{"id":37081,"date":"2009-02-20T13:09:00","date_gmt":"2009-02-20T13:09:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/02\/20\/homilia-de-d-jose-alves-na-tomada-de-posse-dos-novos-conegos\/"},"modified":"2009-02-20T13:09:00","modified_gmt":"2009-02-20T13:09:00","slug":"homilia-de-d-jose-alves-na-tomada-de-posse-dos-novos-conegos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-d-jose-alves-na-tomada-de-posse-dos-novos-conegos\/","title":{"rendered":"Homilia de D. Jos\u00e9 Alves na tomada de posse dos novos C\u00f3negos"},"content":{"rendered":"<p>Iluminada pela Palavra, que nos revela quem \u00e9 Deus e nos d\u00e1 a conhecer as maravilhas por Ele operadas, ao longo da hist\u00f3ria da Salva\u00e7\u00e3o, a Igreja faz do louvor a sua ora\u00e7\u00e3o preferida, pois considera o louvor como a atitude mais digna para se apresentar diante do seu Senhor, de quem tudo recebe e para o qual caminha sem cessar. Enquanto espera a gl\u00f3ria celeste onde o louvor a Deus \u00e9 perene, a Igreja convida os seus filhos a alternarem os per\u00edodos de trabalho e os per\u00edodos de descanso com alguns momentos de ora\u00e7\u00e3o, distribu\u00eddos ao longo do dia, para dar gra\u00e7as a Deus, que nos fez participantes dos seus dons maravilhosos. Um desses momentos coincide com o fim do dia solar a que damos o nome de ora\u00e7\u00e3o de V\u00e9speras, que n\u00f3s estamos a celebrar, nesta tarde de alegria e de festa. Vindos de v\u00e1rios pontos da Diocese, reunimo-nos em grande n\u00famero, na igreja m\u00e3e, para elevarmos em un\u00edssono um c\u00e2ntico jubiloso de louvor ao nosso Deus, pelos presb\u00edteros que concedeu a esta parcela do seu Povo e, nomeadamente, pelos tr\u00eas \u2013 P. J\u00falio Esteves, P. Jos\u00e9 Morais Palos e P. Francisco Senra Coelho \u2013 que a partir de hoje ficam a enriquecer o Cabido da Catedral, ao qual est\u00e1 confiada uma especial colabora\u00e7\u00e3o com o Bispo diocesano, no governo da Diocese, nas celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas mais solenes e na conserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f3nio.  Fun\u00e7\u00f5es do cabido no passado e no presente  \tAs fun\u00e7\u00f5es e a import\u00e2ncia do Cabido, no contexto da pastoral diocesana, alteraram-se profundamente ao longo dos s\u00e9culos. Os Cabidos tiveram a sua origem num grupo de presb\u00edteros que viviam em comum com o Bispo, ao qual ajudavam directamente nas actividades da evangeliza\u00e7\u00e3o, nas celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas e no governo da Diocese. No tempo em que foi institu\u00eddo o Cabido da S\u00e9 de \u00c9vora, os c\u00f3negos ainda viviam em comum com o Bispo mas a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o se prolongou por muito tempo. \tNo s\u00e9culo XIII entrou-se numa fase de autonomia e cessou a vida comunit\u00e1ria. Vivendo cada um por sua conta, todos continuavam ligados \u00e0 Catedral para assegurar o culto solene, mas dispondo da colabora\u00e7\u00e3o de um vasto conjunto de outro pessoal menor, entre os quais se encontravam capel\u00e3es, m\u00fasicos, coreiros, e outros. Coadjuvavam o Bispo com o seu conselho e assist\u00eancia, cabendo particularmente ao Arcediago a fun\u00e7\u00e3o de o substituir ou representar junto das par\u00f3quias rurais. Na medida em que o poder r\u00e9gio e a confirma\u00e7\u00e3o papal o permitiam, os C\u00f3negos tinham tamb\u00e9m a fun\u00e7\u00e3o de eleger o Bispo.  \tDo s\u00e9culo XVI ao s\u00e9culo XVIII, foi uma \u00e9poca de desafogo econ\u00f3mico e de grande prest\u00edgio social e cultural, de que nos ficaram evidentes sinais do mecenato exercido pelo Cabido nas \u00e1reas do ensino, da m\u00fasica, da cultura, da liturgia, da remodela\u00e7\u00e3o da capela-mor da S\u00e9 e at\u00e9 dos privil\u00e9gios papais concedidos \u00e0 catedral e ao pr\u00f3prio Cabido. Do esplendor desses tempos ainda perduram as riqu\u00edssimas alfaias lit\u00fargicas, o esp\u00f3lio musical e o museu de arte sacra.  \tNos s\u00e9culos subsequentes, o Cabido viria a sofrer profundas altera\u00e7\u00f5es, tanto no contexto social como no contexto eclesi\u00e1stico. No contexto social, porque ficou privado das fontes de receita. No contexto eclesi\u00e1stico, porque aos novos \u00f3rg\u00e3os colegiais de consulta do Bispo, institu\u00eddos pelo II Conc\u00edlio do Vaticano, foram atribu\u00eddas algumas das fun\u00e7\u00f5es consultivas que eram exercidas pelo Cabido. \tMas nem tudo acabou. Ainda hoje continua a ter um lugar de destaque no contexto diocesano. O C\u00f3digo do Direito can\u00f3nico (1983) assinala aos C\u00f3negos v\u00e1rias fun\u00e7\u00f5es, entre as quais se inclui a de assegurar o culto na S\u00e9, velar pelo patrim\u00f3nio quer enquanto col\u00e9gio, quer enquanto membros singulares aos quais s\u00e3o atribu\u00eddos of\u00edcios espec\u00edficos, pelo Direito, pelos Estatutos ou pelo Bispo diocesano. A n\u00edvel individual tenham-se em conta, por exemplo, as Dignidades e o C\u00f3nego Penitenci\u00e1rio (c.506) que tem a faculdade delegada de absolver das censuras \u201clatae sententiae\u201d, n\u00e3o reservadas ao papa. \tOs C\u00f3negos t\u00eam direito a participar no Conc\u00edlio Provincial (c.443\u00a75), se alguma vez se realizar, e est\u00e3o obrigados a participar no S\u00ednodo Diocesano (c463\u00a71, sempre que ele seja convocado.  