{"id":37153,"date":"2009-02-25T09:32:42","date_gmt":"2009-02-25T09:32:42","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/02\/25\/mensagem-para-a-quaresma-do-bispo-de-viana-do-castelo\/"},"modified":"2009-02-25T09:32:42","modified_gmt":"2009-02-25T09:32:42","slug":"mensagem-para-a-quaresma-do-bispo-de-viana-do-castelo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-para-a-quaresma-do-bispo-de-viana-do-castelo\/","title":{"rendered":"Mensagem para a Quaresma do Bispo de Viana do Castelo"},"content":{"rendered":"<p>Diariamente estamos a ser confrontados e intimamente tocados pela preocupante situa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica e social em que Portugal e outros pa\u00edses ocidentais se encontram mergulhados. Todos nos sentimos envolvidos por este fen\u00f3meno de car\u00e1cter cada vez mais global. Multiplicam-se as an\u00e1lises elaboradas por especialistas na mat\u00e9ria, frequentes sinais de alerta, arriscam-se previs\u00f5es a curto e m\u00e9dio prazo, mais ou menos pessimistas sobre o futuro.  A perspectiva crist\u00e3 nestas situa\u00e7\u00f5es deve ser encarada com serenidade e alicer\u00e7ada sobre a din\u00e2mica da esperan\u00e7a, capaz de mobilizar um esfor\u00e7o generoso e colectivo em favor dos cidad\u00e3os afectados pela crise, na convic\u00e7\u00e3o de que depois da tempestade vir\u00e1 a bonan\u00e7a. Entretanto, por\u00e9m, n\u00e3o podemos cruzar os bra\u00e7os ou encolher os ombros, na expectativa de que a crise n\u00e3o nos atinja. Urge agir porque h\u00e1 v\u00edtimas que solicitam aux\u00edlio. Estamos conscientes de que a procura de solu\u00e7\u00f5es pol\u00edticas para ultrapassar este complexo problema incumbe prioritariamente aos poderes p\u00fablicos, aos governantes legitimamente mandatados para promover e administrar o bem comum, com equidade \u00e9tica, justi\u00e7a e paz. A eles compete acompanhar com aten\u00e7\u00e3o e sabedoria o evoluir das comunidades a que presidem, particularmente nos momentos mais dif\u00edceis, consagrando singular cuidado \u00e0s parcelas mais fr\u00e1geis da popula\u00e7\u00e3o. Nesta tarefa, os governantes s\u00e3o coadjuvados pelas institui\u00e7\u00f5es que deles dependem, particularmente pelas que actuam nesta \u00e1rea social. A Igreja e os crist\u00e3os que a constituem, em raz\u00e3o da sua miss\u00e3o e compet\u00eancia, n\u00e3o podem ficar alheios a este fen\u00f3meno social. \u00c9 verdade que a Igreja n\u00e3o se confunde com o poder pol\u00edtico. Mas, no respeito pela independ\u00eancia e autonomia pr\u00f3pria de cada um, sente que ambos servem a voca\u00e7\u00e3o pessoal e social dos mesmos seres humanos. Por isso, est\u00e1 sempre dispon\u00edvel para empreender uma s\u00e3 coopera\u00e7\u00e3o, que se afigura condi\u00e7\u00e3o essencial para se obter maior efic\u00e1cia no servi\u00e7o que se presta ao bem de todos (cf. GS. 76). N\u00e3o se exclui, antes se requerer igualmente o contributo de todos os cidad\u00e3os, nomeadamente dos trabalhadores e empres\u00e1rios afectos \u00e0 promo\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a no campo do trabalho. A comunidade crist\u00e3 e as institui\u00e7\u00f5es de que disp\u00f5e sabem que nada que toque com os diversos aspectos da vida do ser humano, no \u00e2mbito material como no espiritual, nos pode ser alheio. Basta recordar a fun\u00e7\u00e3o emblem\u00e1tica desempenhada atrav\u00e9s dos s\u00e9culos pelas miseric\u00f3rdias, orfanatos, asilos ou lares de idosos, os apoios em momentos de epidemias e de cat\u00e1strofes, que deixaram na hist\u00f3ria marcas indel\u00e9veis do g\u00e9nio do cristianismo. As quest\u00f5es sociais t\u00eam merecido a aten\u00e7\u00e3o da Igreja atrav\u00e9s dos tempos, com particular acuidade a partir do papa Le\u00e3o XIII com a carta enc\u00edclica \u201cRerum Novarum 1891\u201d. Desde ent\u00e3o, t\u00eam sido frequentes as tomadas de posi\u00e7\u00e3o da Igreja sobre problemas de ordem social como este que estamos a viver.  No nosso tempo, \u00e9 clara a posi\u00e7\u00e3o assumida pelo C. Vat. II: \u00abAs alegrias e as esperan\u00e7as, as tristezas e as ang\u00fastias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, s\u00e3o tamb\u00e9m as alegrias e as esperan\u00e7as, as tristezas e as ang\u00fastias dos disc\u00edpulos de Cristo; e n\u00e3o h\u00e1 realidade alguma verdadeiramente humana que n\u00e3o encontre eco no seu cora\u00e7\u00e3o\u00bb (GS. 1). Muito antes, nos primeiros s\u00e9culos do cristianismo, j\u00e1 S.to Ireneu tinha afirmado: \u00abA gl\u00f3ria de Deus \u00e9 o homem vivo\u00bb.  