{"id":370046,"date":"2025-04-17T14:44:43","date_gmt":"2025-04-17T13:44:43","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=370046"},"modified":"2025-04-17T14:44:43","modified_gmt":"2025-04-17T13:44:43","slug":"homilia-do-arcebispo-d-jose-cordeiro-na-missa-crismal-17-de-abril-de-2025","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-arcebispo-d-jose-cordeiro-na-missa-crismal-17-de-abril-de-2025\/","title":{"rendered":"Homilia do Arcebispo, D. Jos\u00e9 Cordeiro, na Missa crismal, 17 de abril de 2025"},"content":{"rendered":"<p>Presb\u00edtero, figura de esperan\u00e7a<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_370056\" aria-describedby=\"caption-attachment-370056\" style=\"width: 347px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/MIssa-Crismal-Braga2-Lusa.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-370056 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/MIssa-Crismal-Braga2-Lusa-347x260.jpg\" alt=\"\" width=\"347\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/MIssa-Crismal-Braga2-Lusa-347x260.jpg 347w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/MIssa-Crismal-Braga2-Lusa-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/MIssa-Crismal-Braga2-Lusa-768x576.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/MIssa-Crismal-Braga2-Lusa-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/MIssa-Crismal-Braga2-Lusa.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 347px) 100vw, 347px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-370056\" class=\"wp-caption-text\">Foto Lusa<\/figcaption><\/figure>\n<p>1. Repletos da grande esperan\u00e7a<\/p>\n<p>Decorrido um ano pastoral que teve como centro da nossa vida diocesana o V Congresso Eucar\u00edstico Nacional e nos demand\u00e1mos como presbit\u00e9rio eucar\u00edstico, agrade\u00e7o de inteiro cora\u00e7\u00e3o o vosso precioso empenho e consci\u00eancia diocesana na forma\u00e7\u00e3o, celebra\u00e7\u00e3o e adora\u00e7\u00e3o. Seguimos agora o nosso caminho de P\u00e1scoa sob o tema da Esperan\u00e7a, o mote do Jubileu que celebramos este ano em toda a Igreja Universal.<\/p>\n<p>Infelizmente, a esperan\u00e7a sempre foi o \u201cparente pobre\u201d das tr\u00eas virtudes teologais, pois a tradi\u00e7\u00e3o da Igreja sempre se focou mais na f\u00e9 e na caridade, \u201cesquecendo-se\u201d em certa medida da virtude da esperan\u00e7a. Daqui surgiu tamb\u00e9m um certo \u201cpreju\u00edzo na vida presbiteral\u201d: sobrevalorizou-se a identidade do presb\u00edtero enquanto figura de f\u00e9 e de caridade, ou seja, do presb\u00edtero como mestre em doutrina e do presb\u00edtero h\u00e1bil nas obras de miseric\u00f3rdia, e quase se ignorou a sua identidade enquanto \u201cfigura de esperan\u00e7a\u201d. Por esta raz\u00e3o, o Jubileu surge como uma oportunidade de recuperarmos este equil\u00edbrio presbiteral, meditando sobre este terceiro aspeto da vida presbiteral.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. Esperan\u00e7a s\u00f3lida<\/p>\n<p>Das muitas defini\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e po\u00e9ticas da esperan\u00e7a, S\u00e3o Paulo, ao cruzar a sua forma\u00e7\u00e3o hebraica com a cultura grega que habitava, decretou o significado crist\u00e3o desta palavra: a nossa esperan\u00e7a \u00e9 Jesus Cristo (1Tm 1,1). Se a esperan\u00e7a grega era uma esperan\u00e7a antropol\u00f3gica e incerta, a esperan\u00e7a crist\u00e3, na continuidade da esperan\u00e7a hebraica, n\u00e3o \u00e9 um progn\u00f3stico otimista, mas uma rela\u00e7\u00e3o com Cristo. Sendo Ele a fonte da nossa esperan\u00e7a, podemos agora estar tranquilos, porque esta \u00abesperan\u00e7a n\u00e3o engana\u00bb (Rm 5,5).