{"id":369856,"date":"2025-04-16T14:59:10","date_gmt":"2025-04-16T13:59:10","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=369856"},"modified":"2025-04-20T15:30:08","modified_gmt":"2025-04-20T14:30:08","slug":"os-passos-da-procissao-do-senhor-dos-passos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/os-passos-da-procissao-do-senhor-dos-passos\/","title":{"rendered":"Os passos da prociss\u00e3o do Senhor dos Passos"},"content":{"rendered":"<p><em>D. Antonino Dias,\u00a0Bispo de Portalegre-Castelo Branco<\/em><br \/>\n<!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_184289\" aria-describedby=\"caption-attachment-184289\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-184289\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-184289\" class=\"wp-caption-text\">Fotos: Ag\u00eancia ECCLESIA<\/figcaption><\/figure>\n<p>Na liturgia da vida, os gestos e as atitudes s\u00e3o de grande import\u00e2ncia. Se a l\u00edngua dos povos \u00e9 diferente e nem sempre \u00e9 f\u00e1cil de entender, os gestos, regra geral, s\u00e3o uma linguagem comum, por todos entendida, uma forma espont\u00e2nea de comunicar. Da liturgia do culto e da ora\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m fazem parte atitudes corporais, gestos, palavras, sons, o corpo e a alma, o divino e o humano, o interior e o exterior. Tantas vezes o que nos vai na alma se expressa de forma externa e o que acontece exteriormente ecoa no mais profundo de n\u00f3s mesmos. Pode haver quem viva num mundo fantasioso e tente fazer crer que s\u00f3 a intelig\u00eancia e a raz\u00e3o t\u00eam valor, desdenhando esta linguagem natural que, na liturgia da vida e do culto, tantas vezes brota do pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o. Valoriza-se muito e forma-se a intelig\u00eancia, a liberdade, a vontade, e bem. Mas esquece-se a forma\u00e7\u00e3o e a valoriza\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o, o princ\u00edpio unificador de toda a natureza humana, como afirma Francisco.<br \/>\nOra, o povo crist\u00e3o desde sempre manifestou a sua religiosidade e f\u00e9 em variadas formas de piedade que rodeiam a vida sacramental da Igreja, tais como as prociss\u00f5es. Elas t\u00eam sabor evang\u00e9lico, sabedoria humana, enriquecem a vida crist\u00e3. Embora n\u00e3o a substituam, pois \u00e9-lhe muito superior, estas manifesta\u00e7\u00f5es s\u00e3o um prolongamento da vida lit\u00fargica da Igreja. T\u00eam em conta os seus tempos lit\u00fargicos, harmonizam-se com a liturgia, dimanam dela e nela introduzem o povo para o fazer progredir no conhecimento do mist\u00e9rio de Cristo (cf. CIgC1674-1676).<\/p>\n<p>Na pr\u00f3pria celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia, h\u00e1 prociss\u00f5es significativas: a de Entrada, a do Evangelho, a do Ofert\u00f3rio, a da Comunh\u00e3o, a que se faz, depois da celebra\u00e7\u00e3o da Palavra, para o Batist\u00e9rio, para o Batismo, a de Quinta-Feira Santa, levando solenemente o Sant\u00edssimo para o lugar da Reserva, a de Sexta-Feira Santa para adorar a cruz, a da Vig\u00edlia Pascal, seguindo o C\u00edrio, s\u00edmbolo de Cristo Luz do mundo. Estas s\u00e3o no interior da igreja. Mas tamb\u00e9m h\u00e1 prociss\u00f5es que, quando \u00e9 poss\u00edvel e prudente, se fazem pelos caminhos ou estradas das povoa\u00e7\u00f5es. Estas prociss\u00f5es, que a comunidade crist\u00e3 organiza e nas quais caminha, devota e festivamente, tem uma organiza\u00e7\u00e3o disciplinada e muito pr\u00f3pria, partindo sempre do reconhecimento dos dons recebidos e da necessidade de dar gra\u00e7as por isso, adorando e glorificando a Deus. Ao longo do ano, s\u00e3o significativas as prociss\u00f5es da Candel\u00e1ria, a do Domingo de Ramos, a do Corpo de Deus, que \u00e9 a mais solene de todas as