{"id":370531,"date":"2025-04-18T22:14:45","date_gmt":"2025-04-18T21:14:45","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=370531"},"modified":"2025-04-18T22:14:45","modified_gmt":"2025-04-18T21:14:45","slug":"paixao-do-senhor-2025-homilia-do-bispo-de-coimbra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/paixao-do-senhor-2025-homilia-do-bispo-de-coimbra\/","title":{"rendered":"Paix\u00e3o do Senhor 2025: Homilia do bispo de Coimbra"},"content":{"rendered":"<p><!--more-->A Sexta-feira Santa \u00e9 o dia mais tenebroso do ano. P\u00f5e diante de n\u00f3s a possibilidade de compreender ou n\u00e3o compreender, de aceitar ou n\u00e3o aceitar as realidades mais obscuras da vida: o sofrimento e a morte.<\/p>\n<p>Procuramos p\u00f4r-nos na pele dos outros, nos seus cen\u00e1rios e tentamos ver como resistir\u00edamos. Por exemplo, no cen\u00e1rio das v\u00edtimas das guerras que decorrem no nosso mundo, em v\u00e1rias latitudes e em circunst\u00e2ncias diversas. Como resistem enquanto pessoas, como mant\u00eam a f\u00e9 no futuro, como subsiste neles a esperan\u00e7a?<\/p>\n<p>Podemos procurar entrar na mente e no cora\u00e7\u00e3o dos que procuram a verdade e sentem esmag\u00e1-los o peso da mentira, que corrompe, destr\u00f3i, aniquila e mata a justi\u00e7a. Como resistem os que s\u00e3o v\u00edtimas da mentira e que n\u00e3o conseguem fazer valer a verdade de si mesmos, dos outros?<\/p>\n<p>Podemos tentar entrar nos sentimentos dos que se encontram nos mais duros sofrimentos e se apercebem da impossibilidade humana da cura. Como continuam a manter a alegria de viver e a desejar a paz do cora\u00e7\u00e3o para enfrentar o desafio?<\/p>\n<p>No fundo, a Sexta-feira Santa da P\u00e1scoa ou as sextas-feiras da exist\u00eancia trazem-nos sempre o confronto com a realidade mais obscura da vida e exigem uma resposta, que est\u00e1 sempre em constru\u00e7\u00e3o, que nunca est\u00e1 definitivamente arrumada.<\/p>\n<p>H\u00e1 lugar para a f\u00e9; h\u00e1 lugar para a esperan\u00e7a; h\u00e1 ainda lugar para o amor?<\/p>\n<p>A Sexta-feira Santa foi o dia mais tenebroso para Jesus. Encontrou-se diante do mesmo dilema. Viveu em primeira pessoa os dramas da humanidade ferida, as injusti\u00e7as face \u00e0 verdade, o sofrimento que O aproxima da morte sem retorno. Como Homem e Deus, acolheu em si os dias tenebrosos de toda a humanidade, quando no Gets\u00e9mani aceitou beber o c\u00e1lice que lhe foi dado e no Calv\u00e1rio aceitou a injusti\u00e7a da mentira que O levou \u00e0 morte.<\/p>\n<p>A\u00ed foi provada a Sua inabal\u00e1vel confian\u00e7a no Pai, a for\u00e7a viva da Sua esperan\u00e7a e a qualidade \u00fanica do Seu amor. Seguiu em frente numa entrega total ao Pai pela humanidade, conhecedor da verdade, apesar da injusti\u00e7a e no meio do sofrimento mais atroz. Derrubou todas as cadeias que O podiam aprisionar e que podiam matar dentro de Si o gosto de viver e a alegria de Se dar.<\/p>\n<p>Ali Jesus mostrou-nos que Deus est\u00e1 connosco de muitas formas e em muitos lugares, mas assegurou-nos que Deus est\u00e1 sempre onde h\u00e1 v\u00edtimas das guerras, onde se destr\u00f3i a verdade e onde impera o sofrimento. Deus est\u00e1 sempre a\u00ed para acompanhar cada um e todos os povos que, mesmo nessas circunst\u00e2ncias, s\u00e3o chamados a renovar a esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia da Sexta-feira Santa de Jesus permite a cada um de n\u00f3s, n\u00e3o somente tentar perceber a experi\u00eancia dos outros, mas entrar na sua pr\u00f3pria experi\u00eancia de vida. Como resolvemos os dramas das nossas guerras interiores e exteriores, como aceitamos os atropelos \u00e0 verdade e as injusti\u00e7as que nos tocam pessoalmente, como enfrentamos os nossos desencantos e sofrimentos leves ou profundos, f\u00edsicos ou morais?<\/p>\n<p>Jesus manifesta-nos pela Sua pr\u00f3pria experi\u00eancia que tudo isso pode ser vivido com Deus, pois Deus est\u00e1 a\u00ed com toda a certeza. A prova da f\u00e9, da esperan\u00e7a e do amor tem de enfrentar-se nessas circunst\u00e2ncias que, afinal, n\u00e3o s\u00e3o momentos isolados do nosso percurso terreno, mas acabam por ser transversais a toda a nossa vida.<\/p>\n<p>Superar as prova\u00e7\u00f5es por meio da confian\u00e7a em Deus a\u00ed presente \u00e9 a grande tarefa da nossa vida, que constru\u00edmos dia ap\u00f3s dia, acolhendo o dom do Alto e percorrendo um verdadeiro caminho espiritual e crente dominado pela confian\u00e7a e pelo amor \u00c0quele que nos ama e nos fortalece em todas as tribula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A cruz de Cristo, que adoramos, permanece na nossa espiritualidade crist\u00e3 como o s\u00edmbolo da possibilidade que Deus nos oferece de superarmos as prova\u00e7\u00f5es a que estamos sujeitos. Por ser a cruz de Cristo, o Filho de Deus, essa cruz assegura-nos a presen\u00e7a \u00fanica e ininterrupta de Deus. Ele acompanhou o Seu Filho e acompanha-nos como filhos e abre-nos as portas da esperan\u00e7a e da vida eterna.<\/p>\n<p>A luz da P\u00e1scoa esconde-se sempre por detr\u00e1s das trevas que nos cercam e irromper\u00e3o sempre em n\u00f3s pelo poder de Deus, que esteve presente na paix\u00e3o e na morte de Seu Filho. Renovemos a certeza de f\u00e9 de que o mesmo Deus est\u00e1 connosco na vida e na morte, nunca nos deixar\u00e1 desistir e far\u00e1 brilhar em n\u00f3s a luz da esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Coimbra, 18 de abril de 2025<br \/>\n<em>Virg\u00edlio do Nascimento Antunes<\/em><br \/>\n<em>Bispo de Coimbra<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":3,"featured_media":199501,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[174],"class_list":["post-370531","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-coimbra"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/370531","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=370531"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/370531\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/199501"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=370531"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=370531"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=370531"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}