{"id":369928,"date":"2025-04-17T12:02:40","date_gmt":"2025-04-17T11:02:40","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=369928"},"modified":"2025-04-17T18:44:26","modified_gmt":"2025-04-17T17:44:26","slug":"homilia-do-bispo-do-funchal-na-missa-crismal-6","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-do-funchal-na-missa-crismal-6\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo do Funchal na Missa Crismal"},"content":{"rendered":"<p>\u00abAnunciadores dum novo horizonte\u00bb<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_370189\" aria-describedby=\"caption-attachment-370189\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Missa-Crismal-Funchal-3.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-370189 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Missa-Crismal-Funchal-3-400x244.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"244\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Missa-Crismal-Funchal-3-400x244.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Missa-Crismal-Funchal-3-1024x625.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Missa-Crismal-Funchal-3-768x468.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Missa-Crismal-Funchal-3-1536x937.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Missa-Crismal-Funchal-3.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-370189\" class=\"wp-caption-text\">Foto Duarte Gomes\/Jornal da Madeira<\/figcaption><\/figure>\n<p>1. Na I\u00aa Leitura, o Profeta Isa\u00edas esbo\u00e7ava para os seus contempor\u00e2neos a figura do Messias e da sua miss\u00e3o: \u201cO Esp\u00edrito do Senhor est\u00e1 sobre mim, porque o Senhor me ungiu e me enviou a anunciar a Boa Nova aos infelizes, a curar os cora\u00e7\u00f5es atribulados, a proclamar a reden\u00e7\u00e3o aos cativos e a liberdade aos prisioneiros, a proclamar o ano da gra\u00e7a do Senhor\u201d (Is 61,1-2). E o Profeta continuava, acrescentando acerca de todo o povo: \u201cSereis chamados \u00absacerdotes do Senhor\u00bb e \u00abministros do nosso Deus\u00bb\u201d. Ao faz\u00ea-lo, fazia-se eco daquilo que, j\u00e1 antes, o pr\u00f3prio Deus tinha anunciado: \u201cSereis para mim um reino de sacerdotes, uma na\u00e7\u00e3o santa\u201d (Ex 19,6).<\/p>\n<p>Estamos na presen\u00e7a de uma profecia, primeiro sobre a figura do Messias e, depois, acerca do seu povo. A ela se refere Jesus quando declara na Sinagoga de Nazar\u00e9: \u201cCumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura que acabais de ouvir\u201d (Lc 4,21).<\/p>\n<p>O Messias cria para Si um povo. S. Pedro reconhece-o ao afirmar acerca da Igreja: \u201cSois gera\u00e7a\u0303o eleita, sacerdo\u0301cio real, na\u00e7a\u0303o santa, povo adquirido para anunciar os feitos admira\u0301veis daquele que vos chamou das trevas para a sua luz admira\u0301vel\u201d (1Ped 2,9).<\/p>\n<p>N\u00e3o nos espante pois que a celebra\u00e7\u00e3o de hoje nos convide, em primeiro lugar, a tomar consci\u00eancia de sermos membros da Igreja Santa de Deus, de fazermos parte do \u201cpovo sacerdotal\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o devemos temer, caros irm\u00e3os, o uso destes adjectivos para falar da Igreja: eles s\u00e3o usados pela Escritura, como acab\u00e1mos de recordar e, longe de se referirem a qualidades humanas de cada um ou do todo eclesial, reconhecem simplesmente \u2014 e \u00e9 tanto! \u2014 que na Igreja se espelha a santidade de Deus. \u201cEu sou o Senhor vosso Deus; fostes santificados e vos tornastes santos porque Eu sou santo\u201d (Lev 11,44).<\/p>\n<p>Apesar da realidade do pecado e das insufici\u00eancias dos seus membros, Deus quis e quer estar presente no mundo por meio da Igreja. O pecado dos seus membros torna certamente mais dif\u00edcil o acolhimento do Evangelho; mas jamais ser\u00e1 capaz de manchar a santidade surpreendente que a adorna, porque esta vem de Deus e n\u00e3o dos homens, e para ela flui incessantemente.<\/p>\n<p>Com efeito, a Igreja \u00e9 um povo que apenas faz sentido numa constante refer\u00eancia ao Senhor; numa depend\u00eancia constante dele; numa ininterrupta indig\u00eancia da sua gra\u00e7a. Sem Cristo Rei, deixar\u00e1 de ser povo de reis; sem Cristo Sacerdote, deixar\u00e1 de ser povo sacerdotal; sem Cristo, o Santo, deixar\u00e1 de ser na\u00e7\u00e3o santa. N\u00e3o existe Igreja sem Jesus. Como afirmou o Papa Francisco: ficaria reduzida uma simples ONG piedosa.<\/p>\n<p>2. \u00c9 nossa miss\u00e3o, caros sacerdotes, record\u00e1-lo constantemente. \u00c9 nossa miss\u00e3o tornar presente esta permanente indig\u00eancia eclesial: a Igreja necessita constantemente de Jesus Cristo e da sua ac\u00e7\u00e3o salvadora; necessita dos seus sacramentos; n\u00e3o pode ser ela mesma sem a presen\u00e7a do Senhor. E \u2014 muito menos! \u2014 ser, por si, originadora da salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como todos os baptizados, n\u00f3s os sacerdotes fazemos parte do povo sacerdotal; mas n\u00e3o recebemos do povo a miss\u00e3o nem a condi\u00e7\u00e3o do sacerd\u00f3cio ministerial. N\u00e3o somos delegados do povo, apesar de o representarmos.