{"id":370753,"date":"2025-04-20T02:47:43","date_gmt":"2025-04-20T01:47:43","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=370753"},"modified":"2025-04-20T02:47:43","modified_gmt":"2025-04-20T01:47:43","slug":"homilia-do-bispo-de-leiria-fatima-na-vigilia-pascal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-leiria-fatima-na-vigilia-pascal\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo de Leiria-F\u00e1tima na Vig\u00edlia Pascal"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_370747\" aria-describedby=\"caption-attachment-370747\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/IMG_5896-scaled.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-370747 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/IMG_5896-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/IMG_5896-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/IMG_5896-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/IMG_5896-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/IMG_5896-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/IMG_5896-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/IMG_5896-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-370747\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Diocese de Leiria-F\u00e1tima\/Paulo Adriano<\/figcaption><\/figure>\n<p>Vamos sentar-nos um momento. Nesta noite, uma noite longa. Mas uma noite, espero, onde a verdade sempre cresce.<\/p>\n<p>Os actos que celebr\u00e1mos at\u00e9 agora foram actos de palavra \u2014 n\u00e3o tanto do passado, mas das ra\u00edzes, daquilo que est\u00e1 mais fundo. Come\u00e7\u00e1mos por acender um fogo, l\u00e1 fora, porque \u00e9 um fogo novo que nasce nesta terra, a cada ano.<\/p>\n<p>E, em cada ano, tamb\u00e9m n\u00f3s somos confrontados com desafios novos. Precisamos que o nosso cora\u00e7\u00e3o se aque\u00e7a para lhes responder. Para responder pela nossa f\u00e9, com o cora\u00e7\u00e3o preparado, animado pela Palavra interior.<\/p>\n<p>A Palavra \u00e9 como uma mulher: gera, d\u00e1 vida. \u00c9 uma Palavra com s\u00e9culos. E \u00e9 hoje que se repete o momento. Depois de s\u00e9culos a escut\u00e1-la, \u00e9 nesta noite que ela se cumpre: ele, que passou pela morte, ressuscita.<\/p>\n<p>Quando chega o novo dia, aparece uma nova luz. N\u00f3s cantamos ao celebrar o santo c\u00edrio, que acendemos para iluminar esta noite. Por isso entr\u00e1mos, trazendo luz para dentro da igreja.<\/p>\n<p>Sem esta luz, tudo estaria mergulhado na escurid\u00e3o. Mas trouxemos luz. Olhemos o que aconteceu h\u00e1 dois mil anos, em Jerusal\u00e9m.<\/p>\n<p>Tudo parecia ter acabado na vida de Jesus e dos seus disc\u00edpulos. Eles acreditavam que o mundo ia mudar, que Jesus vinha para instaurar um novo tempo.<\/p>\n<p>Mas tinham feito um plano para Jesus \u2014 e estavam longe de perceber o plano de Jesus para si e para eles. Por isso n\u00e3o estavam preparados para o esc\u00e2ndalo da cruz.<\/p>\n<p>Quando ele foi morto, todos fugiram, com medo. Tinham jurado que estavam dispostos a morrer com ele\u2026 mas ca\u00edram.<\/p>\n<p>Agora estavam desanimados. Pedro e os outros, que tinham negado Jesus. Judas terminou o seu caminho longe do Mestre. Tudo parecia perdido.<\/p>\n<p>Na manh\u00e3 de domingo, um deles j\u00e1 estava a caminho. Os outros estavam fechados em casa, cheios de medo. E \u00e9 precisamente nesta noite que brilha uma nova luz sobre este grupo de disc\u00edpulos.<\/p>\n<p>Porque muitos duvidaram: \u201cMas ele n\u00e3o era o Messias? Como \u00e9 poss\u00edvel?