{"id":37164,"date":"2009-02-25T10:20:49","date_gmt":"2009-02-25T10:20:49","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/02\/25\/ajudar-em-tempo-de-crise\/"},"modified":"2009-02-25T10:20:49","modified_gmt":"2009-02-25T10:20:49","slug":"ajudar-em-tempo-de-crise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ajudar-em-tempo-de-crise\/","title":{"rendered":"Ajudar em tempo de crise"},"content":{"rendered":"<p>A situa\u00e7\u00e3o de crise que assola o nosso pa\u00eds est\u00e1 num crescendo e alastra-se cada vez a mais fam\u00edlias portuguesas. A C\u00e1ritas tem vindo a alertar para os sinais desde Maio de 2008, quando a Comiss\u00e3o Permanente recebeu e deu nota dos primeiros sintomas identificados na rede, e em Novembro, quando no Conselho Geral o diagn\u00f3stico j\u00e1 permitia uma tipifica-\u00e7\u00e3o das situa\u00e7\u00f5es-problema. Hoje, a realidade \u00e9 ineg\u00e1vel, \u00e9 not\u00edcia, enche os jornais e os media em geral. A nossa fr\u00e1gil economia n\u00e3o encontrou os meios para fazer face \u00e0 dif\u00edcil conjuntura econ\u00f3mica internacional. Na verdade a crise abalroou muitos, mas a leitura da realidade portuguesa e dos ind\u00edcios internacionais exige que se pense de forma pr\u00f3-activa, tentando antecipar os acontecimentos.  A C\u00e1ritas viu, de uma forma geral, crescer o n\u00famero de solicita\u00e7\u00f5es e confronta-se tamb\u00e9m com novas situa\u00e7\u00f5es cr\u00edticas que urge precaver. S\u00e3o pessoas que ficam de fora das medidas, das rotinas e dos apoios.  A crise atingiu igualmente a classe m\u00e9dia e s\u00e3o cada vez mais as fam\u00edlias desta classe social que recorrem \u00e0 C\u00e1ritas. Como noutras situa\u00e7\u00f5es, muitas fam\u00edlias que viviam suportadas por pequenas sociedades familiares n\u00e3o resistem \u00e0 press\u00e3o. Elas exigem porventura alguma aten\u00e7\u00e3o, de forma a garantir a transitoriedade da sua situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica, salvaguardando tanto quanto poss\u00edvel o seu esp\u00edrito empreendedor. Tamb\u00e9m as solidariedades de proximidade s\u00e3o afectadas pela situa\u00e7\u00e3o, gerando duas situa\u00e7\u00f5es antag\u00f3nicas: a consci\u00eancia de que, mais do que nunca, \u00e9 necess\u00e1rio apoiar\/ser solid\u00e1rio, e a dificuldade crescente de o concretizar. Assim, embora a sociedade civil esteja empenhada em colaborar ao n\u00edvel individual e haja consci\u00eancia solid\u00e1ria, que acreditamos crescente, existe no entanto menos disponibilidade para um apoio mais continuado de proximidade. Portugal confronta-se assim com m\u00faltiplos dilemas na abordagem a uma situa\u00e7\u00e3o em que a ajuda de todos \u00e9 imperiosa. A situa\u00e7\u00e3o actual exige que todos se mobilizem de forma a convergir esfor\u00e7os numa atitude subsidi\u00e1ria com todas as medidas que possam vir a ser impleme-ntadas. Relembro as propostas que sa\u00edram, como conclus\u00f5es, do Conselho Geral da C\u00e1ri-tas, em Novembro \u00faltimo:  &#8211; a promo\u00e7\u00e3o de medidas que impe\u00e7am a press\u00e3o do ass\u00e9dio sofrido pelas fam\u00edlias no acesso a cr\u00e9ditos; &#8211; maior aten\u00e7\u00e3o para a interven\u00e7\u00e3o junto dos novos pobres, sobretudo quando um apoio puder garantir a transitoriedade da situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica; &#8211; a organiza\u00e7\u00e3o de campanhas, de \u00e2mbito nacional, com o objectivo de consci\u00ean-cializar as popula\u00e7\u00f5es para a sua responsabilidade na economia dos recursos energ\u00e9ticos e outros; &#8211; o refor\u00e7o das medidas de pol\u00edticas activas de emprego e de forma\u00e7\u00e3o profissional, bem como, como medida conjuntural, o prolongamento da dura\u00e7\u00e3o da presta\u00e7\u00e3o social de desemprego, caso se verifique, como est\u00e1 previsto, um aumento significativo do desemprego; &#8211; a clarifica\u00e7\u00e3o dos procedimentos conducentes \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o das &#8220;ac\u00e7\u00f5es de fundos imobili\u00e1rios&#8221;; &#8211; a prossecu\u00e7\u00e3o do esfor\u00e7o de incentivos \u00e0 prescri\u00e7\u00e3o de medicamentos gen\u00e9ricos e de se introduzir nas farm\u00e1cias, de todo o territ\u00f3rio nacional, a modalidade das unidoses.  O Conselho Geral da C\u00e1ritas manifestou a sua convic\u00e7\u00e3o de que, mais do que uma crise financeira ou econ\u00f3mica, podemos estar perante uma crise civilizacional de dura\u00e7\u00e3o imprevis\u00edvel, que nos obriga a agir de forma pr\u00f3-activa, com particular incid\u00eancia nos dom\u00ednios da educa\u00e7\u00e3o. Estes tempos s\u00e3o para encontrar formas de revitalizar a economia, para procurar novos meios de atenuar e compensar a escalada do desemprego, \u00e1reas que se imp\u00f5em aos poderes p\u00fablicos. \u00c9 para as fam\u00edlias que a C\u00e1ritas volta a sua aten\u00e7\u00e3o e, de uma forma geral, para todas as situa\u00e7\u00f5es de precariedade. Atrav\u00e9s de cada diocese, cada par\u00f3quia, onde haja quem possa beneficar da sua ajuda. Com caridade e com uma vis\u00e3o atenta, promotora dos valores e da constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade melhor.  Porque a press\u00e3o sobre os recursos \u00e9 cada vez maior, a aten\u00e7\u00e3o tem tamb\u00e9m de se focar sobre a forma de encontrar recursos e a forma de os alocar. Uma linha estrat\u00e9gica importante assenta certamente na comunica\u00e7\u00e3o como meio de alertar consci\u00eancias. Importa encontrar recursos que permitam o apoio pelas C\u00e1ritas Diocesanas e pelas par\u00f3quias. A rela\u00e7\u00e3o entre a oferta de recursos e a necessidade est\u00e1 longe de ser adequada. De acordo com os estudiosos, a palavra crise tem na sua origem a mesma equival\u00eancia da palavra vento. Resta-nos tentar que, perante a inevitabilidade da situa\u00e7\u00e3o que nos envolve, os ventos de hoje possam constituir uma oportunidade de crescimento e o reconhecimento de que agir em conjunto por um bem maior pode construir uma sociedade fortalecida pela certeza de que cada um de n\u00f3s pode fazer a diferen\u00e7a, numa conjuntura fortemente negativa. Agir em tempo de crise exige que se adoptem estrat\u00e9gias de proximidade adequadas a cada realidade, usando os recursos formais e os que formos capazes de congregar e revitali-zando todas as parcerias. Penso que esse ser\u00e1 o caminho. <i>Rita Valadas Pereira Marques, C\u00e1ritas Portuguesa<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A situa\u00e7\u00e3o de crise que assola o nosso pa\u00eds est\u00e1 num crescendo e alastra-se cada vez a mais fam\u00edlias portuguesas. 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