{"id":371450,"date":"2025-04-21T06:34:32","date_gmt":"2025-04-21T05:34:32","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=371450"},"modified":"2025-04-21T16:36:40","modified_gmt":"2025-04-21T15:36:40","slug":"homilia-do-bispo-de-vila-real-no-domingo-de-pascoa-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-vila-real-no-domingo-de-pascoa-2\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo de Vila Real no Domingo de P\u00e1scoa"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_368877\" aria-describedby=\"caption-attachment-368877\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/487883932_1115709230596982_939118728155491497_n.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-368877 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/487883932_1115709230596982_939118728155491497_n.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"675\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/487883932_1115709230596982_939118728155491497_n.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/487883932_1115709230596982_939118728155491497_n-400x225.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/487883932_1115709230596982_939118728155491497_n-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/487883932_1115709230596982_939118728155491497_n-768x432.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-368877\" class=\"wp-caption-text\">Foto_ Diocese de Vila Real<\/figcaption><\/figure>\n<p>Nesta manh\u00e3 de P\u00e1scoa ecoa nesta catedral e nas igrejas de todo o mundo onde se re\u00fanem as comunidades crist\u00e3s a grande not\u00edcia: Cristo Ressuscitou! Com o nosso louvor e o nosso canto aclamamos: Aleluia! O Senhor est\u00e1 vivo e presente no meio de n\u00f3s!<\/p>\n<p>No Credo que hoje solenemente proclamamos, afirmamos que \u00abAquele que padeceu e foi sepultado, ressuscitou ao terceiro dia conforme as escrituras\u00bb. Este \u00e9 momento decisivo da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o e constitui o n\u00facleo fundamental da nossa f\u00e9 crist\u00e3. \u00c9 o acontecimento que responde \u00e0s grandes expectativas do homem; \u00e9 a trave mestra da nossa esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Ao ressuscitar Jesus que tinha morrido na cruz e descido \u00e0 mans\u00e3o dos mortos, Deus corresponde, antes de mais, \u00e0 confian\u00e7a total que o Filho depositara no Pai. Uma esperan\u00e7a que \u00a0n\u00e3o foi em v\u00e3o nem ficou defraudada, pelo contr\u00e1rio, foi plena e totalmente confirmada. Da mesma forma, com a ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo, Deus responde ao desejo mais profundo do seu povo e de toda a humanidade: que a maravilha da vida n\u00e3o fique soterrada pelo drama da morte mas que se eleve a horizontes de plenitude. Esta \u00e9 a grande esperan\u00e7a que se cumpre na P\u00e1scoa de Cristo: a vida venceu a morte. Ao ser humano abrem-se horizontes de eternidade.<\/p>\n<p>A P\u00e1scoa, sinal maior da esperan\u00e7a humana, \u00e9 um clar\u00e3o de luz que ilumina toda a hist\u00f3ria e nos ajuda a compreend\u00ea-la como hist\u00f3ria de vida e salva\u00e7\u00e3o. Esta consci\u00eancia precisa de ser mais avivada em tempos, como estes que vivemos, em que \u00e0s expectativas de paz, prosperidade e solidariedade parecem sobrepor-se a viol\u00eancia e as leis do vale tudo ou do mais forte. A luz pascal \u00e9 necess\u00e1ria para vencer muitas sombras que pairam sobre o nosso futuro.<\/p>\n<p>A esperan\u00e7a pascal n\u00e3o est\u00e1 sujeita a revoga\u00e7\u00e3o ou perda de validade. N\u00e3o se trata de um ciclo intermin\u00e1vel de eterno retorno, de algu\u00e9m que voltou \u00e0 vida para tornar a morrer. Cristo morreu e ressuscitou de uma vez por todas e est\u00e1 vivo para sempre. Por isso a nossa esperan\u00e7a pascal n\u00e3o \u00e9 intermitente mas \u00e9 rocha inabal\u00e1vel que resiste a tudo.<\/p>\n<p>P\u00e1scoa \u00e9 \u201cpassagem\u201d para a vida nova em Deus, para a terra da liberdade, territ\u00f3rio onde Deus reina. Ela inaugura um dia novo, um tempo novo. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel voltar ao que passou, retornar ao j\u00e1 vivido, mas importa estar dispon\u00edvel \u00e0 novidade que Jesus inaugurou e ao caminho a percorrer. Por isso, n\u00f3s que, pelo batismo morremos e ressuscitamos com Cristo para uma vida nova, devemos pensar naquilo que est\u00e1 por fazer, no que est\u00e1 ainda escondido, por revelar. Da mesma forma, a Igreja, nascida na P\u00e1scoa, dever\u00e1 estar aberta a tudo o que Deus quer fazer nela e por ela, e n\u00e3o entricheirar-se ou acomodar-se com o j\u00e1 alcan\u00e7ado.