{"id":369961,"date":"2025-04-17T12:01:24","date_gmt":"2025-04-17T11:01:24","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=369961"},"modified":"2025-04-17T12:01:24","modified_gmt":"2025-04-17T11:01:24","slug":"homilia-do-bispo-da-guarda-na-missa-crismal-5","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-da-guarda-na-missa-crismal-5\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo da Guarda na Missa Crismal"},"content":{"rendered":"<p>D. Jos\u00e9 Miguel<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_369980\" aria-describedby=\"caption-attachment-369980\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-369980\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Guarda-Missa-Crismal-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Guarda-Missa-Crismal-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Guarda-Missa-Crismal-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Guarda-Missa-Crismal-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Guarda-Missa-Crismal-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Guarda-Missa-Crismal.jpg 1199w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-369980\" class=\"wp-caption-text\">Foto Jornal A Guarda<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u00abO Esp\u00edrito do Senhor est\u00e1 sobre Mim, porque Ele Me ungiu para anunciar a boa nova aos pobres. Ele Me enviou a proclamar a reden\u00e7\u00e3o aos cativos e a vista aos cegos, e a restituir a liberdade aos oprimidos, a proclamar o ano da gra\u00e7a do Senhor\u00bb (Lc 4, 18-19).<\/p>\n<p>Jesus \u00e9 ungido pelo Esp\u00edrito. \u00c9 chamado e enviado pelo Pai, em seu nome e como sua presen\u00e7a (Ele que \u00e9 verdadeiramente Deus) para Se oferecer a si mesmo como oferta sagrada e imolada por amor (sacrif\u00edcio), pela liberta\u00e7\u00e3o dos pecados; sem se deter diante de nada, nem do trespassamento e derramamento do seu pr\u00f3prio sangue, quando tal se tornou o caminho da fidelidade at\u00e9 ao fim (como ouv\u00edamos na segunda leitura).<\/p>\n<p>Jesus \u00e9 investido assim de um verdadeiro sacerd\u00f3cio, novo e definitivo, que n\u00e3o precisa de repetir os sacrif\u00edcios anuais: na Galileia, Jesus anuncia e inaugura um ano jubilar da gra\u00e7a do Senhor, que resgata da escravid\u00e3o; e na sua P\u00e1scoa torna-o um tempo perene de salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O sacerd\u00f3cio de Jesus \u00e9 sacrif\u00edcio, isto \u00e9, oferta perene: n\u00e3o precisa de ser repetido pois n\u00e3o perde efic\u00e1cia. Mas precisa de ser estendido, assumido, actualizado em cada um e em cada tempo. Jesus n\u00e3o acaba com o sacerd\u00f3cio, transforma-o. Transfere a oferta de animais para expia\u00e7\u00e3o dos pecados para a oferta de Si como reden\u00e7\u00e3o dos pecados. O sacrif\u00edcio de Jesus j\u00e1 n\u00e3o serve para atrair a benevol\u00eancia de Deus; com ele, Jesus inaugura o caminho de oferta permanente da pr\u00f3pria vontade \u00e0 vontade do Pai, o caminho que nos conduz \u00e0 sintonia e intimidade com Deus em qualquer circunst\u00e2ncia, que nem a morte e o pecado, pr\u00f3prios ou alheios, podem impedir.<\/p>\n<p>Este sacerd\u00f3cio que Jesus realiza na P\u00e1scoa n\u00e3o \u00e9 uma realidade avulsa, espor\u00e1dica, pontual. Como se tivesse ocorrido ali e pronto; com se n\u00e3o fosse a continuidade de um antes que se prolonga num depois. N\u00e3o: ser sacerdote da nova e eterna Alian\u00e7a \u00e9 o fio condutor da Vida de Jesus. Na Encarna\u00e7\u00e3o, na Apresenta\u00e7\u00e3o no Templo, na primeira subida a Jerusal\u00e9m aos doze anos, em toda a vida oculta, na prega\u00e7\u00e3o e minist\u00e9rio na Galileia, na subida a Jerusal\u00e9m, na sua P\u00e1scoa, em tudo Jesus Se oferece \u00e0 vontade do Pai.<\/p>\n<p>Como vemos, sem pertencer \u00e0 classe sacerdotal e sem nunca ter oficiado no templo, a vida de Jesus \u00e9 um verdadeiro sacerd\u00f3cio.