{"id":37198,"date":"2009-02-26T09:18:54","date_gmt":"2009-02-26T09:18:54","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/02\/26\/homilia-de-d-antonio-carrilho-na-missa-de-quarta-feira-de-cinzas\/"},"modified":"2009-02-26T09:18:54","modified_gmt":"2009-02-26T09:18:54","slug":"homilia-de-d-antonio-carrilho-na-missa-de-quarta-feira-de-cinzas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-d-antonio-carrilho-na-missa-de-quarta-feira-de-cinzas\/","title":{"rendered":"Homilia de D. Ant\u00f3nio Carrilho na Missa de Quarta-Feira de Cinzas"},"content":{"rendered":"<p>Caminhar no Esp\u00edrito, transfigurados pelo Amor <!--more--> Conduzidos pelo Esp\u00edrito do Senhor, fonte de Vida e de Alegria, iniciamos, nesta quarta-feira de Cinzas, o tempo lit\u00fargico da Quaresma. \u00c9 o tempo privilegiado na vida da Igreja, para, em jubilosa esperan\u00e7a, prepararmos alegremente a P\u00e1scoa do Senhor e crescermos no amor de Deus e dos irm\u00e3os.  Liturgicamente, fazemos mem\u00f3ria, dos quarenta dias em que Jesus, conduzido pelo Esp\u00edrito, permaneceu no deserto, na ora\u00e7\u00e3o e no jejum, antes de iniciar a Miss\u00e3o que o Pai lhe confiou (cf. Mt 4, 1-2). Na B\u00edblia, o \u201cdeserto\u201d, com a cumplicidade de um mundo \u00e1rido, evoca realidades hist\u00f3ricas, \u00e2nsia de liberdade e fortes experi\u00eancias com Deus. Foi no deserto que Deus renovou a sublime alian\u00e7a de Amor com o seu povo (cf. Ex 19, 5) e entregou o Dec\u00e1logo a Mois\u00e9s, no Monte Sinai (cf. Ex 20, 1-18). O deserto \u00e9 o lugar por excel\u00eancia de retiro, sil\u00eancio, procura e grande densidade espiritual. A Igreja Universal, na sua multissecular experi\u00eancia e sabedoria, prop\u00f5e aos seus filhos um percurso espiritual, concreto e din\u00e2mico, em ordem a uma profunda convers\u00e3o interior e exterior, que ajuda \u00e0 transfigura\u00e7\u00e3o e configura\u00e7\u00e3o com Jesus Cristo, e traduz-se em gestos concretos de solidariedade fraterna.  A simbologia da cerim\u00f3nia das Cinzas, que nos recorda a fragilidade e finitude do homem, e o texto do Profeta Joel, que acab\u00e1mos de escutar, s\u00e3o um veemente apelo \u00e0 urg\u00eancia de convers\u00e3o e arrependimento sinceros: \u201crasgai o vosso cora\u00e7\u00e3o e n\u00e3o os vestidos. Convertei-vos ao Senhor vosso Deus\u201d (Jl 2, 12). \u00c9 perante um Deus amigo, clemente e compassivo, lento para a ira, rico de bondade e cheio de miseric\u00f3rdia, que n\u00e3o usa a viol\u00eancia para castigar o pecador (cf. Jl 2, 13), que o homem se v\u00ea confrontado e desarmado, pela oferta do Seu perd\u00e3o sem limites e da Sua imensa ternura.  Optar pelo mal \u00e9 dizer \u201cn\u00e3o\u201d ao amor do Deus da Alian\u00e7a, com profundas repercuss\u00f5es eclesiais e sociais. Bento XVI, consciente de que a verdadeira convers\u00e3o come\u00e7a no cora\u00e7\u00e3o do homem, convida todos os filhos da Igreja a uma maior assiduidade na ora\u00e7\u00e3o, na escuta orante da Palavra, \u201cLectio Divina\u201d, no recurso ao Sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o e na participa\u00e7\u00e3o na Santa Missa dominical (cf. Bento XVI, Mensagem para a Quaresma de 2009).    <b>Um percurso de intimidade com Cristo<\/b> S. Paulo, impelido pela caridade de Cristo, pede aos irm\u00e3os da comunidade de Corinto, que, \u201cpelo amor de Cristo se reconciliem com Deus\u201d (2Cor 5,20). Na teologia Paulina, Cristo Crucificado assume o nosso mist\u00e9rio de iniquidade, \u201cfez-se pecado por amor de n\u00f3s\u201d (2Cor 5, 20), para nossa salva\u00e7\u00e3o. A loucura e sabedoria da Cruz, que tanto apaixonam Paulo, s\u00e3o a visibilidade do indiz\u00edvel amor do Pai pela humanidade. Suprema bondade divina, que se revela na entrega volunt\u00e1ria do Filho, como Cordeiro inocente, imolado sobre a Cruz. Deus n\u00e3o se imp\u00f5e ao homem. \u00c9 oferta gratuita de infinito Amor. \u201cN\u00e3o sejamos insens\u00edveis \u00e0 bondade de Cristo\u201d, lembra-nos Santo In\u00e1cio de Antioquia. No texto do Evangelho de Mateus, Jesus denuncia um culto de apar\u00eancias, pede autenticidade nas rela\u00e7\u00f5es com Deus e com os irm\u00e3os, condenando o ritualismo tradicional judaico: longas ora\u00e7\u00f5es em p\u00fablico, gestos exteriores e vazios, exclusivamente para dar nas vistas. \u201cN\u00e3o sejais como os hip\u00f3critas, porque eles gostam de orar de p\u00e9, nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem vistas pelos homens\u201d(Mt 6, 5). Jesus, o grande Adorador do Pai, aconselha a rezar ao Pai, no sil\u00eancio do quarto (cf. Mt 6, 6), que \u00e9 tamb\u00e9m o segredo do pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o, onde Deus habita. A esmola, a ora\u00e7\u00e3o e o jejum praticados discretamente com alegria, por amor a Deus e aos irm\u00e3os, agradam verdadeiramente a Deus. \u201cN\u00e3o saiba a tua m\u00e3o esquerda o que faz a direita\u201d (Mt 6,3). O bem \u00e9 humilde, tem o rosto lavado, quer dizer, n\u00e3o apresenta duplicidade nem ostenta\u00e7\u00e3o de virtude. Emana o suave \u201cperfume\u201d da silenciosa presen\u00e7a de Deus, contagiando, sem ru\u00eddo de palavras, quem se aproxima. \u00c9 o testemunho alegre da verdadeira \u201cmetan\u00f3ia\u201d. A recompensa do Pai nasce desta jubilosa intimidade com Cristo &#8211; o Redentor do homem.   <b>Pilares da espiritualidade quaresmal<\/b> A tradi\u00e7\u00e3o b\u00edblica e crist\u00e3 assentaram a espiritualidade quaresmal em tr\u00eas pilares, que, com a for\u00e7a libertadora e santificadora do Esp\u00edrito Santo, recriam o homem novo: a ora\u00e7\u00e3o, o jejum e a esmola.  A ora\u00e7\u00e3o \u2013 \u00c9 um encontro pessoal do homem com o Deus vivo, que nos convida \u00e0 Sua intimidade. \u201cA ora\u00e7\u00e3o\u201d, refere S. Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo, \u201c\u00e9 a luz da alma e, por meio dela, unimo-nos ao Senhor num abra\u00e7o inef\u00e1vel\u201d. Num mundo, onde predominam o ru\u00eddo e uma vida artificial, a experi\u00eancia de sil\u00eancio e de deserto, ajudam-nos a purificar a mem\u00f3ria, a descer \u00e0 profundidade do ser, a pacificar-nos e a mergulhar no mist\u00e9rio vivo do Amor de Cristo e dos irm\u00e3os.   O Jejum \u2013 N\u00e3o se reduz apenas \u00e0 absten\u00e7\u00e3o de alimentos. \u00c9, em primeiro lugar, um elemento importante de dom\u00ednio pessoal, abertura incondicional ao amor de Deus e realiza\u00e7\u00e3o da Sua vontade. Al\u00e9m de ser uma preciosa ajuda no combate contra o mal, \u00e9 um meio eficaz para reatar a amizade com Deus e com os outros. A mensagem de Bento XVI, para esta Quaresma de 2009, est\u00e1 centrada no jejum, porque, refere o Papa, \u201co jejum ajuda-nos a tomar consci\u00eancia da situa\u00e7\u00e3o na qual vivem tantos irm\u00e3os nossos\u201d. E, porque o amor de Deus incarna em