Consciente dessa miss\u00e3o, no in\u00edcio desta Quaresma, o bispo desta diocese de Viana do Castelo dirige a todos os diocesanos uma sentida exorta\u00e7\u00e3o, um vivo apelo, a darmos as m\u00e3os a fim de empreender uma ajuda solid\u00e1ria e fraterna \u00e0s v\u00edtimas desta recess\u00e3o econ\u00f3mica. A todas as institui\u00e7\u00f5es diocesanas encorajamos a que estejam preparadas e cada vez mais atentas \u00e0s situa\u00e7\u00f5es criadas pela actual crise e \u00e0s consequ\u00eancias funestas dela emergentes. Tendo como base os estudos que v\u00e3o sendo publicados, afigura-se-nos que as faixas mais vulner\u00e1veis da sociedade s\u00e3o: os desempregados ou em risco de o serem; as fam\u00edlias monoparentais perante o risco de perda do emprego, \u00fanico bra\u00e7o de sustento da fam\u00edlia; os reformados com magras pens\u00f5es sociais, os idosos que n\u00e3o acompanharam o aumento do n\u00edvel de vida verificado nas \u00faltimas d\u00e9cadas, os jovens \u00e0 procura do primeiro emprego e as popula\u00e7\u00f5es imigrantes em busca de trabalho, agora ainda mais escasso. Especial aten\u00e7\u00e3o devem merecer-nos as fam\u00edlias com crian\u00e7as ou jovens em idade escolar.  Este nosso apelo dirige-se prioritariamente a todas e cada uma das par\u00f3quias e outras comunidades crist\u00e3s, que n\u00e3o deixar\u00e3o de o ter em conta nos seus projectos e or\u00e7amentos, nomeadamente na modera\u00e7\u00e3o de gastos dispens\u00e1veis na programa\u00e7\u00e3o das festas religiosas e outros eventos, a fim de alargar a sua capacidade de aux\u00edlio; \u00e0s C\u00e1ritas diocesana e paroquiais, \u00e0s Miseric\u00f3rdias e respectivas institui\u00e7\u00f5es, \u00e0s Confer\u00eancias Vicentinas e outras associa\u00e7\u00f5es de fi\u00e9is com not\u00f3rio e reconhecido empenho neste servi\u00e7o humanit\u00e1rio e de solidariedade crist\u00e3. Papel relevante poder\u00e3o vir a desempenhar tamb\u00e9m os Centros Sociais Paroquiais pela rela\u00e7\u00e3o de proximidade que os caracteriza, pela implanta\u00e7\u00e3o de que beneficiam dentro das mesmas comunidades e pelo largo saber adquirido na j\u00e1 longa experi\u00eancia de servi\u00e7o aos mais carenciados. Para isso, dever\u00e3o poder contar com o generoso contributo individual de todos e cada um dos fi\u00e9is. Aqueles que presidem a estas ou a outras institui\u00e7\u00f5es similares, bem como os que delas fazem parte pela sua partilha de bens, descobrir\u00e3o a melhor forma de prestar este servi\u00e7o aos cidad\u00e3os atingidos pela presente crise. Hoje, as institui\u00e7\u00f5es de apoio social utilizam novos m\u00e9todos na presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, podem dispor de adicionais meios materiais e acrescida qualidade de condi\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, o que lhes permitir\u00e1 alargar o \u00e2mbito da sua actua\u00e7\u00e3o e atingir um n\u00edvel cada vez mais elevado de humaniza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os prestados. A capacidade criativa, \u201ca fantasia da caridade\u201d, deve estar sempre presente no horizonte dos objectivos a atingir, em ordem \u00e0 qualidade e delicadeza de trato nos servi\u00e7os de atendimento \u00e0 pessoa em situa\u00e7\u00e3o de car\u00eancia.  Estamos prestes a iniciar o tempo da Quaresma, tempo de reflex\u00e3o crist\u00e3, de renova\u00e7\u00e3o espiritual, de purifica\u00e7\u00e3o e de partilha fraterna, significadas pelo jejum, abstin\u00eancia e esmola. A Igreja diocesana, por sua parte, destina desde j\u00e1 \u00e0 C\u00e1ritas diocesana a maior parte da \u00abren\u00fancia quaresmal\u00bb do corrente ano, refor\u00e7ando o seu habitual or\u00e7amento, para que esta possa atender \u00e0s situa\u00e7\u00f5es mais prementes. Apenas um ter\u00e7o ser\u00e1 destinado \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o dos Semin\u00e1rios diocesanos, suavizando assim os encargos econ\u00f3micos dos pais dos nossos alunos. \u00c9 com muita esperan\u00e7a que levamos at\u00e9 v\u00f3s, em forma de Mensagem Pastoral, esta preocupa\u00e7\u00e3o de amor fraterno. Os irm\u00e3os carentes agradecem e Deus vos retribuir\u00e1 \u201ccem por um\u201d. No dia lit\u00fargico de S. Teot\u00f3nio, Viana do Castelo, 18 de Fevereiro de 2009. <i>+ Jos\u00e9 Augusto Pedreira, Bispo de Viana do Castelo <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diariamente estamos a ser confrontados e intimamente tocados pela preocupante situa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica e social em que Portugal e outros pa\u00edses ocidentais se encontram mergulhados. Todos nos sentimos envolvidos por este fen\u00f3meno de car\u00e1cter cada vez mais global. 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