\u201d Pensavam que tudo tinha sido um sonho. Afinal, ele tinha feito tantos milagres, tinha falado como ningu\u00e9m antes\u2026<\/p>\n<p>Mas foi esse mesmo Jesus que veio ao encontro deles, e isso mudou tudo. Nessa presen\u00e7a, perceberam que ele tinha raz\u00e3o. N\u00f3s \u00e9 que n\u00e3o t\u00ednhamos compreendido a raz\u00e3o de Deus.<\/p>\n<p>Pens\u00e1vamos que a salva\u00e7\u00e3o vinha pelos ex\u00e9rcitos, pela for\u00e7a, pelos triunfos. Mas n\u00e3o \u2014 esse n\u00e3o era o caminho. O verdadeiro caminho era novo: um mundo que nascia onde essas armas desapareciam.<\/p>\n<p>Nascia uma nova maneira de viver: oferecendo a vida, animando tudo o que \u00e9 vida, criando fraternidade, paz, um mundo para todos. Esse \u00e9 o mundo novo que est\u00e1 a nascer.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, os disc\u00edpulos come\u00e7am a entender. Esta \u00e9 a primeira palavra de Deus: ele tinha raz\u00e3o. Aquela luz n\u00e3o se apagou.<\/p>\n<p>Simplesmente teve de passar pela morte, como todos n\u00f3s. Para mostrar que a luz deste mundo n\u00e3o basta. Acender o fogo \u00e9 bonito e simb\u00f3lico, mas n\u00e3o chega.<\/p>\n<p>Se essa luz n\u00e3o entrar no nosso cora\u00e7\u00e3o, se n\u00e3o o aquecer, n\u00e3o serve de nada. A f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 apenas para depois da morte. \u00c9 agora que tudo se transforma.<\/p>\n<p>O Jesus ressuscitado \u00e9 o mesmo que passou por esta terra a fazer o bem, a curar os doentes, a ensinar. Ele veio criar um mundo novo no cora\u00e7\u00e3o das pessoas. \u00c9 este o caminho que nos liberta do mal.<\/p>\n<p>E, por isso, daqui a pouco vamos celebrar o dom da Igreja: os nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s, catec\u00famenos, que hoje professam a f\u00e9.<\/p>\n<p>Foram momentos de descoberta, em que perceberam que o Senhor n\u00e3o os abandonou, mas est\u00e1 presente, e caminha com eles at\u00e9 ao fim. Por isso foram enviados ao mundo. E se n\u00f3s estamos aqui hoje, \u00e9 porque eles mudaram de mentalidade e compreenderam a l\u00f3gica de Jesus: uma l\u00f3gica nova.<\/p>\n<p>Deixaram o medo. Abriram as portas. Ningu\u00e9m sai para anunciar se n\u00e3o tiver esta certeza. Eles n\u00e3o anunciavam apenas para si \u2014 o que tinham vivido merecia ser comunicado ao mundo inteiro.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que os nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s v\u00e3o hoje ser baptizados. S\u00e3o frutos da mesma f\u00e9. E n\u00e3o \u00e9 por parecer bem \u2014 \u00e9 porque, a partir de agora, t\u00eam uma vida nova, que nunca mais acaba.<\/p>\n<p>Mesmo quando chegar a hora de apagar a luz da vida na terra, essa vida nova permanece. Uma antiga liturgia do baptismo dizia: aquele que foi baptizado subia tr\u00eas degraus e escutava: \u201cSe permaneceres fiel ao Esp\u00edrito que recebeste, este \u00e9 o primeiro dia da tua ressurrei\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Pois bem, irm\u00e3os e irm\u00e3s: para v\u00f3s, este \u00e9 o primeiro dia da vossa ressurrei\u00e7\u00e3o. Recebeis hoje uma vida que n\u00e3o acaba. A vida que se recebe no baptismo \u00e9 a vida de filhos e filhas de Deus.<\/p>\n<p>E \u00e9 com esta vida que todos come\u00e7amos, juntos, a caminhar. V\u00f3s, que hoje vos baptizais, estais a entrar nesta terra nova, que \u00e9 a Igreja.