{"id":370131,"date":"2025-04-17T17:41:41","date_gmt":"2025-04-17T16:41:41","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=370131"},"modified":"2025-04-17T17:50:53","modified_gmt":"2025-04-17T16:50:53","slug":"homilia-do-bispo-do-funchal-na-missa-vespertina-da-ceia-do-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-do-funchal-na-missa-vespertina-da-ceia-do-senhor\/","title":{"rendered":"Homilia do Bispo do Funchal na Missa Vespertina da Ceia do Senhor"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<p><em>\u201cAlimentados pela Eucaristia, podemos viver a esperan\u00e7a\u201d<\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Funchal_Se_Missa-da-Ceia-do-Senhor-2024-1024x768-1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-370132 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Funchal_Se_Missa-da-Ceia-do-Senhor-2024-1024x768-1-347x260.jpg\" alt=\"\" width=\"347\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Funchal_Se_Missa-da-Ceia-do-Senhor-2024-1024x768-1-347x260.jpg 347w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Funchal_Se_Missa-da-Ceia-do-Senhor-2024-1024x768-1-768x576.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Funchal_Se_Missa-da-Ceia-do-Senhor-2024-1024x768-1.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 347px) 100vw, 347px\" \/><\/a>\u201cQuando comerdes, tereis os rins cingidos, sand\u00e1lias nos p\u00e9s e cajado na m\u00e3o. Comereis a toda a pressa: \u00e9 a P\u00e1scoa do Senhor\u201d (Ex 12,11).<\/p>\n<p>A primeira P\u00e1scoa de Israel \u2014 aquela que precedeu a sa\u00edda de Israel do Egipto \u2014 \u00e9 comida \u201ca toda a pressa\u201d, como algu\u00e9m que est\u00e1 preparado, e que mal pode esperar p\u00f4r-se a caminho. A P\u00e1scoa \u00e9 a refei\u00e7\u00e3o da partida, do \u00eaxodo. Todo o povo deve estar preparado para sair do Egipto: os rins cingidos, sand\u00e1lias nos p\u00e9s, cajado na m\u00e3o.<\/p>\n<p>A P\u00e1scoa \u00e9 a refei\u00e7\u00e3o que antecede a grande peregrina\u00e7\u00e3o at\u00e9 ao Sinai e \u00e0 Terra Prometida. Trata-se de deixar a terra do Egipto, marcada pela escravid\u00e3o e pelos deuses estrangeiros, para caminhar em direc\u00e7\u00e3o \u00e0 terra da liberdade e do encontro com o Deus \u00fanico e verdadeiro.<\/p>\n<p>Mas, ao mesmo tempo, a P\u00e1scoa \u00e9 tamb\u00e9m, para todo o Israel, a garantia de que Deus faz a diferen\u00e7a entre o Egipto e Israel (cf. Ex 11,7). O pr\u00f3prio Deus passar\u00e1 nessa noite pascal para ferir os primog\u00e9nitos dos eg\u00edpcios, saltando as casas assinaladas com o sangue do cordeiro, onde o seu povo se encontra reunido, preparado para sair da terra da escravid\u00e3o. Comer a P\u00e1scoa \u00e9, portanto, a garantia de que o povo pode deixar o Egipto e encaminhar-se para a Terra da Promessa: a ordem divina de comer apenas p\u00e3es \u00e1zimos, sem o fermento dos p\u00e3es velhos do Egipto, mostra isso mesmo: Deus quer dar origem ao novo povo da Alian\u00e7a.<\/p>\n<p>Por isso, em cada ano, Israel celebra a P\u00e1scoa: \u201cPara que te lembres do dia da tua sa\u00edda da terra do Egipto, todos os dias da tua vida\u201d, diz, ainda hoje, o ritual judaico da P\u00e1scoa.<\/p>\n<p>A \u00daltima Ceia de Jesus \u00e9 uma refei\u00e7\u00e3o pascal. Como todos os judeus do seu tempo e de hoje, tamb\u00e9m Jesus celebrou a P\u00e1scoa judaica com os seus. Mas, agora que a cruz se desenha mais claramente no horizonte pr\u00f3ximo \u2014 S. Jo\u00e3o faz-se eco da extraordin\u00e1ria consci\u00eancia do Senhor, quando nos diz: \u201cAo saber que chegara a sua hora de passar deste mundo para o Pai, Jesus que amara os seus que estavam no mundo amou-os at\u00e9 ao fim\u201d \u2014 agora que a cruz se aproxima, Jesus quer celebrar, de um modo todo particular e \u00fanico, a \u00daltima Ceia. Ela ficar\u00e1 gravada dum modo indel\u00e9vel na mem\u00f3ria dos Doze que nela participaram; mas, por meio deles, ficar\u00e1 gravada na vida de toda a Igreja, para todos os tempos. Dela e da P\u00e1scoa que ela antecipa vivem todas as Eucaristias que celebramos.