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar \u00e9 um sacerd\u00f3cio prof\u00e9tico: Aquele que \u00e9 a Palavra de Deus aniquila-Se \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de homem, mais ainda, de servo e de mortal, para nos fazer participar da vida divina; Jesus leva \u00e0 plenitude a un\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica para anunciar a Boa Nova aos pobres, e para ensinar a percorrer os caminhos da justi\u00e7a, da liberta\u00e7\u00e3o, da ilumina\u00e7\u00e3o e da convers\u00e3o.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, \u00e9 um sacerd\u00f3cio pastoral: Jesus leva \u00e0 plenitude a un\u00e7\u00e3o real para inaugurar o seu reinado no mundo \u00e0 maneira do Bom Pastor que d\u00e1 a vida at\u00e9 ao fim para que o mundo a tenha; Jesus inaugura uma linhagem aben\u00e7oada, pois oferece, a quem quiser aceitar, a possibilidade de tomar parte com Ele na rela\u00e7\u00e3o filial com o Pai.<\/p>\n<p>Mas ser sacerdote da nova e eterna Alian\u00e7a \u00e9 tamb\u00e9m o fio condutor da Gl\u00f3ria de Jesus. Tendo passado deste mundo para o Pai, Jesus \u00abfez de n\u00f3s um reino de sacerdotes para Deus, seu Pai\u00bb (como ouv\u00edamos na segunda leitura), e cumpriu a profecia de sermos chamados, e sermos realmente \u00absacerdotes do Senhor\u00bb e \u00abministros do nosso Deus\u00bb (como ouv\u00edamos na primeira leitura). Jesus continua, pois, a exercer o seu sacerd\u00f3cio: Ele, na Gl\u00f3ria, preside ao nosso sacerd\u00f3cio comum de baptizados, que nos \u00e9 comunicado por meio dos sacramentos da nova alian\u00e7a.<\/p>\n<p>A oferta sacrificial d\u00e1 lugar \u00e0 liturgia sacramental pela qual Jesus continua a entregar-Se \/ comunicar-Se ao seu povo, e n\u00f3s a oferecermo-nos continuamente a Deus por Cristo no Esp\u00edrito Santo. O an\u00fancio prof\u00e9tico d\u00e1 lugar ao discipulado mission\u00e1rio pelo qual Jesus \u00e9 oferecido a todos como Boa Nova que salva, e n\u00f3s damos a conhecer a alegria vivida do Evangelho. A miss\u00e3o messi\u00e2nica d\u00e1 lugar ao apostolado e servi\u00e7o pastoral pelos quais Jesus continua a fazer crescer o seu Reino e n\u00f3s estendemo-lo a todas as dimens\u00f5es do viver humano.<\/p>\n<p>Nesta celebra\u00e7\u00e3o da manh\u00e3 \u00e9 tudo isto que estamos a celebrar. \u00c9 o mist\u00e9rio da Igreja, nascida da entrega pascal de Jesus, que comunica a todo o mundo a vida nova do Senhor por meio da Palavra, dos sacramentos e do servi\u00e7o, at\u00e9 ao fim dos tempos.<\/p>\n<p>N\u00e3o estamos aqui como espectadores mas como agentes que tomam parte. Ao consagrarmos daqui a pouco o \u00f3leo que ser\u00e1 usado para os sacramentos que nos d\u00e3o vida, receberemos a miss\u00e3o de \u00abministros do nosso Deus\u00bb para comunicarmos ao mundo o \u00ab\u00f3leo da alegria\u00bb.<\/p>\n<p>N\u00e3o somos meros receptores dos dons de Deus, somos distribuidores da sua gra\u00e7a. Consumimos sacramentos ou tornamo-nos sacramentos para levar Jesus, Ele mesmo (e n\u00e3o apenas o exemplo de Jesus, ou ideias sobre Jesus)? Apenas ouvimos a Palavra de Deus ou somos lugar onde ela se mostra viva e eficaz? Somos apenas praticantes de uma religi\u00e3o ou instrumentos que comunicam (um)a vida divina? Falamos duma alegria que \u00e9 s\u00f3 conversa e n\u00e3o convence ningu\u00e9m (nem a n\u00f3s) ou partilhamos a alegria que toc\u00e1mos, nos transformou e nos apaixona?<\/p>\n<p>Escutemos de novo: temos todos \u00abo nome de \u201cministros do nosso Deus\u201d\u00bb.<\/p>\n<p>Como mais imediatamente nos vir\u00e1 ao pensamento, t\u00eam-no os nossos padres, que receberam o minist\u00e9rio sacerdotal para nos animar e confirmar a todos no nosso sacerd\u00f3cio comum, procurando deixar-se unir e configurar intimamente a Cristo, Cabe\u00e7a do corpo e Pastor do rebanho, e realizando o mandato de pregar, de guiar na f\u00e9 e de fazer perpetuamente os gestos eucar\u00edsticos e sacramentais confiados aos ap\u00f3stolos.<\/p>\n<p>Daqui a pouco eles ir\u00e3o renovar as promessas que fizeram no dia da sua ordena\u00e7\u00e3o. Vai ser um momento que nos convoca a um olhar mais profundo, s\u00f3 poss\u00edvel na f\u00e9: neles, n\u00e3o na sua perfei\u00e7\u00e3o ou impecabilidade, mas na sua entrega fr\u00e1gil e generosa, Jesus vem at\u00e9 n\u00f3s para nos confirmar na f\u00e9 e na miss\u00e3o.