\u00a0 Nem somos seus funcion\u00e1rios, apesar de estarmos ao seu servi\u00e7o nas 24 horas do dia.<\/p>\n<p>Somos presen\u00e7a de Jesus. Pecadores como os demais, somos \u2014 com eles e como eles \u2014 peregrinos de esperan\u00e7a, buscadores da plenitude do Reino. Como presen\u00e7a sacramental do Senhor, trazemos connosco o tesouro da gra\u00e7a divina, a oferta da salva\u00e7\u00e3o \u2014 mas trazemo-lo nos vasos de barro, com as nossas vidas, pecadoras e fr\u00e1geis.<\/p>\n<p>E, no entanto, somos presen\u00e7a do Senhor Jesus. Devemos manifest\u00e1-lo sem medo nem vergonha: somos presen\u00e7a daquele que serve, daquele que d\u00e1 toda a sua vida, daquele que n\u00e3o se conforma com o mundo e com o seu modo de pensar; que n\u00e3o se deixa limitar pelos os seus crit\u00e9rios e com as suas escolhas. Somos presen\u00e7a daquele que \u00e9 a esperan\u00e7a da humanidade e de cada ser humano, a esperan\u00e7a de todo o universo.<\/p>\n<p>\u00c9 nossa miss\u00e3o mostrar profeticamente o caminho que falta ainda percorrer a todo o povo e ao mundo inteiro; \u00e9 nossa miss\u00e3o denunciar profeticamente os erros, as falhas, os caminhos desviados, os passos atr\u00e1s, as injusti\u00e7as; \u00e9 nossa miss\u00e3o descontruir ideias feitas, preconceitos com que o mundo procura disfar\u00e7ar e distrair de todos dos verdadeiros objectivos.<\/p>\n<p>Mas, igualmente, \u00e9 nossa miss\u00e3o acompanhar, encorajar, mostrar Cristo presente no meio do seu povo e do mundo, como oferta de salva\u00e7\u00e3o, como possibilidade de chegar \u00e0 meta, como vida de Deus ao alcance de todos (mesmo de quantos se considerem mais pecadores).<\/p>\n<p>3. De um modo particular neste Jubileu de 2025, eis-nos chamados a ser ministros da miseric\u00f3rdia divina e da esperan\u00e7a segura que o pr\u00f3prio Deus derrama no cora\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is.<\/p>\n<p>Como presen\u00e7a do Deus feito Homem, queremos ser, cada vez mais, anunciadores de humanidade. Que o mesmo \u00e9 dizer: havemos de procurar a cura das feridas que tantos dos nossos irm\u00e3os ostentam no seu corpo e na sua alma \u2014 feridas de falta de humanidade; de incompreens\u00f5es e de recusas; de aus\u00eancias e de incapacidades; de injusti\u00e7as e de mentiras.<\/p>\n<p>Mas, sobretudo, havemos de procurar abrir, diante de todos, novos horizontes de vida. Havemos de mostrar como o aqui e agora \u00e9 pouco para cada um e para todos; havemos de procurar dirigir o olhar do cora\u00e7\u00e3o daqueles que nos est\u00e3o confiados para o horizonte maior, infinito, de Deus; havemos de os convidar a ultrapassar a tristeza e a indefini\u00e7\u00e3o do horizonte do mar infinito, para os fazer encontrar Jesus Cristo, Senhor da nossa vida, em quem a humanidade encontra o seu ponto mais alto, o \u201ccaminho, verdade e vida\u201d.<\/p>\n<p>Como presen\u00e7a daquele que quer levar o tempo \u00e0 sua plenitude e em si reunir todas as coisas (cf. Ef 1,10), havemos de ser, cada vez mais, presen\u00e7a de comunh\u00e3o. Neste mundo de gente solit\u00e1ria, havemos de ser construtores de verdadeira comunidade; neste mundo de ego\u00edsmos, havemos de ser anunciadores da felicidade de ser, viver e construir uns com os outros; neste mundo de somas e subtrac\u00e7\u00f5es, havemos de mostrar que, uns com os outros e com o Senhor Jesus, multiplicamos e podemos muito mais que a soma das nossas capacidades.<\/p>\n<p>Como presen\u00e7a da Gra\u00e7a divina, queremos ser sempre anunciadores de que, apesar de todas as limita\u00e7\u00f5es e falhas humanas, Deus torna poss\u00edvel n\u00e3o vivermos s\u00f3 das pequenas esperan\u00e7as e sonhos que sempre se encontram na vida de todos, mas vivermos da esperan\u00e7a definitiva e final que oferece um sentido verdadeiro \u00e0 vida de cada um e de todos, e que tem o nome de \u201cVida Eterna\u201d, quer dizer: partilha definitiva da vida com Deus. Por n\u00f3s, com a nossas for\u00e7as, tal n\u00e3o seria poss\u00edvel. Mas Deus pode realiz\u00e1-lo em n\u00f3s e em todos. E quer faz\u00ea-lo. E n\u00e3o existe nada de mais feliz que ser anunciador desta esperan\u00e7a \u00faltima e da sua possibilidade.<\/p>\n<p>Assim o Esp\u00edrito Santo encontre em cada um e em todos a total disponibilidade para nos poder conduzir \u00e0 consuma\u00e7\u00e3o plena daquilo que j\u00e1 come\u00e7ou a realizar.<\/p>\n<p><em>D. Nuno Br\u00e1s, Bispo do Funchal<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abAnunciadores dum novo horizonte\u00bb<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":249155,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[186],"class_list":["post-369928","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-do-funchal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/369928","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=369928"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/369928\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/249155"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=369928"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=369928"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=369928"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}