{"id":370374,"date":"2025-04-18T16:17:22","date_gmt":"2025-04-18T15:17:22","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=370374"},"modified":"2025-04-18T16:17:42","modified_gmt":"2025-04-18T15:17:42","slug":"homilia-do-patriarca-de-lisboa-na-celebracao-da-paixao-do-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-patriarca-de-lisboa-na-celebracao-da-paixao-do-senhor\/","title":{"rendered":"Homilia do Patriarca de Lisboa na celebra\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o do Senhor"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>\u00abNa cruz, Deus n\u00e3o desistiu de n\u00f3s\u00bb<\/em><\/p>\n<ol>\n<li>Hoje, a Igreja cala-se. N\u00e3o proclama, contempla. Hoje, a Palavra fez-se sil\u00eancio e o Verbo calou-se na cruz. Mas nesse sil\u00eancio de dor, escutamos a palavra mais profunda que Deus nos podia dizer: o Seu amor fiel at\u00e9 ao fim. Contemplamos Cristo suspenso entre o c\u00e9u e a terra. O seu Rosto, sempre radiante de beleza, agora sangra, mas sangue de vida doada; o seu Corpo, t\u00e3o vigoroso e desenvolto, agora treme de dor, numa louca compaix\u00e3o pelos pecadores; a sua voz, outrora clara e cristalina, agora \u00e9 d\u00e9bil e silenciosa pelo mist\u00e9rio incomensur\u00e1vel onde mergulha; os seus l\u00e1bios, que mostravam a \u00e1gua-viva da eternidade, agora est\u00e3o feridos e ressequidos na desmedida comunh\u00e3o com a humanidade. A Cruz sustenta-O, porque Ele sust\u00e9m todas as cruzes da vida. A cruz, instrumento de supl\u00edcio, torna-se trono de salva\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p>A morte, aparente derrota, torna-se in\u00edcio de uma vida nova. E, por isso, nesta hora escura, resplandece uma luz: a da esperan\u00e7a que n\u00e3o morre.<\/p>\n<p>A cruz n\u00e3o \u00e9 o fim, \u00e9 o cumprimento do Amor. E \u00e9 aqui, precisamente aqui, no alto do Calv\u00e1rio, que se revela a vit\u00f3ria da obedi\u00eancia de Jesus ao Pai, e da fidelidade de Deus ao Filho amado. Essa fidelidade que \u00e9 rocha firme em que podemos construir a nossa vida.<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li>A obedi\u00eancia de Cristo \u00e9 esperan\u00e7a do mundo. S\u00e3o Paulo dir\u00e1 que Jesus, \u00abque era de condi\u00e7\u00e3o divina, n\u00e3o Se valeu da sua igualdade com Deus, mas aniquilou-Se a Si pr\u00f3prio [\u2026]. Humilhou-Se ainda mais, obedecendo at\u00e9 \u00e0 morte e morte de cruz\u00bb (cf. <em>Fl<\/em> 2,6-8). No Gets\u00e9mani, Jesus luta, chora, vacila. Mas entrega-Se: \u00abFa\u00e7a-se a tua vontade\u00bb (cf. <em>Mt<\/em> 26, 42). A obedi\u00eancia de Cristo n\u00e3o \u00e9 submiss\u00e3o cega, mas confian\u00e7a plena e radical no Pai. E por isso \u00e9 fonte de esperan\u00e7a, porque Ele passou pelo sofrimento sem ceder \u00e0 revolta, passou pela cruz sem renegar o amor.<\/li>\n<\/ol>\n<p>A esperan\u00e7a crist\u00e3 nasce deste sim de Jesus. Porque Ele obedeceu, n\u00f3s podemos confiar. Porque Ele n\u00e3o fugiu, n\u00f3s sabemos que n\u00e3o estamos s\u00f3s no sofrimento.<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li>Na cruz, muitos viram fracasso. Mas quem tem olhos de f\u00e9, v\u00ea cumprimento: as promessas de Deus n\u00e3o falharam, apenas foram al\u00e9m do que pod\u00edamos imaginar. Deus n\u00e3o libertou Jesus da cruz \u2013 libertou a humanidade n\u2019Ele, atrav\u00e9s da cruz. E assim revelou o Seu amor inabal\u00e1vel pelos homens. Na cruz, Deus n\u00e3o nos poupa \u00e0 dor, mas promete que a dor n\u00e3o ter\u00e1 a \u00faltima palavra.