gestos humanos concretos, a Igreja, fiel a Deus e ao homem, n\u00e3o pode ficar indiferente perante as situa\u00e7\u00f5es gritantes de pobreza, fome, indig\u00eancia e sofrimento, de uma grande parte da fam\u00edlia humana. O Santo Padre, querendo \u201cmanter viva esta atitude de acolhimento e de aten\u00e7\u00e3o para com os irm\u00e3os, encoraja as par\u00f3quias e todas as outras comunidades a intensificar na Quaresma a pr\u00e1tica do jejum pessoal e comunit\u00e1rio, cultivando de igual modo a escuta da Palavra de Deus, a ora\u00e7\u00e3o e a esmola\u201d. (Bento XVI, Mensagem para a Quaresma 2009). A esmola \u2013 \u201cQuem d\u00e1 esmola oferece a Deus um sacrif\u00edcio de Louvor\u201d (Sir 35, 4-5). A caridade \u00e9 abertura do cora\u00e7\u00e3o e solidariedade para quem est\u00e1 privado de alimentos, de meios econ\u00f3micos, de bens culturais e de progresso. Somos chamados a ser o Rosto da miseric\u00f3rdia de Cristo, junto dos irm\u00e3os mais necessitados, que solicitam a nossa ajuda de bens materiais e espirituais. Fazer uma caminhada quaresmal aut\u00eantica \u00e9, tamb\u00e9m, partilhar alegre e generosamente o nosso tempo: visitar os doentes, consolar os tristes, animar os que vacilam e testemunhar a esperan\u00e7a, onde o desamor, a solid\u00e3o e a tristeza se instalaram. \u201cAmar a Deus de todo o cora\u00e7\u00e3o e o pr\u00f3ximo como a si mesmo, vale mais do que todos os holocaustos e sacrif\u00edcios\u201d (Mc 12,33).   <b>Ren\u00fancia Quaresmal &#8211; Partilhar com amor e alegria<\/b> Neste tempo de gra\u00e7a, o Senhor interpela-nos sobre a sinceridade da nossa vida de f\u00e9, atitudes e comportamentos. A Diocese do Funchal, num gesto de sincera comunh\u00e3o, solidariedade e partilha fraterna com os mais carenciados, destina metade da ren\u00fancia quaresmal deste ano para apoiar um projecto de ajuda humanit\u00e1ria da Diocese de Lichinga (Mo\u00e7ambique), reservando a outra parte para a pastoral diocesana, nas diversas \u00e1reas e servi\u00e7os de menores recursos. Conforme \u00e9 costume, as ofertas desta ren\u00fancia dos fi\u00e9is ser\u00e3o recolhidas em todas as igrejas e capelas, nos ofert\u00f3rios das Missas de S\u00e1bado e Domingo de Ramos, nos pr\u00f3ximos dias 4 e 5 de Abril. Que Maria, M\u00e3e da Esperan\u00e7a e causa da nossa Alegria, nos acompanhe e nos guie nesta caminhada quaresmal, em direc\u00e7\u00e3o \u00e0 P\u00e1scoa. Ela, que \u00e9 \u00edcone da bondade do Pai e do acolhimento aos irm\u00e3os, nos introduza na Luz do Senhor Ressuscitado.   S\u00e9 do Funchal, 25 de Fevereiro de 2009 <i>+ Ant\u00f3nio Carrilho, Bispo do Funchal <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caminhar no Esp\u00edrito, transfigurados pelo Amor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[120,186,199,206,262,275,91,314],"class_list":["post-37198","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-bento-xvi","tag-diocese-do-funchal","tag-espiritualidade","tag-familia","tag-mocambique","tag-pascoa","tag-quaresma","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37198","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37198"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37198\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37198"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37198"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37198"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}