Fun\u00e7\u00e3o do Col\u00e9gio dos Consultores  \tO C\u00f3digo do Direito Can\u00f3nico (1983) instituiu um novo \u00f3rg\u00e3o de consulta do Bispo Diocesano, chamado Col\u00e9gio de Consultores, que deve ser constitu\u00eddo por um grupo de presb\u00edteros (6 a 12), extra\u00eddo do Conselho Presbiteral. Para este Col\u00e9gio foram transferidas as fun\u00e7\u00f5es de consulta que pertenciam ao Cabido, a n\u00e3o ser que, mediante pedido apresentado \u00e0 Santa S\u00e9, esta autorize que o Cabido exer\u00e7a as fun\u00e7\u00f5es atribu\u00eddas ao Col\u00e9gio de Consultores. E \u00e9 esta a situa\u00e7\u00e3o do Cabido de \u00c9vora, que est\u00e1 autorizado a exercer as fun\u00e7\u00f5es do Col\u00e9gio de Consultores. Portanto, nessa qualidade, aos C\u00f3negos s\u00e3o atribu\u00eddas fun\u00e7\u00f5es de relevo, em momentos cruciais e quando seja necess\u00e1rio tomar decis\u00f5es de grande import\u00e2ncia para a vida da Diocese.  \tVejamos algumas situa\u00e7\u00f5es concretas. \u00c9 perante o Col\u00e9gio de Consultores, \u00fanico \u00f3rg\u00e3o colegial de consulta que n\u00e3o se extingue com a vac\u00e2ncia da S\u00e9, que o novo Bispo toma posse, como aconteceu h\u00e1 quase um ano nesta catedral. Quando a S\u00e9 estiver impedida ou ficar vaga, compete-lhe eleger o Administrador Diocesano, caso a Santa S\u00e9 n\u00e3o providencie de outra forma. Por sua vez o Administrador Diocesano necessita do consentimento do Col\u00e9gio de Consultores para proceder \u00e0 incardina\u00e7\u00e3o ou excardina\u00e7\u00e3o de um presb\u00edtero e para passar cartas demiss\u00f3rias a quem for receber ordens sacras. Certos actos de administra\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria, previstos no C\u00f3digo do Direito Can\u00f3nico, s\u00f3 podem ser realizados pelo Bispo, mediante consentimento expresso do Col\u00e9gio de Consultores. Como se v\u00ea, trata-se de um \u00f3rg\u00e3o colegial de grande responsabilidade. Na vida diocesana.  Ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as pelos novos C\u00f3negos  \tEmbora actualmente o Cabido tenha perdido visibilidade social, ele continua a desempenhar fun\u00e7\u00f5es de grande responsabilidade na Igreja. Por isso, a legisla\u00e7\u00e3o can\u00f3nica recomenda que o canonicato seja concedido a sacerdotes not\u00e1veis pela sua doutrina e integridade de vida e que tenham exercido com zelo o minist\u00e9rio pastoral. \tAo ver o Cabido eborense enriquecido com estes tr\u00eas novos membros, o primeiro a elevar hinos e ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as a Deus sou eu, porque vejo neste col\u00e9gio de presb\u00edteros um precioso auxiliar, que o Senhor me concede para conduzir pelos caminhos da f\u00e9, do amor e da esperan\u00e7a a parcela do Povo de Deus, confiada aos meus cuidados de Pastor e de Sucessor dos Ap\u00f3stolos. Seguindo o exemplo de S. Paulo, ao escrever pela segunda vez aos crist\u00e3os de Tessal\u00f3nica, tamb\u00e9m eu vos convido a v\u00f3s, caros C\u00f3negos, a dar gra\u00e7as a Deus que vos escolheu para serdes salvos e para ajudardes os crentes a salvar-se pelo Esp\u00edrito que santifica e pela f\u00e9 na verdade. \tE a todos v\u00f3s, meus irm\u00e3os, convido a que vos associeis a n\u00f3s para enaltecermos o nosso Deus que pela Palavra Incarnada se nos deu a conhecer, nos abriu o caminho da perfei\u00e7\u00e3o, colocando ao nosso lado homens por Ele eleitos e consagrados para serem nossos auxiliares, condutores, modelos e mestres de f\u00e9. \tMaria sant\u00edssima, a serva do Senhor que, melhor do que ningu\u00e9m, soube cantar os louvores de Deus, nos ensine a servir os irm\u00e3os e a louvar o nosso Deus pelas maravilhas que Ele continua a operar no meio de n\u00f3s.   \u00c9vora, 15 de Fevereiro de 2009 <i> + Jos\u00e9 Francisco Sanches Alves Arcebispo de \u00c9vora <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Iluminada pela Palavra, que nos revela quem \u00e9 Deus e nos d\u00e1 a conhecer as maravilhas por Ele operadas, ao longo da hist\u00f3ria da Salva\u00e7\u00e3o, a Igreja faz do louvor a sua ora\u00e7\u00e3o preferida, pois considera o louvor como a atitude mais digna para se apresentar diante do seu Senhor, de quem tudo recebe e 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