<\/li>\n<\/ol>\n<p>A cruz \u00e9 o sinal definitivo de que Deus n\u00e3o abandona os seus filhos, mesmo no mais profundo sofrimento. E \u00e9 esta fidelidade que sustenta a nossa esperan\u00e7a, mesmo quando tudo \u00e0 volta parece ruir. N\u00e3o podemos deixar de afirmar: \u00e9 na fidelidade de Deus que se fundamenta a nossa esperan\u00e7a. Por isso, voltemos para Deus. N\u2019Ele, cada pessoa individualmente ou em grupo, as fam\u00edlias, os bairros, as aldeias e as cidades e toda a sociedade podem encontrar o fundamento para a labuta di\u00e1ria. Sem Deus, tudo \u00e9 pequeno demais, pouco demais, mesquinho demais. S\u00f3 o amor expresso na Cruz do Senhor oferece raz\u00f5es de viver.<\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li>Hoje veneramos a cruz. Tocamo-la, beijamo-la, ajoelhamo-nos diante dela. N\u00e3o por gosto no sofrimento, mas porque nela est\u00e1 a nossa salva\u00e7\u00e3o. A cruz ensina-nos a n\u00e3o fugir da dor, mas a enfrent\u00e1-la com f\u00e9. Ensina-nos que s\u00f3 o amor verdadeiro salva. Que perdoar \u00e9 poss\u00edvel. Que recome\u00e7ar \u00e9 poss\u00edvel. Que a fidelidade \u00e9 poss\u00edvel, mesmo no meio das desilus\u00f5es e das injusti\u00e7as.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Nesta Sexta-feira Santa, cada um de n\u00f3s traz consigo as suas cruzes: a dor de uma perda, o cansa\u00e7o de um caminho, a solid\u00e3o de um sil\u00eancio, a vergonha de um pecado. Est\u00e3o aqui tamb\u00e9m as dores da humanidade: das v\u00edtimas do \u00f3dio, da viol\u00eancia e das guerras, que mancham de sangue e luto todo o mundo. Mas hoje, olhando para o Crucificado, sabemos: n\u00e3o estamos sozinhos.<\/p>\n<ol start=\"5\">\n<li>Queridos irm\u00e3os, a esperan\u00e7a crist\u00e3 nasce na cruz. N\u00e3o numa vit\u00f3ria exterior, mas numa fidelidade interior. N\u00e3o numa fuga da morte, mas numa vida entregue. Cristo venceu, n\u00e3o saindo da cruz, mas permanecendo nela por amor. E \u00e9 esse amor fiel, radical, gratuito, que nos salva. A Paix\u00e3o do Senhor \u00e9 a Sabedoria da cruz; a Paix\u00e3o do Senhor \u00e9 a nossa gl\u00f3ria na eternidade.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Hoje, a Igreja cala-se. Mas o sil\u00eancio n\u00e3o \u00e9 vazio: \u00e9 gesta\u00e7\u00e3o de uma palavra nova. A esperan\u00e7a est\u00e1 viva. Ainda n\u00e3o a vemos plenamente, mas sabemos que a aurora vem para abra\u00e7ar um novo dia.<\/p>\n<p>Amanh\u00e3, aguardaremos em sil\u00eancio. Mas j\u00e1 com os olhos voltados para o t\u00famulo vazio, junto a Maria, Mulher da Esperan\u00e7a, aquela que nunca perdeu ou deixou morrer a f\u00e9, permanecendo junto \u00e0 cruz do seu Filho. Porque Aquele que passou pela morte \u00e9 o Vivente. E quem acredita n\u2019Ele nunca est\u00e1 perdido. A cruz \u00e9 a nossa esperan\u00e7a. Porque nela, Deus n\u00e3o desistiu de n\u00f3s. \u00c1men.<\/p>\n<p>+Rui, Patriarca de Lisboa<\/p>\n<p><em>S\u00e9 Patriarcal, 18 de abril de 2025<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":3,"featured_media":192154,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[343],"class_list":["post-370374","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-lisboa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/370374","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=370374"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/370374\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/192154"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=370374"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=370374"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=370374"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}