{"id":370368,"date":"2025-04-18T16:00:59","date_gmt":"2025-04-18T15:00:59","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=370368"},"modified":"2025-04-18T17:51:46","modified_gmt":"2025-04-18T16:51:46","slug":"homilia-do-bispo-de-setubal-na-celebracao-da-paixao-do-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-setubal-na-celebracao-da-paixao-do-senhor\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo de Set\u00fabal na celebra\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o do Senhor"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_370398\" aria-describedby=\"caption-attachment-370398\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Celebracao-da-Paixao-Setubal-6.jpeg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-370398 size-large\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Celebracao-da-Paixao-Setubal-6-1024x681.jpeg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"681\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Celebracao-da-Paixao-Setubal-6-1024x681.jpeg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Celebracao-da-Paixao-Setubal-6-391x260.jpeg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Celebracao-da-Paixao-Setubal-6-768x511.jpeg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Celebracao-da-Paixao-Setubal-6-1536x1022.jpeg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Celebracao-da-Paixao-Setubal-6.jpeg 2000w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-370398\" class=\"wp-caption-text\">Foto Ricardo Perna\/Diocese de Set\u00fabal<\/figcaption><\/figure>\n<p>Sauda\u00e7\u00f5es fraternas a todos, todos, todos<\/p>\n<p>O dia de Sexta-Feira Santa traz consigo a realidade do pecado e do mal. A dor da injusti\u00e7a e da ignominia. O peso do sofrimento e do madeiro da Cruz. Para pasmo de muitos, iremos adorar a Cruz, ajoelhar \u00e0 sua passagem, curvar as nossas cabe\u00e7as e entregar o nosso cora\u00e7\u00e3o a Jesus que passa. A celebra\u00e7\u00e3o da paix\u00e3o e morte de Jesus, permanece um mist\u00e9rio porque, na verdade o que estes momentos de dor, de sofrimento, de aparente vit\u00f3ria do mal e do pecado, nos ir\u00e3o revelar, nos ir\u00e3o oferecer \u00e9 uma aut\u00eantica explos\u00e3o de Amor. Jesus morreu na cruz, como um homem igual a todos os homens, Ele que \u00e9 o Filho de Deus, por Amor de todos n\u00f3s. E nunca mais nos deixou s\u00f3s.<\/p>\n<p>Mas voltemos a olhar para Jerusal\u00e9m, por altura daquele P\u00e1scoa. Vamos a caminho de Jerusal\u00e9m.<\/p>\n<p>Lembram-se do que aconteceu? \u00c0 vista da cidade, os p\u00e9s pareciam ter asas, porque Jesus ia chegar entre aplausos e gritos de alegria. Foi assim, na festa de Domingo de Ramos, quando a cidade se encheu de uma multid\u00e3o de homens, mulheres e crian\u00e7as, que acenavam ramos cortados \u00e0 pressa, porque Jesus era Aquele que fazia milagres, que contava par\u00e1bolas que todos entendiam, que sorria com uma bondade extraordin\u00e1ria, dava aten\u00e7\u00e3o a todos, todos, todos, todos. Tinha palavras de perd\u00e3o, gestos de compaix\u00e3o.<\/p>\n<p>Se olharmos com aten\u00e7\u00e3o, hoje tamb\u00e9m se corre por entre as ruas, tamb\u00e9m h\u00e1 uma pressa no ar. Mas n\u00e3o existem ramos, nem c\u00e2nticos, nem a alegria das crian\u00e7as. Jesus vai passar, mas vergado pelo peso de uma cruz, coroado de espinhos, o rosto marcado pela dor\u2026 e a multid\u00e3o aperta-se, para ver Aquele em quem tinham colocado todas as suas esperan\u00e7as.<\/p>\n<p>No fundo do cora\u00e7\u00e3o de cada um de n\u00f3s, \u00e9 leg\u00edtimo encontrar-se a d\u00favida, mesmo que escondida: para qu\u00ea tanto sofrimento? O que justifica a adora\u00e7\u00e3o da Cruz? Se \u00e9 o Filho de Deus, porqu\u00ea? Se deu vida aos mortos, curou cegos e paral\u00edticos, porqu\u00ea?&#8230;<\/p>\n<p>Continuemos como peregrinos neste dia de dor. Ser peregrino tem a finalidade de se alcan\u00e7ar um destino, de se vencer mais uma etapa, de celebrarmos uma chegada. A Paix\u00e3o de Jesus, n\u00e3o tem nada a ver com vit\u00f3rias, nem festas para celebrar conquistas. \u00c9 antes uma sequ\u00eancia de derrotas, uma vit\u00f3ria da injusti\u00e7a e do mal, um sofrimento cujo sentido n\u00e3o se entende.<\/p>\n<p>Lembremo-nos do que escut\u00e1mos: \u00abn\u00e3o vejo neste homem, mal algum\u00bb, \u00abjulguem-nos v\u00f3s mesmos\u00bb, \u00abdaqui lavo as minhas m\u00e3os\u00bb \u2026<\/p>\n<p>\u201cRei dos Judeus\u201d estava escrito na Sua Cruz. \u00abO meu Pai \u00e9 Rei de outro Reino\u00bb, disse o pr\u00f3prio Jesus. E afinal\u2026 ali estava o Filho do Rei, perante os soldados que tinham jogado as suas vestes, condenado \u00e0 mais degradante de todas as mortes. \u00abSe \u00e9 rei, salve-se a si mesmo\u00bb diziam como se tivesse gra\u00e7a. \u00abTem sede? Beba vinagre\u00bb, diziam outros.