<\/p>\n<p>Daquela \u00daltima Ceia fazemos hoje particular celebra\u00e7\u00e3o. Dos ritos pascais judaicos que a integraram restam-nos apenas alguns ind\u00edcios (suficientes, no entanto, para nos ajudarem a perceber parte do significado do que sucede). \u00c9 que a aten\u00e7\u00e3o (dos relatos evang\u00e9licos e nossa) \u00e9 toda dirigida para Jesus e para o gestos \u00fanicos, singulares, marcantes, que realiza: \u201cTomou o p\u00e3o e, dando gra\u00e7as, partiu-o e disse: \u00abIsto \u00e9 o meu corpo, entregue por v\u00f3s. Fazei isto em mem\u00f3ria de Mim\u00bb. Do mesmo modo, no fim da ceia, tomou o c\u00e1lice e disse: \u00abEste c\u00e1lice \u00e9 a nova alian\u00e7a no meu sangue. Todas as vezes que o beberdes, fazei-o em mem\u00f3ria de Mim\u00bb\u201d.<\/p>\n<p>Jesus inaugura, deste modo, uma nova P\u00e1scoa, um novo \u00caxodo. O alimento do povo peregrino n\u00e3o \u00e9 j\u00e1 um animal mas o pr\u00f3prio Jesus, o \u201cCordeiro que tira o pecado do mundo\u201d. A Alian\u00e7a n\u00e3o \u00e9 j\u00e1 a que foi escrita por Mois\u00e9s em t\u00e1buas de pedra, mas aquela Nova Alian\u00e7a, prometida pelos profetas e inscrita pelo Esp\u00edrito Santo no cora\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is, selada no sangue de Jesus. A peregrina\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 j\u00e1 realizada a partir do Egipto mas a partir deste mundo velho e caduco, com os seus crit\u00e9rios ego\u00edstas e maus, os seus deuses, animado pelo \u201cfermento da mal\u00edcia e da maldade\u201d, como diz S. Paulo (1Cor 5,7), e dirige-se n\u00e3o para uma qualquer regi\u00e3o da Terra, mas para o C\u00e9u, para a Vida Eterna que o Pai quer partilhar connosco. Que o mesmo \u00e9 dizer: para a vida com Deus para sempre \u2014 Terra de todas as del\u00edcias e felicidades (a que melhor felicidade pode o ser humano aspirar que esta de participar da eternidade divina?). E o novo povo do Senhor chama-se hoje \u201cIgreja\u201d, povo da Nova e definitiva Alian\u00e7a que Deus selou no sangue de Seu Filho Jesus.<\/p>\n<p>N\u00f3s que nos propomos caminhar, realizar o novo \u00eaxodo deste mundo para o Pai, podemos ter esperan\u00e7a de chegar \u00e0 verdadeira Terra da Promessa, que \u00e9 a vida com Deus?<\/p>\n<p>Quando o povo de Deus saiu do Egipto, os rins cingidos, o cajado nas m\u00e3os, os p\u00e3es \u00e1zimos eram sinal e garantia de que, sa\u00eddos da terra estrangeira, chegariam ao Sinai e \u00e0 Terra da Promessa. Agora \u00e9 o pr\u00f3prio Jesus que se torna garantia e penhor da nova Terra Prometida, de que a primeira Terra da promessa era apenas um sinal distante.<\/p>\n<p>A Eucaristia, corpo e sangue do Senhor, \u00e9 pois a garantia que funda a nossa esperan\u00e7a. Ainda peregrinos na hist\u00f3ria, somos alimentados com o P\u00e3o da eternidade; ainda nesta terra, somos alimentados com o P\u00e3o do C\u00e9u; ainda marcados pelo nosso pecado, \u00e9-nos dado o \u201cP\u00e3o dos Anjos\u201d. Sim, alimentados pela Eucaristia podemos viver a esperan\u00e7a, podemos ser \u201cperegrinos de esperan\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>Deixemos que a Eucaristia nos d\u00ea em cada dia a forma de Cristo, \u201ccaminho, verdade e vida\u201d. Que ela nos ajude a deixarmo-nos lavar os p\u00e9s pelo Senhor, a purificarmo-nos por Ele, e a lavarmos os p\u00e9s uns anos outros, como Ele mesmo nos convidou.<\/p>\n<p><em>D. Nuno Br\u00e1s \u2013 Bispo do Funchal<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":4,"featured_media":370132,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[186],"class_list":["post-370131","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-do-funchal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/370131","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=370131"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/370131\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/370132"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=370131"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=370131"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=370131"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}