{"id":370586,"date":"2025-04-19T23:31:17","date_gmt":"2025-04-19T22:31:17","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=370586"},"modified":"2025-04-19T14:58:20","modified_gmt":"2025-04-19T13:58:20","slug":"homilia-do-bispo-do-funchal-na-vigilia-pascal-5","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-do-funchal-na-vigilia-pascal-5\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo do Funchal na Vig\u00edlia Pascal"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_355009\" aria-describedby=\"caption-attachment-355009\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_6754.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-355009 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_6754-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_6754-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_6754-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_6754-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_6754-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_6754-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_6754.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-355009\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/OC<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u201cVigiamos porque esperamos\u201d <\/strong><\/p>\n<p>1. Esta nossa celebra\u00e7\u00e3o \u00e9, antes de mais, uma vig\u00edlia. Estamos acordados, vigilantes, como quem espera. Vigiamos porque esperamos: esperamos o Senhor, e esperamos no Senhor. A ressurrei\u00e7\u00e3o oferece-nos todos os motivos para esperar.<\/p>\n<p>Se lermos com aten\u00e7\u00e3o os relatos dos evangelhos, tamb\u00e9m os disc\u00edpulos estavam vigilantes quando lhes apareceu a not\u00edcia da ressurrei\u00e7\u00e3o, ao contr\u00e1rio do que sucedera no Jardim das Oliveiras, quando um sono se apoderou deles, e n\u00e3o foram capazes de vigiar com o Senhor (Mc 14,37-41).<\/p>\n<p>Podemos perceb\u00ea-lo no relato dos disc\u00edpulos de Ema\u00fas. Depois de terem sido acompanhados pelo viajante ao longo do caminho, os dois disc\u00edpulos disseram-lhe: \u201cFica connosco porque se est\u00e1 a fazer noite\u201d. Contudo, depois que o Ressuscitado partiu o P\u00e3o, e eles O reconheceram, n\u00e3o hesitaram: deitaram p\u00e9s ao caminho, sem olhar a perigos e \u00e0 noite. Chegados a Jerusal\u00e9m, encontraram reunidos os Onze, tamb\u00e9m vigilantes, que lhes disseram: \u201cVerdadeiramente o Senhor ressuscitou e apareceu a Sim\u00e3o\u201d (Lc 24,33-35).<\/p>\n<p>2. Vigiar \u00e9 a atitude da sentinela: no meio da noite, procura prevenir os ataques inimigos, ao mesmo tempo que aguarda a luz da aurora, quando o novo dia a tudo oferece vis\u00e3o e seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Mas vigiar \u00e9, igualmente, a atitude daquele que quer estar dispon\u00edvel em qualquer momento para o que vai suceder: permanecer acordado \u00e9 condi\u00e7\u00e3o para o dia que a\u00ed vem. \u00c9 o nosso estado quando sabemos que uma boa not\u00edcia vai chegar, e nem conseguimos fechar os olhos.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00f3s \u2014 e os milh\u00f5es de crist\u00e3os que, pelo mundo inteiro, celebram esta vig\u00edlia \u2014 queremos estar vigilantes. E queremos que esta seja a nossa atitude ao longo da vida.<\/p>\n<p>Queremos estar vigilantes sobre o mal e o pecado que nos cercam. Mas queremos, sobretudo, permanecer vigilantes porque a not\u00edcia da ressurrei\u00e7\u00e3o nos impede o sono: a sua luz vence a escurid\u00e3o; a energia que dela surge impede a tranquilidade do descanso.<\/p>\n<p>N\u00e3o nos queremos deixar adormecer, correndo o risco de o Senhor vir ao nosso encontro e passar por n\u00f3s sem O encontrarmos. N\u00e3o nos queremos deixar adormecer, correndo o risco de o mundo passar por n\u00f3s e perdermos a ocasi\u00e3o para lhe anunciar a not\u00edcia da ressurrei\u00e7\u00e3o: de Jesus ressuscitado recebemos a miss\u00e3o de cuidar deste mundo que nos rodeia, para o conduzir ao Pai.