{"id":370617,"date":"2025-04-19T23:23:31","date_gmt":"2025-04-19T22:23:31","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=370617"},"modified":"2025-04-19T23:21:48","modified_gmt":"2025-04-19T22:21:48","slug":"homilia-do-patriarca-de-lisboa-na-vigilia-pascal-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-patriarca-de-lisboa-na-vigilia-pascal-2\/","title":{"rendered":"Homilia do patriarca de Lisboa na Vig\u00edlia Pascal"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>\u00abA esperan\u00e7a atravessas as noites do mundo e da hist\u00f3ria\u00bb<\/em><\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_320621\" aria-describedby=\"caption-attachment-320621\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/se-lisboa-vigilia.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-320621 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/se-lisboa-vigilia-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/se-lisboa-vigilia-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/se-lisboa-vigilia-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/se-lisboa-vigilia-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/se-lisboa-vigilia.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-320621\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Diogo Paiva Brand\u00e3o\/Patriarcado de Lisboa<\/figcaption><\/figure>\n<p>1. Esta \u00e9 a noite! A noite em que Deus rasgou as trevas, em que a luz venceu a escurid\u00e3o, em que a vida triunfou sobre a morte. \u00c9 a m\u00e3e de todas as vig\u00edlias, a celebra\u00e7\u00e3o mais solene, mais cheia de promessas e tamb\u00e9m da sua realiza\u00e7\u00e3o. A Igreja fez-nos percorrer esta noite com o fogo aceso, a Palavra proclamada, o sil\u00eancio escutado, o canto renovado. E ao longo das leituras, Deus conduziu-nos numa peregrina\u00e7\u00e3o da esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Sim, irm\u00e3os, esta Vig\u00edlia \u00e9 um caminho: da cria\u00e7\u00e3o \u00e0 nova cria\u00e7\u00e3o, da escravid\u00e3o \u00e0 liberdade, da promessa ao cumprimento. E em cada passo, Deus acende uma luz no meio da noite, uma luz que culmina na ressurrei\u00e7\u00e3o do Seu Filho, para sabermos que mesmo hoje, mesmo nos rec\u00f4nditos mais sombrios do cora\u00e7\u00e3o humano ou das trevas do pecado e do mal, Deus volta a acender a luz do seu amor e da sua gra\u00e7a.<\/p>\n<p>2. \u00abNo princ\u00edpio, Deus criou o c\u00e9u e a terra\u00bb (<em>Gn<\/em> 1, 1). \u00c9 o in\u00edcio de tudo. E o que vemos? Um Deus que ama a vida, que chama cada coisa pelo nome, que v\u00ea tudo como bom. Desde o primeiro instante, a esperan\u00e7a \u00e9 colocada no cora\u00e7\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o. Somos queridos por Deus, n\u00e3o obra do acaso. E isso d\u00e1-nos dignidade, d\u00e1-nos sentido. A primeira esperan\u00e7a \u00e9 esta: existimos porque Deus nos quis, porque Deus nos ama.<\/p>\n<p>3. Abra\u00e3o sobe ao monte com o filho (cf. <em>Gn<\/em> 22, 1-18). Parece um Deus que pede o impens\u00e1vel. Mas a f\u00e9 de Abra\u00e3o, feita de obedi\u00eancia e de confian\u00e7a, revela que Deus n\u00e3o quer a morte, mas a vida. Ele mesmo providencia o cordeiro. A esperan\u00e7a de Abra\u00e3o \u00e9 a esperan\u00e7a de quem n\u00e3o entende, mas confia. E essa esperan\u00e7a abre caminho \u00e0 b\u00ean\u00e7\u00e3o de todas as na\u00e7\u00f5es e de todos os povos.<\/p>\n<p>4. \u00abPorque est\u00e1s a bradar por Mim? Diz aos filhos de Israel que se ponham em marcha\u00bb (<em>Ex<\/em> 14, 15). No cora\u00e7\u00e3o da noite, no meio do mar, quando tudo parece perdido, Deus abre um caminho novo. Passagem da escravid\u00e3o \u00e0 liberdade. Esta \u00e9 a grande imagem da esperan\u00e7a b\u00edblica: n\u00e3o ficamos presos ao que fomos. Deus conduz-nos \u00e0 terra prometida, a um futuro que come\u00e7a naquele instante.