prociss\u00f5es, as da Quaresma e Semana Santa. Outras h\u00e1, fruto da religiosidade popular, como as prociss\u00f5es das velas, as peregrina\u00e7\u00f5es a santu\u00e1rios marianos ou em honra dos pr\u00f3prios santos, com imagens ou rel\u00edquias. Os santos n\u00e3o se adoram, adora-se e agradece-se a Deus pelas gra\u00e7as que lhes concedeu para que se tornassem santos e pede-se a Deus que conceda, tamb\u00e9m a n\u00f3s, as gra\u00e7as para que possamos, como eles, alcan\u00e7ar a santidade e a plenitude da vida. A centralidade \u00e9 sempre Cristo Jesus, cuja cruz, instrumento da nossa Reden\u00e7\u00e3o, faz sempre parte de qualquer prociss\u00e3o. Nada impede, por\u00e9m, que pe\u00e7amos \u00e0 Virgem e aos santos que intercedam por n\u00f3s junto do Senhor. Por impossibilidade de v\u00e1ria ordem, nas ex\u00e9quias, j\u00e1 \u00e9 rara a prociss\u00e3o da casa do falecido para a Igreja. Se n\u00e3o h\u00e1 crema\u00e7\u00e3o, maior ou menor, de carro ou a p\u00e9, ainda se vai mantendo a da igreja para o cemit\u00e9rio. Tamb\u00e9m \u00e9 da tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 haver outras prociss\u00f5es, como, por exemplo, a pedir chuva, a pedir colheitas abundantes, ou por motivos de fome, pestes, calamidades, penit\u00eancia&#8230;<\/p>\n<p>Uma prociss\u00e3o, se \u00e9 um rito externo, vis\u00edvel e p\u00fablico, \u00e9 tamb\u00e9m um sinal de uma realidade mais profunda. \u00c9 uma realidade espiritual, uma express\u00e3o de f\u00e9, de piedade, de devo\u00e7\u00e3o, de amor, de confian\u00e7a, de esperan\u00e7a. Embora sejam ambas sinal da nossa condi\u00e7\u00e3o de peregrinos, uma prociss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa que uma peregrina\u00e7\u00e3o, embora possamos apontar v\u00e1rios elementos comuns. A prociss\u00e3o encerra um grande valor simb\u00f3lico, \u00e9 comunit\u00e1ria, est\u00e1 associada a din\u00e2micas festivas e populares, tem muitos intervenientes, muitos participantes, alguns espectadores. Quando bem preparadas, t\u00eam beleza e arte, sil\u00eancio e recolhimento, andamento e porte respeitoso, \u00e9 express\u00e3o de f\u00e9. A peregrina\u00e7\u00e3o, na maior parte dos casos, se tamb\u00e9m tem cariz espiritual, individual ou em grupo, \u00e9 mais livre e mais despojada, facilita a partilha de experi\u00eancias com os outros peregrinos, convivem, enfrentam as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, abrem-se a outros mundos e a outros elementos apreci\u00e1veis, como o das tradi\u00e7\u00f5es locais, da arte e da cultura, da beleza dos espa\u00e7os geogr\u00e1ficos, das paisagens e monumentos, e a outros aspetos que sempre se exploram.<\/p>\n<p>Neste caminhar para a P\u00e1scoa, em muitos locais, as comunidades crist\u00e3s organizam, participam e vivem religiosamente a Prociss\u00e3o do Senhor dos Passos, unindo a ora\u00e7\u00e3o e os seus passos nos caminhos da convers\u00e3o, com os olhos postos no mist\u00e9rio da Paix\u00e3o e Morte de Cristo Jesus, o \u00fanico mediador entre Deus e os homens. Nesse andamento processional a caminho do Calv\u00e1rio, s\u00e3o significativos o gesto simb\u00f3lico e a Palavra evang\u00e9lica no momento do encontro de Jesus com sua M\u00e3e. Unindo-se, de certo modo, a cada homem, Jesus tomou sobre si os pecados dos homens, serviu, sofreu e deu a sua vida como resgate por todos e a cada um convida a tomar a sua cruz de cada dia e a seguir os seus passos: \u201cComo Eu vos amei, amai-vos tamb\u00e9m uns aos outros. Nisto conhecer\u00e3o todos que sois meus disc\u00edpulos: se vos amardes uns aos outros\u201d (Jo 13, 34-35).<\/p>\n<p><em>D. Antonino Dias,<\/em><br \/>\n<em>Bispo de Portalegre-Castelo Branco<\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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