<\/p>\n<p>3. \u00c9 a vig\u00edlia da P\u00e1scoa. Uma antiga tradi\u00e7\u00e3o, de que S. Jer\u00f3nimo nos d\u00e1 conta, esperava para uma noite de P\u00e1scoa a \u00faltima vinda do Senhor. Dizia S. Jer\u00f3nimo: \u201cDo mesmo modo que, no Egipto, o anjo exterminador passou \u00e0 hora em que foi celebrada a P\u00e1scoa, e o Senhor passou por cima das casas cujos lint\u00e9is tinham sido consagrados pelo sangue do Cordeiro, assim uma tradi\u00e7\u00e3o judaica diz que o Messias vir\u00e1 a meio da noite. Estou persuadido que esta \u00e9 a origem da tradi\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica que se manteve: na Vig\u00edlia Pascal, n\u00e3o \u00e9 permitido despedir o povo que espera a vinda de Cristo, antes do meio da noite. Uma vez passado este momento, tendo sido adquirida a certeza, todos celebram a festividade\u201d (In Matth., IV,25,6).<\/p>\n<p>Hoje, n\u00e3o \u00e9 ainda o dia da \u00faltima vinda do Senhor. Mas o an\u00fancio de que Jesus venceu a morte \u2014 e que, h\u00e1 momentos, ressoou aos nossos ouvidos \u2014 d\u00e1 ao nosso tempo um car\u00e1cter diferente: outrora, a humanidade apenas podia desejar, sonhar, com a vida para sempre; depois, a partir do que sucedeu no Mar Vermelho, Mois\u00e9s e os Profetas podiam entrever uma vit\u00f3ria de Deus e do seu povo. Mas hoje, ao nosso cora\u00e7\u00e3o, ressoou uma feliz not\u00edcia: Jesus ressuscitou vitorioso do t\u00famulo! E este acontecimento do passado oferece ao nosso viver uma garantia de Vida Eterna. Podemos viver a esperan\u00e7a, podemos viver na esperan\u00e7a, podemos ser \u201cperegrinos de esperan\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>Numa noite de P\u00e1scoa, o Senhor vir\u00e1: n\u00e3o vem porque \u00e9 P\u00e1scoa, mas ser\u00e1 P\u00e1scoa quando Ele vier. Vir\u00e1 e, com a sua luz, iluminar\u00e1 definitivamente a vida de todos e do mundo inteiro, e n\u00e3o mais se far\u00e1 noite. Com a sua Palavra, dar\u00e1 o sentido verdadeiro e definitivo a tudo o que existe e a todos os acontecimentos da hist\u00f3ria. Seremos, ent\u00e3o, julgados pelo amor. N\u00e3o tenhamos d\u00favidas: essa primeira palavra da cria\u00e7\u00e3o ser\u00e1 tamb\u00e9m a \u00faltima a ser pronunciada.<\/p>\n<p>Agora, Ele celebra connosco a alegria da ressurrei\u00e7\u00e3o, o seu triunfo primeiro sobre o pecado e a morte. Na alegria de O percebermos ao nosso lado, vivo e ressuscitado, celebremos com Ele os seus sacramentos: eles unem-nos ao momento da sua vit\u00f3ria, e antecipam aquele dia pelo qual esperamos \u2014 o dia em que a ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo colocar\u00e1 um ponto final \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o do mundo inteiro, de todo o universo.<\/p>\n<p>At\u00e9 l\u00e1, permane\u00e7amos na alegria de quem vigia, para que esse dia n\u00e3o nos apanhe distra\u00eddos ou sonolentos; permane\u00e7amos na alegria de quem, vigilante, transforma com a luz da P\u00e1scoa tudo o que se encontra a sua volta, o mundo inteiro. Assim, poderemos confiadamente acolher o Senhor quando Ele vier, e escutar dele o convite a participar nas Bodas do Cordeiro.<\/p>\n<p>S\u00e9, 19 de abril de 2025<\/p>\n<p>D. Nuno Br\u00e1s, bispo do Funchal<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":17,"featured_media":355009,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[186,308],"class_list":["post-370586","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-do-funchal","tag-semana-santa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/370586","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=370586"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/370586\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/355009"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=370586"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=370586"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=370586"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}