<\/p>\n<p>A liturgia da palavra desta celebra\u00e7\u00e3o sublinha dois aspetos essenciais da din\u00e2mica pascal. Em primeiro lugar refere que tudo come\u00e7ou quando Maria Madalena e depois os dois disc\u00edpulos verificaram que o sepulcro estava vazio. Restavam alguns sinais da presen\u00e7a do corpo do Senhor mas Ele n\u00e3o estava ali. A corrida at\u00e9 ao sepulcro culminou com a \u00a0express\u00e3o decisiva: \u00abViu e acreditou\u00bb. \u00a0Aquela experi\u00eancia inicial, confirmada posteriormente pelas apari\u00e7\u00f5es do Ressuscitado aos seus disc\u00edpulos e iluminada com o dom do Esp\u00edrito Santo foi a condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel que fez dos ap\u00f3stolos Pedro e Jo\u00e3o verdadeiras testemunhas da P\u00e1scoa. Em tom autobiogr\u00e1fico, o evangelista reconheceu que \u00abainda n\u00e3o tinham entendido a escritura segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos\u00bb.<\/p>\n<p>A celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa \u00e9 oportunidade para todo o crente \u00abver e acreditar\u00bb. Sentir que a presen\u00e7a do Senhor na sua vida \u00e9 uma presen\u00e7a viva e aut\u00eantica; reconhecer que Ele est\u00e1 vivo na comunidade dos crentes. Mais at\u00e9 do que aqueles ap\u00f3stolos, podemos \u00abacreditar mesmo sem ter visto\u00bb, fundados na veracidade do seu testemunho. Um acreditar que se manifesta de modo formal na proclama\u00e7\u00e3o do Credo mas que confirma sobretudo nos nossos gestos e palavras. Uma f\u00e9 pascal reveste-se sempre de uma alegria contagiante, de uma paz que inunda todo o ser da pessoa, de uma confian\u00e7a inabal\u00e1vel na vida e numa esperan\u00e7a e for\u00e7a interior que nada consegue vencer. Tudo isso experimentaram os protagonistas daquela manh\u00e3 pascal; tudo isso somos chamados a viver hoje.<\/p>\n<p>Por outro lado, o dinamismo pascal implica anunciar a boa nova da ressurrei\u00e7\u00e3o. Uma refer\u00eancia especial merece a figura de Maria Madalena. Ela n\u00e3o desistiu perante a morte de Jesus mas logo de manh\u00e3 foi ao sepulcro. Sendo a primeira a acolher a novidade do sepulcro vazio, foi contar aos ap\u00f3stolos aquela descoberta. Com este gesto ela pode ser citada como modelo do papel da mulher na vida da Igreja. Como ela podem ser importantes testemunhas da f\u00e9. Pela sua cren\u00e7a inabal\u00e1vel, pela sua dedica\u00e7\u00e3o incans\u00e1vel podem contagiar as fam\u00edlias e as comunidades para a f\u00e9 em Jesus ressuscitado.<\/p>\n<p>O ap\u00f3stolo Pedro, figura decisiva da manh\u00e3 de P\u00e1scoa, foi tamb\u00e9m um anunciador incans\u00e1vel do acontecimento da ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, do seu significado e consequ\u00eancias, como aconteceu na casa de Corn\u00e9lio. A esta luz, a celebra\u00e7\u00e3o pascal \u00e9 momento que fortalece o nosso compromisso pessoal em sermos testemunhas da P\u00e1scoa de Cristo.<\/p>\n<p>O testemunho da f\u00e9 \u00e9, sem d\u00favida, um dos maiores desafios colocados a toda a Igreja e a cada crist\u00e3o. A f\u00e9 n\u00e3o pode ser um assunto tabu ou marginal, ou mat\u00e9ria que suscite vergonha ou inc\u00f3modo. N\u00e3o se trata de \u201cdiscutir religi\u00e3o\u201d, impor convic\u00e7\u00f5es ou defender uma ideologia, mas de partilhar viv\u00eancias e valores da pessoa, de compartilhar experi\u00eancias e descobertas; de manifestar sem receio quem somos e em que acreditamos. Esta abertura \u00e9 fundamental para as novas gera\u00e7\u00f5es, pode ser muito \u00fatil para os que buscam a f\u00e9, e necess\u00e1ria para os que est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de maior fragilidade.<\/p>\n<p>O dinamismo pascal come\u00e7ou naquela manh\u00e3 e n\u00e3o mais parou. Em cada ano deve suscitar o aprofundamento da f\u00e9, um maior \u00a0compromisso com o testemunho e um fortalecer da esperan\u00e7a. Que Jesus Ressuscitado ilumine o cora\u00e7\u00f5es dos homens para que, renovados pela vida nova que Ele nos trouxe, se empenhem em construir um futuro mais justo e pac\u00edfico. Santa P\u00e1scoa para todos!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vila Real, 20 de abril de 2025<\/p>\n<p><em>D. Ant\u00f3nio Augusto de Oliveira Azevedo<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":2,"featured_media":368877,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[927],"class_list":["post-371450","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-pascoa-domingo-de-pascoa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/371450","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=371450"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/371450\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/368877"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=371450"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=371450"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=371450"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}