{"id":370104,"date":"2025-04-17T20:10:45","date_gmt":"2025-04-17T19:10:45","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=370104"},"modified":"2025-04-17T16:59:45","modified_gmt":"2025-04-17T15:59:45","slug":"homilia-do-patriarca-de-lisboa-na-missa-vespertina-da-ceia-do-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-patriarca-de-lisboa-na-missa-vespertina-da-ceia-do-senhor\/","title":{"rendered":"Homilia do Patriarca de Lisboa na Missa Vespertina da Ceia do Senhor"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<p><em>\u00abA Eucaristia, fonte e meta de esperan\u00e7a\u00bb<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_365672\" aria-describedby=\"caption-attachment-365672\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/D.-Rui-Valerio.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-365672 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/D.-Rui-Valerio-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/D.-Rui-Valerio-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/D.-Rui-Valerio-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/D.-Rui-Valerio-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/D.-Rui-Valerio-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/D.-Rui-Valerio-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/D.-Rui-Valerio.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-365672\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECLESIA\/LFS<\/figcaption><\/figure>\n<p>Entramos, esta tarde, no Tr\u00edduo Pascal, o cora\u00e7\u00e3o do ano lit\u00fargico, o grande memorial do amor que se d\u00e1 at\u00e9 ao fim. Em cada Eucaristia celebramos o dom de Deus. Deus d\u00e1-Se a Si mesmo, n\u00e3o nos d\u00e1 \u00abalguma coisa\u00bb. \u00c9 a sua vida oferecida por n\u00f3s e para n\u00f3s. Reunimo-nos como os disc\u00edpulos no Cen\u00e1culo, \u00e0 volta de Jesus, para escutar o seu testamento e receber das Suas m\u00e3os o dom inestim\u00e1vel da Eucaristia. Esta noite, Ele entrega-nos o Seu Corpo e o Seu Sangue. Esta noite, Ele lava os p\u00e9s aos disc\u00edpulos. Esta noite, nasce a esperan\u00e7a que n\u00e3o passar\u00e1 jamais.<\/p>\n<p>Sim, irm\u00e3os, a Eucaristia \u00e9 o sacramento da esperan\u00e7a. Porque nela, Cristo antecipa a Sua vit\u00f3ria, transforma o p\u00e3o e o vinho em penhor de eternidade. Torna-Se presente como alimento e caminho, com Ele e com todos os que comungam do Seu Amor.<\/p>\n<p>Cada vez que celebramos a Eucaristia, o c\u00e9u toca a terra. A cruz n\u00e3o \u00e9 o fim. A morte n\u00e3o sai vencedora. A Eucaristia garante-nos que o amor \u00e9 mais forte. E esta esperan\u00e7a n\u00e3o \u00e9 apenas consolo: \u00e9 envio. A Ceia do Senhor n\u00e3o \u00e9 uma lembran\u00e7a passiva, \u00e9 uma miss\u00e3o ativa. Jesus diz: \u00abFazei isto em mem\u00f3ria de Mim\u00bb \u2013 n\u00e3o apenas repitam o gesto, mas vivam-no. Tornem-se Eucaristia viva, p\u00e3o repartido para o mundo. \u00c9 esperan\u00e7a que brota do altar e transforma a vida.<\/p>\n<p>Na Eucaristia, Jesus entrega-Se completamente. N\u00e3o guarda nada para Si. Este gesto \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o da nossa f\u00e9: Deus n\u00e3o desiste da humanidade, mesmo quando \u00e9 tra\u00eddo, mesmo quando \u00e9 negado, mesmo quando \u00e9 crucificado.<\/p>\n<p>Na celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, contemplamos o amor fiel de Deus, que permanece connosco em todas as circunst\u00e2ncias. Aqui, no altar, renova-se a certeza de que n\u00e3o estamos s\u00f3s. De que Deus caminha connosco. De que h\u00e1 futuro, mesmo quando tudo parece perdido. \u00c9 a esperan\u00e7a fundada no dom total de Cristo: h\u00e1 esperan\u00e7a n\u00e3o porque somos otimistas, mas porque Deus Se deu a Si pr\u00f3prio. \u00c9 o Senhor! O seu gesto \u00e9 de tal forma marcante que, depois da ressurrei\u00e7\u00e3o, os disc\u00edpulos O reconhecem ao partir do p\u00e3o (cf. Lc 24, 35).<\/p>\n<p>A Eucaristia \u00e9 a beleza da terra, iluminada pela beleza do c\u00e9u. No p\u00e3o feito do trigo, que cresce nos campos trabalhados pelo homem com o suor do seu rosto, e no vinho fruto das uvas que maturam em fecundos vinhedos escarpados, n\u00e3o encontramos s\u00f3 obra de t\u00e9cnicas aperfei\u00e7oadas no tempo, mas tocamos a sabedoria do homem ser mais do que para si mesmo. Ele \u00e9 capaz de trabalhar o que alimenta e mata a fome da humanidade, como ainda consegue fabricar a bebida que nos d\u00e1 o sentido da gratuidade, e nos colocar acima do estritamente necess\u00e1rio. Que paradoxo! Nestes alimentos t\u00e3o elementares e quotidianos condensam-se valores t\u00e3o elevadas. Da terra, nenhum outro produto \u00e9 t\u00e3o apropriado ao mist\u00e9rio da \u00faltima ceia como o p\u00e3o e o vinho; neles est\u00e1 uma for\u00e7a de supera\u00e7\u00e3o que Jesus evidenciou na multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es e dos peixes, e que reside na sua capacidade de ser sustento da vida; mas tamb\u00e9m reside uma grandeza de transforma\u00e7\u00e3o afirmada entre ter ou n\u00e3o ter p\u00e3o que equivale ao viver ou ao morrer. Mas a pr\u00f3pria ceia foi restaurada na sua identidade de memorial da sa\u00edda do Egito, da escravid\u00e3o, para a terra prometida, e assumir-se como passagem para o Pai. E assim, toda a P\u00e1scoa vem colocada nesta ceia porque o pr\u00f3prio Cristo \u00e9 a Ceia, Ele a P\u00e1scoa que, na sua carne que por Si oferecida como alimento, n\u00f3s, com Ele, passamos para o Pai. \u00abQuem me come tem a vida eterna\u00bb (Jo 6, 54), quem me toma \u00e9 tomado por mim e levado \u00e0 comunh\u00e3o filial na gl\u00f3ria do Pai. Pela carne de Ad\u00e3o ressuscitada n\u00f3s passamos deste mundo para o santu\u00e1rio do Pai. Jesus assumiu a carne de Ad\u00e3o, marcada pelo pecado, e \u00e9 nesta mesma carne que passa para o Pai e com Ele, todos n\u00f3s. Eis a verdadeira P\u00e1scoa!<\/p>\n<p>Jesus, antes de partir o p\u00e3o, lava os p\u00e9s aos disc\u00edpulos. A Eucaristia n\u00e3o nos fecha no sagrado, mas envia-nos ao concreto, ao quotidiano, ao outro. O sagrado torna-se essa realidade rotineira: como o p\u00e3o e o vinho s\u00e3o o sacramento do Seu Corpo e Sangue, tamb\u00e9m o servi\u00e7o desinteressado aos irm\u00e3os \u00e9 \u00absacramento\u00bb do amor ao pr\u00f3ximo. Cristo \u00e9 o Belo Pastor (cf. Jo 10, 11), que se curva para lavar os p\u00e9s. Aqui reside \u00aba beleza da caridade crist\u00e3, que se expressa, por exemplo, no gesto simples de atender e auxiliar um pobre\u00bb1.<\/p>\n<p>Nesta Quinta-feira Santa, somos confrontados com o esc\u00e2ndalo de um Deus ajoelhado, de um Senhor que serve. E somos convidados a fazer o mesmo. A esperan\u00e7a crist\u00e3 torna-se, assim, servi\u00e7o. O mundo precisa de sinais de esperan\u00e7a concreta: m\u00e3os que lavam, cora\u00e7\u00f5es que escutam, gestos que curam. A esperan\u00e7a crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 uma ideia bonita, \u00e9 uma vida entregue, como o Senhor Jesus, com Ele e por Ele.<\/p>\n<p>Na Eucaristia, vemos tamb\u00e9m como Deus se coloca connosco a caminho, fazendo-Se pr\u00f3ximo de cada um de n\u00f3s. \u00c9 o verdadeiro \u00abEmanuel\u00bb. A Eucaristia faz-nos Corpo de Cristo. Une-nos, mesmo sendo diferentes. Torna-nos povo em marcha, peregrinos de esperan\u00e7a, como nos recorda o esp\u00edrito jubilar que atravessa este ano santo.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos guardar para n\u00f3s este dom. Quem comunga verdadeiramente o Corpo de Cristo, torna-se portador da Sua presen\u00e7a no mundo: na fam\u00edlia, no trabalho, na comunidade. Toda a Eucaristia termina com um envio: \u00abIde\u00bb \u2013 ou seja, levai esta esperan\u00e7a aonde ela ainda n\u00e3o chegou. Por isso, a Igreja \u00e9 sacramento desta presen\u00e7a, mas tamb\u00e9m sacramento do envio. A Igreja s\u00f3 se compreende plenamente como miss\u00e3o, como evangelizadora da paz at\u00e9 aos confins da terra. E a Eucaristia funda e alimenta esta miss\u00e3o.<\/p>\n<p>Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, nesta noite em que a Igreja nasce do amor e se renova na esperan\u00e7a, deixemo-nos tocar por esta presen\u00e7a silenciosa, humilde e poderosa de Cristo na Eucaristia. Que cada comunh\u00e3o seja para n\u00f3s como para os disc\u00edpulos de Ema\u00fas: um ardor novo no cora\u00e7\u00e3o, um abrir dos olhos, um levantar-se para o caminho (cf. Lc 24, 32). Somos chamados a ser homens e mulheres da Eucaristia e da Esperan\u00e7a, celebrando com f\u00e9, vivendo com coer\u00eancia, servindo com alegria.<\/p>\n<p>Que Maria, M\u00e3e da Esperan\u00e7a e Mulher eucar\u00edstica, nos ajude a guardar e a viver este mist\u00e9rio no sil\u00eancio e na entrega.<\/p>\n<p>Cristo deu-Se a cada um de n\u00f3s. D\u00eamo-nos tamb\u00e9m n\u00f3s aos outros com amor fraterno. A esperan\u00e7a foi-nos confiada, n\u00e3o podemos fazer outra coisa sen\u00e3o lev\u00e1-la ao mundo. \u00c1men.<\/p>\n<p>+Rui, Patriarca de Lisboa<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":4,"featured_media":365672,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[343],"class_list":["post-370104","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-lisboa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/370104","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=370104"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/370104\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/365672"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=370104"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=370104"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=370104"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}