<\/p>\n<p>Estar\u00edamos n\u00f3s preparados para o que aconteceu naquela cruz? O que dir\u00edamos uns aos outros? Ficar\u00edamos junto \u00e0 cruz, ou voltar\u00edamos as costas \u00e0 Cruz, incapazes de olhar para Jesus, envergonhados pelo que Lhe tinham feito, ou envergonhados por termos corrido atr\u00e1s Dele?<\/p>\n<p>A Cruz de Jesus \u00e9 um espinho na vida da humanidade. Mas como todos os espinhos, que podem criar feridas m\u00e1s e purulentas, tamb\u00e9m se podem tirar e conseguimos ver a maravilha da pele sarada, a marca que o tempo esbate\u2026 precisamos de refletir sobre os espinhos que temos e que colocamos uns aos outros. E aqueles que conseguimos retirar, da nossa pele e do corpo dos outros. Precisamos de refletir sobre a dimens\u00e3o do mal e a reden\u00e7\u00e3o do Bem.<\/p>\n<p>Regressemos \u00e0 cruz de Jesus. \u00abPai, perdoa-lhes, n\u00e3o sabem o que fazem\u00bb; \u00abhoje mesmo estar\u00e1s comigo no para\u00edso\u00bb; \u00abMulher, eis o teu filho\u00bb, Jo\u00e3o, \u00abEis a tua M\u00e3e\u00bb.<\/p>\n<p>O calv\u00e1rio torna-se uma explos\u00e3o de Amor. E de Esperan\u00e7a. Na entrega de Maria \u00e0 humanidade; na entrega da Sua pr\u00f3pria vida; na dimens\u00e3o do Perd\u00e3o. Precisamos de n\u00e3o ter vergonha de falar sobre este Amor que salvou o mundo. Um homem bom morreu, um homem em tudo igual a n\u00f3s exceto no pecado. Um homem, filho de Maria, t\u00e3o amado por Sua M\u00e3e e o Filho Amado do pr\u00f3prio Deus.<\/p>\n<p>Quando o nosso querido Papa Francisco nos disse que em F\u00e1tima todos temos M\u00e3e, acredito que seja esta consci\u00eancia plena de que Jesus entregou a Sua t\u00e3o Amada M\u00e3e a cada um de n\u00f3s.<\/p>\n<p>Maria, a M\u00e3e de Deus Vivo, Rainha do C\u00e9u, da Fam\u00edlia, da Paz, Fonte da Alegria, Porta do C\u00e9u, Estrela da Manh\u00e3, ref\u00fagio dos pecadores, sa\u00fade dos enfermos, aux\u00edlio dos crist\u00e3os, Rainha dos Ap\u00f3stolos, dos profetas e dos M\u00e1rtires, Maria \u00e9 a nossa M\u00e3e.<\/p>\n<p>Vivemos um tempo de dor. Um tempo de guerras testemunhadas diariamente, na Terra de Jesus, na massacrada Ucr\u00e2nia e em mais de outros 50 pa\u00edses. Uma guerra mundial \u201caos bocadinhos\u201d, como afirma o Papa Francisco, face a milh\u00f5es de homens, mulheres e crian\u00e7as que morrem \u00e0s m\u00e3os de alguns.<\/p>\n<p>Vivemos um tempo de gan\u00e2ncia, uma esp\u00e9cie de guerra econ\u00f3mica mundial, de descalabro de valores e refer\u00eancias, de destrui\u00e7\u00e3o da nossa casa comum. Vivemos um tempo de maledic\u00eancias, de ataques ferozes, de uma distribui\u00e7\u00e3o da riqueza totalmente injusta. \u00abO Ocidente como o conhec\u00edamos at\u00e9 ao presente acabou\u00bb. Esta afirma\u00e7\u00e3o da Presidente da Comiss\u00e3o Europeia, de h\u00e1 poucos dias, deve-nos fazer refletir e orar\u2026\u00abO Ocidente como o conhec\u00edamos at\u00e9 ao presente acabou\u00bb.<\/p>\n<p>No calv\u00e1rio que hoje fomos e somos convidados a revisitar, foi-nos dada a maior prova de Amor. O Pai permitiu o sofrimento e a morte do Seu Filho, para salvar cada um de n\u00f3s e assim salvar a Humanidade. O Pai que espera sempre pelo filho, o que est\u00e1 perto de Si , o que est\u00e1 perdido, o que desconhece como peregrinar at\u00e9 Ele.<\/p>\n<p>Que nunca o esque\u00e7amos, nem nos cansemos de dizer: Deus espera por n\u00f3s, por cada um de n\u00f3s, por todos. Todos, todos, todos. Espera pelo nosso testemunho de crist\u00e3os, espera pela convers\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o de uma humanidade que fere e \u00e9 ferida.<\/p>\n<p>Deus espera pela Peregrina\u00e7\u00e3o da Esperan\u00e7a, farol de transforma\u00e7\u00e3o do mundo em que vivemos.<\/p>\n<p>Assim seja.<\/p>\n<p>+ Am\u00e9rico, Cardeal<br \/>\nBispo de Set\u00fabal<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":3,"featured_media":370395,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[181],"class_list":["post-370368","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-setubal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/370368","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=370368"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/370368\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/370395"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=370368"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=370368"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=370368"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}