{"id":371819,"date":"2025-04-22T15:11:12","date_gmt":"2025-04-22T14:11:12","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=371819"},"modified":"2025-04-22T16:03:57","modified_gmt":"2025-04-22T15:03:57","slug":"a-comunidade-ficou-sem-nada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-comunidade-ficou-sem-nada\/","title":{"rendered":"\u201cA comunidade ficou sem nada\u201d"},"content":{"rendered":"<p><em>Casa das Irm\u00e3s Dominicanas assaltada violentamente em Kinshasa<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/assalto-congo.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-371820 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/assalto-congo.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/assalto-congo.jpg 900w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/assalto-congo-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/assalto-congo-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/assalto-congo-391x260.jpg 391w\" sizes=\"(max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>Na noite de 18 para 19 de Mar\u00e7o, um grupo de bandidos fortemente armados com catanas, barras de ferro e armas, invadiu a casa das Dominicanas na capital da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, amea\u00e7aram as Irm\u00e3s, incluindo de as poderem violar, e saquearam e destru\u00edram tudo o que havia por l\u00e1, desde arm\u00e1rios, telefones, computadores e dinheiro. A Quaresma deste ano ficou marcada por este assalto violento. Mas as Irm\u00e3s n\u00e3o desistem e v\u00e3o continuar com a sua miss\u00e3o de todos os dias. Apesar das amea\u00e7as e at\u00e9 do medo\u2026<\/em><\/p>\n<p>Foi uma noite de terror para as Irm\u00e3s Dominicanas em Kinshasa, a capital da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo. Um grupo de bandidos \u2013 mais de 20, segundo relatou a superiora da casa \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o AIS \u2013 fortemente armados com catanas, barras de ferro, martelos e armas de fogo, conseguiu entrar na casa das religiosas, na noite de 18 para 19 de Mar\u00e7o, apesar de as portas serem de ferro e estarem fechadas e de haver um muro com arame farpado. Nada disso por\u00e9m os impediu de avan\u00e7ar. \u201cCome\u00e7aram a partir a parede da casa, fizeram um grande buraco e entraram no quarto de uma das irm\u00e3s\u201d, relata a Irm\u00e3 Alice, superiora na mensagem enviada para a Funda\u00e7\u00e3o AIS. Na resid\u00eancia estavam 15 irm\u00e3s em diferentes quartos. Depois de terem entrado, os bandidos percorreram a casa toda. As irm\u00e3s gritaram por socorro, mas ningu\u00e9m as acudiu. \u201cApesar de termos gritado bem alto, ningu\u00e9m saiu das suas casas, toda a gente tem medo\u201d, diz ainda a Irm\u00e3 Alice. Foram momentos de p\u00e2nico. O Padre Marcelo Oliveira, comboniano em miss\u00e3o na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, explicou \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o AIS que os bandidos chegaram inclusivamente a amea\u00e7ar que iriam violar ou mesmo matar uma das religiosas dominicanas, se elas n\u00e3o dessem o dinheiro que tinham em casa. \u201cAlgumas das irm\u00e3s tentaram esconder-se, conseguiram ficar escondidas sem serem vistas, mas outras foram apanhadas e uma delas amea\u00e7ada para lhes dar dinheiro. A irm\u00e3 disse-lhes que n\u00e3o tinha nem sabia onde estava o dinheiro e que n\u00e3o haveria nenhum dinheiro na casa, mas eles insistiram dizendo: \u2018vamos-te violar e se tu n\u00e3o nos d\u00e1s o dinheiro, vamos-te matar\u2026\u2019\u201d E tudo isto, explica ainda o mission\u00e1rio portugu\u00eas, ocorreu entre a 1 e as 4 horas da manh\u00e3. \u201cAs irm\u00e3s bem gritaram, mas ningu\u00e9m veio acudir\u201d, disse tamb\u00e9m, sublinhando que os bandidos estavam mesmo fortemente armados. \u201cS\u00e3o jovens a que n\u00f3s aqui chamamos \u2018coluna\u2019, que invadem casas, que apanham pessoas na rua e atacam-nas, e decerto que teriam informa\u00e7\u00f5es de que as irm\u00e3s teriam em casa algum dinheiro para pagar aos professores no dia seguinte e, por isso, entraram para pilhar tudo o que havia l\u00e1 dentro. Esta \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o bastante preocupante\u201d, explica ainda o Padre Marcelo, sublinhando que a casa das Dominicanas est\u00e1 situada num bairro perif\u00e9rico da capital da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo.<\/p>\n<h4>Situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil neste pa\u00eds<\/h4>\n<p>De facto, as Irm\u00e3s tinham em casa algum dinheiro para pagar aos professores que as auxiliam na sua miss\u00e3o escolar junto das popula\u00e7\u00f5es locais. E n\u00e3o s\u00f3 levaram todo o dinheiro, como todos os objectos de valor que encontraram, deixando atr\u00e1s de si um profundo rasto de destrui\u00e7\u00e3o. A Irm\u00e3 Alice sublinha-o. \u201cSaquearam a casa toda, quarto por quarto, destru\u00edram muita coisa, portas, alimentos, arm\u00e1rios&#8230; levaram todos os telefones, computadores, malas, todo o dinheiro que t\u00ednhamos em casa, que a economista estava a preparar o sal\u00e1rio dos professores da escola, levaram TUDO, a comunidade ficou sem nada.\u201d O Padre Marcelo Oliveira reconhece que, apesar dos esfor\u00e7os das autoridades, vai ser dif\u00edcil ou mesmo imposs\u00edvel descobrir o rasto dos bandidos que assaltaram e assustaram fortemente as Irm\u00e3s Dominicanas em Kinshasa. \u201cO Governo tem tido algumas ac\u00e7\u00f5es com a pol\u00edcia, que faz patrulhas nocturnas para os apanhar, mas nesta imensa cidade \u00e9 complicado. Tentam fazer patrulhas de um lado, mas eles seguem tamb\u00e9m os passos da pol\u00edcia e, por isso, sabem que a pol\u00edcia passou e n\u00e3o os v\u00e3o apanhar. De modo que, rezemos, sobretudo por esta situa\u00e7\u00e3o delicada, esperando que n\u00e3o se repita noutras casas religiosas e, sobretudo, rezemos pelo sofrimento destas religiosas que t\u00eam a casa completamente destru\u00edda\u2026\u201d Este assalto violento na capital da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo ocorre numa altura particularmente grave na vida deste pa\u00eds africano, com uma situa\u00e7\u00e3o de guerra nas prov\u00edncias do Kivu Norte e do Kivu Sul, com cidades atacadas e ocupadas por milicianos do grupo armado M23, apoiado pelo vizinho Ruanda. Tem havido combates intensos desde Dezembro de 2024, que obrigaram j\u00e1 pelo menos meio milh\u00e3o de civis congoleses a fugir das suas casas, segundo dados do ACNUR. Al\u00e9m disso, em Fevereiro deste ano, ocorreu tamb\u00e9m o massacre de pelo menos 70 pessoas, especialmente mulheres, crian\u00e7as e idosos, cujos corpos amarrados e alguns decapitados foram encontrados, como a Funda\u00e7\u00e3o AIS ent\u00e3o noticiou, numa igreja protestante na aldeia de Lubero, tamb\u00e9m na prov\u00edncia do Kivu Norte. Massacre que ter\u00e1 sido da responsabilidade do grupo armado isl\u00e2mico For\u00e7as Democr\u00e1ticas Aliadas, tamb\u00e9m conhecido simplesmente por ADF.<\/p>\n<p><em>Paulo Aido<\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/span><\/p>\n<div class=\"epyt-video-wrapper\"><iframe  id=\"_ytid_39581\"  width=\"480\" height=\"270\"  data-origwidth=\"480\" data-origheight=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/2eKdkfZjeE4?enablejsapi=1&#038;autoplay=0&#038;cc_load_policy=0&#038;cc_lang_pref=pt&#038;iv_load_policy=1&#038;loop=0&#038;rel=0&#038;fs=1&#038;playsinline=1&#038;autohide=2&#038;theme=dark&#038;color=red&#038;controls=1&#038;disablekb=0&#038;\" class=\"__youtube_prefs__  epyt-is-override  no-lazyload\" title=\"YouTube player\"  allow=\"fullscreen; 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