<\/p>\n<p>Se a f\u00e9 \u00e9 um convite de Deus endere\u00e7ado ao ser humano e a caridade \u00e9 a resposta a esse convite enquanto a\u00e7\u00e3o direcionada em prol dos outros (1Jo 4,20), a esperan\u00e7a \u00e9, por sua vez, o movimento individual do humano em dire\u00e7\u00e3o a Deus. Por isso, ser peregrino de esperan\u00e7a n\u00e3o \u00e9 outra coisa sen\u00e3o o caminhar em dire\u00e7\u00e3o a Deus e com Deus, como escut\u00e1vamos e cant\u00e1vamos no salmo responsorial.<\/p>\n<p>Caso contr\u00e1rio, podemos cair no mesmo erro daquele que \u00e9 uma das refer\u00eancias principais do nosso minist\u00e9rio: o ap\u00f3stolo Pedro. Como nos relata uma antiga tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3, ap\u00f3s o in\u00edcio da persegui\u00e7\u00e3o aos crist\u00e3os no ano 64, Pedro foge apavorado de Roma pela Via \u00c1pia e eis que a certa altura encontra Jesus que vem em sentido contr\u00e1rio. Ao v\u00ea-lo, Pedro pergunta: \u201cpara onde vais, Senhor?\u201d. E Jesus responde: \u201cvou para Roma para ser crucificado novamente\u201d. Pedro percebe ent\u00e3o um princ\u00edpio estruturante da vida espiritual: \u00e0s vezes, at\u00e9 podemos estar na estrada certa, mas na dire\u00e7\u00e3o errada.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que um presb\u00edtero precisa de alimentar a sua esperan\u00e7a. S\u00f3 uma esperan\u00e7a s\u00f3lida faz uma f\u00e9 e uma caridade s\u00f3lidas, e vice-versa. Com efeito, assim se expressou o nosso santo arcebispo Bartolomeu dos M\u00e1rtires: \u00aba boa consci\u00eancia nada toda ela em esperan\u00e7a; a m\u00e1 consci\u00eancia afasta a esperan\u00e7a\u00bb. E daqui uma pergunta espiritual para as nossas vidas: se eu n\u00e3o saboreio a esperan\u00e7a, como posso comunicar esta esperan\u00e7a aos outros?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3. Na escola da Esperan\u00e7a<\/p>\n<p>O programa pastoral que Jesus apresenta no Evangelho de hoje (Lc 4,18-19), lido pelo primeiro leitor da Igreja [Jesus], na continuidade da profecia da primeira leitura, \u00e9 um pequeno \u201ctratado de esperan\u00e7a\u201d. A sua a\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 outra coisa sen\u00e3o o devolver a esperan\u00e7a \u00e0queles que est\u00e3o aprisionados na sua doen\u00e7a, na sua escravid\u00e3o, na sua pobreza ou na sua tristeza. Em boa verdade, a esperan\u00e7a crist\u00e3 n\u00e3o consiste em \u201cver coisas novas\u201d, mas \u201cver as coisas de um modo novo\u201d. \u00c9 esta sabedoria existencial que somos chamados a viver e a anunciar!<\/p>\n<p>A Missa do crisma ou da un\u00e7\u00e3o confirma-nos no caminho de P\u00e1scoa que juntos realizamos em Jesus Cristo com o sonho de O levar a todos. Este \u00e9 um exerc\u00edcio permanente: sermos \u201ccontemplativos na a\u00e7\u00e3o\u201d e n\u00e3o \u201cconsumidos pela a\u00e7\u00e3o\u201d (P. Kolvenbach). A paci\u00eancia \u00e9 a esperan\u00e7a quotidiana.