<\/p>\n<p>5. Isa\u00edas, Baruc, Ezequiel \u2013 cada um \u00e0 sua maneira \u2013 falam a um povo ferido, exilado, desiludido. Mas todos anunciam: \u00abO teu Criador ser\u00e1 o teu Esposo\u00bb (<em>Is<\/em> 54, 5); \u00abVinde \u00e0 nascente das \u00e1guas\u00bb (<em>Is<\/em> 55, 1); \u00abCaminha para o esplendor da sua luz\u00bb (<em>Br<\/em> 4, 2); \u00abDar-vos-ei um cora\u00e7\u00e3o de carne\u00bb (<em>Ez<\/em> 36, 26). Mesmo quando tudo parece ru\u00edna, Deus n\u00e3o desiste. Ele reconstr\u00f3i, regenera, ressuscita. A esperan\u00e7a prof\u00e9tica \u00e9 uma esperan\u00e7a que olha para a frente, que acredita em novos come\u00e7os, que espera contra toda a esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>6. Depois desta lenta prepara\u00e7\u00e3o, hoje proclamamos: Cristo ressuscitou: passou dos bra\u00e7os da cruz para os bra\u00e7os do Pai; a esperan\u00e7a cumpriu-se! No fulgor desta noite, ouvimos o an\u00fancio esperado: \u00abPorque buscais entre os mortos Aquele que est\u00e1 vivo?\u00bb (<em>Lc<\/em> 24, 5). Toda a esperan\u00e7a do Antigo Testamento conduzia a este momento. A cruz n\u00e3o foi o fim. A pedra foi removida. O sepulcro est\u00e1 vazio. Jesus venceu a morte. E agora, nenhuma noite \u00e9 demasiado escura. Nenhuma dor \u00e9 sem sentido. Nenhuma vida est\u00e1 perdida.<\/p>\n<p>A esperan\u00e7a crist\u00e3 tem um nome: Jesus ressuscitado. E \u00e9 esta certeza que muda tudo. N\u00e3o apenas para depois da morte, mas para cada dia da vida, da nossa vida, neste ano de j\u00fabilo que se deseja santo.<\/p>\n<p>7. Irm\u00e3os, o que fazemos desta esperan\u00e7a? Nesta Vig\u00edlia, muitos ser\u00e3o batizados, outros renovar\u00e3o as promessas do seu Batismo. E todos somos convidados a renovar o nosso \u00absim\u00bb \u00e0 vida nova em Cristo. Mas a esperan\u00e7a n\u00e3o \u00e9 para guardar no \u00edntimo. \u00c9 para anunciar, partilhar, testemunhar. Como as mulheres junto ao t\u00famulo, como Pedro e Jo\u00e3o, como os disc\u00edpulos de Ema\u00fas: corramos ao mundo, dizendo: Ele vive!<\/p>\n<p>O mundo precisa de ver crist\u00e3os cheios de esperan\u00e7a, mesmo nas prova\u00e7\u00f5es: este \u00e9 o grande an\u00fancio do qual a Igreja n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 deposit\u00e1ria, mas sobretudo arauto, num mundo tantas vezes cansado, desiludido e triste. O Jubileu que estamos a viver convida-nos a sermos peregrinos de esperan\u00e7a: n\u00e3o turistas na f\u00e9, mas testemunhas em caminho. Que esta Vig\u00edlia reacenda em n\u00f3s a certeza de que a \u00faltima palavra pertence sempre a Deus. E a Sua palavra \u00e9 vida, luz, paz.<\/p>\n<p>Pe\u00e7amos tamb\u00e9m a Maria, M\u00e3e da Esperan\u00e7a, que no sil\u00eancio do S\u00e1bado Santo manteve viva a f\u00e9, que nos ensine a esperar confiando, e a crer amando.<\/p>\n<p>Cristo vive. A esperan\u00e7a est\u00e1 viva. Aleluia! \u00c1men.<\/p>\n<p>S\u00e9 Patriarcal, 19 de abril de 2025<\/p>\n<p>+Rui Val\u00e9rio, Patriarca de Lisboa<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":17,"featured_media":320621,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[343],"class_list":["post-370617","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-lisboa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/370617","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=370617"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/370617\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/320621"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=370617"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=370617"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=370617"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}