \u00e9 facilitada pelo reconhecimento dessa pluralidade,\u202fmas essa pluralidade, diria, que tamb\u00e9m tem a marca do Esp\u00edrito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u202f<\/em><em>A reforma interna da Igreja era uma prioridade do Papa, mas tamb\u00e9m se mostrou sempre atento<\/em><em>\u202f<\/em><em>aos dramas da humanidade. Que peso pode ter o papel pol<\/em><em>\u00ed<\/em><em>tico da Igreja no contexto atual<\/em><em>\u202f<\/em><em>internacional de conflitos e tens<\/em><em>\u00f5<\/em><em>es na escolha do sucessor de Francisco?<\/em><\/p>\n<p>O que eu notei pessoalmente foi que, durante o tempo em que o Papa Francisco esteve hospitalizado,\u202fsenti faltar uma voz nos debates internacionais, o que me deu a entender que a Igreja e o bispo\u202fde Roma, em particular, t\u00eam uma palavra a dizer. Possivelmente n\u00e3o alterar\u00e1 nada\u202fde significativo nas din\u00e2micas geopol\u00edticas, mas \u00e9 uma voz que \u00e9 importante ouvir porque\u202ffala a partir de um lugar n\u00e3o de poder militar, ou econ\u00f3mico, ou outro, mas ainda\u202fque com as suas fragilidades, a partir de um lugar moral, digamos assim, humanamente\u202fconsistente. S\u00f3 ter essa voz j\u00e1 \u00e9 um servi\u00e7o \u00e0 comunidade internacional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Essa voz foi particularmente importante para periferias, popula\u00e7\u00f5es migrantes, refugiadas. <\/em><em>\u202f<\/em><em>Podem sentir-se agora um pouco mais <\/em><em>\u00f3<\/em><em>rf<\/em><em>\u00e3<\/em><em>s, com a partida de Francisco?<\/em><\/p>\n<p>Eu espero que n\u00e3o fiquem, enquanto a Igreja no seu todo, mantenha viva essas expectativas.\u202fDe facto, quando todas as pol\u00edticas s\u00e3o controversas do ponto de vista da migra\u00e7\u00e3o,\u202falgu\u00e9m recorde que apesar de tudo h\u00e1 migrantes, h\u00e1 refugiados concretos, h\u00e1 ciganos, h\u00e1\u202fminorias que precisam de ser atendidas, independentemente das estrat\u00e9gias geopol\u00edticas. Ter algu\u00e9m que d\u00e1 voz verdadeiramente a essas pessoas, comunidades, regi\u00f5es geogr\u00e1ficas. \u00e9 um bem\u202fpara a comunidade internacional inestim\u00e1vel. Espero que n\u00e3o seja apenas a voz do Papa,\u202fmas seja uma pluralidade de vozes que se refazem ao Evangelho, portanto, seja a Igreja no\u202fseu todo que assume essas dores, digamos assim. E que isso tenha tradu\u00e7\u00f5es, tenha tradu\u00e7\u00e3o\u202fna avalia\u00e7\u00e3o cr\u00edtica das din\u00e2micas pol\u00edticas, dos atores pol\u00edticos, porque o Evangelho\u202finforma a nossa leitura das coisas. A voz do Papa foi uma voz cr\u00edtica\u202fpara a pr\u00f3pria Igreja. no modo como ela se relaciona com todas essas zonas de exclus\u00e3o,\u202fde marginalidade, de periferias, para lhes recordar que essas, precisamente, n\u00e3o est\u00e3o\u202fna periferia, mas est\u00e3o no cora\u00e7\u00e3o da Igreja, porque s\u00e3o o cora\u00e7\u00e3o do Evangelho, em \u00faltima\u202finst\u00e2ncia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Uma \u00faltima pergunta mais, pessoal: como jesu\u00edta, como foi<\/em><em>\u202f<\/em><em>acompanhar o pontificado de Francisco, o primeiro Papa da Companhia de Jesus?<\/em><\/p>\n<p>Foi muito\u202fbom, n\u00e3o por um sentido de perten\u00e7a. &#8220;Ah, o Papa \u00e9 jesu\u00edta e, portanto, \u00e9 c\u00e1 dos\u202fnossos&#8221;, nada disso. Foi ali\u00e1s uma grande surpresa, nunca pensei que pudesse haver um Papa jesu\u00edta\u202fpor todos os motivos hist\u00f3ricos e pela pr\u00f3pria din\u00e2mica da Companhia, nada assim de uma esp\u00e9cie de clubismo familiar, mas foi uma experi\u00eancia muito feliz. De alguma maneira, sentir confirma\u00e7\u00e3o no meu pr\u00f3prio estudo da teologia, no meu\u202fentendimento da Igreja e, portanto, um Papa que veio dar materialidade a muito pensamento\u202fque cultivava. E uma experi\u00eancia feliz por sentir que, de facto, havia ali um homem com\u202fuma grande estatura humana, uma grande estatura espiritual e uma grande estatura evang\u00e9lica\u202fe de me parecer que era algu\u00e9m que foi capaz de entender o seu poder, a sua autoridade,\u202fe n\u00e3o h\u00e1 que ter medo destas palavras, poder e autoridade, porque elas s\u00e3o um bem. Colocou-se verdadeiramente ao servi\u00e7o da miss\u00e3o da Igreja e do mundo, deixando de lado aquilo\u202fque muitas vezes parece t\u00e3o essencial, quase o aned\u00f3tico, o etnogr\u00e1fico, para p\u00f4r no\u202fcentro o Evangelho. Por isso, parece-me que o Papa Francisco, e mesmo vemos agora nas\u202fdisposi\u00e7\u00f5es que deixou para o funeral, quis apontar muito pouco para si mesmo e mais\u202fpara aquilo que \u00e9 essencial, que \u00e9 o Evangelho e o modo como o Evangelho se relaciona com\u202fa realidade.<\/p>\n<p>Do ponto de vista pessoal, foi um tempo de grande satisfa\u00e7\u00e3o\u202fe de grande contentamento por parecer que a Igreja foi capaz de, com todas as debilidades\u202fe todas as fragilidades que tamb\u00e9m aconteceram durante este pontificado, de perceber que\u202fa Igreja tem um patrim\u00f3nio extraordin\u00e1rio que \u00e9 o Evangelho e que este patrim\u00f3nio,\u202feste bem, esta for\u00e7a, continua a fazer todo o sentido para a nossa experi\u00eancia humana\u202fe como crente, tamb\u00e9m para a nossa experi\u00eancia crente, obviamente. Foi um tempo muito feliz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia seguinte ao adeus a Francisco \u00e9 convidado da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia Ecclesia o padre\u202fJos\u00e9 Fraz\u00e3o Correia, antigo provincial dos Jesu\u00edtas em Portugal, te\u00f3logo e diretor\u202fda revista Brot\u00e9ria<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":372041,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[274],"class_list":["post-372040","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-papa-francisco"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/372040","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=372040"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/372040\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/372041"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=372040"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=372040"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=372040"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}