<\/p>\n<p>Na nossa a\u00e7\u00e3o pastoral, v\u00e1rios s\u00e3o os are\u00f3pagos e momentos em que somos chamados diariamente a valorizar esta virtude (cf. Spe salvi 32-48). Recordo apenas alguns: sempre que visitamos um doente no hospital, passamos num vel\u00f3rio para confortar a fam\u00edlia enlutada, preparamos com ardor a homilia de um funeral (bem como, todas as outras homilias), rezamos a Palavra de Deus e as ora\u00e7\u00f5es da piedade popular com elementos de esperan\u00e7a, acolhemos com alegria e mestria aqueles que somente v\u00eam \u201cpedir pap\u00e9is\u201d ao cart\u00f3rio paroquial, celebramos com arte e beleza a liturgia da Igreja, realizamos com frequ\u00eancia o precioso sacramento da santa un\u00e7\u00e3o, acompanhamos os pobres e os exclu\u00eddos com gestos de amor, sentamo-nos sem medo e sem pressa num confession\u00e1rio para escutar as biografias feridas\u2026 no fundo, estamos a ser um farol de esperan\u00e7a para tanta gente desesperada, mesmo sem nos darmos conta disso.<\/p>\n<p>Por esta raz\u00e3o, talvez devamos concordar com J. Moltmann (+2024), conhecido pelo \u201cte\u00f3logo da esperan\u00e7a\u201d: a atual crise de f\u00e9 deriva de uma crise de esperan\u00e7a. Logo, eis o cerne da a\u00e7\u00e3o pastoral contempor\u00e2nea: se anunciarmos e testemunharmos a esperan\u00e7a (1Pe 3,15), \u00e9 muito prov\u00e1vel que a f\u00e9 se reacenda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>4. Testemunho original<\/p>\n<p>Para concluir, o jovem Carlo Acutis, que ser\u00e1 canonizado na pr\u00f3xima semana, deixava-nos esta curiosa met\u00e1fora citada na exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica p\u00f3s-sinodal Christus vivit, 106: \u00abtodos nascem como originais, mas muitos morrem como fotoc\u00f3pias\u00bb e acrescenta o Papa Francisco: \u00abn\u00e3o permitas que isso te aconte\u00e7a\u00bb. Na mesma l\u00f3gica poder\u00edamos reformular: Deus deseja presb\u00edteros originais, n\u00e3o presb\u00edteros que sejam fotoc\u00f3pias.<\/p>\n<p>Como sabem, n\u00f3s s\u00f3 temos um modelo: Cristo-sacerdote (Hb 5,5-6), o nosso Alfa e \u00d4mega, Aquele que \u00e9, que era e que h\u00e1 de vir, o Senhor do Universo (cf. 2.\u00aa leitura, Ap 1, 5-8). E a nossa \u201coriginalidade\u201d consiste em deixar que Deus molde a nossa vida, de modo que, como descreve a espiritualidade paulina: \u00abj\u00e1 n\u00e3o sou eu que vivo, mas \u00e9 Cristo que vive em mim\u00bb (Gl 2,20). A esperan\u00e7a \u00e9 este espa\u00e7o interm\u00e9dio que impede que Deus seja absorvido pelo humano ou que o humano seja anulado por Deus. Sem a esperan\u00e7a, a qual nos direciona para o aut\u00eantico horizonte da nossa estrada, que \u00e9 Cristo (Tt 2,13), facilmente perdemos a fonte da nossa originalidade, porque passamos a ser \u201cfotoc\u00f3pias\u201d daquilo que o mundo quer, em vez de sermos aquilo que Deus quer.<\/p>\n<p>Que o Tr\u00edduo Pascal que iniciaremos esta tarde nas nossas comunidades paroquiais seja vivido com este prop\u00f3sito: celebrarmos o mist\u00e9rio da nossa esperan\u00e7a! E quanto a v\u00f3s, caros presb\u00edteros: obrigado por serdes um prof\u00edcuo testemunho de esperan\u00e7a para o Povo de Deus!<\/p>\n<p>+ Jos\u00e9 Manuel Cordeiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Presb\u00edtero, figura de esperan\u00e7a<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":370056,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[172],"class_list":["post-370046","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-braga"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/370046","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=370046"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/370046\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/370056"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=370046"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=370046"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=370046"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}