<\/p>\n<p>E n\u00e3o estais s\u00f3s. Todos n\u00f3s estamos convosco. Mas hoje, de modo especial, tamb\u00e9m um grupo de adultos se junta nesta prepara\u00e7\u00e3o, redescobrindo a luz do seu pr\u00f3prio baptismo.<\/p>\n<p>V\u00eam hoje professar a f\u00e9 diante da Igreja, nesta noite santa. Porque, em todas as igrejas do mundo, come\u00e7a agora o mesmo caminho. E a profiss\u00e3o de f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 um sentimento vago.<\/p>\n<p>\u00c9 dizer: hoje recebo o Esp\u00edrito que me liga aos meus irm\u00e3os e irm\u00e3s. E, por isso, estou aqui nesta casa nova \u2014 a casa do Pai \u2014 que n\u00e3o est\u00e1 em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 minha casa, ao meu marido, \u00e0 minha mulher, aos meus filhos. Pelo contr\u00e1rio: inclui tudo isso.<\/p>\n<p>Estamos todos juntos, porque em Cristo somos um s\u00f3. Esta \u00e9 a vida que recebemos.<\/p>\n<p>\u00c9 esta Igreja que procuramos renovar. E n\u00e3o \u00e9 um favor que Deus vos faz. \u00c9 um dom para ser posto ao servi\u00e7o.<\/p>\n<p>Juntos, testemunhamos que a vida vale a pena. E que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 quando tudo corre bem que temos esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Jesus n\u00e3o fugiu quando tudo correu mal. Ele sabia que, apesar do sofrimento e da ang\u00fastia, o amor do Pai era maior.<\/p>\n<p>\u00c9 esta f\u00e9 que somos chamados a viver. Vivam-na com gosto. Vivam-na com verdade. N\u00e3o viestes aqui apenas para receber uma ben\u00e7\u00e3o pessoal. Viestes para assumir a vossa voca\u00e7\u00e3o na Igreja. Do vosso cora\u00e7\u00e3o nascer\u00e3o coisas belas.<\/p>\n<p>A Igreja precisa de todos: de bispos, de padres, de di\u00e1conos, de artistas, de servidores\u2026 o Esp\u00edrito passar\u00e1 por v\u00f3s. Deixem-no agir.<\/p>\n<p>Sejam homens e mulheres de vida, de esperan\u00e7a, de alegria, de paz.<\/p>\n<p>E n\u00e3o desanimem. O mundo precisa de v\u00f3s. Deus precisa de v\u00f3s.<\/p>\n<p>Aos irm\u00e3os e irm\u00e3s que aqui est\u00e3o de modo especial, a renovar o seu compromisso, e aos que iniciam hoje um novo servi\u00e7o na Igreja, repito o que disse h\u00e1 dias: vivam o que anunciam.<\/p>\n<p>N\u00e3o finjam alegria e esperan\u00e7a. Vivam-na. E transmitam-na nas vossas fam\u00edlias, nas vossas comunidades, nas vossas casas.<\/p>\n<p>Porque os filhos e filhas da Igreja, hoje, t\u00eam de brilhar.<\/p>\n<p>N\u00e3o para se esconderem \u2014 porque a luz n\u00e3o \u00e9 para esconder, \u00e9 para brilhar. Que brilhe sempre no vosso cora\u00e7\u00e3o, nas vossas atitudes, nas vossas ac\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Que brilhe sempre na presen\u00e7a do Senhor, que est\u00e1 vivo e que vos acompanha para sempre. \u00c1men.<\/p>\n<p>Bispo de Leiria-F\u00e1tima, D. Jos\u00e9 Ornelas<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":17,"featured_media":370747,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[177],"class_list":["post-370753","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-leiria-fatima"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/370753","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=370753"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/370753\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/370747"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=370753"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=370753"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=370753"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}