<\/p>\n<p>Amemos, pois, os nossos padres, n\u00e3o porque agem como esperamos, mas porque nos comunicam os dons de Deus para vida de f\u00e9 e de miss\u00e3o. Rezemos por eles e hoje, muito especialmente, por aqueles que ao longo deste ano celebram jubileus de ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal: o Pe. Joaquim Teixeira (75 anos); o Pe. Ant\u00f3nio Espinha Monteiro (65 anos); o Pe. Ant\u00f3nio Morais e o Pe. Manuel Igreja Dinis (60 anos); o Pe. Jos\u00e9 Brito e o Pe. S\u00e9rgio Mendes (25 anos). Cuidemos de todos eles para que n\u00e3o nos falte o est\u00edmulo dos pastores.<\/p>\n<p>Em estreita colabora\u00e7\u00e3o com eles, t\u00eam o nome de \u00abministros do nosso Deus\u00bb os di\u00e1conos, tamb\u00e9m ministros ordenados para nos animar e confirmar no servi\u00e7o da comunidade e da evangeliza\u00e7\u00e3o. A miss\u00e3o na nossa Igreja diocesana precisa do servi\u00e7o dedicado dos que o j\u00e1 s\u00e3o e do concurso generoso de novos di\u00e1conos. Rezemos para que o Senhor sempre nos mostre os melhores caminhos para a forma\u00e7\u00e3o inicial e permanente dos nossos di\u00e1conos.<\/p>\n<p>Mas t\u00eam igual \u00abnome de mistros do nosso Deus\u00bb todos os fi\u00e9is que abra\u00e7am o servi\u00e7o da miss\u00e3o que decorre do seu sacerd\u00f3cio comum de baptizados. Desde logo, em todo o conjunto de servi\u00e7os, of\u00edcios e fun\u00e7\u00f5es mais ou menos configurados, necess\u00e1rios para a vida das comunidades, de entidades e da nossa C\u00faria Diocesana. Depois, no empenhamento activo e renovado do caminho sinodal, necess\u00e1rio para efectivar a reorganiza\u00e7\u00e3o da assist\u00eancia pastoral \u00e0s nossas comunidades. Mas tamb\u00e9m no conjunto de minist\u00e9rios institu\u00eddos, confiados a homens e mulheres, necess\u00e1rios para uma pastoral de evangeliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A nossa Igreja diocesana precisa de homens e mulheres que n\u00e3o s\u00f3 proclamem a Palavra nas assembleias lit\u00fargicas, mas estejam na primeira linha da leitura crente da realidade e da anima\u00e7\u00e3o do di\u00e1logo entre f\u00e9 e cultura, Evangelho e mundo. Precisa de homens e mulheres que n\u00e3o s\u00f3 iniciem as novas gera\u00e7\u00f5es na f\u00e9, mas dinamizem a catequese cont\u00ednua, capaz de amadurecer adultos na f\u00e9 e na esperan\u00e7a. Precisa de homens e mulheres que n\u00e3o s\u00f3 sirvam o corpo de Cristo no altar da eucaristia, mas sejam os primeiros a cuidar do mesmo corpo de Cristo nos pobres e sofredores, na unidade e na reconcilia\u00e7\u00e3o, na comunh\u00e3o e na fraternidade.<\/p>\n<p>A nossa Igreja diocesana precisa ainda de jovens, rapazes e raparigas, que escutem o chamamento de Deus e tenham uma cora\u00e7\u00e3o grande para responder. Precisa de jovens casais que n\u00e3o s\u00f3 queiram casar e ter filhos, mas aceitem ser \u00abministros do nosso Deus\u00bb ao servi\u00e7o da evangeliza\u00e7\u00e3o dos afectos e do amor, e da constru\u00e7\u00e3o da Igreja nas fam\u00edlias. Precisa de jovens raparigas que n\u00e3o s\u00f3 queiram tomar parte em determinados servi\u00e7os na Igreja, mas aceitem ser \u00abministr[a]s do nosso Deus\u00bb consagradas a Jesus como Santa Madalena, para o servi\u00e7o da Diocese. Precisa de jovens rapazes que n\u00e3o s\u00f3 queiram participar em determinadas actividades na Igreja, mas aceitem ser \u00abministros do nosso Deus\u00bb consagrados a Cristo como os Ap\u00f3stolos, para o sacerd\u00f3cio ministerial na nossa Diocese.<\/p>\n<p>Rezemos, pois, uns pelos outros e pela nossa Diocese. E supliquemos \u00e0 nossa M\u00e3e e Senhora da Assun\u00e7\u00e3o que nos fa\u00e7a d\u00f3ceis \u00e0 un\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito, para que tamb\u00e9m se cumpra em n\u00f3s, hoje mesmo, estas passagens da Escritura que acab\u00e1mos de ouvir.<\/p>\n<p><em>D. Jos\u00e9 Miguel Pereira, bispo da Guarda<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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